✨Minha evolução na aquarela em 1 ano✨

14.3.17


Eu queria ter feito esse post logo no início do ano, acabei deixando em rascunho e, quando me dei conta, já estava na metade de março. Mas acho que é um bom momento para compartilhar essa reflexão, visto que, nos últimos dias, houve um "surto" de conteúdos relacionados a aprender fácil, rápido e sem sair de casa. E eu tenho muita birra com essas coisas, porque não existe aprendizado vapt-vupt. Algumas pessoas possuem, sim, uma facilidade maior para compreender algo, mas isso não as exime de treinar, errar muito e acertar.

E acredito que é irresponsável demais você dizer para uma pessoa que ela pode se tornar profissional (em qualquer área) de maneira simples e indolor. Isso não existe! Não é uma receita de bolo ou uma fórmula manipulável. Para cada um, o caminho vai ser diferente, mas uma coisa todos têm em comum: é preciso estudar desde a base. Por isso, selecionei trabalhos feitos antes e depois do Curso de Aquarela da Sabrina Eras, que eu vou falar até a morte, principalmente porque agora ela está com curso novo e eu não tenho um tostão para fazer! *cries in watercolor language*

Eu não me intitulava aquarelista antes do curso por motivos óbvios: nunca havia estudado aquarela pra valer. Tudo o que eu vi foi na base do tutorial e da tentativa e erro. Tive pouca mentoria sobre o assunto na vida, então, imaginem o impacto de ter uma hora de aula com a Sabrina toda a semana, fazer vários exercícios (muito quadradinho) e me ligar que eu precisava correr demais atrás dessa máquina para pintar de maneira minimamente decente. Mas vamos ver na prática do que é que eu estou falando:


O mínimo de mentoria já faz diferença: gostaria de começar com dois trabalhos do início de 2016; um de janeiro e outro de março. É possível ver uma diferença gritante entre eles e isso foi resultado de - pasmem - um mês de aula com a Sabrina. Apesar de ainda estar muito tímida na aquarela, observe como já encontrei soluções melhores para a composição: as cores estão neutralizadas, o grafite é suave, os elementos não estão brigando pela atenção. Tanto é que, ainda hoje, tenho essa ilustra como header do blog e não consigo substituí-la, tamanho o carinho por ter conseguido aplicar o que aprendi. Outros detalhes finos, como: finalização com caneta, lápis de cor, reserva de brancos, também começaram a tomar forma.


Vários tons cabem numa pele: já falei em outras ocasiões sobre utilizar várias cores para chegar ao tom de pele desejado, até mesmo porque não existe um tom de pele padrão. Mas só fui colocar isso em prática pra valer depois do curso. No primeiro desenho, a pele da figura é coberta, basicamente, por marrom e bege (que é extremamente opaco e retira toda a translucidez da aquarela). Já no segundo, trabalhei com roxo, azul ultramar, sombra queimada, vermelho, ocre... Em vez de usar a caneta multiliner para marcar as sombras, optei pelo grafite 2B. O resultado é muito mais natural. Com o tempo, aprendi a montar minha paleta de acordo com as necessidades e, por incrível que pareça, ela não aumentou, e sim reduziu, já que aprendi a misturar as tintas e extrair o máximo delas.


O material faz diferença, mas não é tudo: dá pra acreditar que foi a mesma pessoa, utilizando o mesmo material, quem fez esses dois trabalhos? Acredite: foi, sim, e no intervalo de um ano. Isso serve pra gente perceber que de nada adianta trabalhar com tudo o que há de melhor, se não temos clareza do que estamos fazendo. A aquarela não é uma sucessão de manchas aleatórias, feitas de qualquer jeito. E olhe só como uma coisa vai melhorando a outra: a composição, o enquadramento, a escolha da paleta está muito mais madura. Não tenho vergonha do primeiro desenho em si, mas sim de achar que eu estava fazendo grande coisa quando, na verdade, sabia de nada, inocente...


Valores e neutralização: utilizar a tinta pura, retirada diretamente da bisnaga ou da pastilha, deixa a pintura saturada e as cores com aspecto estranho. Isso porque fica difícil acertar os contrastes, tanto por cor, quanto por valor. Quando os valores estão bem colocados, a probabilidade de pesar a mão nas cores é menor. Por outro lado, se neutralizamos os tons, principalmente com os cinzas óticos, a composição fica muito mais agradável. Uma coisa complementa a outra. Na primeira figura, a pele novamente está coberta por bege e marquei os valores posteriormente, com lápis. Já na segunda, coloquei todos os valores primeiro, e utilizei cinza e sépia para a pele, deixando a tinta bem diluída e grandes áreas de luz. Óbvio que, se eu voltar nessa segunda pintura daqui a um ano, vou encontrar vários erros, mas é assim que funciona: nossa percepção e nossa técnica se alternam constantemente.


