Produzindo cianotipias com o 4º ano

Crianças manuseando equipamento fotográfico analógico.

O ano letivo já acabou, não consegui fazer um balanço geral do segundo semestre, mas não foi por falta de atividades, e sim excesso! Foram muitas coisas bacanas, incluindo a Mostra Artística e Cultural, na qual as turmas que mostrarei neste post fizeram uma linda apresentação, com direito a parangolés. Eu realmente gostaria de detalhar mais as atividades que fiz, não só para deixar registrado, como também para dar ideias para outros professores que, porventura, queiram desenvolver algo semelhante em suas escolas.

A atividade que vou mostrar é parte de um projeto sobre os pioneiros da fotografia e do cinema, e envolvia várias aulas. Também foi uma parceria com o projeto de extensão Processos Fotográficos Alternativos, do curso de Artes Visuais da FURG, coordenado pela técnica de laboratório Branca Lamas. A Branca está com uma proposta muito legal, de levar a fotografia analógica e experimentos alternativos para as escolas. E como o CAIC está dentro da universidade e oferece toda estrutura necessária para transformar a sala de aula num laboratório, embarcamos nessa aventura.

Acervo fotográfico do curso de Artes Visuais.

Antes de falar sobre a cianotipia em si, preciso contextualizar o que veio antes. Fiz duas aulas um pouco mais teóricas sobre a história da fotografia e do cinema, mostrando a origem das imagens gravadas e das imagens em movimento. As crianças produziram taumatrópios (tipo de brinquedo ótico), cliché verre (neste caso, uma adaptação da técnica, utilizando folha de acetato, guache e impressão direta em papel), e também coisas não tão antigas para a minha geração, mas praticamente um achado arqueológico para quem tem 9, 10 anos: rolo de filme, pin hole, reagentes químicos para revelação, máquina analógica. A equipe do projeto fez uma aula expositiva, mostrando várias coisas do acervo do curso de Artes Visuais, e eu também levei fotografias pessoais, filmes queimados, polaroids, e até mesmo um monóculo.

Cianotipias pós-exposição ao sol, antes da lavagem.

A Branca lavando as fotografias, enquanto as crianças observam.

Felipe registrando as atividades.

Depois dessas aulas expositivas, partimos para a ação: a cianotipia é um processo fotográfico por contato, no qual colocamos um objeto sobre o papel sensibilizado com o reagente (é importante frisar que a equipe já levou o papel preparado, e que em nenhum momento as crianças manusearam ou entraram em contato com produtos tóxicos), que depois é colocado sobre um sanduíche de vidro e levado até um lugar com luz solar abundante. Quando o papel começa a escurecer, é então retirado do sanduíche de vidro, lavado, e a silhueta do objeto fica marcada sobre a folha azulada (daí vem o nome da técnica, ciano, pois é a cor que resulta da mistura de citrato de amônio e ferro e do ferricianeto de potássio - novamente, nenhuma criança entrou em contato direto com esses produtos). Vale destacar que o papel utilizado para esta atividade não é o fotográfico, mas sim o para aquarela, com 300g, ideal para suportar o processo de lavagem, e também mais acessível.

Cianotipias secando.

Cianotipias já digitalizadas. Alguns objetos foram levados pelas crianças, outros são silhuetas em papel que recortei e levei, para garantir que todos teriam algo para montar suas composições.

Eu poderia só escrever e mostrar fotos com as reações das crianças, diante de algo tão novo para elas, mas meu colega Felipe Freitas, juntamente com a Lara e a Carolina, todos do Núcleo de Material Educacional Digital da SEaD/FURG, lugar onde trabalhei por oito anos, fizeram um vídeo maravilhoso, registrando não só esse momento, como também o quanto a extensão universitária pode beneficiar a comunidade escolar. Aperte o play:


Espero continuar tendo boas parcerias de trabalho e conseguir levar projetos legais para as crianças, pois isso enriquece muito a vivência delas, além de trazer felicidade para as famílias, que também se permitiram encantar pela arte da fotografia analógica, e pelo registro em vídeo feito durante as atividades. Só tenho a agradecer, e desejar que o próximo ano letivo seja, no mínimo, igual ao de 2019.

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