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Tumblr Girl 💚

Depois de alguns dias parada, voltei a produzir, e aproveitei para testar o papel Nostalgie , da Hahnemühle , que tem uma textura satina...

12/08/2018


Depois de alguns dias parada, voltei a produzir, e aproveitei para testar o papel Nostalgie, da Hahnemühle, que tem uma textura satinada e alta alvura, ideal para trabalhar com técnicas secas. Já tinha testado com o grafite (vou colocar a foto mais abaixo), mas quis usar também lápis de cor, para ver como se comportava, e achei o resultado parecido com o Layout 180, da Canson.



A imagem de referência veio de uma revista gringa, a modelo estava usando uma blusa verde muito linda, que eu quis reproduzir. O trabalho com lápis de cor segue a mesma ordem que a aquarela: primeiro, marco os valores e sombras com roxo, para depois construir com os marrons, laranjas e rosados o tom de pele que desejo. Para os cabelos, ao invés do efeito "fio-a-fio" que costumo usar, preferi uma massa de cor com bastante textura marcada. O legal desse papel é que como ele é muito liso, todas as texturas produzidas são do material e da força que aplicamos, e não da superfície.


Aqui em cima, o resultado do estudo que fiz com grafite, no mesmo papel. Usei lápis 4B, se não me engano. O esfumado fica totalmente uniforme, sem marcas de ranhuras que papéis mais texturados costumam deixar (como o Canson 200g - veja aqui uma ilustração feita nesse papel). E o resultado da minha Tumblr Girl:

Materiais utilizados

- Papel Nostalgie 190g Hahnemühle;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Marcadores Copic;
- Canetinha com glitter da Giotto para os corações.


Para quem gosta de trabalhar com grafite e lápis de cor em papéis super lisos e brancos, recomendo fortemente o Nostalgie. O preço não é tão salgado como outros papéis profissionais e vale o investimento. Comprei meu bloco na Koralle (não é jabá!).

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07/08/2018


Lá em 2010 ou 2011 lembro de ter visto numa postagem no extinto blog da Fernanda Guedes (que eu visitava todo dia, pois era uma fonte inesgotável de inspiração) uma coisa até então desconhecida pela minha pessoa: um lookbook. Basicamente, um pequeno caderno cheio de recortes de revista com imagens de modelos, vestidos, bijouterias... achei aquilo incrível e, como eu consumia muitas revistas na época, montei os meus, que tenho até hoje.

O tempo passou, criei uma conta no Pinterest (minha rede social mais bem sucedida, diga-se de passagem) e não vi mais necessidade em ter um suporte físico para as imagens que estavam facilmente à disposição na web, organizadas em pastas por categoria. Só que, em 2014, vi que novamente tinha acumulado certo número de revistas, por razões que a própria razão desconhece, e decidi recortar as imagens mais interessantes e organizá-las num caderno.

Corta para 2018, quando estou fazendo uma faxina nas caixas nas quais guardo meus sketchbooks, e encontro o tal lookbook de 2014! Com algumas páginas preenchidas e outras vazias, acredito que minha ideia era intercalar desenhos com as imagens. Porém, por algum motivo, deixei isso de lado e simplesmente esqueci da existência desse caderno.


Como a vida de uma acumuladora é f*da, adivinhe só o que aconteceu? Não comprei mais nenhuma revista mas, em compensação, IMPRIMI várias imagens do Pinterest para usar como referência em meus trabalhos, presas por um enorme clipes de metal, que já dava sinais de ferrugem. Decidi tomar uma decisão: ao invés de jogar tudo fora, colei as imagens impressas nas folhas em branco do caderno e montei um grande Pinterest analógico, que faz uma ponte entre 2014 e o tempo presente.




A partir disso, tomei a decisão de não comprar nem imprimir imagens e tentar usar tudo o que está neste caderno, pelo menos para rascunhar e ter um banco de ideias. Ando em falta com meus sketchbooks, meus estudos têm sido em folhas soltas, e vi nesse movimento todo a oportunidade de voltar a produzir em série, num caderno, observando minha evolução, e me distrair menos na internet com coisas aleatórias (mas é óbvio que vou continuar pinando muito). Deu um gostinho de nostalgia e também de fisicalidade que há muito precisava experimentar.


Se você está na mesma situação de acumulação de imagens, recomendo este exercício: pegue um caderno antiguinho, separe o que é mais interessante e solte a imaginação!

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26/07/2018


Ano passado comecei uma série de ilustrações chamada Botânicas que, até o momento, contava com três mocinhas que gosto muitíssimo, mas estava completamente sem tempo para dar continuidade ao projeto. Alguns meses atrás dei início ao rascunho da próxima Botânica, e desta vez queria que a planta homenageada fosse o hibisco. No meio do caminho, acabei comprando um oráculo novo, chamado O Oráculo da Deusa, e achei na carta da deusa Brígida, a carta da inspiração, um nome e um motivo bastante apropriados para batizar essa ilustra.



