Lidiane Dutra
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Reflexões
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Blogagem Coletiva Reflexões

Eu fui, eu tava: Ensino remoto raiz 📪


A querida Re, do blog Mulher Vitrola, lançou uma Blogagem Coletiva (já participei de várias) muito especial, um grande encontro de gerações, para falar sobre coisas nostálgicas que vivemos e épocas marcantes das nossas vidas. O tema eu fui, eu tava é para unir todas as tribos, como o Norvana...

Eu resolvi falar de uma coisa que está bastante em alta (e enquanto professora, estou participando em modo hard), mas na sua forma raiz: o ensino remoto. Lá nos idos do filme Titanic, antes da internet e dos tutoriais sobre absolutamente tudo, vi uma propaganda do Instituto Universal Brasileiro numa revista, e resolvi me inscrever. Eu era uma adolescente morando no interior, com pouco acesso a qualquer coisa mais "atual", e tinha uma vontade absurda de melhorar meu desenho, mas as seleções para a Escola de Belas Artes da cidade não estavam nos planos da minha família. Então peguei minha mesada e investi no curso de Desenho Artístico, Publicitário e Pintura.

Funcionava assim: todo mês eu recebia uma apostila pelo correio, e elas se alternavam entre os três temas do curso: desenho artístico, publicidade e pintura. Periodicamente, também, vinham as avaliações. O curso era apostilado e o tira-dúvidas era por telefone, ou então no acompanhamento das avaliações, ou seja: falar com o professor era uma tarefa impensável, se comparada aos dias de hoje.

Eu só consegui enviar uma avaliação, pois tive muita dificuldade em encontrar os materiais para realizar o curso, principalmente a parte do desenho publicitário. Mas paguei tudo e fiquei com as apostilas e, ao longo dos anos, principalmente os que antecederam a faculdade, fui estudando aqueles fundamentos ali. A parte publicitária ficou bastante defasada e, com o tempo, me desfiz dela. Mas a de desenho e pintura é muito boa, e dá uma ótima base para quem quer começar a desenhar, num modo mais tradicional (gesture, por exemplo, não é abordado).

Separei algumas fotos dessas apostilas e gostaria de ir comentando ao longo do post:


Essas acima são as apostilas do curso de Pintura. Um dos primeiros conteúdos abordados é a teoria das cores e o círculo cromático, e isso mostra o quanto o curso era correto, apesar de parecer duro aos olhos de hoje: ele começava do zero e do que é fundamental.



Alguns exercícios de natureza-morta (still life) em aquarela e de contraste tonal. Sempre havia uma demonstração do conteúdo abordado através de um exercício, que precisávamos replicar. Nesse exercício, além do conteúdo, era também apresentada uma técnica, como aquarela, pastel, óleo, acrílica. Tudo era realmente muito explicado, pois como não havia a figura do professor presente, o estudante tinha que ser capaz de aprender o que estava na apostila sozinho.



Agora, algumas páginas das apostilas de desenho artístico. Dá pra ter uma ideia do que era estudado pelo sumário, novamente com ênfase no básico dos fundamentos, indo gradativamente para a parte mais complexa. E também a parte do desenho da figura humana permeava todas as apostilas, começando da construção da cabeça e seus elementos, para depois as composições mais complexas, envolvendo a figura de corpo inteiro.



Os famosos esquemas para desenhar as partes do rosto, que vemos bastante hoje em dia nas redes sociais... E um estudo detalhado da posição das mãos.



Incidência de sombra e luz e diferentes rotações da cabeça.



Os conteúdos relacionados à anatomia eram bem completos, falando sobre a musculatura e ossatura do corpo humano, bem como mostrando esquemas de proporção das partes.



Por fim, alguns exemplos de composição com tecidos, desenho de animais e, é claro, ilustração botânica. Por mais que seja um material que tem, por alto, uns 30 anos e já esteja defasado em vários pontos (optei por não mostrar os nus, pois o que mais aparece é mulher pelada pra desenhar...), algumas coisas são atemporais, embora hoje em dia se encontre esse conteúdo muito melhor explicado em plataformas como a Domestika, e também no YouTube e outras redes sociais.



Foi muito legal revisitar essas apostilas, pois muito do que sei vem daqui, e também como forma de mostrar para quem está começando agora o quanto era difícil achar conteúdos sobre artes, gratuitos então, nem se fala! Sempre existiram as boas almas que disponibilizavam materiais e traduções preciosas, mas comparado à oferta de conteúdos que temos hoje em dia, foi um salto e tanto.


Por isso, valorize o artista que produz conteúdo, que ensina a desenhar e pintar, e disponibiliza esse material de graça na internet. Sempre curta, compartilhe e apoie da maneira que for possível, pois é uma luta permanente por reconhecimento e para driblar algoritmos. E se o seu artista favorito lançou um curso ou material pago, e você puder investir, faça isso! Todo mundo sai ganhando. 😉


Para saber como participar da Blogagem Coletiva, é só clicar aqui.

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Reflexões

Não há mais vontade criativa que chegue ☔


Eu tenho tentado, em meio à montanha de trabalho que necessito vencer diariamente, manter um mínimo de sanidade me agarrando aos livros. Atualmente, estão na minha cabeceira Nós, mulheres, da Rosa Montero, um daqueles socos no estômago históricos, que nos fazem perceber o quão frágeis são os direitos das minorias, e Talvez você deva conversar com alguém, da Lori Gottlieb, terapeuta que narra suas aventuras enquanto profissional e paciente.


Fora isso, tudo é trabalho, o trabalho remoto que toma conta da casa, dos móveis, do celular incansável, da hora do almoço e do banho, pois se impregna em cada cômodo, disfarçado desse conceito chique de home office. Nunca senti tanta saudade de escola, do sinal tocando para anunciar a hora de entrada, o recreio, a saída. Do cansaço na sexta-feira, pois era um cansaço que deixava a semana para trás, o sentimento de dever cumprido. Hoje o dever é quantificar mensagens recebidas pelo WhatsApp e checar se áudio e vídeo estão funcionando no Meet.


Bueno, tirando isso - as leituras para manter a sanidade, e o trabalho - o resto é preocupação. Com o governo (ou a falta dele), a irresponsabilidade das pessoas, o egoísmo, o colapso, o negacionismo, a falta de perspectiva de sair desse buraco no qual nos enfiamos e ficamos tomando água de esgoto de guti-guti.


Não sei outros criativos, mas eu já joguei a toalha há uns bons meses. Fiquei no automático, fiz algumas coisas que precisavam ser feitas a duras penas, mas absolutamente nada mais sai de mim de maneira criativa e espontânea. Tudo é fruto ou da necessidade de cumprimento de prazos, ou de uma sensação vazia de preciso continuar senão enferrujo. Mas a verdade é que já faz um mês que não pego um lápis, que não sinto vontade de criar algo, e todo material que posto para manter as redes minimamente movimentadas é um grade tbt.


Não sei de onde nasce essa vontade criativa em meio ao caos e à desesperança. A Covid chega cada vez mais perto, infectando e matando conhecidos, colegas de profissão, anônimos que não são só números, são pessoas que tiveram família, sonhos e desejos.


Eu não sei de onde tirar essa vontade de criar no meio da morte. Aplaudo quem segue firme no seu propósito, fazendo arte ativista, usando o humor para denunciar o absurdo, ou simplesmente seguindo com as suas temáticas de costume como forma de resistência.


