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Cantoria 🧜🏻‍♀️🎼🐦

No início do ano preparei uma listinha de metas artísticas para 2019, que deixei lá nos destaques do Instagram (assim que for concluin...

16/01/2019


No início do ano preparei uma listinha de metas artísticas para 2019, que deixei lá nos destaques do Instagram (assim que for concluindo, atualizo), e logo a primeira é: refazer um desenho antigo. Ano passado, muita gente participou da #drawthisagain, que propunha refazer um trabalho de algum tempo atrás, com os olhos e a técnica de hoje. Novamente fiquei só olhando, mas coloquei como uma das prioridades imediatas.

Eu já fiz muitos trabalhos dos quais me orgulho bastante, mas sei que tem coisas de seis anos atrás que não foram bem executadas. Eram boas ideias, mas a minha técnica não acompanhava a mente. Pretendo refazer vários trabalhos, inclusive minha primeira Catrina, mas para esse momento, escolhi este aqui:
Não é uma ilustra tão antiga assim, é de 2017, num esquenta que fiz para o MerMay daquele ano. Na época, trabalhei com um papel asqueroso, que não recomendo para ninguém (Mixed Media, da Canson), com uma textura que dificultou muito chegar ao resultado que eu queria. Dá pra ver o processo de criação aqui. Agora, refiz tudo no meu amado Arches grana fina, e o resultado saiu bem diferente.



Modifiquei toda a paleta de cores, formato da barbatana e também acrescentei outro personagem na história. Notei que a tendência dos meus trabalhos tem sido jogar sépia na paleta neutralizar o máximo que posso, dificilmente uso cor pura. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Arches 300g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Guache Talens;
  • Lápis de cor Polycolor;
  • Multiliner Pentel e Staedtler.


Olhando lado-a-lado as duas produções, gostei de ver que a sereia não está mais anoréxica, que a cauda está proporcional, assim como os elementos que adicionei ajudaram a criar uma narrativa mais lúdica (olha o trabalho com crianças aparecendo aqui). Antes era uma ilustração sobre uma sereia dentro de uma xícara, agora é sobre uma sereia e um passarinho e o quanto o espectador pode viajar nisso.

Quem gostou desse draw this again e quiser fazer a sua versão, corre lá no meu Instagram e participe da #drawthisinyourstyle. Siga as regras descritas no post com essa ilustra, que terei o maior prazer em ver o resultado do seu trabalho, a partir do meu. Também divulgarei no Instagram e no Facebook todas as ilustras que participarem.

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07/01/2019


No final do ano passado e início deste, consegui embarcar na #drawthisinyourstyle, finalmente! Essa hashtag se espalhou pelo Instagram, em diferentes momentos, mas eu não consegui participar de nada, por causa do tempo. Ficava só olhando e desejando uma folga para me dedicar. Então, quando o recesso de festas chegou, desenhei no meu estilo uma ilustração da Juliana Fiorese e outra da Karina Beraldo, confiram:

Da Juliana eu fiz a personagem de sua HQ, Clara CarcosaAdorei a atmosfera de horror e toda a pesquisa histórica que a Ju empreendeu nesse projeto, além das referências às grandes obras de terror e ao Slipknot. Para mim, a Clara se assemelha muito à personagem dos clipes de Vermillion, por isso, coloquei alguns trechos de pt. 2 na ilustração. Abaixo, a original:


Já da Karina fiz a ilustra que ela disponibilizou bem no finalzinho de 2018. Sou muito fã do trabalho dela, e o seu Inktober foi um dos mais bonitos que já acompanhei, estou louca que vire artbook. Dá para ver todas as deusas que ela desenhou aqui. Minha interpretação e, logo abaixo, o original:



Logo mais eu vou disponibilizar uma ilustração para que vocês façam o #drawthisinyourstyle. Será o redesenho de um trabalho antigo que, na época, não ficou como eu esperava.

