abrir menu

Hibisco n. 2 🌺

Esse é meu segundo trabalho (quase) consecutivo com o tema hibisco, dando continuidade à série Botânicas . E também minha primeira exper...

10/09/2018


Esse é meu segundo trabalho (quase) consecutivo com o tema hibisco, dando continuidade à série Botânicas. E também minha primeira experiência com a linha de papéis para aquarela Harmony, da Hanemühle. Confesso que estou super enferrujada, sem tempo para pensar num tema legal e um pouco frustrada por ter regredido nos meus estudos. Eu vinha numa crescente de fazer coisas diferentes, testar materiais, poses, estudar fundamentos, mas fui engolida por uma espiral de cansaço, por conta da rotina, e tenho estado, desde então, bastante acomodada na minha zona de conforto, que são os retratos nesse padrãozinho aí: busto.

Mas uma das coisas que tenho tentado exercitar é não me culpar por não conseguir, neste momento, me dedicar tanto quanto estava fazendo, e pensar que tudo vai melhorar. E foi seguindo essa linha que consegui lidar com a decepção que foi a primeira tentativa de pintura dessa ilustra, completamente falha. Joguei tudo fora e comecei do zero, até chegar ao resultado que queria. 


A referência para essa ilustra veio de um anúncio de revista antigo. Gostei do clima tropical e da possibilidade de fazer uma figura sem o cabelão que costumo colocar. Só que pesei demais a mão na line art da primeira versão, que acabou ficando artificial e cafona. As aguadas que pensei para o fundo também deixaram a composição poluída, uma confusão só. Por isso, peguei a mesa de luz e parti para uma segunda rodada de finalização, dessa vez seguindo o exemplo de ilustras passadas, como Gaia. O resultado foi bem mais próximo ao que realmente queria:


Sobre o papel Harmony: achei bastante parecido com o Montval, porém os pigmentos parecem ficar um pouco mais brilhantes. É uma opção acessível de papel de alfacelulose, para quem ainda não pode investir em papéis de algodão. O preço também é compatível com seu concorrente, da Canson. Nessa ilustra também usei o medium shine, da marca Pestilento, que deixa um brilho perolado na aquarela, porém, ele sumiu quando digitalizei. Assim que tiver uma câmera que consiga captar esse brilho, faço resenha do produto.

Materiais utilizados

  • papel Harmony grana fina 300g;
  • aquarelas Maimeri Venezia;
  • lápis de cor Polycolor;
  • medium shine Pestilento;
  • Multiliner Copic;
  • Caneta gel branca e dourada.

Outubro, o melhor mês do ano, está chegando, e com ele um dos momentos mais esperados pela comunidade artística, que é o meu aniversário Inktober! E sim, eu vou participar pelo quinto ano consecutivo. Só que, desta vez, farei nos mesmos moldes do MerMay: uma ilustra por semana. Optei por esse formato por vários motivos. O primeiro, é claro, tempo. Não tenho como me dedicar a um desafio de 31 dias se mal consigo fazer uma ilustração por mês. Segundo, porque ano passado meu perfil do Instagram sofreu shadowban, por conta da frequência e das # que utilizei. Isso me desmotivou bastante, pois me senti boicotada, enquanto artista, por uma rede social que muitas vezes passa pano pra conteúdos extremamente agressivos, mas acha ok bloquear desenho. O tema vai ser FADAS, em homenagem ao Brian Froud, e vou usar alguns esboços que estão há mais de um ano parados e MERECEM um destino bem maravilhoso. Então, aguardem!

Conheça meu portfólio profissional
Me acompanhe nas redes sociais
Contato: lidiane@lidydutra.com
25/08/2018

Folclore: Sereia Iara

Desde que embarquei nessa viagem louca chamada docência, tenho recebido as mais diversas manifestações de carinho e solidariedade, que jamais havia recebido em toda a minha vida. Descobri que professores de Artes são (em sua maioria) seres bastante solitários, que sentem uma necessidade imensa de compartilhar suas dores, angústias, projetos e pequenas vitórias. Foi com esse intuito que criei uma tag aqui no blog, chamada Sala de Aula, e não tenho como agradecer todo o feedback cheio de amor que recebo.