Eu não consigo mais, só quero que tudo isso passe, que alguém jogue a corda para que possamos sair do buraco. 


Escrevo esse texto direto do celular, num lampejo de tentar colocar os sentimentos na tela/papel. A impressão é de que todos estamos gritando, mas é um grito mudo, que ninguém ouve. Que tempos horríveis para ter acesso à informação, pois quanto mais leio e me informo, mais me desespero.


Enfim, não espero chegar a nenhuma conclusão com esse texto, é apenas um desabafo, e uma maneira de preencher esse espaço e justificar o pagamento do domínio. Talvez em breve eu publique um post agendado há algum tempo, que certamente vai destoar desse aqui, então tratarei de rever o texto, para se adequar ao meu momento de total descrédito na humanidade.


Fiquem bem, usem máscara e álcool em gel, evitem aglomerações e cuidem dos seus.


Foto via.

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Processo criativo Reflexões

Um retrato através do tempo

Este mês eu completo 36 voltas em torno do sol e, falo com tranquilidade, fiz as pazes com muitas coisas em mim. Entre elas, a minha aparência, de maneira geral. Embora ainda tenha uma queixa ou outra, hoje sou muito mais tolerante com o espelho do que há 10 anos atrás, mesmo que o colágeno já não seja o mesmo.

Depois de fazer dois autorretratos praticamente na sequência (um em junho e outro em setembro) eu me peguei perguntando: quantas vezes já me retratei? E como me retratei? Fui buscar alguns desses autorretratos para tentar responder a essas duas perguntas e ver tanto o que mudou na minha autoimagem quanto no meu traço. Gostaria que vocês me acompanhassem nessa tour que é metade tbt e metade terapia kkkkkk:


Definitivamente, não acho algo fácil para alguém se autorretratar. Acredito que, mesmo as pessoas mais experientes no assunto, precisam sempre colocar a própria imagem em perspectiva, e escolher quais aspectos desejam salientar ou ocultar em si mesmos. E isso, por si só, já é um grande exercício de autoconhecimento. Talvez, também, seja por essa razão que sempre passo o autorretrato como atividade para as minhas turmas.

Quando comecei a ilustrar, muitas pessoas me diziam que as mulheres eram muito parecidas comigo, o que geralmente eu respondia com um sorriso amarelo e uma revirada interna de olhos, pois realmente tinha pouco a ver. A primeira vez que realmente sentei para fazer um autorretrato com essa intencionalidade, foi em 2014 (acima). Usei como banner do blog por um bom tempo e, embora tenha curtido na época, não posso deixar de notar a cara de c* e de tristeza da pessoa... Parece que estou morrendo, ou que recebi uma notícia triste, só pela minha expressão. Acho que tive tanto medo de falhar em capturar a minha própria fisionomia, que fiquei muito engessada em parecer real.


Ainda em 2014, para o inkt*ber daquele ano, peguei a mesma foto de referência do retrato anterior e criei... um monstro? Sinceramente não sei o que quis fazer aqui, além da tentativa falha em reproduzir o efeito galáxia nas órbitas (eu ainda estava tentando). A cara de c* ainda é a mesma, e acho que nem é culpa da foto, mas do medo de errar (já falei bastante sobre meus fantasmas com o desenho nessa época neste post aqui).


Em 2015 me transformei em personagem, e foi uma das minhas primeiras tentativas de estilização na vida, por conta de uma oficina com a Andréia Pires. Como a temática era toda infantil, e eu recém tinha cortado o cabelo, o visual ficou bem menos dark que os retratos anteriores, e abriu caminho para que eu tentasse me arriscar mais. Mesmo assim, levei dois anos para fazer outro retrato, dessa vez bem diferente.


Foi só em 2017 que fiz um retrato que realmente olhei, gostei e senti que alcancei meu objetivo. Tudo aqui funciona super bem, eu estava num momento feliz com a minha arte e isso transpareceu na ilustração. Agora sim, tinha galáxia, tinha expressão mais relaxada e feliz, tinha um conjunto de elementos que fazem parte do meu trabalho e estavam todos ali, presentes. Durante muito tempo esse retrato me representou e, de certo modo, ele ainda me representa, pois consigo me enxergar muito nele. Tanto que demorei mais três anos para me retratar novamente.


Esse ano, bem no meio de uma pandemia e da construção da minha casa, senti vontade de produzir um autorretrato para aquele momento. Na realidade, tive a ideia e consegui colocá-la de uma maneira (de certa forma) rápida no papel. Eu já estava matriculada no curso da Isadora Zeferino e sabia que acabaria fazendo outro retrato em breve, e acabei considerando este como o trabalho que fechou o ciclo na casa dos meus pais e no quarto que por tantos anos foi meu ateliê. E não deixa de ter uma melancoliazinha ali no meu olhar, dada a conjuntura.


Por fim, meu retrato mais recente. Saindo completamente de uma paleta de cores naturalista e apostando na estilização que o curso exigia, consegui colocar tanta coisa nessa representação... já tem sorrisinho, tem olhar tranquilo, tem flor... e misteriosamente não tem o crescente na testa. Será um sinal, ou só esqueci? Esclarecendo, foi a segunda opção, pois a composição estava perfeitinha desse jeito, e se eu adicionasse mais um elemento no rosto, iria acabar poluindo (mistério resolvido).

Não sei quanto tempo mais demorarei para fazer um novo autorretrato, mas cada vez que o faço é como se me abraçasse e me entendesse cada vez mais. Como disse lá no começo, não é uma tarefa fácil, mas recomendo que você tente, mesmo que não seja profissional. É um jeito de se olhar com carinho, de ver o quanto mudamos interna e externamente.

Vou deixar dois vídeos abaixo, para pensar a questão do retrato, da representação e da selfie. Um é do canal Curta! e outro do canal Educação para a cultura visual em media social. Assista:

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Dicas Reflexões Sala de aula

Notas sobre podcasts

Embora eu tenha trabalhado na área de EaD e tecnologias por anos a fio, sempre me considerei uma pessoa analógica para muitas coisas, até mesmo para o mundo virtual. Uma prova disso é eu não abandonar o hábito de blogar, de sentar e escrever, de editar HTML, de manter esse espaço mesmo quando todas as pessoas insistem em dizer que blogs morreram (spoiler: não morreram, nem vão morrer tão cedo). Minha relação com livros, com a arte tradicional (lápis, pincel, tinta), tudo numa confluência para inserir o analógico dentro do digital. Então eu demorei um pouco para entrar na cultura do podcast.

Comecei no final do ano passado, acompanhando alguns podcasts de true crime e terror, até que, durante a pandemia, fui convidada pela Suellen Rubira para fazer a arte e participar de alguns episódios do We can be readers. Vou deixar todas as minhas participações embedadas aqui:

E na função de participar do Readers, acabei tomando contato com o Anchor, software que a maioria dos podcasters usa para editar e distribuir seus programas. Então, quando chegou a hora de retomar o ensino através de atividades remotas (e, embora eu tenha todas as ressalvas do planeta, e ache que MUITA coisa nisso está errada), logo pensei em gravar pequenos áudios com o conteúdo das aulas. Assim, eu conseguia ao mesmo tempo me aproximar das turmas, e facilitar a entrega dessas aulas, através de um rápido áudio compartilhado via Whatsapp.

