Lidiane Dutra
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Reflexões

Harmonia


Há dois anos atrás gravei um vídeo (fora do ar) para responder à tag Meet The Artist e, lá pelos 2:30min, surge a pergunta: qual é meu maior sonho? A resposta é estabilidade financeira.

Desde o dia 9 de fevereiro posso dizer que, finalmente, consegui concretizar esse sonho, que veio acompanhado de uma mudança radical na minha vida. Fui nomeada para um concurso que fiz em 2014, para o magistério municipal. A partir de agora, sou oficialmente professora de Artes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Desde que o anúncio da nomeação saiu, no final de janeiro, cada dia é um plot twist diferente: muitos exames, documentos, autenticações, filas de espera, problemas de última hora, choro e alegria.

Se estou com medo? Claro. Mas resolvi me jogar de cabeça, com medo e tudo. Acredito que é muito melhor entrar nessa roleta russa de ansiedade e dúvidas e esgotar todas as minhas possibilidades, do que ficar eternamente arrependida de nunca ter tentado. Essa semana encerro meu ciclo no emprego que me acolheu nos últimos seis anos, e embarco nessa jornada inesperada, assim como aquela que Bilbo Bolseiro nem sonhava em participar um dia.


E para completar as reviravoltas de dar inveja a qualquer novela mexicana, na madrugada da quarta-feira de cinzas abandonaram uma linda gatinha preta na porta da minha casa. Claro que ela foi acolhida, alimentada, levada ao veterinário e agora faz parte da família, recebendo todo mimo, cuidado e amor do mundo. Seu nome é Luna (em homenagem à gatinha da Sailor Moon) e é meu xodó, dorme ao meu lado e é a grande responsável pelo aumento considerável das minhas olheiras hehe.

E o que muda na minha vida de ilustradora? Nadica de nada. A programação continua normal por aqui e as encomendas estão abertas, assim como meu studio na Colab55. Claro que, nas últimas semanas, em decorrência de tudo o que aconteceu, minha rotina sofreu uma super alteração, ando bastante cansada e resolvendo todas as pendências possíveis, por isso a produção e os estudos caíram. Talvez eu só volte ao ritmo 100% normal após o primeiro mês de aula, pois agora vêm os planejamentos, pesquisa e tudo o mais que envolve a docência.

Também pretendo criar uma categoria aqui no blog, chamada Sala de Aula, na qual quero contar sobre alguns projetos que eu venha a desenvolver com as crianças, no intuito de ajudar outros profissionais da área, já que achei bem difícil encontrar conteúdos para professores de arte que lidam com os pequenos. Por enquanto, é só um querer que estou acalentando, mas espero tirar do papel.

Para marcar essa fase, criei a peça que abre essa postagem, e que batizei de Harmonia. Eu estava há alguns dias sem desenhar, e queria fazer uma ilustração para descansar, e que passasse uma ideia de fofura e tranquilidade, inspirada pelos trabalhos da Juliana Rabelo, Malena Flores, Sabrina Eras e Dessamore, que são mestras no estilo cute. E harmonia é tudo o que quero, assim como tranquilidade, contato com a arte, com a natureza (pretendo utilizar minha formação em Educação Ambiental para trabalhar esse tema com as crianças) e muita felicidade e inspiração.

Materiais utilizados na ilustração: papel kraft Canson XL; lápis grafite Derwent Graphic 2B, EcoLápis Super Soft Faber-Castell; brushes para aquarela do Photoshop.

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A Redoma de Vidro (The Bell Jar)


TRIGGER WARNING: esta postagem fala sobre o livro A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath, e contém relatos sobre depressão, que podem desencadear gatilhos emocionais. Prossiga com cautela. ❤️


Na última semana terminei a leitura de A Redoma de Vidro (The Bell Jar), livro da autora norte-americana Sylvia Plath, uma obra que sempre tive muita vontade de ler e estava na minha estante há bastante tempo, mas que me deixava com um pouco de receio, por conta do teor da narrativa. O livro conta a história de Esther, uma jovem estudante universitária que, de repente, descobre-se com depressão.

É fácil devorar o livro em poucos dias, mas economizei a leitura para não acabar logo. A escrita de Sylvia é muito poética e de fácil compreensão. Demorei um pouco para simpatizar com a personagem principal, no início achei que ela era uma moça mimada, mas quando percebi estava envolvida no seu relato e em como a depressão mudou completamente sua vida.


Deve haver um bocado de coisas que um banho quente não cura, mas não conheço muitas delas. Sempre que fico triste pensando que um dia vou morrer, ou perco o sono de tão nervosa, ou estou apaixonada por alguém que não verei por uma semana, me deixo sofrer até certo ponto e então digo: "vou tomar um banho quente".

