Lidiane Dutra
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Sala de aula
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Dicas Reflexões Sala de aula

Notas sobre podcasts

Embora eu tenha trabalhado na área de EaD e tecnologias por anos a fio, sempre me considerei uma pessoa analógica para muitas coisas, até mesmo para o mundo virtual. Uma prova disso é eu não abandonar o hábito de blogar, de sentar e escrever, de editar HTML, de manter esse espaço mesmo quando todas as pessoas insistem em dizer que blogs morreram (spoiler: não morreram, nem vão morrer tão cedo). Minha relação com livros, com a arte tradicional (lápis, pincel, tinta), tudo numa confluência para inserir o analógico dentro do digital. Então eu demorei um pouco para entrar na cultura do podcast.

Comecei no final do ano passado, acompanhando alguns podcasts de true crime e terror, até que, durante a pandemia, fui convidada pela Suellen Rubira para fazer a arte e participar de alguns episódios do We can be readers. Vou deixar todas as minhas participações embedadas aqui:

E na função de participar do Readers, acabei tomando contato com o Anchor, software que a maioria dos podcasters usa para editar e distribuir seus programas. Então, quando chegou a hora de retomar o ensino através de atividades remotas (e, embora eu tenha todas as ressalvas do planeta, e ache que MUITA coisa nisso está errada), logo pensei em gravar pequenos áudios com o conteúdo das aulas. Assim, eu conseguia ao mesmo tempo me aproximar das turmas, e facilitar a entrega dessas aulas, através de um rápido áudio compartilhado via Whatsapp.

E foi aí que nasceu o Lidycast... são só as minhas aulas de artes, super específicas para o momento e para as turmas que atendo. Mas que podem servir como inspiração para outros professores, já que gravar um áudio é relativamente mais fácil do que gravar um vídeo, e demanda menos tempo de preparo.

Com o plano de aula em mãos, eu crio um roteiro com absolutamente tudo o que vou falar, tomando o cuidado de não ultrapassar 5 ou 10 minutos de áudio. Os primeiros foram mais espontâneos, mas agora roteirizo tudo para não me perder e evitar interrupções e vícios de linguagem. Gravo diretamente do celular, pelo próprio Anchor e, depois de finalizar o áudio, acrescento uma das músicas de fundo da biblioteca do aplicativo. Tudo muito simples e intuitivo. Claro que é possível incrementar o áudio, fazer recortes e edições elaboradas, mas como recurso didático em tempos de pandemia, é desse jeito simplão que tenho conseguido dar conta do que preciso fazer. 

E, assim como em outras áreas, a gente só pega o jeito de fazer podcast ouvindo bastante podcast. Só assim para entender a linguagem, como manter o ritmo, e como desenvolver uma relação com o ouvinte. 

Hoje já consigo enxergar o podcast como recurso extra, quando as aulas presenciais retornarem. E quem sabe, no futuro, poder criar um programa para falar de outras coisas também. Tudo o que não consegui fazer com o vídeo (meu canal morto no YouTube é a prova disso), está se mostrando bastante possível através do áudio. Claro que não vou abandonar o blog por conta disso, só acredito que são coisas que vão se encontrar em algum momento.

Se você é docente e está se desdobrando com atividades remotas, pense na possibilidade de gravar um podcast (caso tenha condições para isso). É um recurso que cativa especialmente os adolescentes. E me conquistou pela maneira como eu poderia me colocar mais humanamente para a turma, sem precisar de um aparato de câmera, iluminação, cenário, pós-produção. Participar do Readers também foi fundamental para entender o feedback desse meio.

Independentemente da proposta, o importante é curtir o que se faz, e eu amo ser professora, apesar de todas as dificuldades que são impostas a nós. Aproveito para indicar o canal da Patrícia Pirota, com dicas de organização e planejamento para professores.

Nota: embora o objetivo do post seja contar a minha experiência com o podcast e compartilhar isso com outros colegas professores, e também como mencionei num parênteses, nada disso tira meu sentimento de indignação sobre como tem se tocado o barco da educação no Brasil, desconsiderando o fosso de desigualdade que só aumenta com a adoção do "ensino remoto". 

