5 equívocos sobre a aula de artes
Pensando em como a educação vem sendo tratada e o quanto ainda existe de desinformação sobre a atuação docente, decidi escrever esse post, listando 5 equívocos que ainda existem sobre a aula de artes, que é a minha praia.
Vale lembrar que tudo o que vou pontuar a seguir é a partir da minha experiência em escola pública periférica, no interior do RS, desde que comecei a lecionar, em fevereiro de 2018. Se você tem experiências diferentes, pode deixar nos comentários.
Essa professora só dá desenho
Talvez este seja o equívoco mais comum entre todos os propagados por quem não conhece a realidade da sala de aula. Desde os anos 1980, quando iniciou o movimento de arte-educação brasileiro, as aulas de artes deixaram de ter um caráter puramente tecnicista e/ou baseado no laissez-faire (livre expressão), para agregar abordagens a fim de construir um conhecimento em arte. Aqui entra a proposta triangular, de Ana Mae Barbosa, focada no conhecer, no fazer artístico e na apreciação estética.
Eu sou uma defensora do desenho, principalmente porque as crianças vêm perdendo este hábito e adiando etapas de seu desenvolvimento gráfico. Não é raro ver estudantes do 1º ano ainda garatujando. Mas atrelado ao grafismo, procuro encorajar as turmas a conhecer sobre história da arte, arte na comunidade, na cultura pop, no vestuário. Levo poesias, clipes, desenhos animados, desafios da internet. E busco, também, fazer com que compreendam o processo e aprendam a lidar com as frustrações da produção.
É uma aula oba-oba
Artes e Educação Física talvez sejam as disciplinas que mais sofram com este rótulo. Muitas pessoas acham que não se faz nada nessas aulas, que é só deixar cada um por si, e não é bem assim. Os professores têm propostas curriculares para cumprir, objetivos de aprendizagem e projetos para executar ao longo do ano. Cada faixa etária tem uma série de competências e habilidades a desenvolver (por exemplo: espera-se que, ao final da alfabetização, as crianças já tenham os conceitos de cores primárias e secundárias aprofundados), e as aulas são planejadas a partir desse panorama, o que nos leva ao próximo tópico.
Professor de Artes não planeja
Apesar de trabalhar "somente" 20 horas em sala de aula, minha atuação não se restringe a essa carga horária. Praticamente todo o tempo que sobra eu estou planejando. Até quando estou no supermercado vem ideias sobre planejamento. Já mostrei até como fazer um plano de aula. Não entro em sala sem meu cronograma e, na escola onde trabalho, toda semana preciso enviar meu planejamento para a gestão.
Artes não está no currículo para tapar buraco, ou pra subir horário quando falta o professor de outra disciplina. É um componente essencial, que perpassa diversas áreas do conhecimento. O artigo Artes visuais e transdisciplinaridade na era da complexidade – uma prática pedagógica continuada traz uma discussão bastante interessante sobre projetos de trabalho transdisciplinares, vale conferir.
Artes não reprova
Sendo componente curricular dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, um estudante pode sim reprovar em artes. O professor faz avaliações como qualquer outro e tem critérios a seguir, que não precisam implicar necessariamente numa nota numérica (isso vai depender do sistema da escola). No meu caso, trabalhando com os Anos Iniciais, faço um parecer trimestral sobre as aulas, que é anexado ao parecer da professora regente da turma. O diálogo com as colegas é constante, a fim de registrar como a turma está se saindo e também para propor projetos em parceria (vide tópico acima).
Artes só serve para fazer "trabalhinhos"
Essa é pra matar. Eu nem vou dizer que tem gente que confunde aula de artes com aula de artesanato, pois seria uma ofensa aos artesãos, que trabalham duro para ter sua profissão reconhecida. Muitos responsáveis esperam que a aula de artes seja aquele momento em que a criança vai sentar e fazer algo "utilitário", seja uma caixa decorada, um pote, um vaso de plantas, e não é bem assim.
Aquele é um momento de criação, de contato com a cultura, de fruição estética, de reflexão e debate, e nem sempre vai gerar um "produto". Muitos alunos curtem bem mais o processo do que o resultado final. Outros tantos aprendem a reconhecer a beleza do seu resultado dentro do próprio crescimento adquirido em sala, e não em estereótipos pré-determinados pela sociedade sobre o que é belo.
Por isso, esperar que a aula gire em torno de datas comemorativas ou de temas que possam resultar numa produção seriada de itens decorativos é limitar o alcance do conhecimento em arte.
Acredito que combater estes equívocos é um passo importante para a valorização docente e também das áreas criativas, de maneira geral. Entender o papel dos artistas, dos designers, dos atores e cantores, tudo isso contribui para uma sociedade que acolhe estes profissionais e entende a importância da cultura no desenvolvimento humano.
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Créditos das imagens: Mika, Steve Johnson, Alex Jones, Milan Popovic, Rhondak Native Florida Folk Artist e Fabian Bachli, via Unsplash.
