Lidiane Dutra
  • Home
  • Sobre
  • _Sobre mim
  • _Currículo
  • Trabalhos
  • _Portfólio
  • _Encomendas
  • Blog
  • _Arquivo
  • _FAQ
  • Contato
Projetos
Mostrando postagens com marcador Projetos. Mostrar todas as postagens
Arte Digital Portfólio Projetos

Lidytober 2023: 15 dias de desenho

 


Depois de 4 anos, me senti à vontade para fazer novamente um desafio ao estilo Inktober. Da última vez, em 2019, fiz 31 desenhos num caderninho, de maneira bem simples, utilizando marcadores coloridos, separando as cores por semanas (veja aqui todos os trabalhos). Para este ano, segui minha tradição pessoal de não acompanhar nenhuma lista, e ir fazendo os desenhos de maneira quase intuitiva. Só que desta vez eu queria MUITO treinar digital. Desde agosto estou estudando quase diariamente, mas senti que se não me desafiasse a desenhar mais, com mais foco, jamais conseguiria chegar aos resultados pretendidos. Foi assim que dei o start para o Lidytober 2023.



Optei por fazer desenhos dia sim, dia não, totalizando 15 trabalhos. Achei melhor, pois me deu mais tempo caso perdesse algum dia (e perdi vários), podendo recuperar com calma. Mesmo assim, a grande maioria dos desenhos foi feita no mesmo dia que postei, o que me deu um orgulho imenso. Esses dois primeiros trabalhos ficaram bem ruinzinhos, confesso. Mas precisamos começar, não é mesmo?




Já a partir do terceiro, senti um estalo criativo, algo como: opa, é por esse caminho aqui que quero seguir. Um das minhas maiores dificuldades foi encontrar brushes dentro do app que correspondessem às minhas necessidades. Sei que o Photoshop e o Procreate possuem pacotes de brushes incríveis, mas o Infinite Painter não digo nem que é mais limitado, pois existe uma grande variedade, só acho um pouco desorganizado. Acabo utilizando mais os pincéis nativos, principalmente o Proko Pencil.







Outro estalo criativo foi o uso de texturas nativas do programa como plano de fundo. As texturas dão uma cara de papel para o desenho e ficam muito bonitas, adicionam vida e tridimensionalidade ao trabalho. Outra coisa que procurei trabalhar foi a questão da luminosidade e valores. Nessa figura azul, procurei explorar subtons dentro da cartela até chegar num degradê interessante.



Esse trabalho foi um Draw this in your style, da Tania Soler. Adorei fazer, pois é o primeiro DTIYS que faço no digital. Esse também foi o desenho mais curtido de todo o desafio.




Depois de adicionar texturas, comecei também a dar atenção aos detalhes finos, principalmente aos fios de cabelo. Para a vampira acima, dediquei bastante tempo à joalheria, adicionando detalhes, sombras e volumes ao colar e aos brincos.




Cada desenho carrega um elemento de horror, em alusão ao mês de outubro. Queria que pelo menos algum detalhe, por menor que fosse, remetesse ao Halloween, como é o caso do brinco com dentes de vampiro, ou a máscara branca de O Fantasma da Ópera. Este é meu trabalho favorito do desafio, fiquei orgulhosa do resultado obtido no sombreamento e volumes da máscara.



Fechando o desafio, uma Catrina. Depois de 31 dias, com o saldo de 15 trabalhos concluídos, é a primeira vez que termino um Inktober com vontade de seguir desenhando. Geralmente, acabo o desafio grata pela quantidade de desenhos que consegui fazer, mas exausta. Dessa vez não, eu queria continuar... mesmo estando afastada do desenho tradicional há dois meses, o trabalho digital me fez recuperar uma vontade criativa que eu havia estranhamente perdido lá pela metade do ano. Agora, mal vejo a hora de pegar meu tablet e desenhar por algumas horas.


Por que vale a pena fazer um desafio de desenho?

