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Inktober 2019: Semana 02

Dia 07 Para a segunda semana do Lidytober , escolhi a cor verde. Já me sinto mais a vontade para fazer detalhes e me deter um pouco mai...

15/10/2019


Trabalhar com crianças, para mim, significa passe livre para usar a imaginação e a fantasia sempre que possível. Embora tenha certo ranço da expressão "lúdico" quando aplicada à arte produzida por mulheres, a ludicidade relacionada às infâncias é bem diferente, e significa um ponto muito importante no processo de ensino e aprendizagem. Os jogos simbólicos, o faz-de-conta e a linha tênue que separa realidade da fantasia, na criança, estimula nós, adultos, a embarcar também nos nossos próprios sonhos que ficaram lá atrás.

Desde que comecei a dar aulas, senti necessidade de ter uma fantasia para usar em determinadas épocas do ano (feiras literárias, dia das crianças, halloween...) e como AMO a personagem Malévola desde o desenho clássico, que tem aquela dublagem maravilhosa com sotaque de Passo Fundo (vejam o vídeo abaixo e reparem no gauchês), até o auge com a Angelina Jolie, enfiei na cabeça que queria uma fantasia de Malévola. E fui atrás do meu sonho hehehehe...


Consegui encontrar uma touca de látex para vender no Mercado Livre, aparentemente parecida com a do filme. Fiquei receosa de ser um produto totalmente diferente ao vivo. Foi um tiro no escuro, como tudo que compro pela internet. E, como na maioria das vezes, deu muito certo! A touca serviu perfeitamente na minha cabeça e é muito semelhante à usada pela Jolie. Posso afirmar que ela, por si só, já é 90% da fantasia, pois é bastante convincente.


No dia proposto para fantasia me arrumei (antes, tinha participado da Semana Feminista, foi uma correria), uma amiga me maquiou e já cheguei praticamente carregada na escola. Crianças e famílias ficavam parando para tirar foto, para tocar nos chifres, de uma hora para outra eu não era mais a Profe Lidy, era a Malévola. O apoio das colegas de escola também foi muito especial, pois todo mundo entrou na brincadeira.


Daí em diante foi chuva de questionamentos: A Malévola é boa? É boa, ela salva a princesa no final. É má? É má porque o homem malvado cortou as asas dela. Malévola, onde estão as tuas asas? E o passarinho? E o gato preto? Por que tu fez mal para os dinossauros da floresta? Cadê teu cajado?

O mais legal dessas perguntas é que as próprias crianças iam se respondendo. Eu começava a fala sempre com "fui convidada para uma festa aqui", e elas seguiam com o resto. Quem não me reconheceu acabava sempre perguntando como eu sabia os nomes de todos.


Cheguei ao final do dia com muito calor, dores nos pés e na cabeça (a touca começou a apertar e eu precisava destapar os ouvidos para entender o que as pessoas estavam falando), mas também com um quentinho no coração por ter levado um pouco de magia para estudantes e suas famílias, e por ter recebido tanto carinho em troca.

Resolvi contar essa experiência porque hoje, 15 de outubro, é Dia do(a) Professor(a), e temos visto ataques de todos os tipos a esta classe que já é desvalorizada há muito tempo. Nossa carga horária de trabalho e carga mental que levamos para casa não é compatível com nossos salários; ainda vivemos numa sociedade que não abraça a educação como algo que deve perpassar todos os setores e envolver todas as pessoas; antes de começar a aula propriamente dita, nos importamos se o aluno comeu, se tem roupa, calçado, se está com febre, se está sendo negligenciado pela família, se tem material.

Tem dias que a aula é maravilhosa, aquele projeto gestado com tanto carinho toma forma e motiva a turma; em outros nem professor, nem turma estão bem, sai aquela aula mais ou menos, professor sente culpa, vê onde está errando, refaz o planejamento e começa tudo de novo.

Existem colegas que, por motivos variados, acabaram se acomodando com o tempo, fazendo a mesma aula, foram absorvidos pelo sistema. Mas não os culpo, pois não sei o que passaram até chegar nesse ponto. E tem aqueles que embarcam nas tuas maluquices, trabalham junto, emprestam livro, ajudam a tocar propostas ousadas pra frente. Existem gestores que são um freio puxado, e outros que sabem te deixar livre para criar, mas também sabem te conduzir pelos melhores caminhos e propostas metodológicas.

Dá vontade de desistir? Dá. Mas também dá vontade de continuar todos os dias quando vemos a transformação acontecendo, quando aquele aluno tímido faz uma composição elaborada, quando a aluna leva sketchbook para aula, quando as cartinhas feitas com muitas folhas de caderno chegam às nossas mãos.

