Curso Carreira Ilustrador
Desde meados do ano passado tenho feito vários cursos online sobre ilustração, e eu nem saberia quantificar o valor disso na minha vida. Morar numa cidade do interior significa estar longe de praticamente tudo, por isso, é importante defender nosso direito à internet livre, para que o acesso à informação não seja prejudicado.
Voltando ao tópico do post, quero contar um pouco da minha experiência no curso Carreira Ilustrador. Conheci a proposta num post do Follow de Colours, durante a black friday do ano passado. Na época, o curso estava com 50% de desconto, gostei da ementa e resolvi fazer. Eu não conhecia o trabalho da Clau Souza (shame!) e, logo que tive acesso à plataforma, só me ocorria uma coisa: como assim ninguém havia me falado essas coisas antes? A partir daí, comecei um processo de evangelização das migas e migos para que se inscrevessem também.
O conteúdo do curso está dividido em quatro módulos, com uma média de quatro aulas cada, abordando temas pertinentes à profissão de ilustrador(a): insegurança no começo da carreira, mercado de trabalho, como se profissionalizar, softwares x papel, dentre muitos outros assuntos, sempre com o bom humor da Clau e do seu ajudante Sérgio, que é uma graça.
As videoaulas são curtinhas e a plataforma do curso é bastante intuitiva, sempre que um conteúdo era liberado, eu recebia um e-mail que me levava diretamente para a aula. Além disso, a Clau disponibilizou alguns extras, como exercícios de aquecimento e traço. A produção também é impecável e as referências à cultura pop vão de Rihanna ao Poderoso Chefão, não tem como não amar. Importante ressaltar que, uma vez que você paga o curso, ele é seu para sempre, dá para rever as aulas assim que pinta uma dúvida.
Principais coisas que aprendi
- fazer toda a documentação para apresentar ao cliente: do formulário de brienfing até o termo de prestação de serviço;
- cobrar corretamente pelo meu trabalho;
- selecionar trabalhos para o portfólio e definir melhor meu posicionamento nas redes;
- criar uma network através de grupos e divulgação em espaços que trazem retorno efetivo;
- entender a importância do analógico e do digital na ilustração e conhecer novas ferramentas.
Essa seleção não traz nem 1/3 de todo conhecimento que adquiri durante as aulas. Depois de concluir o curso, fiquei pensando nos vários e-mails com dúvidas que recebo, de pessoas que estão de olho apenas no produto final, e percebi que é muito importante não pular etapas de aprendizagem, e que não é feio sempre retornar ao básico quando nos sentimos perdidos na nossa profissão.
Pontos positivos
- preço muito bom (é possível parcelar);
- plataforma de fácil acesso;
- vídeos curtos e dinâmicos;
- Charisma, uniqueness, nerve and talent da Clau;
- informações que raramente vi algum profissional comentar.
Pontos negativos
- carga horária de 6 horas, o que pode desestimular profissionais que precisam de progressão.
Vale destacar que não estou recebendo nenhum jabá, isso aqui é minha opinião sincera e meus votos para que cada vez mais pessoas se inscrevam neste curso. E já aguardo outros projetos da Clau. :)
Links bacanas #10
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| Imagem by Aliis Sinisalu, via. |
A décima edição dos links bacanas está quentinha e no ar e, em breve, completará um ano. Caso alguém tenha uma sugestão de linkagem legal para comemorar a data, já deixa nos comentários, para que eu possa me programar.
Tudo sobre tintas de aquarela: a Kris sempre faz esses posts fantásticos, nos quais fica evidente o tanto de pesquisa envolvida. Neste, ela fala da composição das tintas, qualidade do pigmento, divisão entre linhas estudante e profissional, dentre outras informações muito importantes para aquarelistas.
Guia de como cobrar pelo trabalho: mais uma dica preciosa do site Minas Nerds, para ajudar profissionais criativos a cobrarem um preço justo por seus trabalhos e não caírem em ciladas.
Dicas para quem quer montar sua loja virtual: a Rê Vitrola contou sua experiência com a lojinha da BichAmo, e dá conselhos para quem quer começar um espaço virtual sem ser sob demanda.
O minimalismo te fez perder a personalidade? várias meninas escreveram posts sobre a tendência do minimalismo e o impacto dela na blogosfera, e esse texto do Teoria Criativa traz várias reflexões e links que valem o clique.
Como creditar imagens na internet: um guia rápido e eficiente para deixar de ser preguiçoso e começar a creditar corretamente a autoria do que está na rede. Até mesmo porque Google não é banco de conteúdo free.
Broderagem, mercado e exclusão: você já ouviu falar na ajuda mútua entre os caras, que sempre chamam amigos para os mesmos rolês? Veja como isso impacta na produção feminina e interfere no mercado de arte.