Não deixar pela metade: Uma das coisas que aconteceu comigo, logo no início do curso, é que eu entrava em modo pavor e deixava tudo pela metade. Ver aquela tinta toda escorrendo pelo papel, uma sucessão de manchas sem sentido (uma verdadeira caca), me deixava nervosa e com tremelique no olho esquerdo. Aí eu simplesmente fugia e abandonava o estudo. Foi bem o que aconteceu com a primeira imagem. Está pela metade, agora eu vejo. Não há finalização, nem valores, parei no início da mancha. E, aos poucos, fui perdendo o medo da finalização (embora ainda cause leve tremor na pálpebra). E quando a gente supera o medo de ir até o final, descobrimos que não é necessário usar tantos recursos além da tinta. Minha última ilustração é a prova disso: eu só reforcei a pintura com lápis no entorno do olho e em algumas partes do cabelo. o contorno é finíssimo e dialoga com a paleta. Tenho aprendido a ser sutil, e é nessa sutiliza que reside muito da beleza e da peculiaridade da aquarela.

Resumindo um ano de aprendizado em um parágrafo: não existe fórmula pronta para aprender a desenhar e pintar. Qualquer pessoa que ofereça para você um método revolucionário para se tornar profissional rapidamente está mentindo. O que existe é muito estudo, muitos erros, suor e lágrimas (porque é sofrido, sim, e isso não é um defeito, faz parte), muito bloqueio, muitas derrotas até conseguir a primeira vitória, atualização constante, questionamentos constantes sobre a nossa capacidade e, mais do que tudo: a certeza de que você nunca termina de estudar alguma coisa, porque o aprendizado é interminável e acompanhará você pela vida toda.

Espero ter inspirado quem aguentou ler até aqui, e dado um empurrãozinho para quem quer correr atrás de mentoria. Vale cada minuto, pode apostar.

Abraços! ❤

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9 Comentários

  1. Seus desenhos são lindos! E a cada dia melhores. A Sabrina é ótima mesmo, quem sabe um dia eu po$$a fazer um curso com ela ;)

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    1. Obrigada, Mari! Sabrina foi um divisor de águas na minha vida, vou morrer recomendando os cursos dela <3

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  2. Mto bom, Lidy! Sua evolução esse ano mto linda! Parabéns e q vc mantenha esse espírito de sempre melhorar. Ps. Mindentifico com esse tremelique do não finalizado. Tou penando numa encomenda q sai da minha zona de conforto. XD

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    1. Obrigada, Lila! Confesso que fiquei até com vergonha de compartilhar alguns trabalhos, mas acho que faz parte reconhecer que sempre dá pra melhorar um pouquinho ^^
      Tô passando por esse tremelique nesse instante, com uma encomenda... mas vai dar certo! ;)
      Bjs :*

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  3. Lidy, seus trabalhos já eram bonitos, mas ficaram mais ainda.

    Aquarela e tinta acrílica sempre foram algumas das minhas fraquezas e eu até gostaria de fazer um curso como o da Sabrina, o problema é que nesse momento, tá faltando $$$ para pagar contas, imagina para fazer cursos.

    Enfim, é muito bom poder acompanhar seu crescimento no mundo da arte Lidy. Sabe que sou fã...

    Com relação a última conversa que tivemos, fiz algo que me sugeriu, me afastei das redes sociais quase que completamente. Estou investindo tempo e suor apenas no meu portfólio. E apesar de continuar pintando e desenhando, não sinto o menor desejo de compartilhar isso com ninguém. Resolvi olhar para dentro de mim e estou tentando encontrar uma linguagem, uma forma de expressar o que eu penso e sinto. Quanto mais faço isso, menos sentido vejo em continuar o blog, enfim, bora pra frente.

    Abraços e até breve.

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    1. Obrigada, Mateus! Agora quero me dedicar ao guache, até já comprei as cores primárias, quero casar os estudos com gestual e botânica. Esse ano também não consegui fazer o curso de Ilustração e Processo Criativo dela, fiquei com o coração apertado, mas não deu :(

      Eu fico feliz em ter te ajudado com aquela situação e acho que você faz bem em se afastar e focar nos estudos e no seu portfólio, porque na realidade é isso que importa quando alguém procurar pelo seu trabalho. As redes sociais são o meio pelo qual as pessoas nos acham, mas é no portfólio que ganhamos clientes, isso é fato.

