Recomendo: Abstract, the art of design
Embora eu seja uma completa negação no quesito acompanhamento de séries, quando gosto de alguma não penso duas vezes antes de recomendar, e Abstract: the art of design, disponível na Netflix, é uma daquelas produções que toda pessoa que trabalha com criatividade deveria assistir. No início do ano, quando a série foi lançada, eu estava me preparando para um concurso, e ter contato com a visão de profissionais que são referência em suas áreas me ajudou demais, não só na hora da prova, como também a repensar práticas e hábitos de trabalho.
A primeira temporada tem oito episódios com cerca de 45 minutos cada, mostrando o ponto de vista de profissionais de diversas áreas relacionadas ao design: ilustradores, arquitetos, designers gráficos, fotógrafos, dentre outros. Mas os que mais chamaram a minha atenção e abriram meus horizontes foram três: o do ilustrador Christoph Niemann, o da designer gráfica Paula Scher e o do fotógrafo Platon.
Christoph Niemann é um ilustrador alemão extremamente metódico e, em muitos momentos, me peguei rindo de sua sistemática de trabalho, pois sou uma control freak assumida. Ele trabalha pontualmente das 9h às 18h em seu estúdio (que não é em sua casa), e encara a folha em branco como um problema a ser resolvido. Tive a sensação de que alguém nesse mundo me entende hahaha. Niemann já fez várias capas para a conceituada revista New Yorker e traz uma visão de trabalho artístico muito séria, que envolve doses parecidas de criatividade e racionalidade. Sempre digo que arte é trabalho, não é algo que surge num passe de mágica. É preciso respeitar o artista como qualquer outro trabalhador, e acredito que abrir a série justamente assim ajuda a firmar essa linha de pensamento.
Paula Scher é o poder da experiência, que mulher incrível! Seu trabalho é simples, porém marcante. Profissional de decisões ágeis e certeiras, sabe dosar como ninguém a ideia do cliente com a criação de sua equipe. A cena em que uma das designers apresenta a identidade visual de um espetáculo para os contratantes representa a rotina de quem precisa lidar com este drama diariamente. Além disso, seu design se confunde com a história da cultura popular norte-americana, das capas de discos do Bob Dylan até projetos urbanos espalhados por Nova York. E sua força em meio a uma área quase que exclusivamente masculina é uma fonte de inspiração para todas as mulheres que precisam provar que são capazes e competentes. Quero morar no arquivo da Paula, sério.
Já o fotógrafo Platon é um bálsamo em meio ao que se tornou a fotografia contemporânea (comercialmente falando). Num mundo lotado de ensaios de new borns cheios de efeito blur do Photoshop (sério, as pessoas perderam os critérios e estão transformando crianças em bonecos de cera) e de profissionais que acreditam que seu valor artístico se restringe ao equipamento, ver o relato deste cara que usa um scanner de negativos fabricado pela NASA na década de 1980, é algo sensacional. Chorei em vários momentos, pois ele é a personificação da mistura exata entre técnica e olhar. Extremamente carismático, Platon rouba toda a série ao mostrar seu processo criativo, como posiciona os modelos, quais os critérios utilizados na hora de editar uma imagem, tudo permeado por uma simplicidade que pode chocar os desavisados. A textura e a personalidade das pessoas está presente em cada retrato; são histórias de vida costuradas naquela granulação tão rica da fotografia preto e branco (saudades revelar os filmes no laboratório).
Se você tiver a oportunidade de assistir Abstract, faça de coração aberto, apreciando cada episódio (não é necessário ver em ordem, você pode partir direto para o que chamou mais atenção) e, principalmente, incorpore esses ensinamentos preciosos em sua rotina. Não são somente histórias de profissionais de sucesso, mas sim de como cada uma de nossas experiências ajuda a moldar nossa visão de mundo, e influencia diretamente todas as nossas ações, reforçando a máxima de que todo conhecimento é válido.
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Ilustrações para livro infantil
Em março recebi um e-mail da ONG portuguesa Ajudaris, a respeito de um projeto colaborativo chamado Histórias da Ajudaris em Gondomar, um livro cheio de contos escritos por crianças em situação de vulnerabilidade social, e ilustrado por diferentes artistas. Fiquei feliz com o convite e por saber que meu trabalho chega em lugares tão distintos quanto o interior do RS até a Europa.
Por se tratar de um projeto sem fins lucrativos, de uma instituição que eu não conhecia, tratei de me informar sobre, pesquisar no site quem já havia participado, como era o livro, escrevi um e-mail com dúvidas que foi prontamente respondido e, depois de ponderar, resolvi aceitar o convite.