A ideia de ilustrar o livro surgiu das imagens que Sylvia cria para a história. A que mais me impactou foi a da própria redoma de vidro ("bell jar" significa campânula, uma espécie de cúpula de vidro muito usada por colecionadores para proteger e, ao mesmo tempo, colocar em exposição plantas, ossos e artigos de antiquário), seguida pelo banho quente do trecho acima; as "cabeças flutuantes", que é como a personagem vai se referir várias vezes a pessoas que estão ou surgem ao seu redor e também os figos e a figueira.

Resolvi representar a personagem Esther, com sua cabeça flutuante na água turva do banho quente, dentro da redoma de vidro. Além disso, aquarelei dois figos - um maduro e outro seco - para marcar outra passagem importante do livro. Confesso que a imagem final da ilustração me incomoda demais. Mas acredito que se ficasse algo muito fofo ou confortável de se olhar, não faria jus ao texto que a inspirou.  O resultado final fico assim:

Utilizei um papel para aquarela antigo, que veio junto do livro Aquarela: o jeito fácil. Desenhei a campânula usando uma cuia para a parte de cima, e régua para as laterais. Fiz uma grande aguada para a parte do líquido se misturando ao cabelo, e o restante da figura trabalhei com aquarela e lápis de cor. O fundo foi inserido digitalmente no Photoshop.

Materiais utilizados

- Papel para aquarela 180g;
- Aquarelas Cotman;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Polycolor;
- Bruhes de aquarela para Photoshop.

Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim.

Eu via minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde daquele conto.Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.

A Redoma de Vidro é uma leitura densa, porém muito boa, e confesso que depois dela não sei o que ler a ponto de se igualar à experiência que tive. É também um livro que vai acionar muitos gatilhos emocionais para quem sofre de depressão ou ansiedade, até mesmo pela própria história de vida da autora, que cometeu suicídio aos 30 anos, logo após a publicação de sua obra-prima. Portanto, quem é sensível a esses temas, vá com calma.

Deixe nos comentários suas impressões a respeito dessa interpretação visual que fiz do livro, e se você também o leu, conte sua experiência. Da Sylvia Plath, também tenho um livro chamado Desenhos, com uma série de sketches feitos por ela ao longo da vida. Vou deixar aqui o link para a pesquisa de imagens do Google com alguns desses trabalhos.

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Colheita 🌾


Depois de duas semanas bem agitadas, consegui retomar minha rotina de estudos e tirar algumas ideias do papel. Acho que nunca antes na minha vida tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo, e ainda quero escrever sobre isso com calma, assim que a poeira baixar. Aproveitei o momento para me arriscar em dois materiais que não uso com frequência: nanquim e guache, sendo esse último só um pequeno detalhe, mesmo.

Decidi batizar essa ilustra de Colheita porque acredito que a nossa vida é um eterno plantar e colher. Às vezes a plantação é difícil, o processo demora mas, ao final, sempre colhemos aquilo que plantamos. E devido ao momento profissional que estou passando, esse trabalho também representa a colheita de algo que cultivo há anos, com muita dedicação, que é a minha relação com a arte. Agradecimentos especiais aqui a Malena Flores, com quem aprendi a cultivar esses bons sentimentos.



Quem me acompanha já conhece meu processo inicial de trabalho, que consiste em rascunho (que, geralmente, é passado a limpo várias vezes) e, em seguida, a transposição do risco para o suporte final, via mesa de luz. Como tenho um bloco de papel Mixed Media da Canson e preciso gastá-lo, foi o que escolhi para esse estudo, e até que ele se comportou bem com nanquim (muito melhor do que com aquarela). Mas continuo não recomendando esse material, é melhor investir na linha Montval.

Em seguida, separei no godê quatro porções de água e, em cada uma delas, pinguei a quantidade de nanquim necessária para fazer camadas das mais claras até as mais escuras, e também um pouco de nanquim puro para o cabelo. E todo o processo de pintura foi muito igual ao que uso na aquarela, com uma grande aguada, seguida por camadas de transparência até chegar na tonalidade desejada. O ponto principal foi o trabalho com o contraste por valor.


Em seguida, utilizei dois lápis de cor cinzas (um mais escuro e outro mais claro), para fazer o acabamento e reforçar os valores no rosto e nas partes que eu gostaria de destacar a luminosidade, como no ombro, por exemplo. Mas busquei ser bastante econômica nos retoques, tanto no uso de paleta reduzida, como na mistura de materiais para chegar ao resultado que queria. Só utilizei caneta multiliner para fazer o detalhe dos cílios, e caneta gel branca para abrir pontos de luz.

Ao final, achei que faltava alguma coisa nessa figura, já que ela ficou parecendo uma pedra, por isso resolvi colocar as folhagens saindo de sua pele e, para ficar um contraste legal, utilizei guache magenta. Porém, pensando nessa solução e no título que dei, fica uma analogia bastante interessante: mesmo de algo que parece "inanimado" (ou meio xoxo), pode brotar vitalidade e beleza, trazendo harmonia para o conjunto.


Materiais utilizados

- Papel Mixed Media Canson;
- Nanquim Pelican;
- Guache TGA;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Polycolor em tons de cinza;
- Multiliner e caneta gel para detalhes.


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