3 livros que mudaram minha vida

24/04/15


Abril foi um mês de muita tristeza para o universo literário, com a morte do escritor uruguaio Eduardo Galeano, no último dia 13. Fiquei arrasada, pois ele é um dos meus autores favoritos da vida toda. O contato com seus livros me proporcionou não só conhecer mais a história da América Latina, como também apreciar a poesia que se encontra nas pequenas coisas e provar que é possível sim escrever um texto histórico ou acadêmico sem abrir mão da sensibilidade. Por isso, resolvi aproveitar o meme do Rotaroots e indicar três livros do Eduardo Galeano que mudaram a minha vida.

O livros dos abraços: como eu já disse num post anterior, conheci a obra do Galeano ainda na graduação, e meu primeiro exemplar foi de O livro dos abraços. Minha edição está tão surrada de manuseio e de empréstimo, que chega a dar dó. Cada página guarda um tesouro, pois o autor escreve, de maneira muito rica, pequenas ações cotidianas, lendas, passagens históricas e biográficas, de figuras e lugares do folclore das Américas. Considero minha primeira leitura adulta, depois de passar pela fase dos livros obrigatórios para a escola/vestibular e dos técnicos para a faculdade.

Espelhos: uma história quase universal: este é meu livro preferido (até o momento, visto que ainda não li toda a obra do autor), por se tratar de uma das coisas mais megalomaníacas e maravilhosas que já vi: contar a história da humanidade, através do ponto de vista daqueles que nunca tiveram voz. Mulheres, negros, índios, presos políticos... todos aqui são protagonistas e apresentam suas versões de fatos históricos, muitas vezes conhecidos somente através dos registros do homem branco colonizador. É uma aula de história em formato de pequenos contos, uma leitura fácil e, ao mesmo tempo, de uma intensidade que te arrebata de maneira única.

Os filhos dos dias: este foi o último livro que Galeano escreveu, publicado em 2012. São 365 contos, um para cada dia do ano, e relacionados a algum fato histórico ou folclórico ocorrido naquela data. Dá para ler aos poucos, ver o que aconteceu no dia do seu aniversário, ou no de seus amigos e familiares. Acho o formato desse livro genial, pois une aqueles almanaques que trazem um pensamento/oração/poema por dia, com cultura popular. Torna a história sul americana, mais uma vez, acessível ao grande público, mostrando que temos tanta riqueza cultural e que precisamos dar valor à ela.

Infelizmente, na maioria dos casos, só quando um autor morre é que a mídia passa a valorizar sua obra. Provavelmente, teremos uma enxurrada de textos e relançamentos de livros do Eduardo Galeano nos próximos meses. Então, aproveite o momento para conhecer este homem fantástico, que lutou muito pelos direitos humanos e, principalmente, pela visibilidade latino americana. 

Abraços, 
Lidiane :-)

Comentários

  1. Que homenagem linda ao Galeano. Ele também é um autor que levo no coração. Li com muita gana "As veias abertas da América latina" e o "De pernas para o ar". Até um trecho deste último consta como epígrafe na minha dissertação, porque é uma coisa muito ninja!

    Adorei seu post, muito digno!

    Abração!

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    1. Muito, muito obrigada! Fico feliz que tenha gostado. Toda homenagem para o Galeano será pequena, diante da grandeza da vida e obra desse gênio. Eu inicio e fecho minha dissertação com as palavras dele, já está fazendo falta no mundo...

      Grande beijo :**

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