The Painter Maiden
Já faz algum tempo que desejo ter uma marca, um logotipo que traduza não só o meu lado artístico, como também o pessoal, unindo as coisas que acredito e que fazem sentido para mim, e que frequentemente também aparecem nas minhas artes. Essa não é uma tarefa fácil, e não foram poucas as vezes que tentei algo e fiquei totalmente insatisfeita com o resultado, e me sentindo incapaz de traduzir em algo simples o significado que a arte tem na minha vida.
Durante os meus estudos e leituras sobre Hekate, a deusa com a qual tenho uma relação de devoção que começou em 2014, quando a representei pela primeira vez, sem saber muito bem quem era - na época, só o nome me veio à cabeça e sua forma tripla - conheci uma representação bastante diferente das imagens modernas, The Running Maiden of Eleusis (A Donzela Corredora de Elêusis). Essa imagem aparece no templo de Deméter em Elêusis, e faz parte de um conjunto que narra o rapto de Perséfone. A escultura está sem os braços, mas a partir de fragmentos encontrados, supõe-se que a deusa está segurando duas tochas, hipótese sustentada por reproduções modernas dessa escultura, como na imagem abaixo:
Quando postei a imagem da direita no Instagram, logo que adquiri uma cópia para mim, a Ju Votto, da Bruta Flor Chás, me mandou uma mensagem dizendo que parecia que deusa segurava dois pincéis. E a Ju estava certa! As tochas realmente pareciam dois pincéis de aquarela, e aquilo foi uma iluminação para mim (obrigada, Ju!). A partir dali, fiquei cada vez mais com essa donzela na minha cabeça, até que um dia tive a ideia final: assim como as tochas de Hekate iluminam o caminho de Perséfone até o Submundo, a arte ilumina e dá sentido à minha vida. Então, que a arte seja a luz e que a Deusa carregue essa mensagem, unindo, assim, meu lado artístico, pessoal e espiritual numa só imagem.
A referência que usei para montar minha ilustração não veio da escultura em si, mas de uma cerâmica que narra o mesmo tema. Nela, Hekate aparece com as duas tochas viradas para o mesmo lado. Ela ainda tem uma posição de "corrida", mas aqui acho a composição mais harmônica. Transferi a imagem abaixo para o Infinite Painter e tracei por cima, para pegar a maior quantidade de detalhes originais possível. Já as tochas foram substituídas por um pincel e um lápis, visto que também utilizo muito esse instrumento, seja grafite ou de cor, nos meus trabalhos.
Assim, nasceu The Painter Maiden (A Donzela Pintora), que é guardiã da luz artística e responsável por disseminá-la no mundo. Fiquei tão, mas tão feliz com o resultado desse trabalho, pois ele traduz de todas as formas possíveis meu amor pela arte e a conexão que carrego com a espiritualidade. Para completar, o logo também inclui uma meia-lua e várias estrelas, assim como as que coloco em meus trabalhos. A fonte é a que já venho utilizando desde a exposição TRÍVIA.
A partir de agora, essa imagem ficará no cabeçalho do site e em todos os materiais de divulgação do meu trabalho, através de carimbos, marcas d'água, dentre outros. Mal posso esperar para ver o tanto que posso criar a partir dela (e já quero fazer uma caneca).
E para quem quiser conhecer mais a história da representação mais antiga de Hekate, recomendo o podcast Caverna de Hekate, da Márcia C. Silva. Clique aqui para assistir.
Que seja um ano de arte e iluminação para nós, e que para cada obstáculo que escureça nosso caminho, exista uma tocha para nos guiar para a luz.