E foi aí que nasceu o Lidycast... são só as minhas aulas de artes, super específicas para o momento e para as turmas que atendo. Mas que podem servir como inspiração para outros professores, já que gravar um áudio é relativamente mais fácil do que gravar um vídeo, e demanda menos tempo de preparo.

Com o plano de aula em mãos, eu crio um roteiro com absolutamente tudo o que vou falar, tomando o cuidado de não ultrapassar 5 ou 10 minutos de áudio. Os primeiros foram mais espontâneos, mas agora roteirizo tudo para não me perder e evitar interrupções e vícios de linguagem. Gravo diretamente do celular, pelo próprio Anchor e, depois de finalizar o áudio, acrescento uma das músicas de fundo da biblioteca do aplicativo. Tudo muito simples e intuitivo. Claro que é possível incrementar o áudio, fazer recortes e edições elaboradas, mas como recurso didático em tempos de pandemia, é desse jeito simplão que tenho conseguido dar conta do que preciso fazer. 

E, assim como em outras áreas, a gente só pega o jeito de fazer podcast ouvindo bastante podcast. Só assim para entender a linguagem, como manter o ritmo, e como desenvolver uma relação com o ouvinte. 

Hoje já consigo enxergar o podcast como recurso extra, quando as aulas presenciais retornarem. E quem sabe, no futuro, poder criar um programa para falar de outras coisas também. Tudo o que não consegui fazer com o vídeo (meu canal morto no YouTube é a prova disso), está se mostrando bastante possível através do áudio. Claro que não vou abandonar o blog por conta disso, só acredito que são coisas que vão se encontrar em algum momento.

Se você é docente e está se desdobrando com atividades remotas, pense na possibilidade de gravar um podcast (caso tenha condições para isso). É um recurso que cativa especialmente os adolescentes. E me conquistou pela maneira como eu poderia me colocar mais humanamente para a turma, sem precisar de um aparato de câmera, iluminação, cenário, pós-produção. Participar do Readers também foi fundamental para entender o feedback desse meio.

Independentemente da proposta, o importante é curtir o que se faz, e eu amo ser professora, apesar de todas as dificuldades que são impostas a nós. Aproveito para indicar o canal da Patrícia Pirota, com dicas de organização e planejamento para professores.

Nota: embora o objetivo do post seja contar a minha experiência com o podcast e compartilhar isso com outros colegas professores, e também como mencionei num parênteses, nada disso tira meu sentimento de indignação sobre como tem se tocado o barco da educação no Brasil, desconsiderando o fosso de desigualdade que só aumenta com a adoção do "ensino remoto". 

Photo by Elice Moore on Unsplash

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Reflexões

10 anos de blog ✨


Ontem o blog completou 10 anos e não, não esqueci a data. Só senti que precisava escrever no momento certo. E os últimos tempos não têm sido certos para muitas coisas. Vivemos uma pandemia que marcará as próximas gerações, estamos em contato direto com o melhor e o pior da humanidade, enfrentando quarentena, colapso do sistema de saúde, descaso de muitos governantes, intolerância. E também solidariedade, empatia e, principalmente, a importância de se valorizar a arte, a saúde e a educação como nunca antes. 

Pela primeira vez em muitos anos, não estou me cobrando por não conseguir desenhar. Estou me dedicando às aulas, pois, mesmo com as escolas fechadas, nós professores estamos produzindo material para ser encaminhado aos estudantes. E escolhi para abrir esse post a imagem de um vídeo que gravei para os anos inciais (dá pra assistir aqui), contando a história de Leonardo da Vinci, pois  a contação vai ao encontro do que tenho me dedicado: resgatar histórias, atividades, ilustrações antigas, fragmentos de memórias que me constituíram profissional, ao longo desses dez anos.

O blog também chegou à marca de 1 milhão de acessos. É um feito enorme para um espaço sem monetização, sem impulsionamento, e quase sem divulgação, visto que não tenho uma quantidade enorme de seguidores nas redes sociais. Praticamente todo tráfego é orgânico, de pessoas que me acompanham, assinam o feed, ou simplesmente caem por aqui através da busca do Google, que já mandou muita coisa bizarra pra cá. Já recebi muito hate, que foi sumindo com os anos, já participei de blogagem coletiva, projetos, conheci muita gente. E agora quero fazer uma pequena retrospectiva, do fundo do coração.

Alguns números (até a escrita desse post)

  • Postagens: 472
  • Comentários: 2408
  • Acessos: 1004564 (o pico de acessos foi em junho de 2016)
  • Página mais acessada do blog: FAQ

Postagens mais acessadas

  • Como faço o efeito galáxia/nebulosa em aquarela
  • Maybe Tonight (Estelar)
  • Exposição "Mulheres"
  • Minhas aquarelas e pincéis favoritos (até o momento)
  • Links Bacanas #8

Postagens que mais gostei de escrever

  • Mostre Seu Trabalho
  • Grande Magia
  • Clipes com Referência na História da Arte (parte 1,  parte 2  e  parte 3)

Ilustras que considero um ponto de virada na minha vida

  • Sugar Skull: a primeira ilustração que vendi produtos - e fiquei conhecida por muito tempo pelas catrinas;
  • Pirate: mostrou meu potencial criativo;
  • Maybe Tonight (Estelar): minha primeira galáxia em aquarela;
  • Arabesque: primeira figura fora do padrão estético dominante;
  • Sereia: primeira aquarela que realmente gostei do resultado;
  • Summertime: marca o início do ano dos meus melhores trabalhos.

Curiosidades

  • O primeiro nome do blog foi Desenhar é Preciso, por causa da minha dissertação de mestrado;
  • O vídeo Minha mesa de luz artesanal, apesar de ser o mais assistido do meu canal no YouTube, nunca converteu muitas visualizações para o blog;
  • Tive que fechar os comentários da postagem sobre uma cola dimensional, de tanto que as pessoas me perguntavam o tempo de secagem da tal cola;
  • Também tive que apagar todos os posts sobre lojas virtuais, pois recebia muitos comentários sem noção, sobre quanto eu ganhava em dinheiro;
  • Durante anos o termo mais pesquisado do blog foi mulheres com a boca costurada (acredito que sejam as catrinas);
  • Todos os projetos de sketchbook viajante que participei nunca terminaram, muitos se perderam;
  • Já ajudei muitas pessoas que hoje tem números bem expressivos, mas que nunca disseram obrigada, e já tive até a sidebar plagiada por uma pessoa;
  • Acredito ter sido a primeira pessoa no Brasil a receber "mimos" da marca Derwent, antes mesmo dela vir para cá, em 2012.

Não sei se o blog vai ficar por aqui mais dez anos, se vai virar site, se a internet vai acabar... só sei que sou muito grata a todo mundo que me acompanhou um dia, que me acompanha até hoje, ou que recém chegou por aqui. Muito obrigada por curtir um espaço que, basicamente, contém meus delírios, e que nunca ousou ser grande coisa. Obrigada a todos os clientes que chegaram por aqui e confiaram no meu trabalho; aos alunos que vem dar uma olhadinha, de vez em quando, e a todas as amizades virtuais que fiz em decorrência do blog.

