[Repost] A mão

10.5.13

Quando o dia das mães começa a se aproximar, é certo que uma postagem aqui do blog vai para o topo das mais acessadas. É A mão, feita em 19 de agosto de 2010. Resolvi compartilhar um cartão que fiz ainda no jardim de infância, pois no dia 20 seria a qualificação do meu projeto de dissertação e o tal cartãozinho foi o estopim para várias ideias que desenvolvi durante a pesquisa. Olhem ele aí, completinho:


Resolvi trazê-lo novamente para compartilhar um pouco do que pesquisei e as (in)conclusões tiradas a partir dessa imagem tão significativa. Vocês repararam que voltei a falar de pesquisa? Quem sabe eu me anime, né? Então, abaixo, vou transcrever o trecho que vem em seguida da mãozinha, na minha dissertação.

Imprimir a marca da mão em uma superfície, assim como nas cavernas de Santa Cruz, pode ser considerado um ato inaugural, como pontua Derdyk (1994, p. 158): “(...) na medida em que assinala a existência do homem como ser pensante, sabedor de si mesmo. Este gesto também está presente nas descobertas da criança, quando ela consegue relacionar o ato de pintar a mão com o de carimbar esta sobre algum suporte.”
Essa citação da autora, escrita em 1994, pode ser ilustrada por uma situação que ocorreu comigo na mesma época, durante o jardim de infância e que foi uma das responsáveis pela escolha do tema da dissertação, bem como uma série de outros fatores que me fizeram retornar ao desenho, e que está em estreita relação com o desejo atávico do ser humano de imprimir sua marca na natureza.
Em 1991, quando estava na pré-escola, a professora pediu uma tarefa recorrente até hoje nas classes: a confecção de um cartão comemorativo. O cartão em questão era para o dia das mães, e consistia em uma folha de papel A4 dobrada ao meio, com uma frase de parabéns, e a mão da criança como ilustração frontal. Na parte interna do cartão, a professora pediu para que cada uma assinasse, para mostrar às mães que as crianças já eram capazes de escrever o próprio nome.
Este cartão tão simples, que talvez por afeição ou qualquer outro motivo não foi descartado pela minha mãe, se tornou um dos principais pontos de referência da pesquisa. Ao perguntar para ela se havia guardado algum desenho da época de escola, a fim de reunir um corpus para ser analisado, me deparo com a imagem impressa desta mão tão pequena e significativa, e imediatamente lembro-me das pinturas rupestres e das imagens de Altamira, Lascaux e Santa Cruz, e da importância delas para a história da humanidade.
Para a minha história e para desvendar a necessidade que sinto em desenhar, nenhuma outra imagem poderia ser tão significativa como a mão impressa no papel, o ato inaugural de deixar uma marca no mundo e me reencontrar com todas essas questões 20 anos depois da confecção deste cartão.*

Me emocionei agora, durante muito tempo fiquei receosa de rever o que tinha escrito, mas hoje sinto muito orgulho de tudo que fiz, pois me reconectei com algo que hoje é minha profissão e ainda tive a sorte de saber que a oficina que ministrei foi replicada com grupos de professores. Muito amor.


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Abraços,
Lidiane :-)

Obs.: Vi que o blog estava com um errinho devido ao html do contador de visitas, que redirecionava para um site nada a ver. Agora já resolvi o problema! :)

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4 Comentários

  1. Lindo post minha querida! De verdade, ao ler o texto, deu para sentir algo diferente, emocionante eu diria. Mesmo com pouca idade, foi muito inteligente seu presente/cartão. Meus parabéns, é aquelas "coisas" que quando olhamos, nos dá um orgulho danado. Devo ter alguma pintura, cartão ou cartinhas que escrevi quando pequeno para a minha mãe. Pois é, eu também fazia. Escrevia muito para ela, desde pequeno, HAHA.

    Lindas capinhas para iPhone e outros aparelhos. Não pegaria elas, pelo fato de ficar um pouco estranho para os homens, HAHA, no meu iPhone não ficaria tão legal. Mas são lindas, maravilhosas!

    Muita luz sempre, adorei o post. Grande beijo! <3

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    1. Oi Ewerton! Ah, chega essa época e os acessos à essa postagem sobem demais da conta. Por isso resolvi recompartilhar. Minha ideia é emoldurar o cartãozinho um dia, para tê-lo na parede do meu ateliê, minha primeira "obra de arte" hahaha. É muito legal ver essas coisas anos mais tarde, a nostalgia toma conta da gente ^^

      Muito obrigada pelo carinho de sempre e olha só, tem estampa masculina sim hahahaha: http://society6.com/lidianedutra/Apache-Skull_iPhone-Case

      Beijão!

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  2. Lidy,
    que massa a história do cartãozinho, da impressão da mão... realmente todos nós temos essa necessidade de se expressar. E o cartãozinho com a sua mão pequenininha, muito bonitinho. As cases estão lindas!
    bjs!

    relicariodasrafleur.blogspot.com.br

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    1. Oi Yatap!

      Como pode um cartãozinho tão simples significar tanto, não é?! É a consciência da criança e do seu lugar no mundo se formando, por isso a importância de dar asas à imaginação nessa época!

      Obrigada pelo carinho!

      Beijos :)

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