Photo by Elice Moore on Unsplash

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Sala de aula

Sobre professores, blogueiros e quarentena

Marilyn Monroe na Universidade da Califórnia (UCLA), onde estudou literatura. Foto de Mel Traxel, fevereiro de 1952.

Quem está vivendo no planeta Terra em 2020 tem lidado com o coronavírus e com diversos protocolos criados para resguardar ao máximo a saúde pública, incluindo aqui a quarentena, ou isolamento social. Desde meados de março, a Prefeitura de Rio Grande decretou quarentena nas escolas da rede municipal e também orientou as instituições a manterem contato com a comunidade escolar (se possível), via internet, postando atividades lúdicas, não conteudistas, a fim de reforçar que estamos aqui e que o vínculo entre professores e estudantes se mantém. 

As duas escolas nas quais trabalho estão se empenhando em engajar a comunidade, dentro da sua realidade, seja com atividades, vídeos, dicas, mensagens. Nós, professores, não paramos de trabalhar, nem estamos de férias, como algumas pessoas podem pensar. Só que outro debate acabou vindo à tona, que é o uso do ensino a distância (EaD) como forma de mediação entre escola e aluno, em tempos de pandemia.

Eu trabalhei mais de 10 anos com EaD. Comecei no meu TCC, depois como tutora e, por fim, como professora pesquisadora, função na qual fiquei oito anos, trabalhando diretamente com design instrucional. Sei como a EaD pública funciona e sugiro que pesquisem sobre como a Universidade Aberta do Brasil ajudou na interiorização da educação superior no país. Então, para mim, não foi novidade, e eu consegui ter uma visão bem racional da situação, antes de preparar qualquer tipo de material para enviar aos estudantes.

Porém, mais do que discutir modelos de interação e o impacto da EaD no ensino básico, começaram a pipocar textões pelas redes sociais, a maioria de autoria desconhecida, de professores falando sobre a carga física e mental que tem sido preparar aulas a distância (o que é uma realidade, sem dúvida), e de que eles haviam estudado para serem professores, e não blogueiros e youtubers. Aí eu comecei a ficar transtornada.

Esse tipo de afirmação sou professora e não blogueira, como se uma coisa estivesse em cima e a outra embaixo, me perturba. Porque usa de uma situação atípica, que é a pandemia, para desqualificar a atividade de quem trabalha com internet. Eu já era professora por formação quando criei um blog, mas nunca havia entrado numa sala de aula, e foi o blog que me manteve criativa, focada, atualizada sobre a minha área e, principalmente, ocupada, pois eu trabalhei muito a partir de clientes que chegavam por aqui. E quando eu realmente pisei no chão da escola, consegui estabelecer um diálogo com os estudantes muito pela minha relação com o blog.

Os professores terem virado blogueiros, vlogueiros, roteiristas, fotógrafos, diagramadores da noite para o dia, evidencia o quanto o poder público negligencia o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação na educação, e como perderíamos muito menos tempo com isso se fôssemos capacitados para lidar com questões que envolvem as TDICs para muito além da teoria. 

Existe todo um universo de problemáticas quando se fala em enviar o material da aula pela internet: se a comunidade na qual a escola está inserida sofre com vulnerabilidade socioambiental, quais as condições que os estudantes têm de receber este material (desde suporte tecnológico até emocional), qual o grau de interação das famílias com as tecnologias, se o aluno tem comida na mesa, se não é agredido, abusado, e por aí vai. Também entram na conta a carga horária do professor, quantas escolas ele atende, se ele próprio tem familiaridade e condições de trabalhar com as tecnologias, se deseja inserir isso no seu cotidiano docente.

É o momento para discutir sobre tudo isso. Mas me entristece ver colegas achando que é algo horrível ser blogueiro, que ser youtuber é a maior inutilidade do mundo, que fazer roteiro é perda de tempo. Vamos pôr em perspectiva: blog nada mais é que registro, é diário de classe. Roteiro é plano de aula. O cientista que mais tem nos alertado sobre o coronavírus, Átila Iamarino, ganhou notoriedade com um canal no YouTube, no qual se dedica à divulgação científica.

Blogueiro e youtuber também é profissão, professor. Não vamos esvaziar um debate tão importante quanto o que está ocorrendo agora porque existe preconceito sobre essas profissões novas, que se aproximam demais com os anseios dos nossos estudantes. É um momento muito delicado, no qual todos sentem-se pressionados, de alguma maneira. Vamos tentar unir a nossa prática docente com a comunicação leve e despretensiosa que encontramos pela web, e agregar conhecimentos sem preconceitos ou estereótipos.