Para quem fica receoso em participar de projetos que não vão pagar em dinheiro, de estar caindo no conto do pagamento através de divulgação, sugiro que se informe sobre o proponente e analise o contexto da situação. Acho que trabalho solidário sempre é válido, não é uma coisa que vai desvalorizar sua arte ou desestabilizar o mercado. Então, a dica que dou é: pesquise sobre quem está entrando em contato e quais formas de contrapartida, que não seja a financeira, vão te oferecer.
Acabei ilustrando dois contos bem curtinhos, de uma menina e de um menino, histórias encantadas repletas de princesas, dragões e castelos:
Ilustração Menina
O texto conta a história de três irmãs que partilham um grande coração, e que saem em altas aventuras por reinos encantados. Para esse trabalho, busquei referências na história da arte, pois eu precisava ter em mente que o universo dessas crianças pertence a uma cultura completamente diferente da minha. Acabei me inspirando na pintura As Três Graças, de Emile Vernon, para compor o universo dessas irmãs. O coração em formato de colcha de retalhos faz alusão às aventuras vividas e compartilhadas.
Materiais utilizados
- Papel Canson Montval 300g;
- Lápis Staedtler Mars Lumograph 2B;
- Aquarelas Van Gogh e W&N;
- Pincéis Keramik pelo sintético;
Ilustração Menino
O conto narra a história de um menino que, ao ficar velho, gostaria de renascer como criança num mundo de fantasia, com direito a castelos, dragões e muita magia. Resolvi voltar para o efeito galáxia em aquarela e reproduzir a silhueta de um castelo, envolto nessa atmosfera mágica de, literalmente, um universo de possibilidades.
Materiais utilizados
- Papel Canson Montval 300g;
- Aquarelas Van Gogh e W&N;
- Guache Talens branco;
- Guache Talens branco;
- Pincéis Keramik pelo sintético;
- Marcador Posca e multiliner Copic.
- Marcador Posca e multiliner Copic.
Você pode conhecer mais sobre o projeto no site da Ajudaris e ver as edições anteriores do livro. Assim que eu tiver um exemplar, atualizo esse post com imagens. Fiquei bastante feliz com o resultado, espero que os pequenos autores gostem do meu trabalho e sintam-se abraçados, aqui do Brasil, pois fiz cada traço com muito carinho e amor.
Atualizado em 19/11/17: meu exemplar do livro chegou na semana passada e fiquei emocionada com o resultado final.
Atualizado em 19/11/17: meu exemplar do livro chegou na semana passada e fiquei emocionada com o resultado final.
Wonder✨Woman
Fui assistir Mulher-Maravilha há uma semana e saí do cinema extasiada, querendo chutar todas as bundas à minha frente e fazer treinamento intensivo com as amazonas. O filme é incrível, entrega muito bem a história de origem da personagem e não consigo visualizar nenhuma outra atriz, além de Gal Gadot, no papel de Diana. Claro que não demorou muito para que eu pensasse numa fanart e, em pouco tempo, já estava esboçando minha princesa. Só custei a postar o resultado porque estava envolvida com os preparativos da exposição Elementais, que acontece mês que vem.
Eu não queria fazer um retrato da Gal Gadot, mas sim uma homenagem à Mulher-Maravilha, desde o filme até os quadrinhos, a série da década de 1970 com Lynda Carter, a animação Liga da Justiça (que amo), e também à origem grega da deusa. Por isso, pesquisei algumas imagens de estátuas gregas, para estudar a expressão, além de referências de cabelos que a personagem já usou e detalhes da nova tiara, que achei maravilhosa. Fiquei satisfeita logo no primeiro esboço, e parti para a ação.
Ainda embalada pelo MerMay, decidi trabalhar com lápis grafite, só que, desta vez, num mix de graduações, para conseguir vários efeitos. Fui do HB ao 5B, para ter controle sobre os fios do cabelo e também sobre a suavidade do esfumado no rosto. Para a tiara, optei por usar o marcador dourado da Bic pois, ao contrário da Posca, o efeito dele é mais envelhecido e, além disso, também permite sobrepor camadas após seco. Aqui, utilizei lápis 2B para fazer as hachuras, e me surpreendi com o efeito metálico bem realista que consegui. O resultado ficou assim:
Materiais utilizados
- Papel Canson Layout 180g;- Lápis HB, 2B, 4B e 5B (Staedtler, Koh-I-Noor e Bruynzeel);
- Marcador dourado Bic Marking e branco Posca;
- Multiliner Staedtler 0.2;
- Lápis de cor Caran D'Ache.
Recomendo que você assista Mulher-Maravilha, independentemente de gênero e preferência por Marvel ou DC pois, além de ser um ótimo filme de super-herói, também é um ótimo filme de guerra e retrata vários aspectos presentes na nossa sociedade, como a desigualdade, a ambiguidade que nos torna humanos, o machismo (velado ou não) e a luta por um mundo mais justo.
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