  • Constância: ter uma frequência programada de desenhos para fazer, seja de 15, 20 ou 30 trabalhos, possibilita um ritmo de produção que nos faz adquirir constância no ato de desenhar.
  • Prática: a prática pode até não levar à perfeição, mas ajuda muito no estudo e compreensão de uma ferramenta, seja ela digital ou tradicional. Quanto mais praticamos, melhor ficamos.
  • Sair (ou permanecer) na zona de conforto: um desafio pode te levar a explorar coisas novas, ou a intensificar a prática de coisas que já curtimos, mas que deixamos de lado no dia-a-dia.
  • Bom pontapé para novos projetos: quer começar um projeto e não sabe por onde? Um desafio de desenho pode dar aquele empurrão que faltava, nos auxiliando a definir uma temática, materiais e técnicas para utilizar.

Para novembro e dezembro, estou preparando algumas coisas para seguir nessa pegada de desafio. Me senti motivada a ter um foco e trabalhar nisso o mês todo.

Me contem qual foi o desenho favorito de vocês. Se quiserem acompanhar em tempo real, é só me seguir no Instagram. Para vídeos aleatórios de gatos e memes, estou também no TikTok.
Leia mais →
Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

Branca de Neve


Era uma vez um rascunho, que permaneceu por bons meses na pastinha encantada dos projetos, e que desejou criar vida através de uma reinterpretação da personagem Branca de Neve. O tema era batido, pensou o rascunho, mas com criatividade e boas referências, poderia dar certo. E foi assim que o rascunho se tornou uma ilustração completa, feita em aquarela, e viveu feliz para sempre.
Eu sou uma entusiasta dos contos de fada em suas versões originais, e acredito que essas histórias seculares, cheias de metáforas e arquétipos, ainda têm muito a nos ensinar, se olharmos para elas de forma crítica, mas também afetiva. Branca de Neve foi uma das primeiras histórias que conheci, lembro da minha mãe comprar um livro com ilustrações muito bonitas quando eu era pequena, e talvez esse seja o conto de fadas que eu mais tenha lido e assistido versões ao longo da minha vida.

E o esboço para essa ilustração não seria a Branca de Neve, só que fiquei tão encantada com uma referência da Mira Miroslavova que pensei: tenho a faca e o queijo na mão para fazer uma reinterpretação só minha. E assim criei algumas thumbnails para pensar na composição das cores e na atmosfera geral do trabalho - algo sombrio e que dialogasse com a versão original do conto e a versão da Disney que todo mundo conhece, só que sem aquele açúcar todo.


Utilizei o papel Arches e as aquarelas da White Nights, que são uma das melhores combinações que já usei, simplesmente não tem erro, é só seguir a ideia adiante. E para esse trabalho, além do estojo  de cores tradicionais, usei também as tintas granuladas, principalmente no fundo e no vestido, para um efeito dramático.


E a referência à Disney ficou justamente no vestido, no qual captei a ideia geral e cores do corpete e mangas, mas mantive a cor profunda na saia, ao invés do amarelo ovo. O cabelo é denso e esvoaçante, preso por um laço vermelho. Essa Branca de Neve está perdida na floresta escura, cansada de tanto correr, por isso a manga caída e a expressão de quem está procurando algo distante, além do seu (e do nosso olhar). A maçã envenenada aparece em forma de amuleto em seu pescoço - um lembrete de que todas as pessoas, inclusive as boas, já foram vilãs na história de alguém (vi essa frase no Instagram e amei).


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches 30g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Polycolor;
  • Marcadores Pentel para os detalhes.


Muito orgulho envolvido na construção dessa pose e dessas mãozinhas. Um dos meus maiores medos, que era desenhar mãos, tem se tornado um dos meus maiores prazeres, já que elas podem comunicar tanto!