Resolvi ilustrar esse post com uma foto de Marilyn Monroe, durante o período que estudou literatura na UCLA, para nos fazer pensar. Marilyn foi um sexy symbol universal, muitas vezes encarnando o papel da loira burra no cinema. Mas na vida real a atriz era inteligente, leitora assídua dos clássicos e nunca parou de estudar. Morreu desejando ser levada a sério, ser reconhecida como a pessoa que era. Estereótipos nos aprisionam e nos impedem de entender a vivência do outro.
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Projetos Sala de aula

ABC dos Sentimentos


Durante o mês de setembro, realizei uma atividade com o 2º ano, baseada no livro ABC dos Sentimentos, escrito pela Andrea Araújo. A Andrea tem um trabalho em ilustração e escrita afetiva que, além de lindo, é excelente para trabalhar com crianças. Desde que comecei a dar aulas me interessei por trabalhar um de seus livros, por trazer a questão da criança conseguir nomear e traduzir, através do desenho, aquilo que sente.

No livro, ilustrado durante o Inktober de 2016, a Andrea seleciona um sentimento para cada letra do alfabeto (excluindo as letras k, w e y). Conforme avançamos as páginas, podemos ver como a artista interpreta visualmente o amor, o nojo, a preguiça, o zêlo, e assim por diante.

Atividades de leitura e interpretação de texto são comuns nos anos iniciais, então escolhi o 2º ano B para aplicar este projeto, dividido em duas aulas. Na primeira aula aconteceu a leitura do livro. As crianças ouviram a história e puderam ver detalhadamente as imagens, misturando com vivências próprias: sentir medo do escuro, sentir saudades do cachorrinho que faleceu, sentir nojo de barata... Já na segunda aula, separei as letras do alfabeto em folhas coloridas, e recapitulei alguns sentimentos no quadro, para que as crianças tivessem um ponto de partida. Então, distribuí as folhas aleatoriamente (se fosse priorizar por letra do nome ia dar confusão) e a turma começou a desenhar.

Foi um momento muito forte para mim, tanto que não fiz registros fotográficos, como de costume. Conforme ia passando nas mesas, as crianças me contavam um pouco dos seus trabalhos, e em vários momentos me segurei para não chorar. Clique nas imagens abaixo para ver ampliadas e tente interpretar o que cada estudante desenhou:













Cada trabalho é único e carrega muito do universo particular de quem desenhou: a dedicação ao cuidar do bichinho de estimação; a expressão de leveza ao sentir a liberdade; o nojo do caracol; o orgulho da filha ao entregar o boletim para a mãe; o querer uma fatia de queijo; a saudade do ente querido em forma de gotas de chuva, que se transformam em lágrimas; a xenofobia - cada um dentro de uma bolha, sem dialogar.

Muitas pessoas, ao ver esse livro tão simples, mas tão potente em significado, começam a chorar, por diversos motivos. Há quem se emocione, ou lembre uma situação da infância, ou se sinta tocado, de algum jeito. E acredito que isso acabou transcendendo a proposta da atividade em si, e foi parar em outra esfera, a dos nossos afetos. E conseguir tocar outras pessoas desse modo é muito bonito, me deixa com o coração leve.

Às vezes, dentro da escola, passamos por situações de conflito que poderiam ser resolvidas mais facilmente se os envolvidos conseguissem expressar melhor seus sentimentos. Trabalhar essas questões desde a infância é importante para que, quando adultas, essas crianças possam lidar com situações da vida cotidiana da melhor maneira possível.

Se você gostou desse projeto e quiser guardar os desenhos do 2ºB para inspirar futuros trabalhos, ou até mesmo para admirar naqueles dias em que tudo parece meio nebuloso, faça o download do projeto aqui.