Sempre costumo compartilhar algumas atividades nas minhas redes pessoais, e muitas pessoas ficam curiosas para saber de onde vêm essas ideias. Por isso, resolvi selecionar algumas coisas que fiz ao longo do 1º semestre, para inspirar outros professores e para dividir um pouco do conhecimento que adquiri nesses seis meses de jornada em sala de aula.

Retrato e Autorretrato

Conheça seus alunos

De nada adiante ver aquela atividade lindona no Facebook e querer aplicar com a turma sem antes ter uma base. Meu primeiro contato com as turmas foi, literalmente, o primeiro contato, então montei um projeto pedagógico que servisse não só como ponto de partida para mim, como também uma introdução geral para todas as turmas. Como as crianças nunca tiveram aula de Artes, dividi os três trimestres em grandes blocos baseados, principalmente, no estudo dos elementos da linguagem visual e na história da Arte. Ainda vou fazer um post para falar especificamente dele, pois vejo que muitos professores têm vontade de trabalhar com projetos, mas não sabem por onde começar.

Os primeiros trabalhos do ano envolveram aquela receita básica: ponto, linha, forma, volume, cor... Tem professor que não trabalha mais com isso, e respeito essa decisão, mas acredito que ainda é necessário introduzir os elementos da linguagem visual no repertório da criança, mostrando muitas imagens e desenhando bastante. Gente, as crianças não desenham mais! É normal que no período de alfabetização elas substituam gradualmente o desenho pela escrita, mas nem os pequenos têm mais esse hábito. E isso interfere negativamente na capacidade de abstrair, imaginar e criar.

O trabalho acima foi um exercício de retrato e autorretrato feito com o 1º ano. É uma forma de desenvolver a confiança e o respeito pelo colega. Como eu me vejo? Como o outro me vê? Existe certo e errado? São perguntas que ajudam a nortear o trabalho, junto com autorretratos feitos por vários artistas, de diferentes períodos.

Arte Pré-Histórica

Arte Aborígene

Mosaico Bizantino

Tudo precisa estar conectado

Uma das minhas maiores preocupações é fazer com que as crianças não sintam que a história é algo isolado e que aquilo feito pelos homens das cavernas está distante e desconectado da vida delas. Então procuro fazer correlações com absolutamente tudo: desde um jogo, uma novela, uma música. É muito importante que a criança sinta que faz parte de um todo, que tem importância naquela narrativa. Assim como os homens das cavernas, as crianças contam suas histórias através dos desenhos. Um parente distante do Minecraft? A arte pontilhista, o mosaico, a arte aborígene da Oceania e seus pontos multicoloridos...

Máscaras Africanas

Como Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina?

Afresco

O lúdico e as mídias

Vocês sabem que eu tenho um problema com o termo lúdico quando aplicado ao trabalho de artistas mulheres, mas em relação às crianças, é através da ludicidade que a proposta fica mais interessante e fácil de ser assimilada. Renascimento é um tema que oferece múltiplas possibilidades, mas foi a partir dessa atividade aqui, encontrada no Facebook, que consegui transformar esse período histórico numa grande diversão. Também aproveitei para mostrar muitos vídeos (essa animação sobre Leonardo da Vinci encantou as crianças) e mudar os suportes, fazendo com que os alunos desenhassem deitados, de pé, usando as paredes, cadeiras...

Ai Lidiane, mas você limita muito as crianças ao espaço do papel... Sim, já ouvi essa crítica e costumo respondê-la com o fato de que lá no início do ano eu tinha alunos que nem sabiam segurar o lápis direito, e hoje chegam com um sorriso no rosto e um CADERNO DE DESENHO em mãos, pois desenvolveram o hábito de desenhar. O desenho é poderoso e é a minha área de atuação. Então eu vou aproveitar todas as minhas oportunidades para fazer com que, sim, as crianças desenhem! E na grande maioria das vezes nem é o resultado que importa, mas a experiência e o processo de aprendizagem que fica. 

A Monalisa da Ysabella é um unicórnio.

O Arcimboldo da Ariane gosta de lanches.

A Iara da Eduarda mora num castelo, que aparece pequenino no desenho, pois está ao fundo (explicação da própria).

