Desistir

9.10.13

Desistir de algumas coisas que não tinham importância, me proporcionou dedicação quase que exclusiva à outras como, por exemplo, o aperfeiçoamento do meu traço. Foto de novo trabalho em andamento. Também desisti da ideia original para o desenho e arrisquei outro rumo.
Há algum tempo atrás, escrevi um texto curtinho sobre o ato de desistir. Acredito que vale a pena transcrevê-lo aqui:

Os primeiros meses de 2012 têm anunciado algo mágico: este é o ano em que desisti de tudo. Primeiro, desisti da minha vida acadêmica. Com isso, desisti de ser perfeita. Desisti de querer abraçar o mundo com as pernas. Desisti de esconder o que penso e de não assumir os meus erros, que são muitos. Desisti de achar que todo mundo é legal e que todo mundo não presta. Desisti de não falar para aquele amigo que curto o trabalho dele. Desisti do silêncio e desisti do barulho. Acredito que a chave para a mudança está na desistência: não mudamos porque corremos atrás dos nossos sonhos, mas sim porque deixamos para trás aquelas rabugices que nos impedem de prosseguir. Às vezes desisto dos outros, mas nunca desisti de mim mesma. Não desisto de ser uma pessoa que gosta de pequenas coisas, justamente porque desisti dos elefantes brancos.

Nos últimos dias, essas palavras voltaram a ecoar na minha cabeça, por um motivo em particular: a tal vida acadêmica. Quem me acompanha desde o início, pôde ver a dor e a delícia do mestrado e todas as experiências que nele vivi. Depois da defesa, em abril de 2011, sofri uma sucessão de negações que me fizeram reavaliar a vontade de estar num programa de pós-graduação. Resolvi me dedicar ao trabalho e, se eu não tivesse feito isso, talvez nem estaria aqui, agora, falando com vocês. Graças a essa dedicação, comecei a trabalhar como ilustradora, tenho minhas lojas e sigo na produção de material para EaD.

Este ano, resolvi tentar o doutorado novamente, muito mais pela pilha dos outros do que por vontade própria. E mais uma vez me vi angustiada, tentando "espremer" o cérebro para tirar um projeto que pouco tinha a ver comigo. Até que cheguei a um ponto crítico, com todo meu processo criativo bloqueado e algumas encomendas paradas sobre a mesa. Pensei seriamente: o que estou fazendo? Pra quê tudo isso? Pra quem? Vi que me deixei levar pelas escolhas dos outros e embarquei numa viagem que não planejei. Só fui me dar conta disso e pôr uma pedra no assunto, quando tive claras as minhas prioridades. E quais são elas?

Primeiro, não quero abrir mão do meu trabalho como ilustradora. Demorei muito tempo para sentir confiança no que faço, conquistei clientes, amigos, parceiros. Minha vida deu uma guinada de 180 graus, num rumo que até pouco tempo atrás não imaginava seguir. E isso significa muito para mim e para minha auto estima. Segundo, acredito que é preciso querer muito fazer um doutorado. Pesquisar algo relevante, e não falo de relevância para a humanidade, mas para si próprio: pesquisa como ato de descoberta. E penso que muitas pessoas (não todas, claro) encaram a pesquisa, hoje, como um emprego: profissão mestrando, profissão doutorando. Isso é patético...

Não penso em fazer doutorado tão cedo e não me arrependo dessa decisão. Sou jovem, posso e devo passar por outras experiências, até ter maturidade suficiente para encarar quatro anos de caminhada. Quero ler muito, desenhar mais ainda, vivenciar minha arte. Fazer parcerias, me encantar com relatos de crianças e jovens que também descobriram seu amor e sua força de vontade em continuar acreditando em seus sonhos. Eu ainda acredito nos meus. Todo pesquisador deveria acreditar também, e desistir de suas rabugices...

Abraços,
Lidiane :-)

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9 Comentários

  1. Que texto maravilhoso Lidy! Realmente temos que fazer aquilo que funciona para nós. Daqui há um tempo você pensa na ideia de um doutorado. És jovem, inteligente e estais crescendo em carreira. Tens tempo para tudo. Aprecio sua determinação, garra e amor para com teus projetos. Admiro infinitamente mais o teu trabalho e teu blog. Te acompanho nas tuas redes sociais apenas pelo prazer de ver algo inovador da tua parte. Vai em frente e não se estresse com estas coisas.. . tudo acontece quando tem de acontecer, mesmo nós tentando, persistindo, tudo só vem no tempo. O projeto da sua vida e de consequentemente do seu doutorado está a caminho. hehe Grande beijo e muita luz para ti, já estava com saudades daqui.

    Ewerton Lenildo - @Papeldeumlivro
    papeldeumlivro.blogspot.com

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  2. Ps: tinha levado até um susto pensando que seu "desistir" fosse desistir do blog. HAHAHA UFA!

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    1. Oi Ewerton, saudades de te ver por aqui *-*
      Obrigada pelo carinho e pelas palavras, eu acredito estar no caminho certo para minha vida. Enquanto vejo todos acelerando cada vez mais, quero colocar o pé no freio, ter uma vida mais leve, talvez não com tanto dinheiro rsrs, mas com satisfação pelo que faço. E acredito que as pessoas, de uma maneira geral, precisam se conscientizar disso, precisamos ser felizes no que fazemos. E o meio acadêmico neste nível é um lugar com muitas pessoas infelizes (não todas), mas uma parcela considerável.
      Não te preocupa que continuarei mais firme e forte com o blog e com os trabalhos do que nunca hehehehe

      Um grande beijo!