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. - Eduardo Galeano

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Processo criativo Reflexões

O que mudou na minha arte em 10 anos


Uma das coisas que eu queria muito fazer desde que me dei conta de que uma década já passou, era uma retrospectiva dos meus trabalhos, e o que mudou neles ao longo desses 10 anos.

Mas, ao fazer isso, quero pensar além da técnica adquirida e focar nos meus processos internos de aceitação, superação e de amor próprio pois, entra ano, sai ano, sempre vejo meninas lidando com os mesmos fantasmas que eu, com autossabotagem, rejeição e críticas duras demais, que muitas vezes não ajudam. Gostaria que essa retrospectiva fosse um abraço, para mim e para elas, uma maneira para ver que é possível ser mais gentil consigo mesma e vibrar pelas pequenas conquistas.

Então vamos começar lá pelo ano de 2010, que já não existe aqui no blog, pois acabei apagando muitos posts, mas que está guardadinho na minha memória. Eu precisava escrever o projeto de qualificação do mestrado, e a página em branco me apavorava. Resolvi criar o blog como forma de escrever despretensiosamente e mostrar alguns trabalhos feitos entre uma produção acadêmica e outra.

2010


Eu decidi realmente voltar a investir no desenho em 2009, depois de ter que alterar várias vezes meu projeto de mestrado, e perceber que só aquilo que eu realmente amava, que era o ato de desenhar, me daria forças para continuar pesquisando. Só que eu estava super enferrujada, havia me desapontado demais com tudo, ouvi coisas horrorosas, me achava insuficiente e charlatã. Então, busquei meu material favorito à época: o lápis de cor.

Esse primeiro desenho foi uma encomenda para uma amiga. Apesar do tronco alongadíssimo da figura, percebi que o que havia sido aprendido, ao longo dos anos, não tinha se perdido, só estava adormecido. Já a Marilyn à direita também foi uma tentativa de voltar a trabalhar com caneta esferográfica, que eu gostava muito, principalmente do efeito nos cabelos. Está parecida? Não. Tem problemas? Todos. Mas o importante dessa fase é que eu estava começando a tatear as possibilidades de reintroduzir o desenho na minha vida. A Fernanda Guedes foi uma grande inspiração nessa época.

2011


Aqui já comecei a perder o medo de retornar a desenhar o que eu mais gostava: mulheres. O contato com as ilustrações da Nanda Corrêa foi muito importante, pois sempre que eu via suas moças expressivas, pensava: nossa, ela também desenha mulheres. Tive muitos problemas relacionados à temática dos meus trabalhos durante a vida acadêmica, era como se sempre fosse algo menor para os outros, mas era o caminho que eu queria seguir. De 2011 em diante, tomei uma decisão: procuraria o máximo de artistas mulheres possível e montaria um blogroll com todas elas, e foi o que fiz.

Também foi em 2011 que perdi o medo de embarcar em temas mais místicos e ocultos, que também curto, e foi daí que conheci o trabalho maravilhoso da Sylvia Ji, referência eterna. Nasceu minha primeira catrina, minha primeira ilustração vendida em loja virtual. Eu ainda tinha muita resistência em voltar a fazer personagens de corpo inteiro, ao mesmo tempo que desejava demais investir em retratos, para trabalhar a questão do olhar, que é muito importante para mim.

2012


A partir de 2012, comecei a participar de desafios e concursos de estampas. Nunca tive uma arte aprovada, mas participava mesmo assim. Também inscrevi alguns trabalhos em chamadas de revistas online e sites especializados em curadoria, tendo alguns deles aceitos e vendidos no Society6, posteriormente.

Também fiz minha primeira exposição individual, só na cara e na coragem. Foi muito bonito, pois tive apoio incondicional de quem já estava me acompanhando e, gente: quem começou a me acompanhar nessa época é porque curtia muito, de verdade, o que eu fazia, pois minhas artes ainda sofriam com problemas de anatomia, proporção e o escambau.

2013


Em 2013 consegui ilustrar um livro coletivo de poemas, e foi um gás e tanto no meu desejo de me dedicar à ilustração editorial. Comecei a me aventurar mais na narrativa criada para cada trabalho, porém, comecei a me dar conta do que me impedia de melhorar. A essa altura do campeonato, via meu trabalho estagnado, meu traço mudando pouco ilustra após ilustra. E meu maior impedimento em evoluir residia na vontade de controlar as coisas.

Eu precisava estar no controle total da situação, e tudo tinha que sair perfeitamente igual ao que eu havia pensado. Só que isso não acontecia. Eu empacava numa parte da ilustração, me irritava, praguejava e no fim, vencida pelo cansaço e exaustão mental por não conseguir contornar meu erro técnico, apressava as coisas, ficando tudo pela metade.

Segui me iludindo que não, isso não está acontecendo, mas estava. Minha mania de perfeição não me deixava evoluir, e também deixava meus trabalhos com problemas muito visíveis, mas que eu não queria ver. Foi então que comecei um processo interno de tentar experimentar trabalhar com tintas, para ver se melhorava, mas foram dois anos de erro em cima de erro, até finalmente encontrar meu caminho.

2014


2014 e 2015 foram encruzilhadas na minha vida artística, pois eu já não tinha mais aquele desprendimento lá de 2010 para me reconectar ao desenho (a essa altura, já precisava estar reconectada, não tinha mais dissertação e eu pegava encomendas), e também não tinha suporte técnico para alçar voos mais altos. Por exemplo, a aquarela me encantava, mas todos os trabalhos saíam um cocô.

Me senti muito frustrada nessa época, pois comecei a me comparar demais com os outros. Via meninas que começaram lá em 2010 comigo numa situação muito melhor do que a minha, desenhando super bem e aumentando seus seguidores e encomendas. Talvez essa parte da comparação e o limbo no qual me encontrava foram determinantes para meu ponto mais acentuado de estagnação. Eu precisava sair dali urgentemente e não sabia como.

2015


No início do ano, meu cachorrinho Axl faleceu, depois de muito tempo lutando contra o câncer. Foi um momento horrível, que ninguém na minha casa superava. Já fazia um tempo que eu tentava fazer o efeito galáxia com aquarela e errava todas as vezes. É uma coisa que, hoje, sei que é super simples, mas aquela mania de controle não me deixava avançar.

Foi então que, numa tarde, resolvi colocar algo que há muito tempo faltava no meu trabalho: sentimento. Fiz Estelar em homenagem ao Axl e, finalmente, ao me deixar levar, consegui fazer a galáxia em aquarela. Deu tão certo, que foi o ano da galáxia: rolou exposição toda temática, tutorial e muitos produtos vendidos com a arte Estelar. Mas AINDA faltava uma coisa, que só veio no ano seguinte, com nome e sobrenome: Sabrina Eras.

2016


No início do ano, a Sabrina abriu uma turma de aquarela online e, quem estivesse interessado, era só mandar um e-mail, que ela responderia com as instruções para inscrição. Lembro que, na época, a Isabella Pessoa e eu mandamos e-mail praticamente na mesma hora, e ficamos nos praguejando durante dias, pois não recebíamos resposta. Pensávamos que éramos tão ruins que a Sabrina nem queria nos dar aula. Mas o que realmente aconteceu foi que a Sá recebeu uma enxurrada de mensagens e, como fomos as primeiras, acabamos empurradas para o final da caixa de e-mails hehehehe.