Essa ilustração deu tão certo do início ao fim (concepção, cores, execução), que resolvi fazer a aplicação dela numa capa de livro imaginária, seguindo uma sugestão que me deram alguns anos atrás, de utilizar contos em domínio público e criar portfólio em cima deles. É uma brincadeira bem pessoal mesmo, só para ver como ficaria, e curti bastante, achei que ficou muito fiel à atmosfera.


Diagramei também uma página com um trecho do conto, essa tradução tirei do site Contos de Grimm.


E se você se interessou pelo meu trabalho e gostaria de tirar a capa do seu livro do mundo das ideias e trazer para o mundo real (e ter seu final feliz), é só entrar em contato comigo e solicitar um orçamento.
Leia mais →
Aquarela Portfólio Projetos

Rótulos para Bruta Flor ❀



Nas últimas semanas me envolvi num projeto muito lindo, que foi a rotulagem das novas latas de chás da marca Bruta Flor, criada pela Juliana Votto e baseada na Praia do Cassino. A Ju entrou em contato comigo e fiquei bastante feliz, pois há muito tempo queria fazer uma parceria de trabalho com ela. Ela já tinha uma visão muito consolidada do que queria para as latinhas, e foi uma jornada incrível co-criar as ilustrações com ela. É muito bom trabalhar com alguém que está disposta a dialogar e somar ao seu trabalho, e cada ilustração busca não só apresentar visualmente o chá, como também representar as cores, os ingredientes e a identidade de cada um.



A ideia principal foi interligar um rótulo ao outro, buscando elementos, cores e padrões que se repetissem em cada um. Para isso, posicionei as personagens sempre ao lado esquerdo do centro do rótulo, e busquei trazer pelo menos um elemento de cor de um para o outro, criando uma unidade. Os padrões ao fundo também são pensados para que dialoguem com a proposta da ilustra e entre si.



Para o chá Vento, a ilustração é de uma mulher indígena, com cabelos soltos formando as ondas do mar. Esse chá foi criado especialmente para o livro O céu riscado na pele, da Andréia Pires. Para o chá Dolce far niente, temos uma mulher gorda aproveitando a praia, com paisagem inspirada nos Lençóis Maranhenses, porque todo corpo é um corpo de praia. Para o chá As mil e uma noites, temos a Sherazade com seu rosto descoberto, pois ela tem o dom da palavra. E para o chá Sonho de uma noite de verão, temos uma mulher negra aproveitando o crepúsculo.



Depois de concluídas as ilustrações, fiz também o design do restante do rótulo, com a aplicação do logo, nome e informações de preparo e composição. Todas as ilustrações foram feitas com as aquarelas da White Nights, incluindo um estojo de aquarelas granuladas lindo que comprei recentemente. Dá pra perceber bastante esse efeito principalmente nas aquarelas Vento e As mil e uma noites. Abaixo, fiz um vídeo para mostrar os detalhes de cada uma:


Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por Lidiane Dutra (@lidydutra)


-- Atualizando os rótulos novos --



Para essa segunda leva de rótulos, fizemos "duplinhas", com Gaia e Intuição se complementando; Black Bird e Jardim das Delícias trazendo elementos de colagem e Tantra Tea e Tropical com texturas e padronagens bem vibrantes.

Essa parceria com a Bruta Flor ainda vai longe, aguardem que tem muito mais por vir. E quem também quiser um produto ilustrado por mim ou uma ilustração original para chamar de sua, é só dar uma olhadinha em Encomendas, para saber o que eu faço, e entrar em contato através do e-mail lidiane@lidydutra.com.
Leia mais →
Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

Rhiannon 🐎

Rhiannon rings like a bell through the night

Eu já havia dito que 2022 foi o ano do rascunho, com vários trabalhos que comecei a esboçar, várias ideias de temáticas e séries, mas que ficaram somente no rascunho. Por isso, estou me dedicando (e pretendo continuar ao longo do ano) a tirar esses projetos somente do esboço e transformá-los em artes finalizadas.


