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17/12/2018

Um resumo do meu 2º semestre docente

A Super Turma 11, com suas capas inspiradas na obra do artista Cabelo.

Chegou o momento de encerrar o ano letivo de 2018, com uma retrospectiva de quase tudo o que aconteceu durante o segundo semestre. E aconteceu MUITA coisa. Só fui me dar conta realmente quando estava organizando as fotos para esta postagem. Vários momentos ficaram de fora, seria impossível contemplar cada um, mas tentei selecionar os que mais me marcaram.

"Aranhaporu" do Brayann e poesia dadaísta da Julia.

Após um primeiro semestre de muita observação e introdução ao universo das artes, o momento foi de mergulhar nas linguagens e nos principais movimentos artísticos. Trabalhar com os pequenos é buscar permanentemente algo que os motive a produzir, pois a tendência é se interessar e perder esse interesse muito rapidamente. Algumas das atividades que fiz foram sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 (acima, no trabalho do Bryann, é possível ver o link com a cultura pop sempre muito presente, ao transformar o Abaporu no Homem-Aranha) e também algumas atividades que envolviam a escrita, pois minhas turmas são majoritariamente de Alfabetização, como a produção de um poema dadaísta.

Demonstrando o efeito galáxia em aquarela para os professores de Artes.

A convite da Área de Artes da SMED, ministrei uma oficina de aquarela para os colegas professores, demonstrando como faço o efeito "galáxia". Foi uma tarde muito acolhedora e que abriu possibilidades de parcerias que eu sequer imaginava. Posso garantir que, a partir deste encontro, passei a me sentir muito mais pertencente ao universo docente. Havia um sentimento de solidão enquanto ser professora e artista, que foi preenchido ao ter contato com outros professores de área. E, a partir das produções desta oficina, pude fazer o cartaz da Mostra de Artes, que falarei mais adiante.

Em sentido horário: Dançando Three Little Birds com o Nível I; as bailarinas de Degas do 1º ano e os Mangás do 2º.

Uma das minhas preocupações é sempre dar sentido para as atividades, tentar aproximá-las ao máximo do cotidiano das crianças, para que elas levem o que aprenderam em sala de aula para a vida. Para trabalhar relações e família com o Nível I, levei o livro ilustrado Tudo Vai Dar Certo, que traz uma adaptação da música Three Little Birds, do Bob Marley. A dança não foi planejada, mas muito divertida. Ainda nas atividades que envolviam arte e escrita, os 2ºs anos produziram mangás e puderam ter contato com uma orientação de leitura diferente do que estão habituados. As histórias foram um show de originalidade à parte.

Sendo rainha no Dia dos Professores e me apresentando na última Mostra Cultural (fiz uma live painting).

Alguns dos momentos que me emocionaram dentro da escola foram: as comemorações pelo Dia do Professor (meu primeiro!), no qual todas as professoras foram "coroadas" e homenageadas pelas turmas com carinhos e presentes (meu momento Khaleesi 🐉). E também quando fiz uma live painting durante a apresentação das turmas na Mostra Cultural. Quem me conhece sabe o quanto é difícil essa exposição pública, o ato de desenhar e pintar aos olhos de todos. Foi mais um momento de superação dos meus medos.

Taumatrópios e estandartes de Arthur Bispo do Rosário com o 3º ano.

Também rolaram atividades sobre cinema e arte contemporânea. O 3º ano conheceu os pioneiros do cinema e assistiu ao primeiro filme da história (contei mais sobre essa atividade aqui). Ao final, produziram um taumatrópio. Para o Dia da Consciência Negra, preparei uma aula sobre Arthur Bispo do Rosário, artista que passou parte da vida como interno da Colônia Juliano Moreira. As crianças fizeram releituras dos famosos Estandartes, com ênfase nos nomes das pessoas importantes em suas vidas.

Registros feitos pela Turma 11 após visitar a FURG.

A Turma 11 foi uma das que mais produziu trabalhos ao longo do ano, sempre com muita curiosidade e envolvimento. Acredito que a parceria que estabeleci com a professora Vanessa, regente da turma, foi essencial para isso. Na imagem que abre a postagem, uma das últimas atividades que fiz foi a Capa Anti-gravidade, do artista brasileiro Cabelo. Como a professora Vanessa os trata como a Super Turma, achei interessante encerrar com essa ponte. Também participaram de uma visita guiada à SEaD, local onde trabalho pela manhã, e conheceram o espaço, gravaram um vídeo no estúdio e registraram suas impressões em desenhos para presentear a equipe (acima). Fiquei emocionada com o desenho da Bruna (à direita), representando o auditório, feito de memória e ocupando toda a folha. Lembro que, no início do ano, todos os desenhos eram pequeninos, agora eles tomam forma e dimensão no espaço. Bateu muito orgulho! 