Enfim, comecei o curso em fevereiro e, até hoje, acho que nunca vou conseguir dimensionar o quanto essa experiência mudou a minha vida. Pela primeira vez me senti acolhida, compreendida, respeitada por uma professora de pintura, ganhando feedbacks construtivos, sendo estimulada a ir além, apoiada pelas colegas de curso. E este foi o ponto de virada na minha vida, o momento em que tive alguém para dizer: deixa de ser control freak, e voltei a estudar absolutamente tudo: fundamentos do desenho, anatomia, luz, sombra, valores... Os primeiros estudos do curso me tiravam do sério, mas quando cheguei na maçã, eu abri meu coração para aquarela e, desde então, vivemos um tórrido caso de amor verdadeiro, amor eterno.

Sempre que tenho oportunidade, agradeço a Sabrina e recomendo fortemente o curso dela (tem resenha aqui e aqui e, neste post, falo da minha evolução um ano após o curso), mas acho que nunca serei capaz de dizer, com todas as letras, o quanto ela é importante na minha vida e tudo o que ela trouxe de bom já estou chorando, pois eu me perdoei depois dessa experiência, entendi que precisaria voltar algumas casas para poder continuar. E é esse caminho que tenho trilhado desde então.

2017


Meu ano mais produtivo e dos meus melhores trabalhos da vida, até então. Nada vai superar 2017, pois eu estava com a corda toda, com muito tempo para me dedicar à ilustração, me sentindo livre e inspirada e disposta a fazer séries e mais séries temáticas. Surgiram as Botânicas e o melhor Lidytober feito na íntegra, com algumas das ilustras mais aclamadas pela internet.

Deixei de ser controladora e passei a ser observadora do que eu estava fazendo: muito mais estudo, trabalhos bem rascunhados, ilustrações feitas em menos tempo, focando no que realmente importava; temas bem pensados, e o mais importante: a preocupação com a jornada, o processo criativo visto com mais carinho e não como um problema a ser resolvido com dor e sofrimento. Comecei a perceber onde errava e tentava melhorar no próximo trabalho. E finalmente me arrisquei nas figuras de corpo inteiro, e me senti, finalmente, em paz com a ilustração.

2018


Depois de anos esperando a nomeação num concurso público para professora de artes, ela finalmente veio em 2018, acompanhada de um grande dilema: será que terei tempo para continuar me dedicando à ilustração, ou vou sucumbir à sala de aula, e todo o aprendizado dos últimos dois anos vai para o lixo?

A primeira atitude que tomei foi cortar as encomendas, pois não conseguiria me dedicar a elas, e foquei 100% no trabalho pessoal. Isso já foi de grande ajuda. Em seguida, avaliei que era impossível manter o mesmo ritmo de produção anterior, e que eu não deveria me culpar por isso. Haveria momentos que precisaria planejar aulas, e outros em que poderia sentar e desenhar algo para mim. E foi assim que fiz muitas séries temáticas, participei dos desafios da melhor forma que pude e tenho trabalhado cada vez mais para equilibrar a vida docente com a ilustração.

O meu maior medo - regredir por não conseguir estudar tanto - acabou não se concretizando, pois sempre que eu sentava para desenhar me doava 100%, e os resultados finalmente começaram a aparecer nas figuras de corpo inteiro e nas tentativas de compor cenários. Destaque para o Lidytober que, em breve, vai para a parede.

2019


Depois de tantos anos lutando contra meus demônios internos da autossabotagem e de me dedicar a aperfeiçoar meu traço, consegui a primeira exposição num espaço institucional, e também consolidar meu trabalho que, a essa altura, as pessoas conseguem reconhecer como meu e destacar as particularidades que mais lhes agradam.

Não foi um caminho fácil, ainda tento equilibrar a carreira docente, ainda me culpo um pouquinho por estar muito cansada, ou por não estar inspirada, não girei uma chave mágica e tudo ficou bem da noite para o dia. Só aprendi a me cobrar menos, ou a cobrar as coisas certas, nos momentos certos. Deixei de pensar que tudo precisa sair perfeito o tempo todo, afinal, a perfeição não existe, e é por isso que sempre seguimos estudando.

De 2010 para cá, o que fica foi que consegui me reconciliar comigo mesma e com o meu potencial, e também incorporar e consolidar elementos que tanto amo no meu trabalho, imprimindo a minha identidade artística.

2020 (por enquanto)


Muita coisa aconteceu no final de 2019 e muita coisa está acontecendo neste começo de 2020, então ainda é cedo para dizer como vai ser o ano. Se eu conseguir manter o ritmo de 2018 e 2019 já fico contente. Pretendo continuar nas séries temáticas próprias, e fazer também mais ilustras de personagens femininas.

Espero que a minha trajetória, ao longo de 10 anos, tenha inspirado quem está começando agora ou, pelo menos, acalmado um pouco os corações, pois é importante ter em mente que cada um tem seu tempo (o que levei uma década pra construir, tem pessoas que conseguem em dois anos), tudo depende  de muitos fatores e não existe fórmula pronta em artes (e em qualquer profissão).

Ainda tenho muito para melhorar, sei que posso ir além do que faço agora, mas também sei que não preciso provar nada a ninguém. O que importa é que, depois de passar por tantas coisas, aprendi a pegar mais leve comigo e ter orgulho da minha jornada, e é essa a mensagem que gostaria de deixar, juntamente com a retrospectiva: tenha orgulho da sua arte, se perdoe, se aceite, estude e melhore por você, e não para provar algo para os outros. 💓
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Reflexões

Por que eu não faço mais resenhas e tutoriais

Pablo Picasso pintando com a luz. Fonte: Resource Magazine

Faz muito tempo (muito mesmo, acho que a última postagem desse tipo é de 2016) que não faço resenhas de materiais. Há alguns anos adotei a prática de falar sobre o que estou usando de maneira contextualizada, geralmente quando produzo uma ilustração e mostro o passo-a-passo. Acredito que, dessa forma, quem me lê pode ver o material em ação, com um propósito específico determinado e, a partir da minha experiência, decidir se é algo que ela quer experimentar também. Quando esses materiais vão se repetindo, faço uma postagem atualizada com meus favoritos, e daí especifico marcas e outras características, mas tudo dentro da minha esfera pessoal de vivências.

O mesmo acontece com tutoriais. Embora a galáxia em aquarela seja o post mais acessado do blog, não me sinto mais confortável para chegar aqui e dizer como fazer um desenho, mesmo que eu reforce que é da minha maneira, e que ela não é a única. Também prefiro contextualizar dentro de um trabalho autoral, mostrando como pintei a pele, como fiz o cabelo de uma figura, como cheguei na mistura desejada.

Indo um pouco além, também deixei de mostrar muitas coisas do meu espaço de trabalho, principalmente livros. Prefiro trazer para cá coisas significativas, como o livro Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres, ou os que uso em sala de aula, pois são obras que vão instigar a pesquisa e o crescimento de quem, por acaso, venha cair aqui.

Todas essas posturas vêm de uma série de confluências: a responsabilidade que é falar sobre algo na internet; a exposição que isso traz; o cenário político atual; o consumismo desenfreado que isso pode gerar; a ideia de que precisamos saber tudo, o tempo todo.

