Lidiane Dutra
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Aquarela Dicas Portfólio

Minha experiência: curso da Isadora Zeferino para o Domestika


Assim que a Isadora Zeferino, uma artista que sigo há bastante tempo, divulgou seu curso para o Domestika, corri para fazer a minha inscrição. Comecei o curso final de maio, mas só entreguei o projeto final agora, pois tive minha mudança no meio, e não gosto de fazer curso de qualquer jeito, só pra constar.



Sei que muitas pessoas ficam com o pé atrás em relação a esses cursos rápidos, mas a minha experiência foi muito positiva. Além do Domestika ser muito intuitivo e fácil de navegar, o preço do curso foi bastante acessível, e a experiência da Isadora me ajudou muito a reciclar conceitos e revitalizar meu trabalho. A seguir, mostro um pouquinho do meu projeto final e conto como foi o curso.


O tema do curso é bem específico: retrato ilustrado com elementos botânicos, e é uma jornada pelo trabalho e pela experiência da própria Isadora. E isso foi uma das coisas que eu mais gostei: ela não inventou nada mirabolante, e buscou na história dela todos os elementos para as aulas. Desde as referências florais, até como montar a paleta de cores e editar a imagem para as redes sociais, é tudo muito particular e bonito de ver. Ela foi muito carismática em todas as aulas e de uma humildade que, convenhamos, anda em falta.



O curso é dividido em módulos, e vamos caminhando desde a busca por referências, a estilização do traço, composição, peso e hierarquia, montagem da paleta e desenvolvimento do projeto. Mesmo com a Isadora trabalhando no digital, consegui acompanhar tudo no papel sem dificuldades. Como falei lá em cima, eu consegui me reciclar ao rever esses conceitos, que vou deixando pelo caminho com o tempo.




Um dos meus maiores medos foi, na hora de fazer o projeto final - o meu retrato, com as minhas referências - que tudo ficasse muito parecido com o que a Isadora faz, e que eu não conseguisse me colocar, visto que não costumo estilizar muito meu traço. Mas fui fazendo tudo no meu tempo, montei a biblioteca visual, consegui enxergar quais plantas são recorrentes nos meus trabalhos, depois quebrei a cabeça montando paletas no Coolors, e talvez essa tenha sido a maior dificuldade, pois vou muito na intuição, não costumo pensar nas cores com tanta antecedência. Quando chegou a hora de fazer o retrato estilizado, já tinha passado um tempo, eu já havia digerido o que queria ou não, então foi muito fácil e agradável finalizar. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela  Hahnemühle 300g;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Caneta Stabilo azul;
  • Caneta Sakura branca.

Sinceramente, acho que esse foi meu melhor autorretrato até agora (isso que recentemente já havia feito um). Fiquei até pensando em fazer um post revendo todas as vezes que me retratei e o que mudou em cada uma delas. A minha dica para quem quer fazer o curso, não só da Isadora, mas qualquer um disponível em plataformas online é: faça no seu tempo, focando no seu resultado. Esqueça as comparações com os outros, pense em você.
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Dicas Reflexões Sala de aula

Notas sobre podcasts

Embora eu tenha trabalhado na área de EaD e tecnologias por anos a fio, sempre me considerei uma pessoa analógica para muitas coisas, até mesmo para o mundo virtual. Uma prova disso é eu não abandonar o hábito de blogar, de sentar e escrever, de editar HTML, de manter esse espaço mesmo quando todas as pessoas insistem em dizer que blogs morreram (spoiler: não morreram, nem vão morrer tão cedo). Minha relação com livros, com a arte tradicional (lápis, pincel, tinta), tudo numa confluência para inserir o analógico dentro do digital. Então eu demorei um pouco para entrar na cultura do podcast.

Comecei no final do ano passado, acompanhando alguns podcasts de true crime e terror, até que, durante a pandemia, fui convidada pela Suellen Rubira para fazer a arte e participar de alguns episódios do We can be readers. Vou deixar todas as minhas participações embedadas aqui:

E na função de participar do Readers, acabei tomando contato com o Anchor, software que a maioria dos podcasters usa para editar e distribuir seus programas. Então, quando chegou a hora de retomar o ensino através de atividades remotas (e, embora eu tenha todas as ressalvas do planeta, e ache que MUITA coisa nisso está errada), logo pensei em gravar pequenos áudios com o conteúdo das aulas. Assim, eu conseguia ao mesmo tempo me aproximar das turmas, e facilitar a entrega dessas aulas, através de um rápido áudio compartilhado via Whatsapp.

E foi aí que nasceu o Lidycast... são só as minhas aulas de artes, super específicas para o momento e para as turmas que atendo. Mas que podem servir como inspiração para outros professores, já que gravar um áudio é relativamente mais fácil do que gravar um vídeo, e demanda menos tempo de preparo.

Com o plano de aula em mãos, eu crio um roteiro com absolutamente tudo o que vou falar, tomando o cuidado de não ultrapassar 5 ou 10 minutos de áudio. Os primeiros foram mais espontâneos, mas agora roteirizo tudo para não me perder e evitar interrupções e vícios de linguagem. Gravo diretamente do celular, pelo próprio Anchor e, depois de finalizar o áudio, acrescento uma das músicas de fundo da biblioteca do aplicativo. Tudo muito simples e intuitivo. Claro que é possível incrementar o áudio, fazer recortes e edições elaboradas, mas como recurso didático em tempos de pandemia, é desse jeito simplão que tenho conseguido dar conta do que preciso fazer. 

E, assim como em outras áreas, a gente só pega o jeito de fazer podcast ouvindo bastante podcast. Só assim para entender a linguagem, como manter o ritmo, e como desenvolver uma relação com o ouvinte. 

Hoje já consigo enxergar o podcast como recurso extra, quando as aulas presenciais retornarem. E quem sabe, no futuro, poder criar um programa para falar de outras coisas também. Tudo o que não consegui fazer com o vídeo (meu canal morto no YouTube é a prova disso), está se mostrando bastante possível através do áudio. Claro que não vou abandonar o blog por conta disso, só acredito que são coisas que vão se encontrar em algum momento.

Se você é docente e está se desdobrando com atividades remotas, pense na possibilidade de gravar um podcast (caso tenha condições para isso). É um recurso que cativa especialmente os adolescentes. E me conquistou pela maneira como eu poderia me colocar mais humanamente para a turma, sem precisar de um aparato de câmera, iluminação, cenário, pós-produção. Participar do Readers também foi fundamental para entender o feedback desse meio.

Independentemente da proposta, o importante é curtir o que se faz, e eu amo ser professora, apesar de todas as dificuldades que são impostas a nós. Aproveito para indicar o canal da Patrícia Pirota, com dicas de organização e planejamento para professores.

Nota: embora o objetivo do post seja contar a minha experiência com o podcast e compartilhar isso com outros colegas professores, e também como mencionei num parênteses, nada disso tira meu sentimento de indignação sobre como tem se tocado o barco da educação no Brasil, desconsiderando o fosso de desigualdade que só aumenta com a adoção do "ensino remoto". 

Photo by Elice Moore on Unsplash

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