Os olhos das minhas figuras

13.7.12

Olá leitor@s


    Ultimamente tenho dado atenção para os processos de criação das minhas ilustrações. Faço vídeos, tiro muitas fotos para comparar o início com o final de um projeto, monto mood boards para me inspirar, e agora também escrevo sobre isso quando sinto necessidade. É uma maneira de deixar registrado como aquilo aconteceu, quais decisões que tive de tomar, se o resultado final foi o esperado ou não. Geralmente, no inverno me desanimo um pouco, pois sou literalmente alérgica ao frio, minhas mãos incham e coçam, sinto um mal estar do cão, e isso compromete minha produção. Mas estou tentando continuar ;)
    E hoje, venho falar de algo que sempre chama muita atenção nas minhas figuras, e que várias pessoas já teceram comentários e elaboraram suas próprias teorias a respeito. Estou falando do olhar.
    Dia desses, em aula, minha professora chegou até a comentar que um dos pontos marcantes dos meus desenhos é o olhar, e que esse é reflexo dos meus próprios olhos. Na realidade, não é bem assim... Por eu ter olhos verdes e grandes, todo mundo acha que eu desenho mulheres "zoiudas" por causa disso. Mas o motivo é outro, (que até pode ter relação com a minha incapacidade de disfarçar o olhar quando alguma coisa não está legal): é aquela máxima de Leonardo da Vinci - os olhos são as janelas da alma e o espelho do mundo. Eles são nossas lentes, como enxergamos aos outros e a nós mesmos, refletem nossa personalidade. Acredito que podemos "ler" uma pessoa através da expressão de seu olhar. Gosto muito de observar essa parte no corpo dos outros, gosto de quem me olha no olho, quem não se desvia ou esquiva para conversar.
    Então, eu me projeto nas minhas figuras? Não. Apenas reforço minha opinião sobre a expressividade do olhar. Também gosto de subverter um pouco a ordem de contemplação. Principalmente no caso da figura feminina, é bem comum encontrar obras nas quais a mulher está representada com o intuito de proporcionar deleite ao seu espectador. Ela é observada, mas nunca observa. Tem uma atitude passiva e muitas vezes inocente, como se estivesse sendo observada às escondidas. E isso para mim é mais um elo da cadeia machista na história da arte. Minhas figuras também observam, também desafiam o seu espectador a encará-las e a decifrar seus mistérios. Em minha análise, o grande mistério da Monalisa não encontra-se em seu enigmático sorriso, mas sim em seu inquietante olhar: ela nos observa, nos acompanha, nos convida a desvendar sua identidade.
    Outro ponto que gosto de reforçar é a "maquiagem" que esse olho receberá. Penso nas cores, nas texturas, nos esfumados, em tudo que possa contribuir para que aquele simples traço ganhe vida e "salte" do papel. É o que tem acontecido com Água, que está em processo. Como é mais uma parceria com o Jeronimo e ele sempre capta o que quero passar, estou tendo a preocupação de me manter fiel aos elementos da poesia que ele criou (e que em breve vocês verão).

Era isso... apenas uma reflexão de quem pensa demais hehehehehe.

Abraços,
Lidiane :-)

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