      Quando fiquei sem vontade de postar no blog, acabei reativando meu Tumblr, porque lá as pessoas estão em outra sintonia. É muito melhor compartilhar artes e processos, tem muitos artistas legais e até a resolução das imagens é melhor. Comecei a acompanhar o trabalho de muita gente legal que eu só conhecia pelo pinterest, então é uma rede social que, na minha opinião, continua com a sua essência e vale a pena pela inspiração.

      Abraços!

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  4. Oi Lidy!
    Que delicia de post! Amei! Sou apaixonada pela pintura da Iemanja, esse azul com dourado ganhou meu coração! Amei como a tinta se espalhou no papel de uma maneira tão delicada e fluida!
    Essa questão de promessas de aprendizagem rápida realmente é triste de acompanhar,
    pois você tem toda razão, isso não existe em nenhum campo da vida!
    Acho também que mesmo com as frustrações é exatamente todo o processo que nos envolve e conquista, é tão prazeroso quando a gente estuda, trabalha duro e com o tempo vai percebendo os frutos, como uma plantação mesmo, onde a gente cuida da terra, escolhe as sementes que vai plantar, vê o quanto de sol e nutrientes aquela plantinha vai precisar, se temos condições ou não de oferecer o que ela precisa, regamos, cuidados com amor e carinho, até que floresce e depois vem os frutos!!! =D
    Sobre o que você disse de não finalizar os estudos, estou passando por isso, por enquanto estou estudando mais com o grafite e a aquarela uso mais nos momentos em que quero me soltar mais. Pois estou focando no aprendizado do desenho para depois focar mais na pintura.
    Estamos aprendendo hiper realismo no curso que estou fazendo e tem sido bem frustrante ver que na minha cabeça o resultado é um e minha mão teima em não me obedecer! haushaushuahsuha...ai acabo parando o desenho quase no final. Preciso criar coragem e terminar mesmo ainda não sendo o resultado desejado!
    Você falou sobre usar uma paleta de cores reduzidas! Tenho uma dúvida e talvez você possa me ajudar!!! Estou trabalhando num projeto pessoal e queria muito usar aquarela rosa, mas não tenho essa cor. É possível usar o vermelho, já que não misturamos o branco? Como chego no rosa através do vermelho sem usar o branco?
    Ah sobre o curso da Sabrina, também tenho derramado lágrimas, o curso parece fantástico, pois é praticamente uma mentoria! Mas, também não tenho $$$ nesse momento, fiquei bem triste, mas faz parte neh?! Tinha vários cursos que achava que nunca faria e depois de meses e até anos consegui fazer! AHSUAHSUH...então jaja minha hora chega!
    Beijos Lidy e obrigada por compartilhar tanta coisa boa!

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  5. Oi Lay! Nossa, como eu custo a chegar nos comentários às vezes --'
    Obrigada pelo carinho! Essa Iemanjá é mais um dos meus xodózinhos, e a primeira vez que usei esse papel Arches de maneira decente. Ele faz uma mancha muito bonita, a tinta espalha de maneira uniforme.
    E essa metáfora da plantação se aplica muito bem à arte, e quanto melhor preparado está o solo, mais produtiva é a colheita. Por isso sempre tento adubar a terra com boas referências, porque tem muita coisa estranha, muita gente prometendo mundos e fundos, que podem atrapalhar o aprendizado. O importante é ter foco e se cercar de bons exemplos.
    Tem uma palestra do Hiro no Iconic sobre desenho realista em que ele toca exatamente nesse ponto que você falou: de na sua cabeça ser uma coisa, mas na hora de passar para o papel é outra. Isso é porque a percepção está acima da técnica, nós conseguimos visualizar onde estão os pontos que precisamos melhorar, mas ainda não conseguimos melhorá-los, pois estamos preocupados com o resultado final. Então é preciso entender esse processo, no caso do desenho de um rosto, as suas estruturas, o seu movimento, deixar o gesto mais fluido e intuitivo, para que percepção e técnica andem juntas.
    Sobre o rosa, é possível clarear o vermelho com água, até chegar no tom necessário. Se você tem o alizarin crimson, é um vermelho mais frio, vai te dar uma segurança melhor para trabalhar. É sempre bom ter um magenta no nosso estojo, ela é a cor primária e se misturar com amarelo, dependendo da proporção, chega a um vermelho rosado, sempre usando a água para diluir e clarear ;)

    Beijão :**

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