Não acho que eu seja exemplo de nada, ainda estou engatinhando pelo caminho da docência e cometendo muitos erros. Tento aprender com eles e melhorar a minha prática, fazer a autocrítica e não me deixar abater pelos fracassos. Gosto de compartilhar as coisas que dão certo para motivar outros professores e montar um banco de dicas de atividades pois, às vezes, as ideias são boas, mas esbarramos na execução ou falta de materiais e espaço adequado. Tenho sorte de trabalhar em uma escola que me apoia e em ganhar muitas doações, mas sei que essa não é a realidade de muitos profissionais Brasil afora.

Feliz dia, colegas. Não deixemos a magia ir embora de nossas vidas.

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13/10/2019

Dia 07
Para a segunda semana do Lidytober, escolhi a cor verde. Já me sinto mais a vontade para fazer detalhes e me deter um pouco mais em cada desenho. Mas tudo de maneira muito simples, como já disse anteriormente. Veja aqui a primeira semana do projeto.

Dia 08
Dia 09
Dia 10
Dia 11
Dia 12
Para saber qual será a cor escolhida para a terceira semana, é só me seguir no Instagram ou no Facebook.
07/10/2019


Gostaria de fazer um convite para quem é de Rio Grande e região. Dia 10 de outubro, próxima quinta-feira, ministrarei uma oficina chamada Criação e consumo de arte em tempos de internet: o impacto das redes sociais na produção artística feminina, durante a IV Semana Feminista do IFRS, que este ano tem como tema Mulheres na arte: representação e resistência. Quem fez o convite foi a querida Lucilene Ribeiro, que me deixou bastante livre para escolher o tema do encontro.

Num primeiro momento, pensei em fazer algo mais prático, ensinar alguma técnica de desenho ou pintura, mas são tantos os assuntos urgentes entre mulheres e arte, que resolvi usar minha experiência de divulgação através da internet e moderação de grupos artísticos no Facebook para falar sobre a relação de amor e ódio que é depender das redes para ter visibilidade.

Vai ser uma oficina com cara de bate-papo, na qual vou falar sobre arte independente, coletivos, ansiedade gerada pelos algoritmos e processo criativo, com algumas dicas de leituras, projetos e sites.

Clique aqui para fazer a sua inscrição, convide suas parcerias e vamos debater sobre a criação artística feminina e como as redes sociais têm nos afetado. Espero vocês lá!


Atualização: veja algumas fotos do encontro






Agradeço imensamente toda a organização da Semana Feminista e também aos participantes da oficina (não esperava ver o auditório cheio, como vi!). Foi muito legal conversar com jovens sobre algoritmo, plágio, criação, a luta das mulheres por reconhecimento e também sobre algumas artistas inspiradoras, que tanto ajudaram na minha própria caminhada. Por mais momentos como este, seguimos!

Dia 01

Aqui está a produção da primeira semana de Lidytober 2019. Como já disse anteriormente, este ano optei por desenhos bem simples, com materiais antigos, que me possibilitassem participar do desafio todos os dias, sem surtar e sem me sentir pressionada a fazer o melhor dos trabalhos. Estou me divertindo, tirando um tempo para mim, e em alguns dias quase esqueci de postar, de tão tranquila que estou. 

Dia 02
Dia 03
Dia 04
Dia 05
Dia 06
A cor escolhida para a primeira semana foi o laranja. A cada seis dias troco a cor, e se você quiser saber qual predominará esta semana, é só me seguir no Instagram e no Facebook. Segunda-feira que vem faço o apanhado geral aqui no blog. 
23/09/2019


Este ano conseguirei participar do Inktober!!! Me organizei bonitinho, para dar conta de fazer um desenho por dia, durante o mês de outubro. Claro que, assim como nos outros anos (e isso é uma coisa que sempre fiz durante o Inktober, não estou roubando), vou criar vários desenhos num dia e ir postando ao longo da semana no Instagram, no Facebook e, ao final de cada semana, aqui no blog.

Uma das minhas prioridades para este ano foi: não gastar com materiais. Não comprei uma caneta adicional sequer, tudo já é velho de guerra no meu ateliê, e será aproveitado até o final. Para não correr o risco de acabar alguma coisa na metade do desafio, fiz uma seleção de canetas que estão em bom estado e sei que ainda possuem bastante carga. O sketchbook também é um dos inúmeros que preciso dar cabo antes de pensar em adquirir um novo.

Neste post, vou detalhar cada um desses materiais, porém, meu objetivo não é fazer uma exposição de produtos e gerar ansiedade para consumo. Vou mostrar coisas que tenho há muito tempo, e irão me ajudar no desafio. Se você não tem esses materiais e deseja fazer o Inktober, não fique chateado. Dá pra desenhar com caneta esferográfica comum, o importante é participar e se divertir, caso você tenha vontade. A seguir, também vou dar algumas dicas para quem deseja se aventurar pelo desafio.