E se você deseja adquirir o livro ABC dos Sentimentos, da Andrea Araújo, mande um e-mail para andreaaraujopp4@gmail.com ou converse com a autora através do Instagram e do Facebook. Também é possível comprar a versão em ebook, na Amazon. Agradeço a Andrea por ter escrito este livro tão lindo, e por ter se emocionado junto comigo, demonstrando um enorme carinho pela turma e pelos desenhos produzidos pelos meus alunos.
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Sala de aula

5 equívocos sobre a aula de artes


Pensando em como a educação vem sendo tratada e o quanto ainda existe de desinformação sobre a atuação docente, decidi escrever esse post, listando 5 equívocos que ainda existem sobre a aula de artes, que é a minha praia.

Vale lembrar que tudo o que vou pontuar a seguir é a partir da minha experiência em escola pública periférica, no interior do RS, desde que comecei a lecionar, em fevereiro de 2018. Se você tem experiências diferentes, pode deixar nos comentários.

Essa professora só dá desenho

Talvez este seja o equívoco mais comum entre todos os propagados por quem não conhece a realidade da sala de aula. Desde os anos 1980, quando iniciou o movimento de arte-educação brasileiro, as aulas de artes deixaram de ter um caráter puramente tecnicista e/ou baseado no laissez-faire (livre expressão), para agregar abordagens a fim de construir um conhecimento em arte. Aqui entra a proposta triangular, de Ana Mae Barbosa, focada no conhecer, no fazer artístico e na apreciação estética.

Eu sou uma defensora do desenho, principalmente porque as crianças vêm perdendo este hábito e adiando etapas de seu desenvolvimento gráfico. Não é raro ver estudantes do 1º ano ainda garatujando. Mas atrelado ao grafismo, procuro encorajar as turmas a conhecer sobre história da arte, arte na comunidade, na cultura pop, no vestuário. Levo poesias, clipes, desenhos animados, desafios da internet. E busco, também, fazer com que compreendam o processo e aprendam a lidar com as frustrações da produção.

É uma aula oba-oba

Artes e Educação Física talvez sejam as disciplinas que mais sofram com este rótulo. Muitas pessoas acham que não se faz nada nessas aulas, que é só deixar cada um por si, e não é bem assim. Os professores têm propostas curriculares para cumprir, objetivos de aprendizagem e projetos para executar ao longo do ano. Cada faixa etária tem uma série de competências e habilidades a desenvolver (por exemplo: espera-se que, ao final da alfabetização, as crianças já tenham os conceitos de cores primárias e secundárias aprofundados), e as aulas são planejadas a partir desse panorama, o que nos leva ao próximo tópico.

Professor de Artes não planeja

Apesar de trabalhar "somente" 20 horas em sala de aula, minha atuação não se restringe a essa carga horária. Praticamente todo o tempo que sobra eu estou planejando. Até quando estou no supermercado vem ideias sobre planejamento. Já mostrei até como fazer um plano de aula. Não entro em sala sem meu cronograma e, na escola onde trabalho, toda semana preciso enviar meu planejamento para a gestão.

Artes não está no currículo para tapar buraco, ou pra subir horário quando falta o professor de outra disciplina. É um componente essencial, que perpassa diversas áreas do conhecimento. O artigo Artes visuais e transdisciplinaridade na era da complexidade – uma prática pedagógica continuada traz uma discussão bastante interessante sobre projetos de trabalho transdisciplinares, vale conferir.

Artes não reprova

Sendo componente curricular dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, um estudante pode sim reprovar em artes. O professor faz avaliações como qualquer outro e tem critérios a seguir, que não precisam implicar necessariamente numa nota numérica (isso vai depender do sistema da escola). No meu caso, trabalhando com os Anos Iniciais, faço um parecer trimestral sobre as aulas, que é anexado ao parecer da professora regente da turma. O diálogo com as colegas é constante, a fim de registrar como a turma está se saindo e também para propor projetos em parceria (vide tópico acima).

Artes só serve para fazer "trabalhinhos"

Essa é pra matar. Eu nem vou dizer que tem gente que confunde aula de artes com aula de artesanato, pois seria uma ofensa aos artesãos, que trabalham duro para ter sua profissão reconhecida. Muitos responsáveis esperam que a aula de artes seja aquele momento em que a criança vai sentar e fazer algo "utilitário", seja uma caixa decorada, um pote, um vaso de plantas, e não é bem assim.

