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#4 Purple

Esta é a última produção para a série de Deusas do arco-íris . Embora algumas pessoas tenham me pedido para fazer outras cores e dado su...

12/09/2019


Esta é a última produção para a série de Deusas do arco-íris. Embora algumas pessoas tenham me pedido para fazer outras cores e dado sugestões ótimas, creio que devo encerrar por aqui. No início, seriam somente três trabalhos (RGB), mas eu precisava incluir o roxo. Antes de continuar, aperte o play!


A inspiração para essa figura veio de três mulheres poderosas: Iza, Rihanna e Halle Bailey. Eu não queria uma cópia fotográfica de uma delas, nem montar um Frankenstein com as três, por isso, vi muitas referências, mas na hora de trabalhar fechei todas as abas com imagens e deixei fluir.

Como eu nunca tinha desenhado dreadlocks antes, também procurei algumas referências em ilustração e, sem dúvida, o trabalho da Loish foi de grande valia para estudar a composição dos fios e a estrutura capilar como um todo. E é na construção dos dreads que foquei o registro dos processos:



Primeiro, comecei dando volume com o lápis de cor preto, fazendo a mesma técnica que utilizo sempre para os cabelos: fio a fio. Depois, fui preenchendo com roxo, atenta ao formato e ao volume para, enfim, completar os espaços em branco com um lilás pastel delicado. Tive muito receio de não ficar bom, de não conseguir dar movimento, mas quando vi o cabelo tomando forma, me senti encorajada. E já quero desenhar mais dreads.

Não fiz fotos do processo de coloração da pele, mas vou falar brevemente sobre: utilizei azul marinho para marcar todas as sombras da face, dois tons de marrom (um mais quente e outro mais frio) para construir a base da pele e ocre com vermelho para as finalizações. Nesta etapa do trabalho foi a deusa Jacquelin de Leon quem me deu um norte, pois ela sempre colore peles não-brancas muito bem, e também este tutorial maravilhoso de Juliana Rabelo. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Canson Bristol;
  • Lápis de cor Rijksmuseum;
  • Lápis de cor SuperSoft;
  • Multiliner Copic;
  • Caneta metálica e branca Posca.


A caneta dourada que eu vinha usando para fazer essa série, da UniPin, acabou explodindo enquanto eu fazia este trabalho aqui, por isso os detalhes em dourado ficaram diferentes das ilustras anteriores. Veja as demais deusas: Azul, Vermelha e Verde.


Agora vou tentar focar no Inktober e tentar fazer um desenho por dia, assim como nos quatro primeiros anos que participei do desafio. Enfatizo bem o tentar porque por mais que eu já tenha me planejado e até separado um sketchbook para isso, tudo pode acontecer. Então não prometo nada, quando chegar outubro veremos.

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14/08/2019


Eu aceitei a condição de que não consigo andar com um sketchbook comigo, e que funciono muito melhor com folhas soltas do que com as ideias concatenadas num caderno. Prefiro usar o sketchbook para um projeto limitado (é meu pensamento para o Inktober deste ano) e, sim, gosto de ver tudo bem arrumadinho. Deixo a bagunça para essas folhas, que ficam organizadas numa prancheta, na minha parede. É ali que me abasteço de ideias e registro thumbnails e esboços do que virá a ser uma ilustração.

Também são raros os momentos em que a ideia surge e já coloco no papel. Geralmente separo um tempo para fazer vários rascunhos e dali tirar algo mais tarde. Mas esse trabalho não se enquadra nesta categoria. Eu estava no banho quando ela surgiu e não perdi a oportunidade de já deixar registrada.

Embora ainda não tenha postado nada, esse ano resolvi participar do #agostodoartista, projeto da Dessamore, e uma das categorias é filme (devemos desenhar uma cena ou personagem). Resolvi fazer a Éowyn, de O Senhor dos Anéis, pois acho uma das personagens mais fodásticas e chutadora de bundas de toda a trilogia. Rabisquei a ideia inicial, mas enquanto estava no banho resolvi desdobrá-la até a cena icônica em que a guerreira derrota o Rei Bruxo de Angmar [toda a perspectiva de trabalho que adotei é baseada no FILME O Retorno do Rei, não no livro, só para deixar claro].