Vamos falar sobre dinheiro: conversa aberta proposta pelo YouPix sobre como cobrar pelos seus serviços na internet - do publipost à palestra.
Nosso contato com a eternidade: excerto de uma fala do Alan Moore (criador de Watchmen, dentre outros), sobre as relações entre arte e magia. Achei tão profundo que até anotei no meu sketchbook.
Sobre Romero Britto, crianças e arte na educação infantil: uma reflexão bastante interessante sobre o uso de pinturas no estilo Romero Britto com crianças e o impacto disso na criatividade delas. Sem entrar em questões de mérito quanto à obra do artista, as autoras abrem caminho para uma discussão muito importante sobre o controle que adultos exercem com os pequenos.
Dicas administrativas para freelancers: muita gente não sabe por onde começar, nem o tipo de documentação que precisa ter na hora de fazer um serviço. Neste link, tem quatro modelos de formulários, do briefing ao contrato, para baixar e organizar os frilas.
Sobre Romero Britto, crianças e arte na educação infantil: uma reflexão bastante interessante sobre o uso de pinturas no estilo Romero Britto com crianças e o impacto disso na criatividade delas. Sem entrar em questões de mérito quanto à obra do artista, as autoras abrem caminho para uma discussão muito importante sobre o controle que adultos exercem com os pequenos.
Dicas administrativas para freelancers: muita gente não sabe por onde começar, nem o tipo de documentação que precisa ter na hora de fazer um serviço. Neste link, tem quatro modelos de formulários, do briefing ao contrato, para baixar e organizar os frilas.
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Hécate
Hécate, deusa grega da bruxaria, das encruzilhadas, da noite e do submundo. Comumente representada na forma tríplice, personificando a mãe, a virgem e a anciã.
Essa ilustração começou a ser pensada no final de 2014, de uma maneira um pouco diferente (foi um desenho que saiu totalmente da minha cabeça), e que esperou pacientemente até que eu me sentisse preparada para levar o projeto adiante.
Eu sou fascinada por mitologia e, desde que tive contato com o Anuário da Grande Mãe, tenho me dedicado a estudar um pouco mais sobre o sagrado feminino. A figura de Hécate, com sua tríplice representação, tem um significado muito caro, me fazendo olhar para a Lidiane do passado, do presente e do futuro, questionar escolhas e tentar abrir caminhos, mesmo quando tudo parece sombrio.
Assim que decidi retomar essa ilustração, fiz um novo esboço, melhorando as expressões faciais e pensando mais na composição das três mulheres. Queria transmitir a ideia de raízes, de uma figura orgânica que toma a forma da deusa, banhada pela lua. Foi um desafio fazer a idosa, e não acredito que tenha alcançado um bom resultado, por isso pretendo estudar mais. O resultado final ficou assim:
Materiais utilizados
- papel Canson 180g;- lápis Mars Lumograph 4B e Bruynzeel 5B (está virando favorito);
- marcador dourado.
"Hécate é o arquétipo mais incompreendido da mitologia grega. Ela é uma Deusa Tríplice Lunar vinculada com o aspecto sombrio do disco lunar, ou seja, o lado inconsciente do feminino. E, representa ainda, o lado feminino ligado ao destino. Seu domínio se dá em três dimensões: no Céu, na Terra e no Submundo. Hécate é, portanto, uma Deusa lunar por excelência e sua presença é sentida nas três fases lunares. A Lua Nova pressupõe a face oculta de Hécate, a Lua Cheia vai sendo aos poucos sombreada pelo seu lado escuro, revelando o aspecto negativo da Mãe. E a Lua Minguante revela seu aspecto luminoso. É preciso morrer para renascer."
Fonte: As três faces de Hécate
Gostaria de ressaltar que esta é uma interpretação pessoal que fiz da deusa, a partir das minhas experiências, conhecimentos técnicos e teóricos e, até mesmo, limitações. Um blog que me ajuda muito, quando estou com dúvidas, é o Moon Girls Club, da Bruna e da Andressa, aproveito para deixar meu agradecimento. Quem tiver indicações de livros, sites e estudos sobre mitologias, pode deixar nos comentários, pois é um assunto que sempre me interessou.
Estou muito feliz com a evolução do meu traço, principalmente do início do ano para cá, e do foco que consigo dar para cada trabalho. Certamente, essa ilustração vai entrar para o conjunto das divisoras de águas da minha vida, pois representa muitas coisas boas. Essa coleção já está disponível no meu studio no Colab55 e, na compra de dois sketchbooks, o frete é grátis para todo o Brasil. Não esqueça de clicar no coração, ao lado do preço, pois isso ajuda (muito) na divulgação dos meus produtos.