Florescer (e minha 1ª pintura ao vivo numa feira)
A primeira e única feira que eu havia participado foi há 9 anos atrás, no Festival Co.Mundo. Na época fiz uma oficina de desenhos para colorir (quem diria que estaria em alta novamente?) e levei alguns postais e originais para vender (não vendi nada). Desde então, tirei da cabeça essa ideia de participar de feiras. Fui a algumas depois disso, e enquanto acontecia minha exposição na Livraria Hippocampus, teve a primeira Feira Itinerante, com diversos expositores locais. Prestigiei o evento e falei que a exposição que rolava paralelamente era a minha. Algum tempo depois a Maria, da Pratas Florescer, me convidou para participar da segunda edição da Feira... pintando ao vivo.
Fiquei muito assustada com o convite, afinal, nunca pintei na frente de um público. Sou muito tímida em relação a isso, pois desenhar e pintar é algo muito íntimo para mim. Mas resolvi aceitar o convite e encarar o desafio. Arrumei minhas tintas, minhas ecobags, peguei minha cadeira ergonômica e arrastei o Antonio (apoio moral) no último dia 21, para participar da 2ª Feira Itinerante.
Me instalei num cantinho ensolarado da Pratas Florescer e comecei a pintar por volta das 16h. Levei o desenho pronto para não tomar tanto tempo, pois calculei uma média de 4 horas pintando. E acertei nesse ponto, pois levei 3 horas no total e minha lombar já estava gritando nos últimos momentos, pois não fiz pausas. Foi uma tarde muito gostosa, vi dança cigana, aula de yoga, conheci pessoas que buscam um estilo de vida mais conectado com a natureza, com a espiritualidade. Pintei a tarde toda, algo que não fazia há muito tempo. Me senti viva e bem!
Materiais utilizados
- Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
- Aquarelas White Nights;
- Lápis de cor Albrecht Dürer;
- Pincéis que comprei na Shein;
- Marcadores Derwent.
Nessa edição não levei nada para vender. Eu fui me vender, mostrar meu trabalho e criar conexões. Para uma próxima edição, já me organizei melhor e vou levar sim alguns prints das ilustrações que o público mais gostou de ver na exposição, além de continuar pintando ao vivo. E se você estiver pelo Cassino, fique ligado no meu Instagram, pois vou divulgar em primeira mão por lá!
Lidytober: 15 Cabeças de Halloween
Meu projeto de desenho em outubro esse ano, meu Lidytober, consistiu em desenhar 15 cabeças, com alguns elementos de horror (13 caveiras mexicanas, nas últimas duas eu estava num dia horrível e acabei fazendo diferente), numa simples caderneta A6, utilizando apenas lápis 2B e 4B, esfuminho e caneta dourada. Foi uma proposta despretensiosa do início ao fim, até mesmo nas fotos, aproveitando a iluminação natural e esse efeito que as grades da janela deram em várias fotos. É um pequeno manifesto contra o excesso de edição nas redes sociais, e a favor da espontaneidade, de tirar uma foto e postar sem pensar muito, sem elaborar uma grande legenda. Então, vamos às 15 cabeças:
E-book PARA COLORIR
Está entre nós! Sempre me pedem páginas para colorir, e vi um aumento significativo na procura por posts antigos sobre o assunto. Esse aqui, de quase 10 anos atrás, teve vários acessos nas últimas semanas. Definitivamente, os livros para colorir voltaram para o jogo.
O arquivo está em pdf, para ser impresso em papel de sua preferência (recomendo 180g ou conforme a impressora suportar. Para as fotos, utilizei a linha Nostalgie, da Hahnemuhle).
Investimento: R$ 20,00 via Pix. Quem quiser o seu, é só mandar um e-mail para lidiane@lidydutra.com ou me mandar mensagem no Instagram.
Kleidouchos
Materiais utilizados
- Papel Concept da Hahnemühle;
- Lápis Tris Vibes;
- Marcadores Pentel.