Pensei na figura do Rei Bruxo, no seu elmo sombrio e, dentro dele, a figura solar de Éowyn, com o semblante fechado, mostrando que, não importa o quão poderosa pode ser uma ameaça, ela estará pronta para enfrentá-la. Complementei com a Simbelmynë, flor que cresce nos túmulos dos antigos reis de Rohan.


A princípio, essa arte teria um lettering na parte inferior mas, depois de concluir a pintura, vi que ficaria muito pesado e tiraria toda a atenção da figura central, por isso apaguei. Utilizei o papel da Hahnemühle, que absorveu toda a umidade de um dia chuvoso e ficou extremamente sensível à borracha e até mesmo à fita crepe azul. 

Comecei com uma aguada lilás ao fundo, utilizando um pouco as aquarelas peroladas da Koi. Eu já tive uma experiência ruim no passado com a Koi, por ser uma aquarela muito opaca e de difícil mistura (na minha opinião). A linha perolada continua com uma textura bem semelhante a um guache, porém, isso se torna positivo na hora de cobrir uma área, pois dá pra ver a presença da cor e do brilho. Claro que, na hora de digitalizar, esse brilho some.


Para o elmo do Rei Bruxo, usei cinza payne puro do lado esquerdo e, do lado direito, misturado com um pouco de azul da Prússia. O restante da figura foi colorido da maneira habitual, e finalizei os detalhes com lápis de cor e marcadores. O tempo úmido não ajudou e, por conta da sensibilidade do papel, não consegui fazer muitas camadas. Para as flores, usei aquarela perolada branca e um pouco de cinza. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Hahnemühle 300g;
  • Aquarelas Van Gogh e Koi;
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Multiliner Sakura;
  • Marcador metálico Uni Pin.


Esse trabalho foi um refresco no meu processo criativo, que andava super parado, embora eu tenha muitas ideias (que não estão indo para o papel). Acho que preciso confiar mais na minha intuição!

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08/08/2019

Pablo Picasso pintando com a luz. Fonte: Resource Magazine

Faz muito tempo (muito mesmo, acho que a última postagem desse tipo é de 2016) que não faço resenhas de materiais. Há alguns anos adotei a prática de falar sobre o que estou usando de maneira contextualizada, geralmente quando produzo uma ilustração e mostro o passo-a-passo. Acredito que, dessa forma, quem me lê pode ver o material em ação, com um propósito específico determinado e, a partir da minha experiência, decidir se é algo que ela quer experimentar também. Quando esses materiais vão se repetindo, faço uma postagem atualizada com meus favoritos, e daí especifico marcas e outras características, mas tudo dentro da minha esfera pessoal de vivências.

O mesmo acontece com tutoriais. Embora a galáxia em aquarela seja o post mais acessado do blog, não me sinto mais confortável para chegar aqui e dizer como fazer um desenho, mesmo que eu reforce que é da minha maneira, e que ela não é a única. Também prefiro contextualizar dentro de um trabalho autoral, mostrando como pintei a pele, como fiz o cabelo de uma figura, como cheguei na mistura desejada.

Indo um pouco além, também deixei de mostrar muitas coisas do meu espaço de trabalho, principalmente livros. Prefiro trazer para cá coisas significativas, como o livro Pequeno Guia de Incríveis Artistas Mulheres, ou os que uso em sala de aula, pois são obras que vão instigar a pesquisa e o crescimento de quem, por acaso, venha cair aqui.

Todas essas posturas vêm de uma série de confluências: a responsabilidade que é falar sobre algo na internet; a exposição que isso traz; o cenário político atual; o consumismo desenfreado que isso pode gerar; a ideia de que precisamos saber tudo, o tempo todo.

