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Dracarys 🐉

Antes de mostrar essa ilustra, preciso contar um pouco da minha relação com Game of Thrones . Até o início desta temporada, em não assis...

06/06/2019


Pensando em como a educação vem sendo tratada e o quanto ainda existe de desinformação sobre a atuação docente, decidi escrever esse post, listando 5 equívocos que ainda existem sobre a aula de artes, que é a minha praia.

Vale lembrar que tudo o que vou pontuar a seguir é a partir da minha experiência em escola pública periférica, no interior do RS, desde que comecei a lecionar, em fevereiro de 2018. Se você tem experiências diferentes, pode deixar nos comentários.

Essa professora só dá desenho

Talvez este seja o equívoco mais comum entre todos os propagados por quem não conhece a realidade da sala de aula. Desde os anos 1980, quando iniciou o movimento de arte-educação brasileiro, as aulas de artes deixaram de ter um caráter puramente tecnicista e/ou baseado no laissez-faire (livre expressão), para agregar abordagens a fim de construir um conhecimento em arte. Aqui entra a proposta triangular, de Ana Mae Barbosa, focada no conhecer, no fazer artístico e na apreciação estética.

Eu sou uma defensora do desenho, principalmente porque as crianças vêm perdendo este hábito e adiando etapas de seu desenvolvimento gráfico. Não é raro ver estudantes do 1º ano ainda garatujando. Mas atrelado ao grafismo, procuro encorajar as turmas a conhecer sobre história da arte, arte na comunidade, na cultura pop, no vestuário. Levo poesias, clipes, desenhos animados, desafios da internet. E busco, também, fazer com que compreendam o processo e aprendam a lidar com as frustrações da produção.

É uma aula oba-oba

Artes e Educação Física talvez sejam as disciplinas que mais sofram com este rótulo. Muitas pessoas acham que não se faz nada nessas aulas, que é só deixar cada um por si, e não é bem assim. Os professores têm propostas curriculares para cumprir, objetivos de aprendizagem e projetos para executar ao longo do ano. Cada faixa etária tem uma série de competências e habilidades a desenvolver (por exemplo: espera-se que, ao final da alfabetização, as crianças já tenham os conceitos de cores primárias e secundárias aprofundados), e as aulas são planejadas a partir desse panorama, o que nos leva ao próximo tópico.

Professor de Artes não planeja

Apesar de trabalhar "somente" 20 horas em sala de aula, minha atuação não se restringe a essa carga horária. Praticamente todo o tempo que sobra eu estou planejando. Até quando estou no supermercado vem ideias sobre planejamento. Já mostrei até como fazer um plano de aula. Não entro em sala sem meu cronograma e, na escola onde trabalho, toda semana preciso enviar meu planejamento para a gestão.

Artes não está no currículo para tapar buraco, ou pra subir horário quando falta o professor de outra disciplina. É um componente essencial, que perpassa diversas áreas do conhecimento. O artigo Artes visuais e transdisciplinaridade na era da complexidade – uma prática pedagógica continuada traz uma discussão bastante interessante sobre projetos de trabalho transdisciplinares, vale conferir.

Artes não reprova

Sendo componente curricular dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, um estudante pode sim reprovar em artes. O professor faz avaliações como qualquer outro e tem critérios a seguir, que não precisam implicar necessariamente numa nota numérica (isso vai depender do sistema da escola). No meu caso, trabalhando com os Anos Iniciais, faço um parecer trimestral sobre as aulas, que é anexado ao parecer da professora regente da turma. O diálogo com as colegas é constante, a fim de registrar como a turma está se saindo e também para propor projetos em parceria (vide tópico acima).

Artes só serve para fazer "trabalhinhos"

Essa é pra matar. Eu nem vou dizer que tem gente que confunde aula de artes com aula de artesanato, pois seria uma ofensa aos artesãos, que trabalham duro para ter sua profissão reconhecida. Muitos responsáveis esperam que a aula de artes seja aquele momento em que a criança vai sentar e fazer algo "utilitário", seja uma caixa decorada, um pote, um vaso de plantas, e não é bem assim.

Aquele é um momento de criação, de contato com a cultura, de fruição estética, de reflexão e debate, e nem sempre vai gerar um "produto". Muitos alunos curtem bem mais o processo do que o resultado final. Outros tantos aprendem a reconhecer a beleza do seu resultado dentro do próprio crescimento adquirido em sala, e não em estereótipos pré-determinados pela sociedade sobre o que é belo.

Por isso, esperar que a aula gire em torno de datas comemorativas ou de temas que possam resultar numa produção seriada de itens decorativos é limitar o alcance do conhecimento em arte.