Deixa a criança inventar

Nem sempre a atividade vai sair como você imagina, mas é importante que tenha sentido para a criança. Vejo muito professor forçar a barra, perguntando o que aquele desenho quer dizer, ou que precisa de chão, de céu, que faltou uma orelha... Eu prefiro deixar o aluno livre para me contar o que está acontecendo naquela história, e que pode mudar a qualquer momento.

Quando proponho releituras, não quero cópia. Quero que a criança viaje naquela ideia, que sinta o poder de criar, assim como os artistas. Por isso quando propus a "Minha Monalisa", saiu de tudo: unicórnio, super herói, personagem de filme. O Arcimboldo tomou forma em comidas do cotidiano das crianças e em coisas que elas curtem (roupas, músicas, objetos).

Não ter muitos materiais disponíveis é limitante, sim. Mas não é impossível fazer um bom trabalho. Eu adapto muita coisa que vejo nos livros e também no Pinterest e no Portal do Professor. Se mesmo assim não der pra fazer, invento na hora um jeito e anoto para ter referência em outras aulas. E assim tem transcorrido o ano letivo. Nem sempre é bonito ou sai como quero, tem dias que são mais duros que os outros. Mas tento fazer meu melhor e mostrar algo diferente para as crianças.

Se você também é professor de Artes e deseja contar suas experiências, deixa um comentário nesse post, que vou adorar saber. 

Conheça meu portfólio profissional
Me acompanhe nas redes sociais
Contato: lidiane@lidydutra.com
12/08/2018


Depois de alguns dias parada, voltei a produzir, e aproveitei para testar o papel Nostalgie, da Hahnemühle, que tem uma textura satinada e alta alvura, ideal para trabalhar com técnicas secas. Já tinha testado com o grafite (vou colocar a foto mais abaixo), mas quis usar também lápis de cor, para ver como se comportava, e achei o resultado parecido com o Layout 180, da Canson.



A imagem de referência veio de uma revista gringa, a modelo estava usando uma blusa verde muito linda, que eu quis reproduzir. O trabalho com lápis de cor segue a mesma ordem que a aquarela: primeiro, marco os valores e sombras com roxo, para depois construir com os marrons, laranjas e rosados o tom de pele que desejo. Para os cabelos, ao invés do efeito "fio-a-fio" que costumo usar, preferi uma massa de cor com bastante textura marcada. O legal desse papel é que como ele é muito liso, todas as texturas produzidas são do material e da força que aplicamos, e não da superfície.


Aqui em cima, o resultado do estudo que fiz com grafite, no mesmo papel. Usei lápis 4B, se não me engano. O esfumado fica totalmente uniforme, sem marcas de ranhuras que papéis mais texturados costumam deixar (como o Canson 200g - veja aqui uma ilustração feita nesse papel). E o resultado da minha Tumblr Girl:

Materiais utilizados

- Papel Nostalgie 190g Hahnemühle;
- Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
- Marcadores Copic;
- Canetinha com glitter da Giotto para os corações.


Para quem gosta de trabalhar com grafite e lápis de cor em papéis super lisos e brancos, recomendo fortemente o Nostalgie. O preço não é tão salgado como outros papéis profissionais e vale o investimento. Comprei meu bloco na Koralle (não é jabá!).

Conheça meu portfólio profissional
Me acompanhe nas redes sociais
Contato: lidiane@lidydutra.com
07/08/2018


Lá em 2010 ou 2011 lembro de ter visto numa postagem no extinto blog da Fernanda Guedes (que eu visitava todo dia, pois era uma fonte inesgotável de inspiração) uma coisa até então desconhecida pela minha pessoa: um lookbook. Basicamente, um pequeno caderno cheio de recortes de revista com imagens de modelos, vestidos, bijouterias... achei aquilo incrível e, como eu consumia muitas revistas na época, montei os meus, que tenho até hoje.

O tempo passou, criei uma conta no Pinterest (minha rede social mais bem sucedida, diga-se de passagem) e não vi mais necessidade em ter um suporte físico para as imagens que estavam facilmente à disposição na web, organizadas em pastas por categoria. Só que, em 2014, vi que novamente tinha acumulado certo número de revistas, por razões que a própria razão desconhece, e decidi recortar as imagens mais interessantes e organizá-las num caderno.