Dicionário de códigos & símbolos das minhas ilustrações
Tenho pensado muito, nos últimos tempos, sobre a crescente onda de relatos sobre plágio no mundo virtual. Ano passo eu já havia falado sobre cópia, o que motivou outras pessoas a opinar também, e daí a discussão não parou. Tanto que me propus, dentro de um grupo muito legal de ilustradoras, capitaneado pela Mary Cagnin, a pesquisar mais, junto com outros profissionais, sobre direito autoral. Esse post sairá em breve.
Nesse sentido, resolvi criar uma espécie de dicionário de códigos e símbolos que aparecem repetidamente nas minhas ilustrações. Eu venho fazendo posts sistemáticos com a evolução do meu trabalho e sempre, a cada processo criativo mostrado, tento passar para o público quais foram as minhas motivações ao criar determinada peça, a escolha dos materiais, dentre outros fatores que fazem cada ilustração ser única.
Quem me acompanha há algum tempo, já consegue reconhecer elementos que, vira e mexe, aparecem nas figuras, ou que já se tornaram praticamente marcas registradas, pois estão presentes em todos os trabalhos. Assim, desenvolvi este pequeno guia (o layout é do Canva), com a finalidade de:
1. tornar reconhecível para o máximo de pessoas possível os códigos recorrentes nos meus trabalhos, criando, assim, um fio condutor das narrativas;
2. me proteger de possíveis plágios, pois, ao publicizar esses easter eggs que deixo em cada ilustra, fica mais fácil reconhecer se alguém mal intencionado copiar e/ou comercializar minhas obras sem autorização.
Claro que não fui eu que inventei esses elementos e vários outros artistas utilizam as mesmas temáticas e os mesmos símbolos. O que faz diferença é o meu estilo, minha bagagem e, principalmente, o contexto de tudo isso nas ilustrações e na narrativa que crio para cada uma delas.
Gostaria de convidar todo mundo que se interessou por essa ideia do dicionário de códigos e símbolos a fazer o seu também. Vamos transformar isso numa tag e fazer com que o público e, principalmente, aquelas pessoas que não têm ideia de que plágio é crime, saibam reconhecer nossos trabalhos. Acredito que é uma maneira de educar artistas em construção e fazer com que quem está aprendendo pare e repense seus próprios caminhos criativos.
Minhas inspirações - maio
Minhas inspirações é uma tag permanente aqui do blog, na qual mostro artistas e projetos que curto e acredito que valem a pena compartilhar. Neste mês, trago sete artistas que merecem muitos seguidores e que, se você não conhece, está perdendo uma oportunidade de ouro.
Nanda Correa: a imagem que abre o post é da Nanda, ilustradora fantástica que admiro há um bom tempo e que foi minha referência para estudo de retratos, quando voltei a desenhar. Tenho várias camisetas com estampas feitas por ela e gostaria muito que seus trabalhos fossem mais conhecidos pelo público nacional.
Emmy Dala Senta: as ilustrações da Emmy estão entre as mais lindas que já vi no estilo realismo fantástico. É como abrir uma porta para outro mundo. Ela mistura várias técnicas, dosando cada elemento de maneira equilibrada, o que confere uma expressividade muito grande às figuras (tanto de animais quanto de pessoas).
Kris Efe: conheci o trabalho da Kris na mesma época da Nanda e fico encantada com a sua evolução na aquarela e lettering, e também com os posts sobre materiais e dicas para iniciantes e profissionais. Destaco, especialmente, as pesquisas sobre marcas cruelty free de tintas e pincéis.
Thaty Mendonça: as ilustras da Thaty são num estilo fofinho que acho muito diferente do que é feito por aí, assim que você vê já reconhece o traço dela. Ela também é uma artista super versátil e trabalha do marcador à aquarela.
Isabella Pessoa: o que dizer dessa linda que, desde que conheci, já considero pacas? É bem difícil falar da Bella sem cair na babação de ovo: é minha colega de fundão no curso da Sabrina Eras, confidente nos momentos queria star morta e uma das aquarelistas mais incríveis e chiques que já vi (acima, é um estudo feito com aquarela Sennelier, chora sociedade).
Karina Beraldo: outra ilustradora que trabalha com figuras femininas empoderadas e que fogem dos estereótipos tradicionais de representação da mulher. Destaque para as sereias curvilíneas e para a maneira como a Karina usa a Ecoline (aquarela líquida).
Bia Reys: uma das ilustradoras que mais curto acompanhar a evolução, tanto do estilo quanto do seu posicionamento em relação à temas muito caros para nós, artistas. A Bia pesquisa muito sobre direito autoral e várias vezes os posts dela me salvaram de cometer sandice. Além disso, ela tem um traço super característico e trabalha com Bic Marking como ninguém.
Sempre bom lembrar que é muito importante comprar, divulgar e curtir o trabalho dos artistas que você gosta. Além do incentivo para que continuem criando, é também uma maneira de fomentar um processo de produção autoral e sustentável.
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