Lenço Verde
Faz pouco mais de um ano que comecei a desenhar digitalmente, de forma autodidata, olhando tutoriais pela internet. Não acho que evoluí tanto quanto gostaria, me vejo hoje num platô de aprendizado que me incomoda um pouco, mas mesmo assim já é um percurso que me orgulha demais. Eu não sabia nada! Por isso, nunca pare de estudar. Fiz um speed painting desse desenho, que compartilhei nas redes:
Mermay 2024: As Fórcidas
Para o Mermay desse ano, pensei em algo temático como o Calendário do Advento que fiz ano passado. Sereias podem ser um assunto bem batido, mas depois que li o maravilhoso livro A Deusa Tríplice: em busca do feminino arquetípico, do Adam Mclean, tive a ideia de representar as Fórcidas, que são grupos de deusas tríplices, nascidas das antigas divindades do mar, Fórcis e Ceto.
Além desses seres mitológicos, a inspiração também veio das cerâmicas gregas, mais precisamente dos vasos de figuras vermelhas sobre fundo preto. Acho bem difícil trabalhar com uma cartela tão reduzida assim, por isso acabei pegando algumas referências para me auxiliar, como esta:
Na semana 03 ilustrei as Harpias, palavra que significa “arrebatadora”. As harpias são seres com corpo de pássaro e cabeça de mulher. Estão relacionadas com o elemento ar e são a personificação dos ventos tempestuosos. As três harpias são Aelo, Celeno e Ocípete.
Por fim, na semana 04, cheguei nas Sereias, nomenclatura derivada de uma raiz grega que significa “prender ou vincular”. Seus nomes diferem, de acordo com a história de origem. Aqui adotei a versão italiana: Partênome, Leucósia e Lígia. As sereias são servas de Perséfone e levam as almas até o submundo, atraindo marinheiros para os rochedos com seu canto arrebatador.
Todas as definições e nomes foram retiradas do supracitado livro, e sei que existem outras fontes, com outros mitos de origem e outras interpretações. Estas foram as que adotei criativamente para a série de ilustrações. A partir de agora, pretendo me dedicar mais ao estudo da ferramenta digital, e não focar tanto em trabalhos acabados.
Deméter
Após representar por duas vezes uma jovem mulher (aqui e aqui), decidi resgatar o rascunho de uma anciã e me voltar para os lápis de cor. Não estou conseguindo fazer nada com aquarela, nada que remeta levemente à água. Quando terminei esse trio de mulheres, concluí que estava diante das deusas Perséfone e de sua mãe, Deméter.
No curso As chaves de Hekate, a Márcia C. Silva fala da confusão que fazemos ao associar Hekate com a anciã no mito de Perséfone. Se analisarmos a tragetória das deusas, Hekate seria a virgem, Perséfone a mãe e Deméter a anciã. E faz todo o sentido quando estudamos os mitos com um olhar mais cuidadoso. Deméter é a deusa grega da colheita e da agricultura. Quando sua filha foi raptada por Hades, fez a terra mergulhar no inverno, impedindo que as plantas crescessem.
Embora a descrição da deusa fale de seus cabelos loiros, essa representação traz consigo o prata azulado de uma cabeleira grisalha.
Tomei o cuidado de fazer as linhas com grafite vermelho, para não ficar uma marcação feia ao final. Não usei canetas para os contornos (com excessão dos olhos), tudo foi feito com lápis de cor, para manter a suavidade.
É impossível não lembrar de outro trabalho meu, de oito anos atrás: a Sereia que fiz para um projeto chamado Ilustraday. As duas figuras estão praticamente na mesma posição e com o mesmo olhar, é bonito pensar que está acontecendo uma passagem de tempo no meu trabalho, assim como na vida, abraçando todas as idades da mulher.
Os materiais utilizados foram o papel Concept da Hahnemühle, e os lápis de cor Vibes da Tris. Novamente, a edição está mais crua, mostrando todas as texturas do papel e dos lápis.
Em mais um dos sinais que o universo me manda, acabei contemplando os Mistérios de Elêusis nessas três figuras, e nessa semana de lua cheia. Khaire!














































