Notas sobre podcasts

Embora eu tenha trabalhado na área de EaD e tecnologias por anos a fio, sempre me considerei uma pessoa analógica para muitas coisas, até mesmo para o mundo virtual. Uma prova disso é eu não abandonar o hábito de blogar, de sentar e escrever, de editar HTML, de manter esse espaço mesmo quando todas as pessoas insistem em dizer que blogs morreram (spoiler: não morreram, nem vão morrer tão cedo). Minha relação com livros, com a arte tradicional (lápis, pincel, tinta), tudo numa confluência para inserir o analógico dentro do digital. Então eu demorei um pouco para entrar na cultura do podcast.

Comecei no final do ano passado, acompanhando alguns podcasts de true crime e terror, até que, durante a pandemia, fui convidada pela Suellen Rubira para fazer a arte e participar de alguns episódios do We can be readers. Vou deixar todas as minhas participações embedadas aqui:

E na função de participar do Readers, acabei tomando contato com o Anchor, software que a maioria dos podcasters usa para editar e distribuir seus programas. Então, quando chegou a hora de retomar o ensino através de atividades remotas (e, embora eu tenha todas as ressalvas do planeta, e ache que MUITA coisa nisso está errada), logo pensei em gravar pequenos áudios com o conteúdo das aulas. Assim, eu conseguia ao mesmo tempo me aproximar das turmas, e facilitar a entrega dessas aulas, através de um rápido áudio compartilhado via Whatsapp.

E foi aí que nasceu o Lidycast... são só as minhas aulas de artes, super específicas para o momento e para as turmas que atendo. Mas que podem servir como inspiração para outros professores, já que gravar um áudio é relativamente mais fácil do que gravar um vídeo, e demanda menos tempo de preparo.

Com o plano de aula em mãos, eu crio um roteiro com absolutamente tudo o que vou falar, tomando o cuidado de não ultrapassar 5 ou 10 minutos de áudio. Os primeiros foram mais espontâneos, mas agora roteirizo tudo para não me perder e evitar interrupções e vícios de linguagem. Gravo diretamente do celular, pelo próprio Anchor e, depois de finalizar o áudio, acrescento uma das músicas de fundo da biblioteca do aplicativo. Tudo muito simples e intuitivo. Claro que é possível incrementar o áudio, fazer recortes e edições elaboradas, mas como recurso didático em tempos de pandemia, é desse jeito simplão que tenho conseguido dar conta do que preciso fazer. 

E, assim como em outras áreas, a gente só pega o jeito de fazer podcast ouvindo bastante podcast. Só assim para entender a linguagem, como manter o ritmo, e como desenvolver uma relação com o ouvinte. 

Hoje já consigo enxergar o podcast como recurso extra, quando as aulas presenciais retornarem. E quem sabe, no futuro, poder criar um programa para falar de outras coisas também. Tudo o que não consegui fazer com o vídeo (meu canal morto no YouTube é a prova disso), está se mostrando bastante possível através do áudio. Claro que não vou abandonar o blog por conta disso, só acredito que são coisas que vão se encontrar em algum momento.

Se você é docente e está se desdobrando com atividades remotas, pense na possibilidade de gravar um podcast (caso tenha condições para isso). É um recurso que cativa especialmente os adolescentes. E me conquistou pela maneira como eu poderia me colocar mais humanamente para a turma, sem precisar de um aparato de câmera, iluminação, cenário, pós-produção. Participar do Readers também foi fundamental para entender o feedback desse meio.

Independentemente da proposta, o importante é curtir o que se faz, e eu amo ser professora, apesar de todas as dificuldades que são impostas a nós. Aproveito para indicar o canal da Patrícia Pirota, com dicas de organização e planejamento para professores.

Nota: embora o objetivo do post seja contar a minha experiência com o podcast e compartilhar isso com outros colegas professores, e também como mencionei num parênteses, nada disso tira meu sentimento de indignação sobre como tem se tocado o barco da educação no Brasil, desconsiderando o fosso de desigualdade que só aumenta com a adoção do "ensino remoto". 

Photo by Elice Moore on Unsplash

Comentários

  1. Fantástico!
    Não tinha pensado nessa possibilidade do podcast como ferramenta. Obrigado pelas dicas!

    E obrigado por essa nota final. A gente precisa de gente expressando essa indignação.

    Abraço.

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    Respostas
    1. Obrigada, Giliard!
      Tem sido uma experiência muito bacana com o 9º ano, eu consigo explicar melhor a atividade falando do que escrevendo.
      Agora, o que estão fazendo com o ensino remoto já são outros 500. Muita desorganização, muita empresa privada lucrando e o buraco da desigualdade social aumentando a cada dia. A evasão ano que vem será em massa. Levaremos gerações para reparar tudo isso, se repararmos...

      Abraços!

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