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Inktober 2018 🎃 Semana 02

A segunda produção do Lidytober está no ar! Dessa vez, aproveitei para participar também do desafio Girls Artist Gang de outubro, cujo...

14/10/2018


A segunda produção do Lidytober está no ar! Dessa vez, aproveitei para participar também do desafio Girls Artist Gang de outubro, cujo tema é abóbora. Nasceu, assim, a Fada Abóbora 🎃




O processo de criação é sempre o mesmo, e já deu para perceber que escolhi uma paleta reduzida para todos os trabalhos, com cores outonais, que remetem ao Halloween. Coloquei um pouco de médium shine e guache dourado nas abóboras, mas o efeito se perde na digitalização. Na imagem abaixo é possível ver um pouco do brilho. Fiquei bem feliz com a textura das pedras.


O resultado final ficou assim:


Materiais utilizados


  • Papel Arches 300g grana fina;
  • Aquarelas Maimeri Venezia e Van Gogh;
  • Pinceis Keramik linha 311;
  • Caneta Posca branca e dourada;
  • Lápis grafite Staedtler Mars Lumograph 2B.


No próximo domingo teremos a terceira ilustração do Lidytober. Lá no Instagram solto os petisquinhos do que virá, ao longo da semana.

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07/10/2018


A primeira produção para o Lidytober, o meu Inktober, já está no ar! E foi, certamente, um dos trabalhos que mais amei fazer na vida. Esse esboço (assim como os das próximas semanas) foi feito ano passado. Uma ideia muito amada, que deixei engavetada até ter tudo o que precisava para executá-la como imaginei, desde os materiais até definição da paleta de cores e tempo de execução. E foi assim que nasceu a Fada Cogumelo 🍄. Um pequeno ser da floresta que vive entre a grama verde e as plantinhas, livre e feliz.


Comecei da mesma maneira de sempre, com o esboço a lápis sobre o papel. Escolhi o Arches grana fina pela textura e capacidade de absorção da tinta. Esse papel é, sem dúvidas, o melhor para aquarela que já usei, e seu preço salgado é a única coisa que me impede de utilizá-lo em todos os trabalhos. Os valores foram marcados com cinza payne, para depois receber as outras camadas de cor.


Para os cogumelos, escolhi trabalhar com laranja, alizarim e ocre, para deixá-los bem com aquela cara de papel de carta dos anos 90, algo mais próximo da fantasia do que da realidade. Coloquei toques de médium shine misturado ao laranja, mas o efeito é tão sutil que o scanner não pegou, infelizmente. A grama é uma grande aguada com pequenos pontos para simular os tufos.


Depois de finalizar a pintura, optei por não fazer retoques com lápis de cor, somente um pouco no rosto e algumas partes do corpo da fada. Nem multiliner utilizei, apenas fiz um reforço onde o contorno do lápis falhou. O destaque ficou mesmo para a tinta. As bolinhas brancas e douradas foram feitas com caneta posca, também como de costume.


O resultado final ficou assim:


Materiais utilizados


  • Papel Arches 300g grana fina;
  • Aquarelas Maimeri Venezia e Van Gogh;
  • Pinceis Keramik linha 311;
  • Caneta Posca branca e dourada;
  • Lápis grafite Staedtler Mars Lumograph 2B.


Gostei muito de como a textura do papel conversou com o restante da pintura, embora o meu scanner esteja me decepcionando e eu tenha que fazer um trabalho de edição que era desnecessário com o equipamento antigo. Penso em comprar somente um scanner de mesa, para evitar a fadiga. Quem tiver indicações, já pode me passar, por favor!

No próximo domingo, além do grande evento Meu Aniversário, teremos a segunda ilustração do Lidytober. Lá no Instagram solto os petisquinhos do que virá, ao longo da semana.

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28/09/2018


Apesar de sempre tentar compreender os códigos que fazem parte do meu processo criativo e manter um pequeno acervo de livros que me permitem aprofundar questões relativas ao sagrado feminino, eu ainda não havia parado para estudar símbolos e seus significados. E resolvi começar pelo ótimo (e ricamente ilustrado) A Linguagem dos Símbolos, de David Fontana. A leitura tem sido fácil e muito rica, principalmente nessa época de Inktober, na qual me aproximo de temais mais mórbidos.