Quando alguém comenta num post antigo desse tipo, dizendo que veio parar no blog por causa de uma resenha ou de um tutorial, e gostaria de ver mais, fico feliz mas não me prendo a isso para continuar escrevendo aqui. Vou mostrando meu trabalho, contando sobre o que acho ser relevante na minha vida docente, mas deixo todo mundo livre para ler ou não ler o blog.

É claro que AMO resenhas, e acompanho blogs que fazem trabalhos maravilhosos, desde produtos para pele até filmes, mas, especificamente em relação a materiais e técnicas artísticas, não pretendo mais dispender tempo e energia para testar, fotografar, organizar e me expor por um produto que pode ter funcionado muito para mim, mas que pode ter sido uma dor de cabeça para outra pessoa. Ou mostrar como fazer um determinado efeito e tempos depois descobrir que existe um jeito muito mais fácil de fazer a mesma coisa, e que fiquei ensinando "errado".

Mas o mais importante de tudo, e o ponto onde realmente quero chegar, é o fator viva a sua experiência. Eu sou o tipo de pessoa que compra muita coisa por impulso, ou por achar a embalagem bonita, ou por decidir tentar uma técnica nova (oi, pastel oleoso!), e sai cada lambança que me deixa dias pensando na quantidade de prestações que ainda vou pagar por algo que achei péssimo, ou no porquê de não ter comprado logo uma coleção inteira do que mais amei testar. E é essa experiência que vejo faltar nos artistas, atualmente.

Todo mundo está tão preocupado em postar seu trabalho da melhor forma possível que acaba perdendo oportunidades extraordinárias de se jogar em coisas novas e absurdas. Picasso foi um artista reconhecido pelo incontável número de experimentações durante sua longa carreira, criando novas técnicas de fazer, apreciar e se relacionar com a arte. Hoje estamos todos preocupados com likes e no melhor que podemos mostrar. Só que nem sempre este melhor é o que realmente queremos mostrar, ou ainda, se realmente queremos mostrar.

Ontem li uma publicação da Brunna Mancuso sobre querer dar novos rumos para a carreira dela, experimentar coisas novas e parar de se importar com números. E acho que todo artista deveria seguir os passos dela. É legal pesquisar sobre materiais novos e marcas confiáveis? Nossa, se é. É legal ter muita gente reconhecendo nosso trabalho? Puxa, nem me fale! Mas também é bom se permitir: experimentar, errar, errar bastante, fazer absolutamente nada, errar mais um pouco, testar novamente aquele tubo de tinta perdido dentro da gaveta, esvaziar todas as gavetas e partir para algo totalmente novo e inóspito.

A experimentação aguça a curiosidade, que anda de mãos dadas com a nossa criatividade. Mesmo que nossos feeds mostrem coisas interessantes e criativas, ou que o blog mais completo ofereça todo conteúdo para começar a desenhar do zero, é só na prática e na tentativa e erro que o trabalho realmente emerge.  

A inspiração existe, mas precisa te encontrar trabalhando.
Pablo Picasso
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Reflexões

Arte é mais que um algoritmo


Não é de hoje que as discussões sobre mudanças no algoritmo do Instagram tomam conta das redes sociais e grupos dedicados à arte. Muitos artistas, principalmente aqueles com menor visibilidade, estão preocupados com o alcance dos seus posts e possível queda no número de encomendas por conta disso.

Engajamento virou pauta, muito mais do que estudar os fundamentos do desenho, redigir um bom contrato, compreender o processo criativo ou como abrir um MEI. E isso passou a me preocupar, em muitos níveis. Primeiro, porque cada vez mais jovens estão começando a ilustrar, pessoas na faixa dos 15-17 anos, em idade escolar. Segundo, porque o número virou ponto de chegada, e não o trabalho em si. Por isso, gostaria de abrir um espaço para reflexão sobre todas essas questões.

Se você olhar minha última foto na conta artística que mantenho no Instagram, o número de curtidas é pífio. Minha conta estacionou em número de seguidores no começo de 2018 e, de lá pra cá, só cai. Tudo começou a cair quando não tive mais tempo para me dedicar àquela rede social. Dispender vários minutos por dia para seguir, curtir, comentar e compartilhar virou luxo na minha rotina, o máximo que consigo fazer é, duas vezes por semana, curtir tudo o que posso dos meus contatos e postar alguns stories. Foto no feed é raridade ainda maior, visto que também produzo pouco. Somado a isso, deixei de seguir em torno de 500 contas, entre perfis inativos e artistas que já não rolava tanta identificação assim com o trabalho. Acabei criando uma conta pessoal para seguir amigos e postar fotos aleatórias, sem pressão, e desopilei ainda mais daquela rede.

Foi libertador não ter que me preocupar em postar e parar de achar que meu trabalho era medido pelo número de curtidas. Num primeiro momento, a leitura que vocês podem fazer é que hoje eu não vivo de freela e posso me dar ao luxo de não me preocupar em manter redes sociais ativas, mas a realidade é que, mesmo quando eu pegava trabalhos comissionados, raramente eles vinham de redes sociais, mas sim daqui do blog e de indicações. E até hoje, quando surge uma proposta, é porque a pessoa me encontrou pelo blog, ou porque um amigo encomendou algo comigo há alguns anos e me recomendou.

A Camis Gray, ilustradora que adoro, compartilhou um tweet sensato esses dias, que diz:
as vezes to mexendo no behance e vejo uns ilustradores muuuito fodas, e qdo vou ver o instagram tem 300 seguidores... mas tão cheio de projetos incríveis e clientes grandes. é bom ver isso pra tirar um pouco a importância daquela rede que as vezes faz muito mal.
— Tears for Spears (@camisgray) 6 de junho de 2019
É realmente interessante dar uma olhada no Behance para comprovar o que a Camis falou. Tem muitos ilustradores que sequer possuem conta no Instagram, mas estão consolidados no mercado de trabalho, realizando projetos em grandes empresas. Outros tantos usam as redes como forma de divulgar trabalhos pessoais, despretensiosos, pois em alguns casos, a confidencialidade faz parte do contrato, e só depois de finalizada é que a peça pode ser divulgada em portfólio.

Quando vejo postagens em grupos de arte e ilustração, nas quais as pessoas estão arrancando os cabelos por engajamento e criando grupos onde tem hora pra postar, curtir e comentar, fico bastante desconfortável. É como se existisse uma ansiedade coletiva para atualizar o feed e receber curtidas; como se isso fosse medir a importância de um trabalho e gerar dinheiro. Vejo até artistas fazendo "estudo de caso" de profissionais com grande número de seguidores (como o Gabriel Picolo, que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e hoje trabalha para a DC), esquecendo-se que quem está no "topo" é porque escreveu uma trajetória de muito trabalho até chegar lá. Não existe fórmula pronta.

E dá-lhe reclamação por não ter visibilidade, por ter muita gente que "não merece" e consegue trabalhos legais, e a pessoa ali, imersa naquele círculo vicioso de tomar os outros como exemplo, sem olhar com carinho para o próprio trabalho, sem enxergar o propósito daquilo que faz. Na minha opinião, é isso que tem matado a capacidade criativa de uma geração inteira de jovens artistas. Ter reconhecimento é legal, receber feedback de um grande público é muito bom, mas saber porque você realmente está ilustrando e aonde quer chegar com seu trabalho é melhor ainda, pois é algo permanente.

