Onde buscar referências

6.3.12

"as imagens emergem como espaços dialógicos nos quais se inscrevem narrativas, trajetórias e histórias que, de alguma maneira, nos interpelam, desalojam e instigam fazendo perguntas que nos mobilizam em busca de explicações ou respostas para a provocação das imagens." [1]
Caveiras mexicanas, inspiração eterna!
Fonte: Pinterest


Gostaria de falar um pouco mais sobre meu processo de busca por referências para os desenhos. Já mostrei aqui meus look books, mas a construção desse diário visual vai além de recortar e colar figuras num caderno. Está muito mais associado ao nosso conhecimento de mundo e, para mim, por si só já se constitui num processo de criação, tendo em vista que selecionar imagens, num mundo cada vez mais carregado de informações, é uma prova de que podemos extrair o melhor para a realização de um trabalho.

Sempre acumulei imagens. Na infância, álbuns de figurinhas, desenhos de personagens, revistas em quadrinhos. Na adolescência, pôsters dos meus ídolos, e na vida adulta todo um leque de livros e reproduções de obras de arte, que me ajudaram em minha trajetória como profissional de Artes Visuais.

Num dado momento, achei que utilizar referências para o meu trabalho era errado. Era como se não estivesse sendo honesta no meu desenho. Era como se ele fosse algo externo e sem relação com as minhas vivências. Então, em 2010, descobri o blog da Fernanda Guedes, que trabalha com referências fotográficas em várias ilustrações fantásticas. Mas ao contrário do que eu imaginava, era possível sim fazer algo original, a partir de uma referência, seja ela fotográfica, musical...

Então retomei o processo de coleta de dados. Voltei a comprar revistas, a prestar mais atenção nas coisas que via na rua, desenvolvi uma incrível capacidade de notar o inútil hehehehehe. E, mais recentemente, descobri dois sites ótimos para pesquisar e armazenar imagens: o WeHeartIt e o Pinterest. São redes sociais que permitem que você marque a imagem favorita e guarde-a num ábum (sets ou boards). Também permite seguir pessoas que compartilham imagens interessantes, formando uma teia de informações, como em qualquer outra rede social.

Senti necessidade de escrever esse texto pois vejo que, a cada dia, minha relação com o desenho vai se transformado - e para melhor. O que ontem era apenas um hobby ou uma especificidade da área que escolhi, agora está se delineando como profissão. E isso não me assusta mais, pelo contrário: me deixa com o coração cheio de felicidade, por ter a oportunidade de trabalhar com o que gosto. Quantas pessoas podem isso?

Abraços e obrigada a tod@s que compartilham suas vivências comigo.

Lidiane :-)

***

[1] MARTINS, Raimundo. Imagem e processos de interpretação no contexto escolar. In: ASSIS,  Henrique L., TEIXEIRA, Edvânia B. e outros(Orgs.) O ensino de Artes Visuais: desafios e  possibilidades contemporâneas. Goiânia: Grafset, 2009. p. 99-106. 
Extraído de: Repertório visual na formação de professores de Artes Visuais, de Marcelo Forte.

Veja também

0 Comentários

Muito obrigada pela visita e pelo comentário.
Saiba mais sobre os termos de uso do blog clicando aqui.

Subscribe