O início das ilustrações é sempre o mesmo, principalmente quando vou trabalhar com aquarela: rascunho, que depois é passado a limpo para o papel definitivo via mesa de luz; marcação dos valores com grafite - aqui usei lápis 4B sobre papel para aquarela satinado; em seguida, marco os valores novamente com payne's grey e só depois começo a construir a cor de fundo para a pele, cabelos e demais áreas que levarão uma maior quantidade de tinta. Depois de terminar essa etapa, parto para os detalhes:


A finalização fica por conta dos meus amados lápis Polycolor para retrato, até gostaria de testar outros, mas esses aqui cumprem tão bem sua função que não penso em gastar com materiais tão  cedo. E para o rosto, principalmente os cílios enormes, escolho sempre cantas multiliner bem fininhas, para fazer o efeito fio a fio. O resultado:


Materiais utilizados

  • papel para aquarela Moulin DuRoy satinado;
  • lápis grafite Lyra 4B;
  • aquarelas Van Gogh;
  • pinceis Keramik linha 411;
  • lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Multiliner Copic e marcador Stabilo;
  • Caneta gel branca e dourada para os detalhes.

Sempre finalizo com uma camada de spray fixador e trato a imagem digitalmente no Photoshop.



Deixe que eu me aproxime de você
através da bruma
através do fogo
através das plantas
através das fontes profundas e abundantes
com ideias
visões
palavras
música que penetra os ouvidos
deixe que eu a comova
anime
estimule
até que suas perspectivas mudem
e sua mente/corpo/espírito exploda
e você seja deixada em pé
no rastro do que foi revelado
e a vida pareça muito doce

O poema acima foi extraído d'O Oráculo da Deusa. Feliz com o resultado dessa ilustra e por estar me adaptando cada vez melhor ao scanner. Feliz também por conseguir, de alguma forma, seguir ilustrando, mesmo com tanto trabalho pela frente.

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25/07/2018


Tenho trazido mais dicas, desabafos e leituras porque, basicamente, é o que tenho feito nos últimos tempos. Só consegui retomar meus estudos de desenho essa semana, em decorrência das férias escolares. Ainda pretendo fazer um resumão do meu primeiro semestre docente mas, antes disso, quero publicar outras coisas pra não ficar falando só de escola.

O livro do qual quero falar é, ao mesmo tempo, necessário e muito triste. Pequeno guia de incríveis artistas mulheres que sempre foram consideradas menos importantes que seus maridos, escrito pela Beatriz Calil, é um daqueles livros que lança uma luz sobre o apagamento da produção feminina na história da arte e, além disso, sobre o quanto artistas mulheres são lembradas como acessórias aos seus maridos e companheiros. Ou é a esposa dedicada, que cuida e deixa seu esposo criar, ou a amante/musa destruidora de lares. 

Sinopse: Como o título entrega, trata-se de um trabalho artístico corajoso: admite, desde o princípio, o equívoco de uma história que escolheu celebrar os homens artistas em detrimento de suas companheiras. Que relegou o brilhantismo delas e de suas obras às celas de manicômios, salas de estar, camas. Que transformou mulheres fortes em vítimas de abuso, artistas competentes em belas acompanhantes para eventos sociais. E então o olhar de Beatriz pousa sobre elas. É que é tempo ainda - é sempre - de lhes fazer justiça.


Beatriz selecionou 16 artistas estrangeiras (ela planeja um segundo volume só com artistas brasileiras), entre elas Simone de Beauvoir e Camille Claudel, para contar brevemente suas histórias, obras de destaque, relevância para o meio artístico e como foram sumariamente apagadas ou relegadas à coadjuvantes dos homens aos quais estavam ligadas. Um dos casos mais emblemáticos, para mim, é Yoko Ono: artista multifacetada, é vista por muitos apenas como esposa de John Lennon e responsável pela separação dos Beatles (olhos revirando).


Por também ser artista visual, a autora fez intervenções em imagens dessas artistas, apagando os homens das fotografias. É nesse espaço em branco deixado pela figura masculina que as histórias das mulheres são recontadas, num esforço para que sua relevância não seja esquecida. 

“Todo esse meu trabalho partiu, na verdade, das fotos das artistas com os maridos. Comecei a interferir nessas imagens. Em muitas delas, fica claro que o importante ali é o marido. A mulher está sorrindo olhando para ele, ou ele está em maior destaque. E muitas são divulgadas com legendas como ‘Picasso e a amante’, ‘fulano e a esposa’”. Comecei a buscar inverter isso na própria imagem.” -  Beatriz Calil, em entrevista ao NEXO.
Link para matéria © 2018 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.