Depois de passar o ano todo mergulhada na leitura de Mistérios da Lua Negra, da Demetra George, livro que me ajudou a lidar com o luto e, principalmente, com o luto dentro do processo criativo, me peguei desenhando muitas deusas, divindades de diversas partes do mundo, e também animais, grupos de mulheres, mulheres mais velhas...


E nesse processo surgiu a imagem de Rhiannon, a deusa galesa dos cavalos, a Grande Rainha, que casou-se com o mortal Pwyll e lhe deu um filho, que desapareceu ao nascer. As servas de Rhiannon enganaram a rainha, esfregando sangue de um animal em suas vestes, e acusando-a de ter devorado a criança. Como castigo, Rhiannon foi condenada a carregar os hóspedes que passavam pela sua casa nas costas, como se fosse um cavalo. Após a criança ser finalmente encontrada, o castigo da deusa foi retirado (contei a lenda de maneira muito reduzida, recomendo o livro Divinas Mulheres, da Ann Shen, para conhecer essa e outras lendas).


Rhiannon vai falar sobre resiliência, perseverança e sobre acreditar em si mesma. Num mundo cada vez mais focado na performance da felicidade e da vida perfeita, acolher as nossas feridas e carregar nossos próprios fardos é um ato de coragem.



Por acreditar que essa ilustração merecia estar num papel A3 (que eu não tinha!), resolvi comprar às pressas o único papel disponível na loja - o da linha universitária da Canson, e deu tudo errado, pois detesto a textura desse papel e, por mais que esteja pintando com uma tinta excelente, não consigo alcançar os resultados desejados com ele. Respirei fundo, resolvi digitalizar o rascunho, ajustá-lo para A4 e finalizar no papel 100% algodão que já estou acostumada a usar. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.


All your life you've never seen
A woman taken by the wind

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Minhas tintas e pincéis de sempre;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.



Quem prestou um pouquinho mais de atenção, viu que essa ilustra conversa com outra, Wild Spirit, que fiz em 2021. E é uma conversa intencional, e que pretendo fazer mais vezes, como parte do mapeamento que tenho feito de todos os elementos que se repetem no meu trabalho, bem como as paletas de cores que mais utilizo.


Os trechos em destaque são da música Rhiannon, da banda Fleetwood Mac, na voz da bruxona Stevie Nicks:


Leia mais →
Aquarela Portfólio Projetos

Ondas tombando ininterruptamente 🌊


Em março deste ano me inscrevi no Edital Galeria Otroporto - 1º andar, promovido pela Otroporto Indústria Criativa, da vizinha cidade de Pelotas. Foi um dos raríssimos editais pagos em dinheiro para os artistas, além de subsidiar custeio de materiais e envio das obras, se necessário. Confesso que me inscrevi um pouco descrente, na base do incentivo de amigos, principalmente da Ramile (@rami_aquarelas), que participou do edital 2021 e tem trabalhos expostos lá. Descrente, porque vivo uma eterna luta entre a consistência do meu trabalho, o tempo de dedicação diminuído pela docência, e a síndrome de impostora que me acompanha em todas as ocasiões.



Mas resolvi arriscar, elaborei um portfólio e esboço de proposta, tentando olhar com carinho para minha trajetória, que é digna de orgulho sim, afinal são muitos anos dedicados à arte e a mostrar que artistas mulheres estão aí na atividade e merecem reconhecimento também. O tema do edital era águas e pessoas, e aproveitei para mergulhar em meu próprio acervo, resgatando um material muito querido, mas que adormeceu ao longo dos anos: a série produzida para a exposição Mulheres, de 2015. Das 15 ilustrações em tamanho A3 (formato raríssimo nas minhas atuais produções), selecionei três que se encaixavam no esboço que queria mostrar à Otroporto: as galáxias poderiam virar mares, e vice-versa.