Quando alguém comenta num post antigo desse tipo, dizendo que veio parar no blog por causa de uma resenha ou de um tutorial, e gostaria de ver mais, fico feliz mas não me prendo a isso para continuar escrevendo aqui. Vou mostrando meu trabalho, contando sobre o que acho ser relevante na minha vida docente, mas deixo todo mundo livre para ler ou não ler o blog.

É claro que AMO resenhas, e acompanho blogs que fazem trabalhos maravilhosos, desde produtos para pele até filmes, mas, especificamente em relação a materiais e técnicas artísticas, não pretendo mais dispender tempo e energia para testar, fotografar, organizar e me expor por um produto que pode ter funcionado muito para mim, mas que pode ter sido uma dor de cabeça para outra pessoa. Ou mostrar como fazer um determinado efeito e tempos depois descobrir que existe um jeito muito mais fácil de fazer a mesma coisa, e que fiquei ensinando "errado".

Mas o mais importante de tudo, e o ponto onde realmente quero chegar, é o fator viva a sua experiência. Eu sou o tipo de pessoa que compra muita coisa por impulso, ou por achar a embalagem bonita, ou por decidir tentar uma técnica nova (oi, pastel oleoso!), e sai cada lambança que me deixa dias pensando na quantidade de prestações que ainda vou pagar por algo que achei péssimo, ou no porquê de não ter comprado logo uma coleção inteira do que mais amei testar. E é essa experiência que vejo faltar nos artistas, atualmente.

Todo mundo está tão preocupado em postar seu trabalho da melhor forma possível que acaba perdendo oportunidades extraordinárias de se jogar em coisas novas e absurdas. Picasso foi um artista reconhecido pelo incontável número de experimentações durante sua longa carreira, criando novas técnicas de fazer, apreciar e se relacionar com a arte. Hoje estamos todos preocupados com likes e no melhor que podemos mostrar. Só que nem sempre este melhor é o que realmente queremos mostrar, ou ainda, se realmente queremos mostrar.

Ontem li uma publicação da Brunna Mancuso sobre querer dar novos rumos para a carreira dela, experimentar coisas novas e parar de se importar com números. E acho que todo artista deveria seguir os passos dela. É legal pesquisar sobre materiais novos e marcas confiáveis? Nossa, se é. É legal ter muita gente reconhecendo nosso trabalho? Puxa, nem me fale! Mas também é bom se permitir: experimentar, errar, errar bastante, fazer absolutamente nada, errar mais um pouco, testar novamente aquele tubo de tinta perdido dentro da gaveta, esvaziar todas as gavetas e partir para algo totalmente novo e inóspito.

A experimentação aguça a curiosidade, que anda de mãos dadas com a nossa criatividade. Mesmo que nossos feeds mostrem coisas interessantes e criativas, ou que o blog mais completo ofereça todo conteúdo para começar a desenhar do zero, é só na prática e na tentativa e erro que o trabalho realmente emerge.  

A inspiração existe, mas precisa te encontrar trabalhando.
Pablo Picasso
02/08/2019


Entramos em agosto e percebi que ainda não tinha feito um resumo do que rolou no meu primeiro semestre docente de 2019. Ano passado, recebi um feedback tão positivo com minhas postagens, que se transformaram em categoria permanente aqui no blog - sala de aula.

Este ano troquei de escola, estou ministrando aulas no meu amado CAIC, onde fiz estágio, que conta com uma sala de artes para trabalhar com as turmas (o que facilita muito o desenvolvimento de atividades com tinta, sucata, materiais alternativos, pois não preciso ficar carregando essas coisas o tempo todo, escola afora). Tenho feito coisas muito legais, que nunca imaginei possíveis, e estou muito feliz na profissão. As fotos a seguir são um resumo do que publiquei nas redes sociais, mas tem muito mais coisa que simplesmente não consegui fotografar.


As primeiras atividades envolveram muita tinta e o reconhecimento do nosso principal instrumento de trabalho: a mão! O registro de nossas mãos é algo que nos acompanha desde o tempo das cavernas, então nada melhor do que iniciar o ano marcando nossa passagem pelo mundo gráfico.


As bailarinas de Degas e o teatro de sombras foram atividades desenvolvidas com os 4ºs e 3ºs anos, respectivamente. 


