Lidiane Dutra
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Aquarela Featured Portfólio

O Ano da Serpente 🐍

 


Hoje começa oficialmente o Ano da Serpente, no horóscopo chinês. Hoje também é o primeiro Deipnon do ano, segundo o calendário hekatino (algumas bruxas consideraram o dia de ontem), momento de purificação mensal dedicado a Hekate. 


A serpente, no horóscopo chinês, é sinônimo de sabedoria, intelectualidade e perspicácia. A serpente também é um animal regido por Hekate, e aparece em sua simbologia nas mais diversas formas: enrolada em sua cintura, em seus cabelos ou numa das mãos da Deusa.


Para a autora Courtney Weber: "A imagem da serpente representa os poderes de Hécate no submundo. As serpentes sagradas são a marca de um espírito ctoniano (presente no submundo) (...) A imagem de Hécate segurando as serpentes também pode sugerir uma natureza protetora." (Hécate: origens, mitos, lendas e rituais da antiga deusa das encruzilhadas, p. 61) 


Os epítetos ligados à serpente, de acordo com Márcia C. Silva, são: Drakaina (serpente-dragão); Ophioplokamos (com cachos encaracolados/ enrolados com serpentes); Oroboros (a que come a cauda); Speirodrakontozonos (rodeada por espirais de serpentes); Zonodrakontos (coberta de serpentes, entrelaçada com serpentes) (Bruxaria Hekatina, p. 91).


Ainda, nas religiões de matriz africana, as serpentes estão associadas aos Exus e Pombagiras, entidades da linha de esquerda (encruzilhadas, cemitérios e espaços liminares). E é na interseção de todas essas simbologias que concebi essa cigana/bruxa/Pombagira de olhar lânguido, oblíquo e dissimulado, com seus cabelos enrolados, suas rosas vermelhas e perpassada por uma serpente dourada de energia. É importante esclarecer que faço sempre uma pesquisa cuidadosa, com muito respeito e em conexão com o que acredito, não um trabalho qualquer para ganhar engajamento em cima da fé alheia.




Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Harmony Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis da Shein;
  • Marcadores Nanquim Pentel;
  • Marcador dourado Faber-Castell.


No início do ano, me senti compelida a comprar um anel de serpente, não sosseguei até encontrar um, que agora vive no meu dedo. Desde o ano passado, tenho investido em joias apotropaicas, que são aquelas que nos protegem das forças malígnas, danos físicos e espirituais e mau-olhado. É o famoso amuleto. Na exposição Trívia, coloquei um sigilo de Hekate Apotropaia para proteger meus trabalhos, atrás da moldura do release.  

E sobre trabalhos novos, embora janeiro tenha sido um mês muito produtivo, a partir de agora quero focar em estudar algumas coisas, portanto, talvez não apareça aqui com tanta frequência para mostrar trabalhos novos. Vou me dedicar a esses estudos, na medida do possível, e nos próximos passos profissionais que darei na minha jornada docente.

Até! 🐍

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Pampa Encantado

 


Pampa Encantado é uma estampa autoral que criei em aquarela para a marca rio-grandina Pé de Corticeira. Eu já tinha feito outra ilustração para a Karine, para o aniversário da filha dela, um mapa mundi cheio de animais em cada continente, um trabalho que gosto demais. E dessa vez ela me chamou para criar uma estampa com elementos mágicos ligados a personagens e lugares típicos do Rio Grande do Sul.


Assim, nasceu uma fada corticeira, um gnomo gaudério tomando chimarrão, um sorro dorminhoco e um quero-quero, todos à sombra da corticeira, árvore nativa daqui. 




Colaboramos bastante em relação às ideias, precisava ser uma ilustração infantil, lúdica, e a Karine foi me dando o direcionamento sobre como queria os personagens. Quem quiser adquirir uma camiseta com essa estampa é só entrar em contato através do Instagram Pé de Corticeira, e ver os tamanhos disponíveis.


Eu criei uma loja na plataforma Nuvem e estou tentando criar um subdomínio bonitinho, que converse com o domínio do blog, mas estou apanhando hehehe. Por enquanto, o endereço para acessar a loja é lidydutra.lojavirtualnuvem.com.br, mas se mudar eu atualizo nos demais espaços linkados aqui na página. Lá é possível encontrar postais, prints e originais.

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Reflexões

Como tem sido participar de feiras (uma reflexão)


Tem sido louco (sobem os créditos).


Brincadeiras à parte, tem sido um verdadeiro exercício de desprendimento de tudo que eu acreditava já saber sobre meu próprio trabalho e sobre como o público enxerga e consome arte. E esse exercício tem me desacomodado um bocado, e me feito recalcular rotas que pareciam já estar estabelecidas.

Background

Eu vim da loja online e da comissão. Durante anos, tive lojas nas mais variadas plataformas, comecei lá nos concursos de estampa do Camiseteria e depois migrei direto pro Society6, um site internacional que me ajudou a vender demais, principalmente na época das Catrinas. Tem gente em todas as partes do mundo com produtos com essa estampa, acho isso sensacional. 

