Meu autorretrato versão 2020


Retrato e autorretrato é uma das atividades que mais peço para meus alunos. Gosto da dinâmica, principalmente com os pequenos, de reconhecer as particularidades dos amigos, aquilo que nos torna únicos, seja um sinal, a cor dos olhos, o jeito de pentear o cabelo. Só que eu mesma não costumo me autorretratar muito, tanto que fujo dos meet the artist na grande maioria das vezes. Tenho tendência a ressaltar todos os pontos negativos do meu rosto, principalmente a falta de simetria.

Porém, como (ainda) estou fazendo o curso da Isadora Zeferino, cujo foco é no retrato estilizado, resolvi fazer alguns estudos extra-classe para me familiarizar com a ideia. Esse retrato acabou sendo catalisador de muitos sentimentos: me olhar com mais carinho, reduzir minha paleta de cores definir um novo avatar para as redes e, talvez, me despedir do meu quarto e do lugar que por tantos anos foi meu ateliê, visto que estou de mudança, já com várias coisas encaixotadas. Queria que essa despedida fosse num tom olha só tudo o que me tornei aqui, um agradecimento, uma lembrança feliz.


Como mencionei acima, um dos objetivos era reduzir minha paleta de cores o máximo que pude, e acredito ter conseguido. Trabalhei com verde, vermelho e marrom, e fui variando entre tons mais quentes e mais frios. Também trabalhei muitos detalhes com a própria aquarela, somente no rosto que usei caneta para delinear, além dos detalhes metalizados. Somente para o sombreado usei roxo, voltarei nesse ponto mais adiante.


Eu também queria que as folhas e flores estivessem no meu cabelo, mas nada muito incorporado/ emoldurado. Preferi guardar essa ideia para o projeto final do curso mesmo. Tudo o que pude resolver somente com a tinta, tentei resolver, e acho que estou indo por um bom caminho. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Moulin DuRoy 300g, grana fina;
  • Aquarelas Van Gogh e pincéis Keramik pelo sintético;
  • Multiliner Derwent na cor sépia e marcadores metálicos Sakura, Posca e Cis.


Esse sombreado roxo fiz depois de ter terminado praticamente toda a pintura e fez muita diferença. Geralmente eu faço a marcação dos valores com roxo, mas dessa vez optei por deixar marcado só com grafite, pintar normalmente e, por fim, fazer o sombreamento nas áreas que acho mais interessantes. Também deixei mais linhas e pontos de luz no rosto, e gostei muito de como ficou.


Os detalhes da granulação da tinta também ficaram muito interessantes, assim como o dourado da caneta. Fico feliz por ter feito as pazes com o scanner e conseguir obter esses resultados. Quem me segue por aí já pode ver o avatar em ação.

Apesar de não ter escrito nada no blog durante o mês de junho, fiquei bem ativa nas redes sociais e em outras plataformas. Criei uma nova conta no Twitter (mas mantive o mesmo user), pois queria voltar a compartilhar minhas artes de maneira aberta, e também recuperei o user antigo para o Instagram, e estou com uma conta só por lá. 

Também participei de dois episódios do podcast We can be readers e amei a experiência, principalmente pelo fato de falar sobre literatura, que tanto amo. O primeiro foi sobre Amanda Palmer e o livro A arte de pedir, e o segundo foi sobre Neil Gaiman e O oceano no fim do caminho

Da próxima vez que voltar com algum trabalho, talvez já seja na minha nova casa. Até lá, vou tentar me manter ativa pelo menos nas redes sociais e, quem sabe, tirar vários posts opinativos do modo rascunho.

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