Falando em Inktober: vou participar do desafio deste ano, porém, seguindo o modelo que adotei para o MerMay: uma ilustração por semana. Contei sobre os motivos ao final deste post. A primeira ilustra sai no dia 07.

Memento Mori foi uma espécie de "aquecimento" para o Inktober, e serviu para testar alguns materiais novos que comprei, como a brush pen da Pentel, que realmente é aquele sonho de caneta que eu imaginava hehe.


Utilizei o papel Bristol para trabalhar com lápis grafite sem interferência de alguma textura indesejada. Desde que fiz essa ilustra, lá em 2016, fiquei apaixonada por tranças espinha de peixe e, embora seja um pouco demorado para finalizar, o resultado fica tão bonito, que vale o esforço.



Utilizei a brush pen na roupa, ela é extremamente pigmentada e seca rápido. Os detalhes em dourado foram acrescentados posteriormente, inclusive a rosa que, originalmente, seria feita a lápis. Embora eu tenha parado essa ilustra no meio por conta de uma mudança, todo o processo foi muito tranquilo, pois eu sabia exatamente onde queria chegar. É reconfortante saber que estou conseguindo conciliar, da melhor maneira possível, a vida de professora com a de ilustradora.


Materiais utilizados

  • Papel Bristol Canson;
  • Lápis Lyra 2B e 4B;
  • Esfuminho Derwent;
  • Multiliner Staedtler;
  • Pentel Brush Pen;
  • Caneta gel dourada Pentel.


Uma figura comum na Renascença e no Barroco era o memento mori - literalmente, "lembre-se de morrer" em latim -, associado à brevidade da vida e à decadência inevitável da beleza. A rosa, símbolo dessa expressão, desabrocha rapidamente e dura pouco tempo até suas pétalas caírem. (A Linguagem dos Símbolos, p. 93)

Outros detalhes que estão presentes nessa ilustração são o contraste de preto e dourado que, para mim, representa ao mesmo tempo solenidade e decadência; as joias, que significam riqueza no plano material mas não serão levadas para o plano espiritual e a fechadura localizada no terceiro olho, que pode ser tanto a vontade de expandir o conhecimento, quanto o fechar-se em si. Essas são interpretações bastante pessoais, que acrescentei à ideia inicial.


A partir da semana que vem começo as ilustrações para o Inktober, que serão postadas sempre aos domingos (07, 14, 21 e 28). Mas será possível acompanhar alguns petiscos lá no Instagram.

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10/09/2018


Esse é meu segundo trabalho (quase) consecutivo com o tema hibisco, dando continuidade à série Botânicas. E também minha primeira experiência com a linha de papéis para aquarela Harmony, da Hanemühle. Confesso que estou super enferrujada, sem tempo para pensar num tema legal e um pouco frustrada por ter regredido nos meus estudos. Eu vinha numa crescente de fazer coisas diferentes, testar materiais, poses, estudar fundamentos, mas fui engolida por uma espiral de cansaço, por conta da rotina, e tenho estado, desde então, bastante acomodada na minha zona de conforto, que são os retratos nesse padrãozinho aí: busto.

Mas uma das coisas que tenho tentado exercitar é não me culpar por não conseguir, neste momento, me dedicar tanto quanto estava fazendo, e pensar que tudo vai melhorar. E foi seguindo essa linha que consegui lidar com a decepção que foi a primeira tentativa de pintura dessa ilustra, completamente falha. Joguei tudo fora e comecei do zero, até chegar ao resultado que queria. 