Aquele é um momento de criação, de contato com a cultura, de fruição estética, de reflexão e debate, e nem sempre vai gerar um "produto". Muitos alunos curtem bem mais o processo do que o resultado final. Outros tantos aprendem a reconhecer a beleza do seu resultado dentro do próprio crescimento adquirido em sala, e não em estereótipos pré-determinados pela sociedade sobre o que é belo.

Por isso, esperar que a aula gire em torno de datas comemorativas ou de temas que possam resultar numa produção seriada de itens decorativos é limitar o alcance do conhecimento em arte.

Acredito que combater estes equívocos é um passo importante para a valorização docente e também das áreas criativas, de maneira geral. Entender o papel dos artistas, dos designers, dos atores e cantores, tudo isso contribui para uma sociedade que acolhe estes profissionais e entende a importância da cultura no desenvolvimento humano.

Acompanhe mais reflexões docente na categoria Sala de Aula.

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Créditos das imagens: Mika, Steve Johnson, Alex Jones, Milan Popovic, Rhondak Native Florida Folk Artist e Fabian Bachli, via Unsplash.
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Sala de aula

Como monto meus planos de aula + freebie

A gata professora

Alguns dias atrás abri uma enquete lá no Instagram, pedindo para que mandassem sugestões sobre assuntos relacionados à docência em artes. E uma das maiores dúvidas diz respeito aos planos de aula: como fazer, o que abordar, como executar. 

Por isso, resolvi compartilhar como eu monto meus planos de aula, além de disponibilizar um modelo, pronto para download. Claro que é a minha experiência, e não uma receita pronta. Existem passos que podemos seguir, mas não uma regra fechada, um tem-que-ser de um jeito ou outro.

O que é um plano de aula?

Plano de aula é uma espécie de roteiro, no qual o professor vai especificar tudo o que será abordado durante uma aula. Contém informações sobre conteúdos, atividades, avaliação, métodos, referências, etc. Também pode ter a forma de um projeto de trabalho, contendo uma ou mais aulas, ou até mesmo um mês ou bimestre inteiros.

O que colocar no plano?

Embora não exista uma receita pronta, alguns elementos aparecem de praxe em planos de aula, tais como: data ou período de realização da aula, temática, conteúdos abordados, objetivos da aula, metodologia/sequência de atividades, recursos e avaliação. Essa estrutura básica permite que o professor não só tenha clareza do que abordar, como também organize melhor seu material, agende espaços da escola (se necessário), prepare recursos de apoio e, sim, estude! Porque, para mim, é imprescindível que, munido do plano de aula, o professor estude o tema e busque amparo bibliográfico para a aula. 

Como estruturar o plano de aula?

Os meus planos de aula são organizados da seguinte forma:

  • Data (período de realização da aula);
  • Tema (assunto trabalhado);
  • Conteúdos (baseado nos objetivos de aprendizagem, o que vai ser pontuado dentro do tema);
  • Objetivos (o que eu quero com aquela aula);
  • Sequência de atividades (como vou executar aquela aula);
  • Recursos (o que eu preciso para realizar a aula);
  • Avaliação (ao final, o que espero que os alunos aprendam com a aula).

É sempre assim? É. Sou muito caxias com meu planejamento, pois dedico muitas horas além da hora atividade para realizá-lo. Tenho um caderno onde elaboro as semanas (dá para ver na imagem, a Luna está deitada em cima dele), além de uma agenda tipo planner, que me dá a visão de toda a semana de aulas, e onde anoto a sequência de atividades por turma. Faço tudo de maneira analógica, pois me concentro melhor do que na frente do computador.

Dicas extras:

→ Tenha uma agenda como a que mencionei acima. Ela ajuda a dar um panorama da semana e das atividades que precisam ser realizadas. Meu modelo é este aqui, mas dá pra procurar modelos gratuitos para baixar, ou fazer sua própria agenda. O importante é se organizar;

→ Faça um checklist das coisas que precisa levar para a aula (pendrive, papéis, revistas, etc.), isso evita esquecimentos e perrengues de última hora com equipamentos;

→ Procure manter-se à frente, planejando o mês inteiro, ou os próximos 15 dias. Assim, você mantém a sequência de atividades num ritmo bom, vê onde as turmas estão com dificuldade e tem mais folga para fazer alterações ou replanejar uma aula;