Aquele é um momento de criação, de contato com a cultura, de fruição estética, de reflexão e debate, e nem sempre vai gerar um "produto". Muitos alunos curtem bem mais o processo do que o resultado final. Outros tantos aprendem a reconhecer a beleza do seu resultado dentro do próprio crescimento adquirido em sala, e não em estereótipos pré-determinados pela sociedade sobre o que é belo.
Por isso, esperar que a aula gire em torno de datas comemorativas ou de temas que possam resultar numa produção seriada de itens decorativos é limitar o alcance do conhecimento em arte.
Acredito que combater estes equívocos é um passo importante para a valorização docente e também das áreas criativas, de maneira geral. Entender o papel dos artistas, dos designers, dos atores e cantores, tudo isso contribui para uma sociedade que acolhe estes profissionais e entende a importância da cultura no desenvolvimento humano.
Acompanhe mais reflexões docente na categoria Sala de Aula.
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Créditos das imagens: Mika, Steve Johnson, Alex Jones, Milan Popovic, Rhondak Native Florida Folk Artist e Fabian Bachli, via Unsplash.
Dracarys 🐉
Antes de mostrar essa ilustra, preciso contar um pouco da minha relação com Game of Thrones. Até o início desta temporada, em não assistia à série, mas sabia absolutamente t-u-d-o que acontecia com os personagens, os nomes dos lugares, das casas e os principais pontos da trama, graças aos famigerados spoilers. Meu namorado sempre me mostrava alguns episódios e insistia para que visse, mas foi só a curiosidade sobre como terminaria essa história que me fez encarar as 7 temporadas anteriores, a fim de me preparar para o adeus.
Assinei a HBOGO (player horroroso que vivia travando, mas que está sendo super útil para acompanhar a maravilhosa série Chernobyl - assistam!) e lá fui eu. E acabei me encantando com a figura da Daenerys, assim como a grande maioria dos fãs de GoT. Então, não é surpresa dizer que fiquei extremamente descontente com o rumo que o arco da personagem tomou, e a pressa em resolver tudo.
Resumindo: comprei o primeiro livro e também um guia sobre Westeros, e vou começar a leitura em breve, na esperança que George R. R. Martin faça justiça a Khaleesi. Daí veio a vontade de fazer essa ilustração.
Peguei uma foto de referência no Pinterest que desse ênfase ao cabelo da personagem e, a partir daí, foram quatro esboços até chegar à versão final, pois eu queria que tivesse semelhança, ao contrário de outros desenhos que faço com auxílio de referência.
Após passar para o papel, trabalhei com lápis 3B todo o cabelo, abrindo pontos de luz com a borracha Mono Zero. O restante dos detalhes foi feito com brush pen, marcador Copic e caneta dourada. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Bristol;
- Lápis Koh-I-Noor 3B;
- Brush Pen Pentel;
- Caneta Copic;
- Caneta Uni Pin dourada;
- Borracha Mono Zero para abrir pontos de luz.
Passei a vida em terras estrangeiras. Tantos homens tentaram me matar. Não lembro de todos os seus nomes. Eu fui vendida como uma égua parideira. Fui acorrentada e traída. Estuprada e desonrada. Você sabe o que me manteve de pé durante todos esses anos de exílio? Fé. Não em deuses. Não em mitos e lendas. Em mim. Em Daenerys Targaryen.
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Ariel | MerMay 2019
Esse ano minha contribuição para o MerMay foi bastante modesta, apenas uma sereia. Acontece que o tema meio que saturou um pouco para mim. Tive que reviver todas as produções passadas para a exposição GAIA, que aconteceu em março, então não me senti entusiasmada para fazer um trabalho por semana, como em 2017 e 2018.
Optei por fazer algo que também não é muito recorrente na minha produção, uma fanart. Escolhi a Ariel, a pequena sereia da Disney, e dei à ela um visual em sintonia com os códigos e símbolos que uso. A seguir, um pouco das fotos do processo.
O que mais tenho gostado, nos últimos trabalhos, é de captar a textura do papel para aquarela. Principalmente o grana fina, que mais gosto de usar. Algumas pessoas não curtem, acham que compromete o tratamento digital, mas tenho investido nisso.
Outra coisa que fiz foi usar uma aquarela dourada, além dos marcadores metálicos usuais, e também uma tinta da Acrilex para artesanato, que contém glitter. ✨ É um trabalho no qual as nuances são muito mais percebíveis ao vivo do que pela internet, mas tenho também tentado me concentrar mais nas experiências reais do que fazer algo para postar nas redes. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony Hahnemühle textura fina 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Marcadores metálicos para os detalhes;
- Lápis de cor Ruksmuseum Bruynzeel;
- Tinta para artesanato Confetti Acrilex.
Na próxima semana, pretendo levar o desafio para sala de aula, e fazer o MerMay com meus alunos! Falando neles, estou preparando duas postagens para a tag Sala de Aula. A primeira é sobre alguns equívocos sobre a aula de Artes, e o segundo sobre como tem sido meu semestre docente na nova escola. Em algum momento até julho esses posts saem...
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