A referência para essa ilustra veio de um anúncio de revista antigo. Gostei do clima tropical e da possibilidade de fazer uma figura sem o cabelão que costumo colocar. Só que pesei demais a mão na line art da primeira versão, que acabou ficando artificial e cafona. As aguadas que pensei para o fundo também deixaram a composição poluída, uma confusão só. Por isso, peguei a mesa de luz e parti para uma segunda rodada de finalização, dessa vez seguindo o exemplo de ilustras passadas, como Gaia. O resultado foi bem mais próximo ao que realmente queria:


Sobre o papel Harmony: achei bastante parecido com o Montval, porém os pigmentos parecem ficar um pouco mais brilhantes. É uma opção acessível de papel de alfacelulose, para quem ainda não pode investir em papéis de algodão. O preço também é compatível com seu concorrente, da Canson. Nessa ilustra também usei o medium shine, da marca Pestilento, que deixa um brilho perolado na aquarela, porém, ele sumiu quando digitalizei. Assim que tiver uma câmera que consiga captar esse brilho, faço resenha do produto.

Materiais utilizados

  • papel Harmony grana fina 300g;
  • aquarelas Maimeri Venezia;
  • lápis de cor Polycolor;
  • medium shine Pestilento;
  • Multiliner Copic;
  • Caneta gel branca e dourada.

Outubro, o melhor mês do ano, está chegando, e com ele um dos momentos mais esperados pela comunidade artística, que é o meu aniversário Inktober! E sim, eu vou participar pelo quinto ano consecutivo. Só que, desta vez, farei nos mesmos moldes do MerMay: uma ilustra por semana. Optei por esse formato por vários motivos. O primeiro, é claro, tempo. Não tenho como me dedicar a um desafio de 31 dias se mal consigo fazer uma ilustração por mês. Segundo, porque ano passado meu perfil do Instagram sofreu shadowban, por conta da frequência e das # que utilizei. Isso me desmotivou bastante, pois me senti boicotada, enquanto artista, por uma rede social que muitas vezes passa pano pra conteúdos extremamente agressivos, mas acha ok bloquear desenho. O tema vai ser FADAS, em homenagem ao Brian Froud, e vou usar alguns esboços que estão há mais de um ano parados e MERECEM um destino bem maravilhoso. Então, aguardem!

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25/08/2018

Folclore: Sereia Iara

Desde que embarquei nessa viagem louca chamada docência, tenho recebido as mais diversas manifestações de carinho e solidariedade, que jamais havia recebido em toda a minha vida. Descobri que professores de Artes são (em sua maioria) seres bastante solitários, que sentem uma necessidade imensa de compartilhar suas dores, angústias, projetos e pequenas vitórias. Foi com esse intuito que criei uma tag aqui no blog, chamada Sala de Aula, e não tenho como agradecer todo o feedback cheio de amor que recebo.

Sempre costumo compartilhar algumas atividades nas minhas redes pessoais, e muitas pessoas ficam curiosas para saber de onde vêm essas ideias. Por isso, resolvi selecionar algumas coisas que fiz ao longo do 1º semestre, para inspirar outros professores e para dividir um pouco do conhecimento que adquiri nesses seis meses de jornada em sala de aula.

Retrato e Autorretrato

Conheça seus alunos

De nada adiante ver aquela atividade lindona no Facebook e querer aplicar com a turma sem antes ter uma base. Meu primeiro contato com as turmas foi, literalmente, o primeiro contato, então montei um projeto pedagógico que servisse não só como ponto de partida para mim, como também uma introdução geral para todas as turmas. Como as crianças nunca tiveram aula de Artes, dividi os três trimestres em grandes blocos baseados, principalmente, no estudo dos elementos da linguagem visual e na história da Arte. Ainda vou fazer um post para falar especificamente dele, pois vejo que muitos professores têm vontade de trabalhar com projetos, mas não sabem por onde começar.

Os primeiros trabalhos do ano envolveram aquela receita básica: ponto, linha, forma, volume, cor... Tem professor que não trabalha mais com isso, e respeito essa decisão, mas acredito que ainda é necessário introduzir os elementos da linguagem visual no repertório da criança, mostrando muitas imagens e desenhando bastante. Gente, as crianças não desenham mais! É normal que no período de alfabetização elas substituam gradualmente o desenho pela escrita, mas nem os pequenos têm mais esse hábito. E isso interfere negativamente na capacidade de abstrair, imaginar e criar.