Acredito que combater estes equívocos é um passo importante para a valorização docente e também das áreas criativas, de maneira geral. Entender o papel dos artistas, dos designers, dos atores e cantores, tudo isso contribui para uma sociedade que acolhe estes profissionais e entende a importância da cultura no desenvolvimento humano.

Acompanhe mais reflexões docente na categoria Sala de Aula.

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Créditos das imagens: Mika, Steve Johnson, Alex Jones, Milan Popovic, Rhondak Native Florida Folk Artist e Fabian Bachli, via Unsplash.
27/05/2019


Antes de mostrar essa ilustra, preciso contar um pouco da minha relação com Game of Thrones. Até o início desta temporada, em não assistia à série, mas sabia absolutamente t-u-d-o que acontecia com os personagens, os nomes dos lugares, das casas e os principais pontos da trama, graças aos famigerados spoilers. Meu namorado sempre me mostrava alguns episódios e insistia para que visse, mas foi só a curiosidade sobre como terminaria essa história que me fez encarar as 7 temporadas anteriores, a fim de me preparar para o adeus.

Assinei a HBOGO (player horroroso que vivia travando, mas que está sendo super útil para acompanhar a maravilhosa série Chernobyl - assistam!) e lá fui eu. E acabei me encantando com a figura da Daenerys, assim como a grande maioria dos fãs de GoT. Então, não é surpresa dizer que fiquei extremamente descontente com o rumo que o arco da personagem tomou, e a pressa em resolver tudo. 

Resumindo: comprei o primeiro livro e também um guia sobre Westeros, e vou começar a leitura em breve, na esperança que George R. R. Martin faça justiça a Khaleesi. Daí veio a vontade de fazer essa ilustração.


Peguei uma foto de referência no Pinterest que desse ênfase ao cabelo da personagem e, a partir daí, foram quatro esboços até chegar à versão final, pois eu queria que tivesse semelhança, ao contrário de outros desenhos que faço com auxílio de referência.

Após passar para o papel, trabalhei com lápis 3B todo o cabelo, abrindo pontos de luz com a borracha Mono Zero. O restante dos detalhes foi feito com brush pen, marcador Copic e caneta dourada. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Bristol;
  • Lápis Koh-I-Noor 3B;
  • Brush Pen Pentel;
  • Caneta Copic;
  • Caneta Uni Pin dourada;
  • Borracha Mono Zero para abrir pontos de luz.


Passei a vida em terras estrangeiras. Tantos homens tentaram me matar. Não lembro de todos os seus nomes. Eu fui vendida como uma égua parideira. Fui acorrentada e traída. Estuprada e desonrada. Você sabe o que me manteve de pé durante todos esses anos de exílio? Fé. Não em deuses. Não em mitos e lendas. Em mim. Em Daenerys Targaryen.

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22/05/2019


Esse ano minha contribuição para o MerMay foi bastante modesta, apenas uma sereia. Acontece que o tema meio que saturou um pouco para mim. Tive que reviver todas as produções passadas para a exposição GAIA, que aconteceu em março, então não me senti entusiasmada para fazer um trabalho por semana, como em 2017 e 2018.

Optei por fazer algo que também não é muito recorrente na minha produção, uma fanart. Escolhi a Ariel, a pequena sereia da Disney, e dei à ela um visual em sintonia com os códigos e símbolos que uso. A seguir, um pouco das fotos do processo.



O que mais tenho gostado, nos últimos trabalhos, é de captar a textura do papel para aquarela. Principalmente o grana fina, que mais gosto de usar. Algumas pessoas não curtem, acham que compromete o tratamento digital, mas tenho investido nisso.

Outra coisa que fiz foi usar uma aquarela dourada, além dos marcadores metálicos usuais, e também uma tinta da Acrilex para artesanato, que contém glitter. ✨ É um trabalho no qual as nuances são muito mais percebíveis ao vivo do que pela internet, mas tenho também tentado me concentrar mais nas experiências reais do que fazer algo para postar nas redes. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Harmony Hahnemühle textura fina 300g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Marcadores metálicos para os detalhes;
  • Lápis de cor Ruksmuseum Bruynzeel;
  • Tinta para artesanato Confetti Acrilex.


Na próxima semana, pretendo levar o desafio para sala de aula, e fazer o MerMay com meus alunos! Falando neles, estou preparando duas postagens para a tag Sala de Aula. A primeira é sobre alguns equívocos sobre a aula de Artes, e o segundo sobre como tem sido meu semestre docente na nova escola. Em algum momento até julho esses posts saem...