Corta para 2018, quando estou fazendo uma faxina nas caixas nas quais guardo meus sketchbooks, e encontro o tal lookbook de 2014! Com algumas páginas preenchidas e outras vazias, acredito que minha ideia era intercalar desenhos com as imagens. Porém, por algum motivo, deixei isso de lado e simplesmente esqueci da existência desse caderno.


Como a vida de uma acumuladora é f*da, adivinhe só o que aconteceu? Não comprei mais nenhuma revista mas, em compensação, IMPRIMI várias imagens do Pinterest para usar como referência em meus trabalhos, presas por um enorme clipes de metal, que já dava sinais de ferrugem. Decidi tomar uma decisão: ao invés de jogar tudo fora, colei as imagens impressas nas folhas em branco do caderno e montei um grande Pinterest analógico, que faz uma ponte entre 2014 e o tempo presente.




A partir disso, tomei a decisão de não comprar nem imprimir imagens e tentar usar tudo o que está neste caderno, pelo menos para rascunhar e ter um banco de ideias. Ando em falta com meus sketchbooks, meus estudos têm sido em folhas soltas, e vi nesse movimento todo a oportunidade de voltar a produzir em série, num caderno, observando minha evolução, e me distrair menos na internet com coisas aleatórias (mas é óbvio que vou continuar pinando muito). Deu um gostinho de nostalgia e também de fisicalidade que há muito precisava experimentar.


Se você está na mesma situação de acumulação de imagens, recomendo este exercício: pegue um caderno antiguinho, separe o que é mais interessante e solte a imaginação!

Conheça meu portfólio profissional
Me acompanhe nas redes sociais
Contato: lidiane@lidydutra.com
26/07/2018


Ano passado comecei uma série de ilustrações chamada Botânicas que, até o momento, contava com três mocinhas que gosto muitíssimo, mas estava completamente sem tempo para dar continuidade ao projeto. Alguns meses atrás dei início ao rascunho da próxima Botânica, e desta vez queria que a planta homenageada fosse o hibisco. No meio do caminho, acabei comprando um oráculo novo, chamado O Oráculo da Deusa, e achei na carta da deusa Brígida, a carta da inspiração, um nome e um motivo bastante apropriados para batizar essa ilustra.



O início das ilustrações é sempre o mesmo, principalmente quando vou trabalhar com aquarela: rascunho, que depois é passado a limpo para o papel definitivo via mesa de luz; marcação dos valores com grafite - aqui usei lápis 4B sobre papel para aquarela satinado; em seguida, marco os valores novamente com payne's grey e só depois começo a construir a cor de fundo para a pele, cabelos e demais áreas que levarão uma maior quantidade de tinta. Depois de terminar essa etapa, parto para os detalhes:


A finalização fica por conta dos meus amados lápis Polycolor para retrato, até gostaria de testar outros, mas esses aqui cumprem tão bem sua função que não penso em gastar com materiais tão  cedo. E para o rosto, principalmente os cílios enormes, escolho sempre cantas multiliner bem fininhas, para fazer o efeito fio a fio. O resultado:


Materiais utilizados

  • papel para aquarela Moulin DuRoy satinado;
  • lápis grafite Lyra 4B;
  • aquarelas Van Gogh;
  • pinceis Keramik linha 411;
  • lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Multiliner Copic e marcador Stabilo;
  • Caneta gel branca e dourada para os detalhes.

Sempre finalizo com uma camada de spray fixador e trato a imagem digitalmente no Photoshop.



Deixe que eu me aproxime de você
através da bruma
através do fogo
através das plantas
através das fontes profundas e abundantes
com ideias
visões
palavras
música que penetra os ouvidos
deixe que eu a comova
anime
estimule
até que suas perspectivas mudem
e sua mente/corpo/espírito exploda
e você seja deixada em pé
no rastro do que foi revelado
e a vida pareça muito doce

O poema acima foi extraído d'O Oráculo da Deusa. Feliz com o resultado dessa ilustra e por estar me adaptando cada vez melhor ao scanner. Feliz também por conseguir, de alguma forma, seguir ilustrando, mesmo com tanto trabalho pela frente.

Conheça meu portfólio profissional
Me acompanhe nas redes sociais
Contato: lidiane@lidydutra.com