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  3. Amiga o importante é ter experiências de vida, sejam elas em casa ou na rua. Ser ilustradora é algo que você alcançou com seu esforço e trabalho, acho que você está fazendo certo, vivendo esse momento e seguindo as suas vontades.
    Desistir é uma palavra forte, que tal fazer o uso de escolha de prioridades , viver um sonho de cada vez, pior seria abraçar o mundo, se tornar infeliz e depois acabar desistindo de algo ou de tudo por não ter força e nem vontade.
    Eu pessoalmente espero que vc faça oq te faz feliz, se isso éd esenhar e o blog FORÇA! Se for dançar música caribenha no sertão eu também apoiarei, a vida é curta demais para não viver de acordo com os seus sonhos. ^^

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    1. Exatamente, o importante é ter experiência de vida! Também acho que desistir é uma expressão forte, mas parece ser o único jeito que encontrei para que as pessoas entendam que não é o que quero para minha vida agora. O mundo acadêmico (pelo menos aqui na FURG) está muito fechadinho em si, parece não haver espaço para o que vem de fora.
      Não pretendo dançar música caribenha no sertão kkkkkk mas vou voltar com as aulas de dança do ventre! :D
      Obrigada pelo carinho e pelo apoio, é isso que me faz sentir que estou no rumo certo! :)

      Grande beijo!!! :*

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  4. Lidiane, eu sou muito nova para dar conselhos mas dizem que para a idade que tenho sou amdura demais e avançada demais.. bom li e encontrei uma caixa de opiniões sobre seu post, sobre sua vida, mais uma vez, você vai pensar, 'legal a opinião de uma pessoa que eu nem conheço, mas que de alguma força se importa cmg' é bem isso, bem assim.. rs.
    Nós vivemos desistindo e recomeçando tudo, sobre tudo na vida, profissional, amorosa, pessoal em si.. Voc~e tem que rever prioridades e o que lhe tras felicidade, afinal de contas a felicidade rege toda nossa vida e ela deve ser prioriedade em tudo, quando vc faz o que vc ama nada pode entristecer rs, nem todo trabalho do mundo, logo, vc tira a conclusão que não há necessidade de fazer o doutorado agora.. um dia quem sabe.. vai ser feliz rs.. beijos verdes

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    1. Oi flor, obrigada por se preocupar comigo e dar a tua opinião, dou muito valor a isso, por isso amo tanto o blog :)
      E sim, vou ser feliz, procurar realizar os meus sonhos. No momento, doutorado não é a minha prioridade, e eu precisaria abrir mão da ilustração para poder me dedicar integralmente a ele, e definitivamente não quero isso. Um dia, quem sabe... :D

      Obrigada pelo carinho!
      Bjs :*

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  5. Isso ai Lidiane, eu tambem estou por essas. Eu li uma tirinha do Bill Waterson, que me deu uma coragem pra assumir meus interesses.Mas e dificil assumir. Existe uma pressao, e uma falta de... nem sei oque, das pessoas acharem que a nosso vida, para ser socialmente aceita , tem que ser na regra geral: graduacao, pos, doutorado, e trabalho.
    Eu, antes de me formar ja tinha avisado pros meus pais dos meus planos, entao eles nem se importam de ficar me cobrando, porque eles sabem oque eu quero, respeitam e ainda bem, apoiam. Ja os demais, ficam naquela CHATICE, de me perguntar quando eu vou prestar concurso pra ser professora do estado ou municipio. De inicio, eu dava umas enroladas, mas agora eu tenho sido direta: Nao vou prestar concurso, porque nao quero ser professora. Nao, por enquanto. Se eu for, quero ser uma professora com realizacao pessoal, e nao uns como a gente ve por ai, que nao se realizaram, e por isso podam seus alunos.
    Se der certo, que bom, se nao der, tentei. Pior, e a gente entrar nas pilhas e fazer oque os outros acham, e depois no futuro, se ver frustrado com a propria vida.
    A escolha pelo desenho, so entende bem, quem opta por isto. E dificil, a gente tem que evoluir, tem que brigar consigo mesmo, tem que aturar parente perguntando porque a gente nao quer trabalhar (kkk), tem que driblar o deconhecimento do publico, etc. Mas nos nao seremos as primeiras nem as unicas a passar por isso.
    E eh bucha quando nos perguntam no que a gente trabalha. a gente responde `ilustradora`, e as pessoas ficam com umas caras achando que isso nao e um trabalho.Da vontade de puxar a pexera e lasca-lhe no meio!

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    1. Oi Rosali! É bem por essas medmo. Também não quero prestar concurso para professora do Estado/Município porque quero ter o mínimo de qualidade de vida naquilo que faço. Dá estabilidade, sim. Mas a que preço? Sinceramente, se o objetivo de vida de uma pessoa é ter Ipe, ela precisa urgentemente rever os seus conceitos. E muito dessa paranoia da estabilidade vem das cobranças alheias. Se eu tiver que fazer um concurso, farei um legal, que eu diga "poxa, aí sim!" Se é pra me tornar um poço de frustração como esses que a gente vê por aí, fico do jeito que estou. Esses tempos fui fazer cadastro numa loja (detesto isso) e na hora que o atendente me perguntou a profissão, falei ilustradora e ele soltou um POR QUE????? COMO ASSIM, O QUE É ISSO, PRA QUE ILUSTRADORA????? Num misto de ignorância/surpresa e isso não existe aqui no sistema. É difícil, mas não é impossível, então simbora, porque enquanto o desgosto alheio come solto, nós estamos vivendo as nossas vidas o///
      Beijos!!!!

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