E em abril recebi a notícia de que estava na lista de 18 artistas selecionados no edital, entre os 104 inscritos. Fiquei extremamente feliz, e isso renovou demais minhas energias para continuar criando, apesar de tudo. E para a minha surpresa maior, a proposta foi aceita na íntegra, com as ilustrações originais da exposição Mulheres, sem necessidade de fazer novos trabalhos. E novamente isso me fez olhar com muito carinho para a Lidiane do passado, e ver que tudo é processo, que coisas feitas há 7 anos atrás ainda podem ser extraordinárias.



Essa semana, a Otroporto divulgou as imagens dos meus trabalhos já em exposição, que receberam o nome de Ondas tombando ininterruptamente, em homenagem ao poema Liberdade, da Sophia de Mello Breyner Andresen.


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Sophia de Mello Breyner Andresen


E como acredito que toda boa experiência deve ser compartilhada para ajudar mais artistas, principalmente mulheres, a ocupar os espaços, vou deixar linkados aqui nesse post os arquivos do currículo e portfólio e da proposta de projeto enviados, para auxiliar quem deseja participar de editais e não sabe por onde começar. Também é possível ver algumas aplicações de mockup no meu perfil do Behance.



Para ver os meus trabalhos e também os de outros artistas incríveis, é só visitar o site, Instagram ou ir até a Otroporto, caso tenha a oportunidade.

Leia mais →
Projetos

Nas águas de março: oficina gratuita e mais 🌊


Em comemoração ao primeiro aniversário da Zine Marítimas (hoje completa um ano do lançamento do primeiro volume, aliás), o mês de março está sendo dedicado a um ciclo de oficinas e conversas totalmente gratuitas, tudo idealizado pela equipe de editoras Suellen Rubira e Ju Blasina. Ano passado, ao final do primeiro volume, acabei me retirando da editoria, pois estava soterrada de trabalho e não conseguia dar a atenção que o projeto merecia. Agora, me dedico a participações esporádicas, quando sinto que posso conciliar as atividades sem entrar em exaustão.

E é com muito carinho que participo de três frentes nesse mês comemorativo: a primeira é a Exposição Zine Marítimas, que tem percorrido diversos espaços da Universidade Federal do Rio Grande - FURG, dentre eles, o meu local de trabalho, o CAIC, que abriga a EMEF Cidade do Rio Grande, na qual estou professora dos 6° e 9° anos, e também uma das coordenadoras pedagógicas dos Anos Iniciais. Tem sido importante conectar as coisas por aqui, saber que posso coexistir enquanto artista e professora, e que em alguns momentos uma dessas funções vai falar mais alto, mas sempre mantendo espaço para a outra se manifestar. Os registros das exposições podem ser conferidos no Instagram da Zine.


Já no dia 02 de abril, às 19h, haverá uma oficina online e gratuita comigo, sobre Produção artística & algoritmos: mulheres e o fazer arte em tempos de internet. Nessa oficina eu não vou dar dicas sobre engajamento ou qualquer pataquada coach. Vou partir da minha própria experiência de 12 anos mostrando meu trabalho na web para tentar analisar como as redes sociais, a exposição e a necessidade cada vez maior de visualizações e engajamento têm impactado a produção artística feminina - para o bem e para o mal. Será uma oficina em tom de conversa, bastante acolhedora e para refletir sobre o momento atual. As inscrições serão divulgadas no Insta da Zine.

Por fim, no dia 09 de abril, às 19h30min, Ju, Su e eu faremos uma live de encerramento, comentando o filme A Filha Perdida, lá no insta da zine. Desde já sei que estará maravilhoso, e todes estão convidades.

Outras atividades também estão ocorrendo já a todo vapor, como oficinas e conversas com autoras, entrevistas e muita informação, que vocês podem acessar em @zine.maritimas. Em seu primeiro ano, a zine já publicou em torno de 80 autoras, muitas delas pela primeira vez, e tem se tornado referência no cenário das publicações independentes, com participações programadas também para a próxima Feira do Livro da FURG, que acontecerá em maio.
Leia mais →
Aquarela Portfólio Projetos

Os Enamorados 👫


Todo ano, desde 2017, faço uma interpretação artística do arcano de tarô que rege o período e, por interpretação artística, quero dizer que eu tomo liberdade para não fazer referência a todas as simbologias da carta; é uma visão um pouco mais livre, inspirada naquilo que eu artisticamente quero representar com aquele arcano. Faço questão de explicar isso, pois algumas pessoas não entendem e querem me dar palestra sobre tarô, algo que não é o intuito da ilustração. É mais um rito de passagem que faço a cada começo de ano, uma forma de colocar as intenções no papel em forma de arte.