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02/01/2019


Primeiro post de 2019! E como já fiz em 2018, dedico ao arcano regente do ano. Depois da carta da Força, seremos regidos por O Enforcado (ou O Pendurado). Eu estou engatinhando a passos lentos no estudo do tarô, por isso, sempre procuro ver como especialistas interpretam a carta. Aqui tem um artigo bem completo da Rosea Bellator, para quem quiser uma explicação mais aprofundada.

Não vai ser um ano fácil, assim como o antecessor. Vai ter muito desapego de coisas desnecessárias, muita luta até atingir os objetivos. O meu deck de tarô, Illuminati, traz um texto que bateu como um soco mas, depois de estudá-lo, entendi a mensagem: é preciso parar de lutar pelo que não vale a pena, e concentrar esforços no que realmente importa.

Eles me chamaram de traidor, mas, por sua vez, me traíram, e não é minha recompensa encontrar minha alma em liberdade entre as estrelas do céu. Eu devo permitir que cada parte de mim desapareça, deixando apenas aquilo que permanece para olhar, nu, a escuridão do abismo embaixo de mim. Na noite escura da minha alma eu desço, na ausência do amor e da luz. Mas o que permanece? Apenas aquilo que pode ser pendurado entre o passado e o futuro, o céu e a terra. Esse é o caminho da escada em espiral descendente, os degraus cada vez mais para baixo. Esse é o caminho do sacrifício, e poucos o trilharão de bom grado. Essa é a necessidade de rendição, de abandonar e desistir - não porque tudo está perdido ou porque a esperança se foi, mas justamente pela esperança. Quando você conseguir se entregar completamente, saberá como é fazer parte do plano, uma pequena porção do bem maior, e como é estar conectado com seu eu superior. Não lute, não proteste, mas encontre serenidade e paz em sua rendição. Existe sempre um propósito maior para todas as coisas, até mesmo para o sofrimento e a escuridão nos quais sua alma caminha. Você só precisa virar o mundo de ponta-cabeça e observá-lo de um ângulo diferente. Não lute.


Além do texto acima, o tarô Illuminati destaca como características da carta: sacrifício, voltar-se para dentro; ver as coisas por um ângulo diferente; a noite escura da alma; fitar o abismo. 

O meu desafio já começou na concepção da ilustração, pois me arrisquei numa pose que nunca tinha feito antes. Usei a própria carta do deck como referência, e trabalhei com a figura ao contrário. Cores, vestimentas, tudo foi na base da intuição, sem pensar demais. Deixei a carta "falar" comigo, e cheguei a este resultado. Bateu uma vontade imensa de fazer os outros arcanos (pelo menos os maiores) mas não vou me cobrar. Assim como deixei fluir o processo (as fotos ficaram muito escuras, por isso não coloquei aqui), vou deixar essa ideia fluir ao longo do tempo.

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Harmony 300g;
  • Aquarelas Cotman e Van Gogh;
  • Lápis de cor Polycolor e Derwent;
  • Pincéis Keramik;
  • Multiliner Sakura e caneta gel dourada, prata e branca para os detalhes.

Para quem se interessou por essa ilustra, coloquei alguns produtos na loja com ela, de pôster a case transparente para celular. Estão bem legais e com aquela qualidade que sempre recomendo. O link para acessar está aqui.

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21/12/2018


Todo ano faço um summary of art para ter noção do que produzi e da evolução do meu trabalho ao longo de 12 meses. É uma forma legal de ver o que funcionou e o que precisa ser melhorado. Esse ano cogitei não fazer este balanço, acredito que houve muita inconsistência na minha produção; em muitos meses fiz malabarismos para poder produzir algo. 

Mas a inconsistência também faz parte do trabalho artístico, e acabei me envolvendo em mil outras atividades que me encheram de orgulho e satisfação, como ensinar arte para crianças e montar uma exposição com o que elas próprias produziram.

Posso não ter sido constante ou ter perdido um pouco o ritmo, mas tudo o que fiz foi em momentos em que queria muito estar envolvida naquilo, sempre procurando doar meu melhor. 

Obrigada a todas(os) que permaneceram comigo durante este ano; que entenderam a minha ausência das redes sociais e a mudança de foco da minha vida artística; que não esqueceram de me indicar, curtir, acompanhar e, principalmente, obrigada a cada um que entende a arte como resistência.