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17/05/2019


Este texto foi publicado na minha finada newsletter e hoje, fazendo uma pesquisa nos meus e-mails, o redescobri. Fiquei bem contente com o que escrevi (há dois anos atrás) e resolvi resgatar essa reflexão, deixando-a registrada aqui no blog. Enjoy!

***

A figura do artista mentalmente perturbado é bastante comum em nossa sociedade. Talvez o expoente máximo seja Van Gogh: incompreendido, genial, problemático. Viveu na miséria, para ter sua obra reconhecida e glorificada séculos depois de sua morte. Essa é uma visão bastante nociva do ser artista, mas que ainda é bastante propagada (inclusive, pelos próprios artistas). Quando maior o nível de perturbação, mais intensa e grandiosa a obra. Será?
A Sarah Andersen, quadrinista que acompanho há um bom tempo, publicou essa tirinha, que resume bem o que penso sobre o tormento do artista. Existe o mito de que a criatividade está associada à tristeza, e de que os momentos mais inspiradores são também os mais dolorosos. Mas isso está longe de ser uma regra, pois o processo criativo é algo muito subjetivo. Além disso, esse mito ajuda a reforçar o estereótipo do artista louco, e afasta a compreensão de que arte é um trabalho, como qualquer outro.

Essa visão obtusa sobre o fazer artístico carrega um pouco de romantização, e outro tanto de desumanização do indivíduo artista. A sociedade acaba justificando pela artequalquer problema real que essa pessoa tenha (doenças mentais, alcoolismo, abuso de drogas, violência), com o argumento de que "faz parte do pacote". Ao mesmo tempo, qualquer profissional que não se encaixe nessa construção social, acaba por não ser visto como um bom artista ou um artista verdadeiro.

Por ser um campo do conhecimento que trabalha constantemente com a subjetividade, a arte tende a ser encarada como algo incompreensível, cheio de códigos que somente poucos inciados têm acesso. O que não deixa de ser outra construção social, relacionada principalmente ao status. Para muitos artistas, é conveniente que o público tenha a crença de que eles são esses poucos escolhidos, que conseguem decifrar os meandros que um leigo jamais conseguirá. Isso ajuda a manter o interesse e relevância de suas obras.

Talvez daí venha também o desdém que muitos carregam por artistas comerciais (e aqui não vou entrar no mérito estético de ser bom ou ruim), como Romero Britto. Ser acessível e popular parecem coisas que destoam completamente do discurso artístico dominante. É contra o fluxo natural das coisas.

É preciso estar triste para criar?
É preciso estar feliz para criar?

É preciso QUERER criar. Assim como também é preciso aprender, experimentar, se atualizar, ler, interagir, pensar, refletir... Mais do que tentar colocar os artistas em caixinhas como problemático, estressado, deprimido, a sociedade deve entender que cada um tem seus próprios processos criativos, e que o estado de espírito no momento da criação é apenas um dos aspectos que irão moldar aquela obra.

Por que eu sou desenhista? Este vídeo da Ale Presser sobre o que a motiva a desenhar, e que oferece um panorama poético e profissional sobre a prática artística. É possível perceber que arte envolve muito mais do que sentimento.

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28/04/2019


Resolvi fazer uma pequena série de três trabalhos (a princípio), utilizando lápis de cor, que é o material para o qual eu sistematicamente volto quando preciso trabalhar com cor, mas não estou conseguindo usar aquarela.

Por enquanto, essa série não tem nome, estou mais preocupada em ter uma rotina de desenho do que em criar coisas perfeitamente acabadas. E também é uma oportunidade de usar o estojo de lápis Rijksmuseum Bruynzeel, que é absurdamente lindo e com cores altamente pigmentadas, e também os SuperSoft da Faber-Castell, que apresentam cores bem semelhantes, porém mais suaves, proporcionando misturas interessantes.

Fiz somente uma foto do esboço inicial, que compartilhei nos stories do Instagram, pois também não me preocupei em parar e fazer vários registros, acho que isso me atrapalha um pouco. Coloquei um vídeo para rodar no celular e deixei ele de lado durante a pintura.


Sobre os lápis de cor da Bruynzeel

Eu já conhecia a linha 8815 de lápis grafite, tenho um 5B super macio e gostoso de trabalhar, mas confesso que fiquei receosa de comprar os lápis de cor e me decepcionar, sou bastante apegada aos Polycolor. Procurei alguns vídeos e resenhas, confesso que não achei muita coisa, mas decidi arriscar mesmo assim. Essa edição é especial, em parceria com o Rijksmuseum, e traz na embalagem obras de diferentes artistas que estão no acervo da instituição. Nesta que comprei é A Leiteira, de Johannes Vermeer.


A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.

Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).


Materiais utilizados

- Papel Nostalgia Hahnemühle;
- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!


As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.

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