Vai chegar um dia em que as redes sociais como conhecemos vão desaparecer. Surgirão outras e, com elas, diferentes formas de compartilhar e consumir arte. Pode ser que toda a internet mude a qualquer instante, e não são as pessoas com o maior número de visualizações que vão sobreviver, mas sim aquelas que realmente amam o que fazem e se dedicam a sempre estudar, aprimorar e buscar parcerias de trabalho sólidas que, independentemente do meio, vão buscá-las quando precisarem de alguém para um projeto bacana.

Arte não é um algoritmo, e a nossa vida também não é.

Photo by Prateek Katyal on Unsplash
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Reflexões

É preciso estar triste para criar?


Este texto foi publicado na minha finada newsletter e hoje, fazendo uma pesquisa nos meus e-mails, o redescobri. Fiquei bem contente com o que escrevi (há dois anos atrás) e resolvi resgatar essa reflexão, deixando-a registrada aqui no blog. Enjoy!

***

A figura do artista mentalmente perturbado é bastante comum em nossa sociedade. Talvez o expoente máximo seja Van Gogh: incompreendido, genial, problemático. Viveu na miséria, para ter sua obra reconhecida e glorificada séculos depois de sua morte. Essa é uma visão bastante nociva do ser artista, mas que ainda é bastante propagada (inclusive, pelos próprios artistas). Quanto maior o nível de perturbação, mais intensa e grandiosa a obra. Será?
A Sarah Andersen, quadrinista que acompanho há um bom tempo, publicou essa tirinha, que resume bem o que penso sobre o tormento do artista. Existe o mito de que a criatividade está associada à tristeza, e de que os momentos mais inspiradores são também os mais dolorosos. Mas isso está longe de ser uma regra, pois o processo criativo é algo muito subjetivo. Além disso, esse mito ajuda a reforçar o estereótipo do artista louco, e afasta a compreensão de que arte é um trabalho, como qualquer outro.

Essa visão obtusa sobre o fazer artístico carrega um pouco de romantização, e outro tanto de desumanização do indivíduo artista. A sociedade acaba justificando pela arte qualquer problema real que essa pessoa tenha (doenças mentais, alcoolismo, abuso de drogas, violência), com o argumento de que "faz parte do pacote". Ao mesmo tempo, qualquer profissional que não se encaixe nessa construção social, acaba por não ser visto como um bom artista ou um artista verdadeiro.

Por ser um campo do conhecimento que trabalha constantemente com a subjetividade, a arte tende a ser encarada como algo incompreensível, cheio de códigos que somente poucos iniciados têm acesso. O que não deixa de ser outra construção social, relacionada principalmente ao status. Para muitos artistas, é conveniente que o público tenha a crença de que eles são esses poucos escolhidos, que conseguem decifrar os meandros que um leigo jamais conseguirá. Isso ajuda a manter o interesse e relevância de suas obras.

Talvez daí venha também o desdém que muitos carregam por artistas comerciais (e aqui não vou entrar no mérito estético de ser bom ou ruim), como Romero Britto. Ser acessível e popular parecem coisas que destoam completamente do discurso artístico dominante. É contra o fluxo natural das coisas.

É preciso estar triste para criar?
É preciso estar feliz para criar?

É preciso QUERER criar. Assim como também é preciso aprender, experimentar, se atualizar, ler, interagir, pensar, refletir... Mais do que tentar colocar os artistas em caixinhas como problemático, estressado, deprimido, a sociedade deve entender que cada um tem seus próprios processos criativos, e que o estado de espírito no momento da criação é apenas um dos aspectos que irão moldar aquela obra.

Por que eu sou desenhista? Este vídeo da Ale Presser sobre o que a motiva a desenhar, e que oferece um panorama poético e profissional sobre a prática artística. É possível perceber que arte envolve muito mais do que sentimento.

Conheça meu portfólio profissional
Loja virtual | Contato: lidiane@lidydutra.com
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Reflexões

Summary of Art 2018


Todo ano faço um summary of art para ter noção do que produzi e da evolução do meu trabalho ao longo de 12 meses. É uma forma legal de ver o que funcionou e o que precisa ser melhorado. Esse ano cogitei não fazer este balanço, acredito que houve muita inconsistência na minha produção; em muitos meses fiz malabarismos para poder produzir algo. 

Mas a inconsistência também faz parte do trabalho artístico, e acabei me envolvendo em mil outras atividades que me encheram de orgulho e satisfação, como ensinar arte para crianças e montar uma exposição com o que elas próprias produziram.

Posso não ter sido constante ou ter perdido um pouco o ritmo, mas tudo o que fiz foi em momentos em que queria muito estar envolvida naquilo, sempre procurando doar meu melhor. 

Obrigada a todas(os) que permaneceram comigo durante este ano; que entenderam a minha ausência das redes sociais e a mudança de foco da minha vida artística; que não esqueceram de me indicar, curtir, acompanhar e, principalmente, obrigada a cada um que entende a arte como resistência.

Me despeço das atividades do blog em 2018 por aqui, desejando um feliz Natal 🎅 e um 2019 de luz e esperança para todas(os)!! ✨

O template foi feito por DustBunnyThumper e pode ser baixado aqui. 
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Reflexões

Eu estou exausta


Eu não queria ter que vir aqui, neste domingo de sol, para fazer um desabafo tão triste, mas como este é meu blog, meu espaço querido, que continuará existindo independentemente de rede social, me obrigo a deixar o registro: estou exausta.

Hoje à tarde abri meu computador com intuito de pagar alguns boletos (#prioridades) e aproveitei para fazer a checagem semanal de páginas que estão usando algum trabalho meu indevidamente. Sim, eu faço isso quase sempre. É a única maneira que encontrei de me precaver contra possíveis plágios. Toda semana reservo uns minutos para checar páginas que estão na minha "lista negra" (uma série de espaços que já publicaram trabalhos meus sem os créditos) e também colocar meu nome no Google e ver as pesquisas recentes. Parece algo extremamente bobo, mas já peguei muita gente na mentira só com essa ação simples. Só que hoje, ao colocar meu nome nas pesquisas recentes do Google, apareceu um link ativo da Urban Arts.

Em 2015, após uma mudança nos termos de uso do site, que passou a exigir exclusividade em cima das obras, resolvi encerrar minha conta nesta loja virtual, visto que vendia relativamente pouco. Entrei em contato por e-mail e Facebook, sendo atendida muito solicitamente neste último. Fechei minha loja, agradeci a oportunidade e dei a questão como acabada. Mas hoje, o link da loja reapareceu, como que por magia, não só ativo mas com seis trabalhos que eu já havia retirado de lá sendo vendidos, sem meu consentimento.

Uma loja online, que diz apoiar artistas, lucrando em cima deles na maior cara de pau. Imediatamente comecei a mandar mensagens por todos os canais possíveis, tirei prints das conversas lá de 2015 sobre o encerramento do espaço, e publicizei nas minhas redes sociais todo o descontentamento e indignação que a questão trouxe.

Novamente digo: estou exausta. Porque não é a primeira vez e, infelizmente, não vai ser a última que alguém vai querer lucrar em cima da minha arte e da arte de outras pessoas. Estou exausta de ter que entrar em contato e ameaçar com processo toda vez que uma página ou loja faz algo de errado comigo, justamente porque essa responsabilidade não é minha. Ética e respeito deveriam ser coisas sagradas, não deveríamos nos preocupar com isso.

