Inktober 2014: última semana e 5 lições que o desafio deixou
Acabou outubro e, com ele, o desafio de desenho mais longo que já participei. No começo do mês, aceitei entrar no Inktober e produzir um desenho por dia, só na tinta. Achei que desistiria logo na primeira semana, mas os dias foram passando, e a vontade de produzir, mesmo nos piores momentos, foi crescendo. Além vários desenhos e ilustrações novas, o Inktober deixou 5 lições que levarei comigo para o resto da vida. São elas (acompanhadas pelas últimas produções):
1. Ter uma meta ajuda a superar a preguiça: quando aceitei participar do desafio, entendi que precisaria fazer um desenho por dia, não importasse as circunstâncias. Com isto em mente, fui obrigada a me organizar, para poder cumprir a meta diária. Ou seja, se eu gastava uma hora do meu dia no Facebook, cortei esse tempo pela metade, para poder trabalhar. Em alguns dias, cheguei a produzir mais de um desenho, o que me deu folga em alguns finais de semana e momentos super apertados, como na exposição. Também agrupei projetos afins: ilustraday, selfless das minas... Ter esta meta fez com que eu conseguisse enxergar o todo da minha carga horária, e a dividisse da melhor maneira possível;
2. Errar é humano: quando se trabalha com tinta, seja ela nanquim, aquarela, acrílica, etc. com um prazo apertado, a probabilidade de sair uma caca é enorme. Você vai errar, e errar é humano. Mas isso não pode te desmotivar, pelo contrário: se o papel de hoje enrugou, amanhã usa um mais encorpadinho, mas não descarta aquele desenho: aprende com ele! Não curtiu o tom de pele? Beleza, tenta outra mistura daqui há uma semana. A prática leva à perfeição e, quando se desenha todo dia, fica mais fácil perceber nossas fragilidades e onde precisamos melhorar;
3. Desapegar é preciso: em 1 mês vi todos os esboços que eu havia feito em algum momento de 2013-14 desaparecerem do meu mural. Eram aquelas coisas que eu rabisquei no intuito de terminar algum dia. Só que o dia nunca chegava e a pilha foi aumentando. Como minha cabeça não é um celeiro inesgotável de ideias, em vários dias lancei mão do que já estava ali para trabalhar. Claro que muitas coisas não saíram do jeito que eu queria, e outras abandonei de vez e decidi guardar como rascunho, o que significou o maior exercício de desapego da história do Atelier da Lidy. Ficou a sensação de limpeza das quinquilharias que só me atrapalhavam;
4. Superar o medo de tentar algo novo = renovar sua criatividade: eu tenho muito medo de tintas, principalmente aquarela. Sempre usei de maneira muito receosa, porém, foi um mini-kit de pastilhas que me fez perceber que era só um desconforto em relação à bisnaga. Com as pastilhas, minha relação com a aquarela mudou completamente. Daí por diante foi uma experimentação sem fim: line art e aquarela; novos formatos de cabelo; novos tons de pele.; novas viagens. Porque na maioria das vezes eu viajei legal na produção. E o bem que isso faz é indescritível, pois eu não estava ali para agradar ninguém, mas sim para me divertir e aprender com essas novas experiências. Agora, já me sinto confortável para encarar seriamente trabalhos com tinta e o que vier;
5. Compartilhar amor é o que há: todos os dias lá ia eu para as redes sociais e mostrava minha arte do momento e, além de aumentar o engajamento entre as pessoas que me seguem, foi uma troca de carinho muito grande. Recebi elogios, críticas do bem, conselhos e muito amor. Gente que perguntava porque o Inktober do dia ainda não havia saído (quando eu postava mais tarde); gente que curtiu cada foto publicada; gente que compartilhou. E nisso a rede de quem prefere o amor ao chorume aumenta, o que me deixa super feliz e motivada.
Já penso em participar de outros desafios e certamente farei o Inktober 2015. Obrigada a todo mundo que acompanhou essa jornada inesperada! Ah, e mostrarei todas essas ilustrações em detalhes, algumas com fotos do processo criativo, a partir da semana que vem.
Abraços,
Lidiane :-)
Especial Halloween: Frida Catrina
Vai ter Frida Catrina sim, e se reclamar vai ter duas! O Halloween é meu e convido quem eu quiser para participar. :~~ Tem muita técnica mista na ilustração de hoje: tinta acrílica, colagem (as rosas e borboletas são aqueles adesivos de feira, sabe?), lápis de cor, caneta...
Desde o começo, minha ideia era essa cabelo pretão, lembrando um véu, e a cobertura da tinta acrílica é maravilhosa para este fim. As colagens não foram propositais, achei que ficaria bonito e tenho várias cartelas desses adesivos, que comprei para o art journal que nunca mais peguei na vida.
Logo mais posto a última ilustração do Inktober 2014 (sim, termina hoje!) e amanhã farei um post contando como foi essa semana e as lições que o desafio deixou por aqui. Já adianto que foram muitas.
Abraços,
Lidiane :-)
Diaba
Quando o filme Malévola foi anunciado fiz um esboço muito torto de uma diaba, que fatalmente acabou na pilha dos trabalhos que um dia (aquele dia que não chega nunca, sabe?) iria finalizar. Santo Inktober, que me fez rever essa dinâmica e botar todos esses rascunhos na rua novamente.
Gostei muito da line art, acho até que poderia ter parado nela e deixado como estava, mas resolvi arriscar pintar com aquarela. Novamente, caí naquela velha questão de: será que estou estragando a minha ilustra? Precisei de um distanciamento para reavaliar o projeto e pude perceber que consegui deixar pelo menos 80% do jeito que queria.
Depois de finalizada e tratada, a ilustração ficou assim:
Ainda preciso lidar melhor com os espaços em branco na aquarela, minha primeira reação é sempre preencher tudo e essa é uma técnica que precisa de um respiro. Aos poucos eu chego lá. Apesar da cobertura ter tapado as linhas do cabelo mimimi, curti a cor e o movimento. Ah, e os chifres também são xodós.
Abraços,
Lidiane :-)
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