A carta regente de 2022 é Os Enamorados, geralmente representado por um casal (em algumas variações, um homem e duas mulheres) e a figura de um anjo. Pesquisando mais sobre a carta e sobre o fato de ser um casal formado por homem e mulher, me deparei muito com a questão de energia masculina e feminina/ consciente e inconsciente, e não está ligada efetivamente ao amor romântico, mas à parceria e tomada de decisões.

Imagens: Tarô de Marselha, O Beijo e foto de referência. Via.

A minha ideia era fundir duas figuras, para que quem olhasse de relance visse uma só figura, algo que lembrasse a escultura O Beijo, do Brancusi. Mas como fazer, e como fugir da representação mais clássica, principalmente a do Tarô de Marselha? Pesquisei algumas imagens no Pinterest para servir como base, até encontrar uma que fosse mais próxima do que eu estava pensando.


Gostei muito da foto do casal, mas não queria que a mulher parecesse menor ou mais atrás do homem, por isso, juntei mais as duas figuras, fundindo-as numa meia lua e fazendo a linha dos cabelos e do rosto sugerir o formato de um coração. Como estou trabalhando com um papel que não é necessariamente para aquarela, a pintura tem ficado bastante manchada, mas é um efeito que tem me agradado, principalmente quando incorporado à textura da pele, pois a pele real é carregada de marcas, e não uma massa disforme de efeito blur.

Quem me acompanha há bastante tempo já sabe o passo-a-passo da minha pintura, com a marcação dos valores primeiro, e retoques com lápis de cor por último. Me dei conta de como tenho feito galáxias novamente, acho que ando com a cabeça na lua kkkkkkk! Para o fundo, ao invés do guache, ressuscitei minha tinta acrílica preta, cujo efeito é igualmente bonito. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel Concept Sketch & Draw Hahnemuhle 220g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis pelo sintético Giotto;
  • Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Marcadores Pentel;
  • Tinta acrílica Reeves.

Quando eu estava trabalhando nessa ilustra (e como já disse anteriormente), fiquei pensando nas galáxias que tanto curto, e na ideia de sermos todos poeira de estrelas; de carregarmos um pouquinho do universo em nós, e de que cada um de nós é em si um universo particular, com suas próprias peculiaridades. E ao pesquisar o significado da carta no deck do Tarô Iluminatti, me deparo com a descrição a seguir, que me deixou extremamente feliz com a sintonia. Acho que estou finalmente colocando o projeto aprender tarô em dia. Segue:

Todo homem e toda mulher são uma estrela: nós, e o universo, somos todos feitos da mesma coisa. Quando somos criados, contemos uma centelha do Divino, uma estrela em nossos corpos, que é um reflexo direto de cada outra estrela presente dentro de cada outra pessoa ou ser sobre a Terra. Nós nos juntamos a grupos para criar modelos no céu. Giramos pelo céu e temos órbitas, e alguns de nós colidem e outros se unem em lindas constelações. Mas somos todos crianças-estrelas, irmãos sob a mesma proteção do céu, e todos tentamos nos reunir com nossa origem. As estrelas dentro de nós conversam com a sua fonte, e ansiamos retornar a ela. A jornada é longa, mas encontramos em outra pessoa uma estrela que está mais próxima daquela pela qual ansiamos, e vemos nela a fonte de luz e ela a vê em nós. Nós nos juntamos a ela, em anseio, desejo e paixão, e por meio dela estamos completos. Isto é o amor: a união de duas estrelas presentes nos corpos dos seres humanos, expressa na construção de uma ponte entre eles. No entanto, não amaldiçoe a distância, Amante; não lamente o espaço que você deve atravessar para conseguir se reunir, pois é somente por causa dessa distância que você pode sentir algum anseio e amor.