→ Anote alterações no seu plano. Por exemplo: uma discussão que durou mais tempo que o planejado, ou uma proposta dos estudantes que não estava prevista, mas você achou legal executar. Isso ajuda a ver o quanto suas aulas são dinâmicas e o quanto você consegue se adaptar. Lembre-se: flexibilidade deve ser a palavra-chave de um planejamento, ele é o ponto de partida, mas nem sempre o de chegada;

→ Prepare-se para DAR RUIM. Porque uma coisa que a vida docente tem me ensinado é que nem tudo sai sempre como planejado, e precisamos manter a calma nessa hora. Você pode ter preparado uma aula linda, interativa, cheia de materiais legais e: o equipamento pifa, os alunos não levam material, você sente dor de barriga, chove e não vai ninguém, aparece uma demanda de última hora ou, simplesmente, a turma não está na mesma sintonia que você e não absorve o conteúdo da aula. É normal e acontece com todo mundo, bola pra frente.

Freebie

E para ajudar você, que está passando por algum perrengue, ou está em estágio ou entrou nesse negócio da docência agora e encontra-se arrancando os cabelos, preparei um modelo dos meus planos de aula (inclusive dei essa aula na semana passada), para você baixar e se guiar. É SÓ UM GUIA. Use como ponto de partida para sua prática e adapte às suas necessidades. Lembre-se de que não existe uma regra ;)

Download do arquivo aqui


Espero ter ajudado quem sente dificuldades na questão do planejamento de aulas e, assim que outras dúvidas forem surgindo, faço mais postagens.

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Livros Sala de aula

Livros que me auxiliam no planejamento das aulas


Para compensar a bad vibe do último post (consegui resolver o assunto, mas não sem muito estresse envolvido), quero falar sobre alguns livros que estão me ajudando muito no planejamento das aulas de artes. Ministrar aula para crianças demanda disposição para oferecer atividades lúdicas, que elas sintam prazer em realizar. Por isso, investi em alguns títulos que trazem ideias e recursos, além do conteúdo propriamente dito. É claro que, na maioria das vezes, a realidade da escola pública oferece limitações, principalmente em relação a materiais mais caros, mas tudo é adaptável. 

300 Propostas de Artes Visuais

O título já entrega o que o livro oferece: são 300 atividades envolvendo desenho, pintura, colagem, sucata, escultura, dentre outros. Como disse anteriormente, tem coisas que não se aplicam à realidade da escola pública, é preciso adaptar. Mas o importante é ter uma fonte confiável para buscar essas propostas, principalmente quando queremos tocar num assunto e não sabemos muito bem como conduzir. Por exemplo, quando trabalhei Idade Média, usei uma das atividade de desenho para introduzir o que era díptico e tríptico.


A História da Arte

Um livro que me acompanha desde a faculdade, e que vale o investimento (esta é a versão pocket, mais barata). O Gombrich ainda é um dos autores de maior prestígio no que diz respeito à história da arte, por isso, sempre estudo os capítulos referentes à aula que vou ministrar antes de dar qualquer informação para os estudantes. Um bom título sobre história da arte auxilia não só no planejamento das aulas, como também no projeto pedagógico anual e em projetos menores, que podem ser desenvolvidos ao longo dos semestres.

História Ilustrada da Arte

Este calhamaço foi adquirido por causa das imagens. Aula de artes sem imagens não dá! As crianças sentem curiosidade sobre a textura, tamanho das obras, querem saber mais sobre os artistas. Embora eu retire muita imagem da internet e apresente na mídia virtual, o livro tem uma fisicalidade que faz diferença na compreensão do que está sendo mostrado. Também traz algumas curiosidades sobre artistas e períodos.

Arte para Crianças

Meus alunos simplesmente amam esse livro. Ele tem um formato maior e cada período/obra de arte traz um contexto muito interessante, repleto de curiosidades. Também há pequenas imagens mostrando a proporção das obras em relação às crianças, e isso é muito interessante para usar em aula, ajuda no sentido de dimensão espacial. Dá ênfase para a arte produzida fora da Europa e pelos povos originários, o que já é uma vantagem em relação a outros títulos semelhantes.