Depois, arrisquei em espaços nacionais, como a Urban Arts, que foi muito boa até exigir exclusividade das artes e eu optar por sair fora (eles tinham lojas físicas pelo país também) e outros sites menores, como Vandal e Vitrinepix. Até que cheguei na minha colaboração mais longa, com a Colab55, que tinha um formato muito parecido com o Society6, mas que com o tempo se mostrou inviável por conta do frete. Vale lembrar que nesse meio tempo ainda tive apoiadores pelo Padrim (pior experiência do planeta) e segui com comissões de tudo um pouco.

Em 2018, tive minha primeira nomeação em concurso público (a segunda foi em 2020), e tomei uma decisão:  já que eu tinha como pagar minhas contas e me sustentar com meu salário de professora, eu ia canalizar através da arte inteiramente a minha visão pessoal de mundo, dar vazão aos projetos engavetados e não me importar mais em pegar qualquer trabalho para fazer, nem em ficar divulgando loja ou produtos. E foi assim até o ano passado, quando decidi voltar a aceitar encomendas muito selecionadas, daquelas que eu olhasse e dissesse: poxa, isso aqui vale a pena.

Ou seja, passei os últimos anos totalmente abstraída de que poderia gerar um produto com uma arte minha, ou vender um original. Quando aconteceu o primeiro convite para participar de uma feira, nem pensei em nada disso, só fui na cara e na coragem para pintar ao vivo e me desprender de um medo interno que era produzir na frente de um grupo de pessoas.

voltando para o presente

Já para a segunda feira, decidi dar um passo além. Ao observar os demais expositores, vi que poderia ser uma oportunidade não só de mostrar meu trabalho, como também oferecê-lo ao público através de alternativas mais baratas, como os prints, que já eram muito conhecidos por mim do tempo das lojas online.

Acabei fazendo um investimento em prints tamanho A4, A5 e A6, e ainda alguns originais menores. Comprei expositores para apresentar esses trabalhos de uma forma melhor e também embalagens. Mandei fazer um carimbo com a minha marca, e durante todo esse percurso vieram as dificuldades com fornecedores, correios e tudo o mais. Mas esse investimento não foi algo financeiramente inviável: foi bastante calculado e que poderia ser resgatado a curto, médio ou longo prazo. E assim fui para a minha segunda participação em feira, ainda pintando, mas também vendendo.

a reação do público

O que pude perceber foi um choque muito grande entre a minha visão e a das pessoas. Não digo apenas sobre arte em si, mas sobre tudo: sobre o que é um produto artístico, sobre apresentação desse produto, sobre significado desse produto... foi uma queda no vale da estranheza (não estou dizendo que isso é ruim).

No começo, as pessoas nem paravam na minha banca. Quando começaram a parar e expliquei do que se tratava, muitos olhavam com aquela expressão de que interessante, mas logo seguiam seu caminho. No geral, a maioria não sabia o que era um print e precisei explicar que é uma impressão de boa qualidade. Quem já me conhecia chegou na banca e comprou. Mas quem estava ali passando me via meio que como um corpo estranho, tentando decifrar a utilidade.

Também aconteceu muito de perguntarem o significado das obras. E aqui vem um sentimento que me pega de jeito de vez em quando: estar cronicamente online, registrando e catalogando meu processo criativo, seja aqui no blog ou nas redes sociais, não quer dizer que as pessoas vão internalizar sobre o que se trata, pois a grande maioria está apenas vivendo sua vida, e não há nada de errado com isso.

Conclusão (por enquanto)

Embora eu tenha vendido um pouco, fica a sensação de que eu preciso construir uma ponte com o público presencial desses eventos se quiser continuar participando deles. Seja explicando o que é um print, por que um original é caro, do que se trata o tema da obra, qual a diferença entre baixar uma imagem da internent e imprimir ou gerar uma imagem de IA e comprar de uma artista.

Vejo esses espaços como lugar pra fazer uma renda extra, para me apresentar regularmente ao público da minha própria cidade e para criar conexões. Sem paranoia, sem pressão de vender tudo o que apresento. E aqui falo isso com total respeito aos expositores que participam de eventos regularmente e preciam manter uma constância de vendas. O meu lugar é o de uma pessoa que tem seu emprego formal e que também é artista, e quer um espaço para educar o público para a arte e, consequentemente, vender o que produz. 

Então, participar de feiras e eventos vem muito nesse sentido de educar, de formar público, de dizer que arte rio-grandina não é só sobre a cidade, mas também pode ser uma deusa, também pode ser abstrato, também pode abrir outras possibilidades. E vender também.

Por ora, o investimento inicial foi feito e vou jogar com isso para os próximos eventos, e talvez apresente outras formar de fazer arte ao vivo, seja desenhando no tablet, ou com uma oficina. Também não pretendo participar de todos os eventos que surgirem, pois preciso conciliar com meus projetos pessoais e dar tempo para pensar no que expor numa próxima vez.

Acho que era isso, fico aliviada de poder colocar pra fora esse caos criativo que se instalou dentro de mim nos últimos tempos. Sigam me acompanhando para ver por onde ando e como estou me saindo.
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