Tarsila do Amaral é a artista mais celebrada pelas turmas. Temos uma reprodução enorme do Abaporu na sala de artes e, graças à professora Suzi Barros, que trabalhou o tema brasilidade ano passado, praticamente todos os estudantes conhecem as obras de Tarsila. Na segunda foto, o trabalho criativo de um aluno do 2º ano a partir do livro Tarsila e o papagaio Juvenal.


Visitamos a exposição Interfaces: um sentido visual a partir do toque, do artista André Barbachan, no Espaço Incomum do Campus Carreiros da FURG e até fomos notícia no site da universidade.


Sempre trabalho a questão da diversidade e luto pelo fim do estereótipo da "cor de pele". Os gizes de cera Uniafro são sucesso entre as turmas, os alunos ficam procurando o giz que mais se assemelha ao seu tom de pele, e é um processo lindo ver as crianças se descobrindo e se sentindo contempladas.


Magritte falou que ceci n'est pas une pipe, em sua obra A traição das imagens e, aqui, as turmas do 4º expandiram a ideia em inusitadas releituras.


Também produzimos nossas próprias tintas naturais, com pigmentos como argila, cúrcuma, curry e vários temperinhos que encontramos na cozinha. Essa atividade só foi possível graças ao atendimento da professora Vivian Paulitsch e da estudante Lara Freitas, do curso de Artes Visuais da FURG.


O 2º ano fez desenhos gigantes no papel, aproveitando o espaço da sala para deitar, brincar e se divertir. Momentos lúdicos que tornam as aulas mais interessantes, principalmente para os pequenos.


Os desafios da internet também estão presentes nas aulas e, na época do Mermay, surgiram muitas sereias. Na primeira foto, o trabalho da Emilly, que costuma levar um pequeno sketchbook para as aulas e, nele, faz todo o rascunho do projeto, antes de colocar no papel. É uma atitude que partiu dela, confesso que o coração não aguenta de tão quentinho que fica ao ver isso.


Também trabalhamos arte aborígene e pintamos pedras em pontilhismo, lembrando os grafismos do tempo do sonho.


Por fim, a obra Menino com lagartixas, de Lasar Segall, ganhou uma releitura utilizando folhas de árvore e gramíneas. Fiz muitas outras atividades, como tangram, pirâmides do Egito, cartazes, quebra-cabeças, até mesmo um livro, mas muita coisa fica de fora, pois não dá tempo de registrar. 

Dar aulas é algo que me motiva a pesquisar coisas novas, estou sempre de olho no Pinterest, no Portal do Professor e no site da Nova Escola, mas a grande maioria das ideias vêm da conversa e da troca com as colegas, que buscam integrar as ações, a fim de possibilitar uma experiência de aprendizagem mais ampla para as turmas.

Para ver mais postagens como esta e outras dicas, é só acessar a categoria sala de aula.
15/07/2019


Mais uma para a série de deusas do arco-íris, com seus cabelos coloridos, que tenho feito para me manter produtiva. Tecnicamente, a série terminaria aqui, com a deusa de cabelos verdes, mas decidi fazer uma última ilustração, uma deusa negra de cabelos roxos, então aguardem o número 4. Veja todas as ilustrações aqui.

Para essa ilustra, resolvi usar outros lápis de cor que estavam guardados há muito tempo, os maravilhosos Karat, da Staedtler. São lápis aquareláveis, mas que não deixam a pintura pastosa. Senti que o material que eu vinha usando não daria o tom de verde desejado ao cabelo, por isso troquei. Utilizei somente dois tons de verde, e já consegui esse degradê maravilhoso (nas áreas escuras, usei preto).


O processo de pintura é praticamente o mesmo das outras deusas, começo pelo cabelo e depois vou construindo as camadas de pele. Aqui, novamente usei o Polycolor. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Canson Bristol;
  • Lápis de cor Karat, da Staedtler;
  • Lápis de cor Polycolor, da Koh-I-Noor;
  • Multiliner Copic;
  • Caneta metálica Uni Paint.


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