Leia mais →
Portfólio Processo criativo Projetos

Vênus à deriva 🌊


Essa ilustração foi criada para a capa da primeira edição da Zine Marítimas, cujo tema é à deriva. Trata-se de uma releitura da obra O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, pintada em 1486. Para quem não sabe de que obra estou falando, é esta aqui:


Quando tive a ideia da releitura, não estava pensando diretamente na zine (foi de tanto ver a capa do livro Mulheres, Mitos e Lendas), mas os conceitos foram se encaixando. Acabei fazendo mais dois trabalhos inspirados nessa Vênus saindo do mar, mas que estão em stand by. Tentei utilizar vários materiais, como grafite e aquarela (abaixo), mas senti que não estava conseguindo comunicar bem o que queria transmitir, algo que lembrasse levemente as estéticas seapunk e vaporwave. Daí, cheguei num material que já fazia um bom tempo que não utilizava: o pastel seco.


Na realidade, o pastel seco entrou mais para resolver o problema da coloração da pele. Nos cabelos, apostei em quem nunca me deixa não mão, o bom e velho lápis de cor, com alguns filetes de caneta holográfica e muito dourado. O recorte da imagem também se deve à referência do livro Mulheres, Mitos e Lendas, sendo que fiz questão de ressaltar a espiral de cabelos no ombro (que no quadro original tem proporção áurea).


Materiais utilizados

  • Papel Hahnemühle Nostalgie;
  • Pastel seco Derwent;
  • Esfuminho Derwent;
  • Lápis de cor Staedtler Karat;
  • Caneta holográfica Pentel;
  • Caneta dourada Sakura.
Neste post antiguinho, tem um pequeno tutorial com minhas primeiras experiências com pastel seco, mas continua válido. A Suellen Rubira escreveu o editorial da Zine Marítimas e falou muito amorosamente tanto dessa releitura, quando da nossa proposta nesse primeiro volume. Abaixo, a capa completa:


Para ler a zine, clique aqui. Abaixo, o episódio de We Can Be Readers no qual falamos da zine: 

Leia mais →
Anterior Próximo
Assinar: Comentários (Atom)