Me despeço das atividades do blog em 2018 por aqui, desejando um feliz Natal 🎅 e um 2019 de luz e esperança para todas(os)!! ✨

O template foi feito por DustBunnyThumper e pode ser baixado aqui
17/12/2018

A Super Turma 11, com suas capas inspiradas na obra do artista Cabelo.

Chegou o momento de encerrar o ano letivo de 2018, com uma retrospectiva de quase tudo o que aconteceu durante o segundo semestre. E aconteceu MUITA coisa. Só fui me dar conta realmente quando estava organizando as fotos para esta postagem. Vários momentos ficaram de fora, seria impossível contemplar cada um, mas tentei selecionar os que mais me marcaram.

"Aranhaporu" do Brayann e poesia dadaísta da Julia.

Após um primeiro semestre de muita observação e introdução ao universo das artes, o momento foi de mergulhar nas linguagens e nos principais movimentos artísticos. Trabalhar com os pequenos é buscar permanentemente algo que os motive a produzir, pois a tendência é se interessar e perder esse interesse muito rapidamente. Algumas das atividades que fiz foram sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 (acima, no trabalho do Bryann, é possível ver o link com a cultura pop sempre muito presente, ao transformar o Abaporu no Homem-Aranha) e também algumas atividades que envolviam a escrita, pois minhas turmas são majoritariamente de Alfabetização, como a produção de um poema dadaísta.

Demonstrando o efeito galáxia em aquarela para os professores de Artes.

A convite da Área de Artes da SMED, ministrei uma oficina de aquarela para os colegas professores, demonstrando como faço o efeito "galáxia". Foi uma tarde muito acolhedora e que abriu possibilidades de parcerias que eu sequer imaginava. Posso garantir que, a partir deste encontro, passei a me sentir muito mais pertencente ao universo docente. Havia um sentimento de solidão enquanto ser professora e artista, que foi preenchido ao ter contato com outros professores de área. E, a partir das produções desta oficina, pude fazer o cartaz da Mostra de Artes, que falarei mais adiante.

Em sentido horário: Dançando Three Little Birds com o Nível I; as bailarinas de Degas do 1º ano e os Mangás do 2º.

Uma das minhas preocupações é sempre dar sentido para as atividades, tentar aproximá-las ao máximo do cotidiano das crianças, para que elas levem o que aprenderam em sala de aula para a vida. Para trabalhar relações e família com o Nível I, levei o livro ilustrado Tudo Vai Dar Certo, que traz uma adaptação da música Three Little Birds, do Bob Marley. A dança não foi planejada, mas muito divertida. Ainda nas atividades que envolviam arte e escrita, os 2ºs anos produziram mangás e puderam ter contato com uma orientação de leitura diferente do que estão habituados. As histórias foram um show de originalidade à parte.

Sendo rainha no Dia dos Professores e me apresentando na última Mostra Cultural (fiz uma live painting).

Alguns dos momentos que me emocionaram dentro da escola foram: as comemorações pelo Dia do Professor (meu primeiro!), no qual todas as professoras foram "coroadas" e homenageadas pelas turmas com carinhos e presentes (meu momento Khaleesi 🐉). E também quando fiz uma live painting durante a apresentação das turmas na Mostra Cultural. Quem me conhece sabe o quanto é difícil essa exposição pública, o ato de desenhar e pintar aos olhos de todos. Foi mais um momento de superação dos meus medos.

Taumatrópios e estandartes de Arthur Bispo do Rosário com o 3º ano.

Também rolaram atividades sobre cinema e arte contemporânea. O 3º ano conheceu os pioneiros do cinema e assistiu ao primeiro filme da história (contei mais sobre essa atividade aqui). Ao final, produziram um taumatrópio. Para o Dia da Consciência Negra, preparei uma aula sobre Arthur Bispo do Rosário, artista que passou parte da vida como interno da Colônia Juliano Moreira. As crianças fizeram releituras dos famosos Estandartes, com ênfase nos nomes das pessoas importantes em suas vidas.