Estou exausta de receber mensagens em tom blasé de "nós não sabíamos que a arte era sua", "achamos a imagem sem os créditos", "você deveria se proteger mais".

Você deveria se proteger mais...

Empurrar para cima do artista (algo que acontece muito frequentemente com mulheres, vejam só) a responsabilidade de terceiros terem ética é assinar um atestado de que é culpa nossa se nossos trabalhos forem roubados. É culpa nossa se quisermos ter visibilidade, se quisermos viver dignamente dos frutos dos nossos sonhos, do nosso trabalho. Por que artista bom tem que passar fome, não é? Tem que viver na invisibilidade, aceitando as poucas migalhas que jogam para ele...

Estou exausta de ver domingos arruinados, de gastar tempo, energia e dinheiro arrumando a lambança alheia, de ter que me explicar 500 vezes sobre porque divulgo e como divulgo o que faço. Eu não tenho solução, eu não sei o que fazer. Só vim aqui desabafar, mesmo.

Quem quiser me ajudar a expor o acontecido com a Urban Arts e resolver pelo menos este problema o mais rápido possível, pode compartilhar meu post no Facebook e também no Twitter, e deixar um recado no Instagram da loja. Ajuda muito. Assim que tiver resolvido tudo, dou um retorno para vocês.

Atualização 04/07/2018: ontem a equipe da Urban Arts (depois de pedir para que eu aguardasse por dois dias) entrou em contato para esclarecer a questão. Disseram que houve um problema na plataforma devido a uma atualização, com as artes em formato ímã, e que por isso as minhas voltaram para o site. Nenhuma foi comercializada, segundo eles. As artes já foram retiradas do ar. Porém, fiz questão de pontuar duas coisas fundamentais: a primeira é que a UA deveria, em tese, ter retirado todas as minhas artes da sua base de dados em 2015, quando encerrei meu espaço. Esse problema no site demonstrou que eles ainda estão de posse dos arquivos e pode fazer o que bem entender com eles, a qualquer momento. Isso é errado. A segunda é que o link permanece ativo com meu nome, mesmo não tendo arte nenhuma. É uma loja "vazia". Ou seja, quem me procura pelo Google cai nesse link e gera tráfego para a UA, e não para minha loja oficial ou meu site. E isso também é erradíssimo. Falei que vou continuar monitorando e insisti para que retirem minhas artes de sua base de dados na amizade, e para que deletem aquele link maldito, para não ficar gerando tráfego no meu nome. Dificilmente vou conseguir alguma coisa sem uma carteirada judicial, mas é o que temos. Agradeço todas as pessoas que compartilharam e se solidarizaram com a minha situação.

Atualização 05/07/2018: este tweet. 

Photo by Oscar Keys on Unsplash.
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Reflexões

Há oito anos aqui, e contando... 🎂


A correria tem sido tanta que esqueci o aniversário do blog (e até publiquei após isso). Pode parecer bobo, mas sempre faço questão de registrar que mais um ano passou e continuo aqui. Mas assim que lembrei, vim correndo escrever algo. Pensei em fazer uma grande retrospectiva, tirando velharias do fundo do baú dos meus álbuns do Picasa, mas ponderei um pouco. Acho melhor escrever sobre (im)permanência, tempo e o que esperar de um espaço como este. É uma reflexão interessante em tempos imediatistas, onde tudo é pra ontem e a resposta precisa ser positiva sempre.

Esses dias acompanhei algumas discussões no Twitter sobre blogueiros das antigas que estão retomando seus espaços e tirando o mofo do feed. Ano passado deixei meu Feedburner todo atualizado e sempre procuro dar atenção para o Bloglovin, o leitor de feed que uso atualmente. E fiquei cheia de esperanças com esse revival, com essa vontade de nadar contra a maré. Porque é isso que faço aqui desde o começo: sou um peixe muito pequeno, nadando contra uma maré imensa, e gosto disso.

Lá em 2010, quando comecei, os blogs já tinham atingido seu apogeu e começavam a declinar. Muita gente estava migrando para plataformas mais "atraentes", como o YouTube. Falando em blogs artísticos, acompanhava os da Fernanda Guedes, da Nanda Corrêa, da Ila Fox, da Esther Duraes, e somente um canal, da Leilani Joy. A Esther é uma moça portuguesa que, na época, postava seus desenhos e foi a primeira pessoa que vi resenhar um material artístico como as blogueiras de maquiagem faziam. Foi através dela que entrei em contato com a Derwent, anos antes da marca vir para o Brasil, e ganhei um kit de produtos maravilhosos, que tenho até hoje.

Os anos foram passando, comecei a participar de blogagens coletivas (saudades Rotaroots) e conheci muita, mas muita gente legal. Pessoas que eu admirava a distância e hoje são minhas amigas, que compartilham seus projetos comigo. Acho engraçado o tanto de vida que esse espaço já tem, pois dou aulas para crianças de 4 a 8 anos, exatamente o tempo que estou aqui na internet, abrindo o mesmo painel do Blogger (nunca troquei para Wordpress) e buscando template free para instalar.

O que todo esse relato quer dizer sobre as três coisas que elenquei no primeiro parágrafo (impermanência, tempo e o que esperar de um blog)? É simples: vão ter dias que a vontade é de excluir tudo e nunca mais postar, em lugar algum (o que já aconteceu comigo, pois excluí o blog por um breve período depois de criá-lo, e reativei antes do Google deletá-lo completamente). Às vezes você vai achar que todo o tempo que "gasta" com o blog e seus esforços não são devidamente recompensados. Eu passei anos na total invisibilidade, até que um dia postei como faço o efeito galáxia em aquarela e passei de 50 a 1000 acessos por dia. Você também vai se questionar do por quê aquela pessoa que recém começou já estar visitando fábrica de marca famosa e você está exatamente no mesmo lugar, mas a minha resposta para tudo isso é: o que importa é o caminho, e não a linha de chegada.

Através do blog eu aprendi programação, melhorei minhas habilidades como designer, consegui me firmar como ilustradora, montei loja, fiz colaborações, exposições, dei entrevista, fiz muita coisa que nunca aconteceria se eu não me dispusesse a clicar no botão laranja de publicar. Aqui é minha válvula de escape quando estou frustrada, gosto de manter tudo arrumadinho para que possa dizer para mim mesma o quanto sou capaz de fazer algo com minhas próprias mãos e sentir orgulho por isso. Como diz o Austin Kleon, é minha casa na internet e sempre, sempre procuro mostrar aqui o meu melhor lado. 

Durante muito tempo meu Currículo Lattes foi impecável, modelo para os outros copiarem. Cheguei a ministrar oficina sobre como preenchê-lo. Mas aquelas informações eram só um amontoado de dados, eu não sentia que estava ajudando os outros com minha experiência acadêmica. E toda vez que me disponho a resenhar um livro, ou mostrar meu processo criativo, dar uma opinião sincera aqui, cada comentário e compartilhamento valem muito. E mesmo que ninguém leia, o sentimento é de dever cumprido. Eu sinto que estou retroalimentando um sistema do bem.

Agradeço por estar aqui há oito anos e ter colhido frutos tão bonitos com meu trabalho. Um espaço que começou para que eu pudesse sistematizar minhas ideias, e hoje é uma das coisas que mais tenho orgulho em manter. Podem vir os próximos anos, pois a porta está aberta.
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