Arquivo

  • março 2026 (1)
  • fevereiro 2026 (1)
  • janeiro 2026 (1)
  • dezembro 2025 (2)
  • novembro 2025 (1)
  • outubro 2025 (1)
  • setembro 2025 (1)
  • agosto 2025 (1)
  • julho 2025 (2)
  • junho 2025 (2)
  • maio 2025 (1)
  • abril 2025 (2)
  • março 2025 (2)
  • fevereiro 2025 (1)
  • janeiro 2025 (8)
  • dezembro 2024 (1)
  • novembro 2024 (2)
  • outubro 2024 (2)
  • setembro 2024 (1)
  • agosto 2024 (1)
  • julho 2024 (2)
  • junho 2024 (1)
  • maio 2024 (6)
  • abril 2024 (1)
  • março 2024 (1)
  • fevereiro 2024 (2)
  • janeiro 2024 (5)
  • dezembro 2023 (2)
  • novembro 2023 (3)
  • outubro 2023 (1)
  • setembro 2023 (2)
  • julho 2023 (4)
  • junho 2023 (3)
  • abril 2023 (2)
  • março 2023 (1)
  • fevereiro 2023 (1)
  • janeiro 2023 (4)
  • dezembro 2022 (1)
  • novembro 2022 (2)
  • outubro 2022 (1)
  • setembro 2022 (1)
  • agosto 2022 (1)
  • julho 2022 (2)
  • junho 2022 (1)
  • maio 2022 (1)
  • abril 2022 (3)
  • março 2022 (2)
  • fevereiro 2022 (2)
  • janeiro 2022 (3)
  • dezembro 2021 (2)
  • novembro 2021 (1)
  • outubro 2021 (2)
  • setembro 2021 (1)
  • agosto 2021 (3)
  • junho 2021 (4)
  • maio 2021 (1)
  • abril 2021 (1)
  • março 2021 (2)
  • fevereiro 2021 (1)
  • janeiro 2021 (6)
  • dezembro 2020 (2)
  • novembro 2020 (1)
  • outubro 2020 (3)
  • setembro 2020 (2)
  • agosto 2020 (2)
  • julho 2020 (2)
  • maio 2020 (5)
  • abril 2020 (3)
  • março 2020 (3)
  • fevereiro 2020 (2)
  • janeiro 2020 (3)
  • dezembro 2019 (3)
  • novembro 2019 (1)
  • outubro 2019 (6)
  • setembro 2019 (2)
  • agosto 2019 (2)
  • julho 2019 (2)
  • junho 2019 (3)
  • maio 2019 (3)
  • abril 2019 (1)
  • março 2019 (2)
  • fevereiro 2019 (3)
  • janeiro 2019 (4)
  • dezembro 2018 (2)
  • novembro 2018 (1)
  • outubro 2018 (4)
  • setembro 2018 (2)
  • agosto 2018 (2)
  • julho 2018 (4)
  • junho 2018 (5)
  • maio 2018 (4)
  • abril 2018 (3)
  • março 2018 (2)
  • fevereiro 2018 (3)
  • janeiro 2018 (5)
  • dezembro 2017 (3)
  • novembro 2017 (4)
  • outubro 2017 (4)
  • setembro 2017 (3)
  • agosto 2017 (4)
  • julho 2017 (5)
  • junho 2017 (2)
  • maio 2017 (8)
  • abril 2017 (4)
  • março 2017 (5)
  • fevereiro 2017 (4)
  • janeiro 2017 (6)
  • dezembro 2016 (4)
  • novembro 2016 (5)
  • outubro 2016 (5)
  • setembro 2016 (6)
  • agosto 2016 (5)
  • julho 2016 (8)
  • junho 2016 (5)
  • maio 2016 (8)
  • abril 2016 (8)
  • março 2016 (10)
  • fevereiro 2016 (6)
  • janeiro 2016 (8)
  • dezembro 2015 (10)
  • novembro 2015 (6)
  • outubro 2015 (12)
  • setembro 2015 (8)
  • agosto 2015 (31)
  • julho 2015 (5)
  • junho 2015 (8)
  • maio 2015 (5)
  • abril 2015 (7)
  • março 2015 (8)
  • fevereiro 2015 (5)
  • janeiro 2015 (6)
  • dezembro 2014 (9)
  • novembro 2014 (13)
  • outubro 2014 (12)
  • setembro 2014 (6)
  • agosto 2014 (7)
  • julho 2014 (6)
  • junho 2014 (2)
  • maio 2014 (2)
  • abril 2014 (4)
  • março 2014 (3)
  • fevereiro 2014 (6)
  • janeiro 2014 (5)
  • dezembro 2013 (6)
  • outubro 2013 (4)
  • setembro 2013 (3)
  • agosto 2013 (3)
  • julho 2013 (4)
  • junho 2013 (5)
  • maio 2013 (6)
  • abril 2013 (7)
  • março 2013 (9)
  • fevereiro 2013 (2)
  • janeiro 2013 (7)
  • dezembro 2012 (2)
  • novembro 2012 (2)
  • outubro 2012 (4)
  • setembro 2012 (2)
  • agosto 2012 (4)
  • maio 2012 (1)
  • abril 2012 (1)
  • fevereiro 2012 (1)
  • dezembro 2011 (1)
  • novembro 2011 (1)
  • outubro 2011 (2)
  • junho 2011 (1)
  • Termos de uso
© Lidiane Dutra • Todos os direitos reservados • Theme by MG Studio