Meu Livro de Artes

A proposta deste é bastante semelhante ao anterior, com a diferença que traz várias atividades que podem ser aplicadas com as crianças. Já fiz algumas delas como, por exemplo, as máscaras africanas. Novamente, vai do professor adaptar o conteúdo à sua realidade. Se não dá pra fazer com o material indicado no livro, procure na sua escola algo equivalente ou teste maneiras novas de realizar a tarefa. O legal deste título são as releituras, que podem servir como recurso lúdico para as crianças entenderem as obras.

O que um livro precisa ter para ser um bom suporte no planejamento das aulas?


  • Informações confiáveis. Tem muita coisa esquisita, pra dizer o mínimo, em várias coleções pedagógicas e também em sites. Referência é tudo;
  • Inclusão da arte produzida por mulheres, afinal, estamos em 2018;
  • Se afastar do eurocentrismo e trazer obras e atividades relacionadas aos povos originários das Américas, da Ásia, da Oceania e da África. Isso também é o mínimo que um livro de artes deve oferecer em 2018.
  • Sobre arte brasileira, existem ótimos títulos da Katia Canton voltados especificamente para crianças, que falarei mais adiante.

Lembrando que todas as informações deste post são baseadas na minha experiência docente, que não é a única, nem a certa, nem a errada. É apenas uma experiência, dentre tantas outras. Se você também tem alguma sugestão de livro, pode deixar nos comentários.

Photo by Alisa Anton on Unsplash
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Sala de aula

Como tem sido a experiência docente


Disclaimer: Neste post vou preservar as identidades dos estudantes por motivos éticos, apresentando imagens que não mostrem seus rostos.

Sempre que posto alguma foto referente à escola nas minhas redes sociais, vem uma leva de pessoas perguntar como tem sido a experiência docente, e também deixar recados muito carinhosos, que certamente fazem a diferença no meu dia-a-dia de pessoa ansiosa, que acha sempre que está indo pelo caminho errado.

Trabalhar com crianças pequenas tem sido extremamente diferente de tudo o que já vivi (e olha que tenho bastante história pra contar). Elas são muito receptivas à arte e descobrir coisas novas, sejam materiais, lugares, conceitos, e também muito antenadas no que acontece nas plataformas virtuais, nos super heróis e músicas do momento. Por isso, tento sempre integrar as atividades com o cotidiano delas, sem deixar de apresentar coisas novas e histórias das regiões do mundo que estamos estudando.

Minha base de trabalho é a história da arte pois, a partir dela, é possível contemplar os objetivos de aprendizagem disponibilizados para as escolas, e também oferecer repertório visual diversificado, abrindo bastante margem para as atividades gráfico-plásticas. Tento sempre focar no desenho, que é minha área nativa, pois uma das coisas não tão legais que notei logo no início é que as crianças têm desenhado pouco. 


Uma das primeiras atividades que fiz foi a produção de um retrato e um autorretrato (acima), não só para trabalhar observação e imaginação, como também para despertar o respeito pelas diferenças e pelo espaço dos colegas. Antes de entrar no estudo da história da arte propriamente dito, fiz uma introdução de conceitos básicos como memorização, dimensão espacial, sentido de direção e também elementos básicos da linguagem visual. 



Nas imagens anteriores, alguns trabalhos sobre pintura rupestre, desenvolvidos pelas turmas de 1º ano. A foto que abre esse post é da aula sobre máscaras africanas, que fiz com o 3º ano. A turma confeccionou máscaras em papel kraft, recortes de revistas, barbantes, lã e lantejoulas.


Aqui, eu no Dia Nacional do Livro Infantil, representado a Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo hahaha. Foi um dia muito divertido, várias professoras encarnaram personagens de Monteiro Lobato, e eu pude me realizar ao entrar com a trilha sonora da sensacional Cássia Eller! Acho que as crianças passaram uma semana me chamando de Cuca hehehe...

Eu vou criar uma categoria específica para assuntos relacionados ao ensino de Artes, chamada Sala de Aula. Por enquanto, queria só matar a curiosidade de quem sempre pergunta pelas aulas, mas aos poucos quero sistematizar postagens de ajuda, como planos de aula e atividades para quem ministra aulas para Educação Infantil e Anos Iniciais. Tem muito material bom para os Anos Finais e Ensino Médio, mas senti bastante dificuldade em relação aos pequenos, por isso, quero usar minha experiência para montar um pequeno repositório para ajudar outros(as) professores(as).
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