Por ser um livro curto (58 páginas) li de uma só vez, e recomendo fortemente que todas as mulheres que trabalham com arte tenham acesso a este tipo de informação. Ao final do texto, a autora traz estatísticas relacionadas à representatividade feminina em galerias de São Paulo e os dados são alarmantes, apesar de não causarem surpresa. Aqui no blog já publiquei um texto sobre as musas, que deu bastante o que falar na época, e serve como complemento para quem se interessou pelo livro. Adquiri meu exemplar diretamente pelo site da Editora Urutau

Dois links com entrevistas de Beatriz Calil:

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16/07/2018


Para compensar a bad vibe do último post (consegui resolver o assunto, mas não sem muito estresse envolvido), quero falar sobre alguns livros que estão me ajudando muito no planejamento das aulas de artes. Ministrar aula para crianças demanda disposição para oferecer atividades lúdicas, que elas sintam prazer em realizar. Por isso, investi em alguns títulos que trazem ideias e recursos, além do conteúdo propriamente dito. É claro que, na maioria das vezes, a realidade da escola pública oferece limitações, principalmente em relação a materiais mais caros, mas tudo é adaptável. 

300 Propostas de Artes Visuais

O título já entrega o que o livro oferece: são 300 atividades envolvendo desenho, pintura, colagem, sucata, escultura, dentre outros. Como disse anteriormente, tem coisas que não se aplicam à realidade da escola pública, é preciso adaptar. Mas o importante é ter uma fonte confiável para buscar essas propostas, principalmente quando queremos tocar num assunto e não sabemos muito bem como conduzir. Por exemplo, quando trabalhei Idade Média, usei uma das atividade de desenho para introduzir o que era díptico e tríptico.


A História da Arte

Um livro que me acompanha desde a faculdade, e que vale o investimento (esta é a versão pocket, mais barata). O Gombrich ainda é um dos autores de maior prestígio no que diz respeito à história da arte, por isso, sempre estudo os capítulos referentes à aula que vou ministrar antes de dar qualquer informação para os estudantes. Um bom título sobre história da arte auxilia não só no planejamento das aulas, como também no projeto pedagógico anual e em projetos menores, que podem ser desenvolvidos ao longo dos semestres.

História Ilustrada da Arte

Este calhamaço foi adquirido por causa das imagens. Aula de artes sem imagens não dá! As crianças sentem curiosidade sobre a textura, tamanho das obras, querem saber mais sobre os artistas. Embora eu retire muita imagem da internet e apresente na mídia virtual, o livro tem uma fisicalidade que faz diferença na compreensão do que está sendo mostrado. Também traz algumas curiosidades sobre artistas e períodos.

Arte para Crianças

Meus alunos simplesmente amam esse livro. Ele tem um formato maior e cada período/obra de arte traz um contexto muito interessante, repleto de curiosidades. Também há pequenas imagens mostrando a proporção das obras em relação às crianças, e isso é muito interessante para usar em aula, ajuda no sentido de dimensão espacial. Dá ênfase para a arte produzida fora da Europa e pelos povos originários, o que já é uma vantagem em relação a outros títulos semelhantes.

Meu Livro de Artes

A proposta deste é bastante semelhante ao anterior, com a diferença que traz várias atividades que podem ser aplicadas com as crianças. Já fiz algumas delas como, por exemplo, as máscaras africanas. Novamente, vai do professor adaptar o conteúdo à sua realidade. Se não dá pra fazer com o material indicado no livro, procure na sua escola algo equivalente ou teste maneiras novas de realizar a tarefa. O legal deste título são as releituras, que podem servir como recurso lúdico para as crianças entenderem as obras.

O que um livro precisa ter para ser um bom suporte no planejamento das aulas?


  • Informações confiáveis. Tem muita coisa esquisita, pra dizer o mínimo, em várias coleções pedagógicas e também em sites. Referência é tudo;
  • Inclusão da arte produzida por mulheres, afinal, estamos em 2018;
  • Se afastar do eurocentrismo e trazer obras e atividades relacionadas aos povos originários das Américas, da Ásia, da Oceania e da África. Isso também é o mínimo que um livro de artes deve oferecer em 2018.
  • Sobre arte brasileira, existem ótimos títulos da Katia Canton voltados especificamente para crianças, que falarei mais adiante.

Lembrando que todas as informações deste post são baseadas na minha experiência docente, que não é a única, nem a certa, nem a errada. É apenas uma experiência, dentre tantas outras. Se você também tem alguma sugestão de livro, pode deixar nos comentários.

Photo by Alisa Anton on Unsplash