Começando pelo sketchbook, vou utilizar este lindo e macabro caderninho, que veio num kit do livro Para toda a eternidade, da Caitlin Doughty. O papel dele é pólen, fininho, e o marcador passa com tranquilidade para o verso da folha, por isso, tomarei o cuidado de colocar uma folha embaixo, para evitar acidentes. O bom desse sketchbook é que ele tem exatas 32 páginas, dá pra fazer uma capa e os 31 desenhos para fechar todo o caderno, que se transformará num lindo artbook (espero).

Não vou seguir nenhuma lista este ano, assim como nos anos anteriores. Geralmente, as listas não me agradam por completo, me sinto pressionada e ansiosa, por isso, prefiro ir até o Pinterest, pegar várias fotos interessantes e bem na minha zona de conforto, que me trarão segurança na hora de desenhar. E essa é minha primeira dica para quem se sente inseguro em desenhar todo dia: comece por algo dentro da sua zona de conforto, que te dá prazer em desenhar e, se você for se soltando, invista em experimentações. Caso contrário, permaneça ali, na sua zona de conforto, fazendo algo que vai trazer felicidade. Não dá pra fazer os 31 desenhos? Tudo bem, faça quantos puder e sentir vontade. Lembre-se: o desafio é para você, e não para os outros ou para a internet.


Esse conjunto de tons de cinza da Copic foi um dos primeiros que comprei, há cinco anos, e ainda me acompanha. Só a N2 foi recarregada, por enquanto. Claro que as outras estão acabando mas, no momento, não tenho como gastar com caneta, e vou aproveitá-las em detalhes de sombreamento, sem cobrir grandes áreas. Se você não tem Copic, qualquer marcador à base de álcool serve, os da Magic Color tem excelente custo-benefício para quem está começando.


Já deu pra perceber que não vou usar tinta nanquim, pois o papel do meu sketchbook é muito fino. Por isso, peguei o kit mais novo de multiliners que tenho, comprei para o Inktober de 2017. Adoro as canetas Micron, e a que mais uso é a 05, para tudo. Não me incomoda o traço mais grossinho, acho que é uma espessura que me permite fazer muitas coisas de uma só vez.


Para cobrir grandes áreas com tinta preta, recorri a todas as canetas que eu tinha e que poderiam cumprir esta função: um marcador permanente da Faber-Castell, desses para CD; uma brush pen da Pigma, com ponta fininha; a brush pen da Pentel, com ponta mais flexível; e a caneta Sigma da Pentel, com ponta fibrosa, que permite fazer tanto detalhes, quanto cobertura de grandes áreas. Qualquer marcador permanente já serve, e existem opções baratinhas no mercado (como o da Faber, acima).


Para os detalhes, escolhi a caneta Gelly branca da Sakura, que abre pontos de luz, e duas canetas em gel metálicas, uma dourada e outra prateada, que comprei no supermercado e não chegou a custar R$ 5,00 o par. Como já falei acima, é possível fazer o Inktober com material escolar barato, o importante é querer participar e se sentir satisfeito com seu próprio trabalho e empenho. Uma dica bem em conta para quem quer fazer detalhes metálicos e não encontra essas canetas facilmente, é misturar purpurina (não pode ser glitter) com cola branca. Depois de seco, o efeito fica bastante similar ao da caneta, porém um pouco mais opaco.


Por fim, para cada semana escolhi uma cor dominante. Essa cor vai aparecer em detalhes e preenchimentos, e vai me ajudar a dar o tom daquela semana. Como já falei acima, só vou usar canetas que estão com uma boa dose de carga, por isso, não tem vermelho, que é sempre a primeira a acabar. Em compensação, teremos: laranja, verde, azul e rosa da Bic Marking e roxo e magenta da Faber-Castell. Vou me virar nos trinta com essas cores e seja o que as deusas da criação quiserem... Uma alternativa à essas canetas é qualquer canetinha hidrográfica escolar. Fazem exatamente o mesmo efeito.

Um último recado importante: não se compare com outros artistas (não plagie!!!), não fique ansioso por postar todos os dias e faça o Inktober por você. Nenhum like e nenhuma validação social valem o stress e o desgaste de fazer algo que você não quer. Se você fizer somente um desenho e se sentir bem com isso, parabéns! Você concluiu o Inktober com sucesso. E se você não estiver a fim de fazer, mas quiser acompanhar seus artistas favoritos, também está valendo.

Para me acompanhar nessa jornada, acesse o Instagram e o Facebook, as atualizações sairão sempre por lá, a partir de 01/10, após às 21h. Por aqui, o resumo semanal sairá às segundas-feiras.