Registros feitos pela Turma 11 após visitar a FURG.

A Turma 11 foi uma das que mais produziu trabalhos ao longo do ano, sempre com muita curiosidade e envolvimento. Acredito que a parceria que estabeleci com a professora Vanessa, regente da turma, foi essencial para isso. Na imagem que abre a postagem, uma das últimas atividades que fiz foi a Capa Anti-gravidade, do artista brasileiro Cabelo. Como a professora Vanessa os trata como a Super Turma, achei interessante encerrar com essa ponte. Também participaram de uma visita guiada à SEaD, local onde trabalho pela manhã, e conheceram o espaço, gravaram um vídeo no estúdio e registraram suas impressões em desenhos para presentear a equipe (acima). Fiquei emocionada com o desenho da Bruna (à direita), representando o auditório, feito de memória e ocupando toda a folha. Lembro que, no início do ano, todos os desenhos eram pequeninos, agora eles tomam forma e dimensão no espaço. Bateu muito orgulho! 

Cartaz da Mostra da Rede Municipal de Ensino, feito por mim a partir da arte produzida durante a oficina de aquarela, com a contribuição do estudante Jhiessicker Caseira, da turma 7D da E.M.E.F. Wanda Rocha Martins.

Para encerrar o ano, reuni alguns desses trabalhos, e outros feitos especialmente para a ocasião, para a Mostra da Rede Municipal de Ensino: Arte para quê? Foi um momento de reflexão sobre a produção das crianças e de inserção delas como protagonistas do próprio aprendizado. Foram as únicas turmas de Alfabetização presentes e, durante a montagem, me peguei aflita diante dos trabalhos expostos (do 5º ao 9º anos). Mas me tranquilizei quando vi a qualidade do que as crianças produziram; não no que diz respeito somente à estética, mas sim o quanto elas evoluíram ao longo do ano letivo e o conhecimento que adquiriram. Foi uma sensação de dever cumprido que eu jamais havia experimentado. E também o orgulho, enquanto artista, de ver o trabalho dos meus alunos exposto.

Trabalhos de Artes da E.M.E.F. Barão do Rio Branco em exibição na mostra Arte Para Quê? #orgulho

Com as/os colegas arte-educadoras(es) que fazem o dia-a-dia da sala de aula ❤.

Olhando em retrospecto, todo esse ano foi surreal, em muitas frentes. Dos desafios das primeiras semanas em sala de aula, as primeiras cartinhas, o malabarismo que fiz para equilibrar tantas vidas profissionais ao mesmo tempo, enfim... a sensação geral é de paz no coração e da certeza de que doei meu melhor para essas crianças e para os colegas. Pode não ter sido o melhor "padrão", mas foi o melhor possível, dentro das minhas condições.

E depois de estar em sala de aula, principalmente de uma escola pública, pude colocar muitas coisas em perspectiva. A principal delas é de que é preciso vivenciar o cotidiano escolar para opinar sobre educação. A aula não se resume a chegar na sala, dar o conteúdo e ir embora. É monitorar febre se a criança está doente, amarrar sapato, ensinar hábitos de higiene, reforçar com licença - por favor - obrigado, alimentar, cuidar, ouvir, atender, abraçar... e fazer tudo isso com pouquíssimos recursos, muitas vezes tirando do próprio bolso.

A recompensa por tudo isso não vem no contra-cheques, nem em forma de políticas públicas. Segundo essa pesquisa, o Brasil é um dos países que menos valoriza o professor, chegando ao último lugar no ranking de status profissional. Professores estão entre os profissionais que mais sofrem com a Síndrome de Burnout e as licenciaturas são as carreiras menos procuradas pelos universitários brasileiros. Então onde está a recompensa, Lidiane? Por que continuar? Vou deixar a resposta na imagem abaixo:

Meu retrato feito pela Eduarda, turma 21.

Espero que tudo o que estou publicando na tag Sala de Aula ajude quem me lê, e que os professores de Artes que estão começando agora encontrem incentivo e fôlego nas minhas palavras e imagens. E quem quiser compartilhar suas experiências, pode deixar um comentário.

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