Cartaz da Mostra da Rede Municipal de Ensino, feito por mim a partir da arte produzida durante a oficina de aquarela, com a contribuição do estudante Jhiessicker Caseira, da turma 7D da E.M.E.F. Wanda Rocha Martins.

Para encerrar o ano, reuni alguns desses trabalhos, e outros feitos especialmente para a ocasião, para a Mostra da Rede Municipal de Ensino: Arte para quê? Foi um momento de reflexão sobre a produção das crianças e de inserção delas como protagonistas do próprio aprendizado. Foram as únicas turmas de Alfabetização presentes e, durante a montagem, me peguei aflita diante dos trabalhos expostos (do 5º ao 9º anos). Mas me tranquilizei quando vi a qualidade do que as crianças produziram; não no que diz respeito somente à estética, mas sim o quanto elas evoluíram ao longo do ano letivo e o conhecimento que adquiriram. Foi uma sensação de dever cumprido que eu jamais havia experimentado. E também o orgulho, enquanto artista, de ver o trabalho dos meus alunos exposto.

Trabalhos de Artes da E.M.E.F. Barão do Rio Branco em exibição na mostra Arte Para Quê? #orgulho

Com as/os colegas arte-educadoras(es) que fazem o dia-a-dia da sala de aula ❤.

Olhando em retrospecto, todo esse ano foi surreal, em muitas frentes. Dos desafios das primeiras semanas em sala de aula, as primeiras cartinhas, o malabarismo que fiz para equilibrar tantas vidas profissionais ao mesmo tempo, enfim... a sensação geral é de paz no coração e da certeza de que doei meu melhor para essas crianças e para os colegas. Pode não ter sido o melhor "padrão", mas foi o melhor possível, dentro das minhas condições.

E depois de estar em sala de aula, principalmente de uma escola pública, pude colocar muitas coisas em perspectiva. A principal delas é de que é preciso vivenciar o cotidiano escolar para opinar sobre educação. A aula não se resume a chegar na sala, dar o conteúdo e ir embora. É monitorar febre se a criança está doente, amarrar sapato, ensinar hábitos de higiene, reforçar com licença - por favor - obrigado, alimentar, cuidar, ouvir, atender, abraçar... e fazer tudo isso com pouquíssimos recursos, muitas vezes tirando do próprio bolso.

A recompensa por tudo isso não vem no contra-cheques, nem em forma de políticas públicas. Segundo essa pesquisa, o Brasil é um dos países que menos valoriza o professor, chegando ao último lugar no ranking de status profissional. Professores estão entre os profissionais que mais sofrem com a Síndrome de Burnout e as licenciaturas são as carreiras menos procuradas pelos universitários brasileiros. Então onde está a recompensa, Lidiane? Por que continuar? Vou deixar a resposta na imagem abaixo:

Meu retrato feito pela Eduarda, turma 21.

Espero que tudo o que estou publicando na tag Sala de Aula ajude quem me lê, e que os professores de Artes que estão começando agora encontrem incentivo e fôlego nas minhas palavras e imagens. E quem quiser compartilhar suas experiências, pode deixar um comentário.

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4 comentários:

  1. Com toda certeza o estímulo vem com o carinho deles como recompensa. É uma tarefa cansativa, nem sempre há por parte dos pais uma participação, mas a energia que eles oferecem é viciante. Amei os trabalhos dos seus alunos, tô tentando organizar aqui os desenhos que ganho pra postar e é tanta lindeza que eu nem sei por onde começar ♥ Obrigada por esse post encantador e motivador!

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    1. Obrigada, Re! Essa sem dúvida tem sido A experiência da minha vida. E te digo uma coisa: guardar os desenhos é um caminho sem volta. Principalmente os que eles dão espontaneamente. Ganhei uma natureza-morta cheia de glitter e penso em emoldurar. É muito carinho, é o processo criativo na forma mais pura.
      Beijos!

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  2. Lidy, que coisa mais linda! Quando vi que tinha postagem nova dessa tag, vim correndo ler. Você sabe, tô amando acompanhar suas postagens sobre a sua experiência docente, e fiquei emocionada ao fim desse post. Que coisa linda! Eu nem consigo imaginar o quão gratificante deve ter sido pra ti, e o tamanho do impacto que as tuas aulas vão ter na vida dessas crianças. Parabéns por todo o reconhecimento, Lidy, você merece demais.

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    1. Ju, muito obrigada pelo carinho! ♥ Fico feliz que tu estejas gostando dos meus posts sobre docência, são a minha válvula de escape. Quero muito pensar que estou deixando uma sementinha boa em cada criança e em cada família, que saibam cuidar e apreciar nossa cultura, tratar bem nossos artistas locais e reconhecer que sem arte é impossível viver.
      E a gratificação vem nessa forma linda, esse carinho que não se mede e só emociona.

      Beijão :**

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