O trabalho acima foi um exercício de retrato e autorretrato feito com o 1º ano. É uma forma de desenvolver a confiança e o respeito pelo colega. Como eu me vejo? Como o outro me vê? Existe certo e errado? São perguntas que ajudam a nortear o trabalho, junto com autorretratos feitos por vários artistas, de diferentes períodos.

Arte Pré-Histórica

Arte Aborígene

Mosaico Bizantino

Tudo precisa estar conectado

Uma das minhas maiores preocupações é fazer com que as crianças não sintam que a história é algo isolado e que aquilo feito pelos homens das cavernas está distante e desconectado da vida delas. Então procuro fazer correlações com absolutamente tudo: desde um jogo, uma novela, uma música. É muito importante que a criança sinta que faz parte de um todo, que tem importância naquela narrativa. Assim como os homens das cavernas, as crianças contam suas histórias através dos desenhos. Um parente distante do Minecraft? A arte pontilhista, o mosaico, a arte aborígene da Oceania e seus pontos multicoloridos...

Máscaras Africanas

Como Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina?

Afresco

O lúdico e as mídias

Vocês sabem que eu tenho um problema com o termo lúdico quando aplicado ao trabalho de artistas mulheres, mas em relação às crianças, é através da ludicidade que a proposta fica mais interessante e fácil de ser assimilada. Renascimento é um tema que oferece múltiplas possibilidades, mas foi a partir dessa atividade aqui, encontrada no Facebook, que consegui transformar esse período histórico numa grande diversão. Também aproveitei para mostrar muitos vídeos (essa animação sobre Leonardo da Vinci encantou as crianças) e mudar os suportes, fazendo com que os alunos desenhassem deitados, de pé, usando as paredes, cadeiras...

Ai Lidiane, mas você limita muito as crianças ao espaço do papel... Sim, já ouvi essa crítica e costumo respondê-la com o fato de que lá no início do ano eu tinha alunos que nem sabiam segurar o lápis direito, e hoje chegam com um sorriso no rosto e um CADERNO DE DESENHO em mãos, pois desenvolveram o hábito de desenhar. O desenho é poderoso e é a minha área de atuação. Então eu vou aproveitar todas as minhas oportunidades para fazer com que, sim, as crianças desenhem! E na grande maioria das vezes nem é o resultado que importa, mas a experiência e o processo de aprendizagem que fica. 

A Monalisa da Ysabella é um unicórnio.

O Arcimboldo da Ariane gosta de lanches.

A Iara da Eduarda mora num castelo, que aparece pequenino no desenho, pois está ao fundo (explicação da própria).

Deixa a criança inventar

Nem sempre a atividade vai sair como você imagina, mas é importante que tenha sentido para a criança. Vejo muito professor forçar a barra, perguntando o que aquele desenho quer dizer, ou que precisa de chão, de céu, que faltou uma orelha... Eu prefiro deixar o aluno livre para me contar o que está acontecendo naquela história, e que pode mudar a qualquer momento.

Quando proponho releituras, não quero cópia. Quero que a criança viaje naquela ideia, que sinta o poder de criar, assim como os artistas. Por isso quando propus a "Minha Monalisa", saiu de tudo: unicórnio, super herói, personagem de filme. O Arcimboldo tomou forma em comidas do cotidiano das crianças e em coisas que elas curtem (roupas, músicas, objetos).

Não ter muitos materiais disponíveis é limitante, sim. Mas não é impossível fazer um bom trabalho. Eu adapto muita coisa que vejo nos livros e também no Pinterest e no Portal do Professor. Se mesmo assim não der pra fazer, invento na hora um jeito e anoto para ter referência em outras aulas. E assim tem transcorrido o ano letivo. Nem sempre é bonito ou sai como quero, tem dias que são mais duros que os outros. Mas tento fazer meu melhor e mostrar algo diferente para as crianças.

Se você também é professor de Artes e deseja contar suas experiências, deixa um comentário nesse post, que vou adorar saber. 

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