Lidiane Dutra
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Dicas Projetos

Inktober 2019: o que vou usar e algumas dicas para quem quer participar


Este ano conseguirei participar do Inktober!!! Me organizei bonitinho, para dar conta de fazer um desenho por dia, durante o mês de outubro. Claro que, assim como nos outros anos (e isso é uma coisa que sempre fiz durante o Inktober, não estou roubando), vou criar vários desenhos num dia e ir postando ao longo da semana no Instagram, no Facebook e, ao final de cada semana, aqui no blog.

Uma das minhas prioridades para este ano foi: não gastar com materiais. Não comprei uma caneta adicional sequer, tudo já é velho de guerra no meu ateliê, e será aproveitado até o final. Para não correr o risco de acabar alguma coisa na metade do desafio, fiz uma seleção de canetas que estão em bom estado e sei que ainda possuem bastante carga. O sketchbook também é um dos inúmeros que preciso dar cabo antes de pensar em adquirir um novo.

Neste post, vou detalhar cada um desses materiais, porém, meu objetivo não é fazer uma exposição de produtos e gerar ansiedade para consumo. Vou mostrar coisas que tenho há muito tempo, e irão me ajudar no desafio. Se você não tem esses materiais e deseja fazer o Inktober, não fique chateado. Dá pra desenhar com caneta esferográfica comum, o importante é participar e se divertir, caso você tenha vontade. A seguir, também vou dar algumas dicas para quem deseja se aventurar pelo desafio.


Começando pelo sketchbook, vou utilizar este lindo e macabro caderninho, que veio num kit do livro Para toda a eternidade, da Caitlin Doughty. O papel dele é pólen, fininho, e o marcador passa com tranquilidade para o verso da folha, por isso, tomarei o cuidado de colocar uma folha embaixo, para evitar acidentes. O bom desse sketchbook é que ele tem exatas 32 páginas, dá pra fazer uma capa e os 31 desenhos para fechar todo o caderno, que se transformará num lindo artbook (espero).

Não vou seguir nenhuma lista este ano, assim como nos anos anteriores. Geralmente, as listas não me agradam por completo, me sinto pressionada e ansiosa, por isso, prefiro ir até o Pinterest, pegar várias fotos interessantes e bem na minha zona de conforto, que me trarão segurança na hora de desenhar. E essa é minha primeira dica para quem se sente inseguro em desenhar todo dia: comece por algo dentro da sua zona de conforto, que te dá prazer em desenhar e, se você for se soltando, invista em experimentações. Caso contrário, permaneça ali, na sua zona de conforto, fazendo algo que vai trazer felicidade. Não dá pra fazer os 31 desenhos? Tudo bem, faça quantos puder e sentir vontade. Lembre-se: o desafio é para você, e não para os outros ou para a internet.


Esse conjunto de tons de cinza da Copic foi um dos primeiros que comprei, há cinco anos, e ainda me acompanha. Só a N2 foi recarregada, por enquanto. Claro que as outras estão acabando mas, no momento, não tenho como gastar com caneta, e vou aproveitá-las em detalhes de sombreamento, sem cobrir grandes áreas. Se você não tem Copic, qualquer marcador à base de álcool serve, os da Magic Color tem excelente custo-benefício para quem está começando.


Já deu pra perceber que não vou usar tinta nanquim, pois o papel do meu sketchbook é muito fino. Por isso, peguei o kit mais novo de multiliners que tenho, comprei para o Inktober de 2017. Adoro as canetas Micron, e a que mais uso é a 05, para tudo. Não me incomoda o traço mais grossinho, acho que é uma espessura que me permite fazer muitas coisas de uma só vez.


Para cobrir grandes áreas com tinta preta, recorri a todas as canetas que eu tinha e que poderiam cumprir esta função: um marcador permanente da Faber-Castell, desses para CD; uma brush pen da Pigma, com ponta fininha; a brush pen da Pentel, com ponta mais flexível; e a caneta Sigma da Pentel, com ponta fibrosa, que permite fazer tanto detalhes, quanto cobertura de grandes áreas. Qualquer marcador permanente já serve, e existem opções baratinhas no mercado (como o da Faber, acima).


Para os detalhes, escolhi a caneta Gelly branca da Sakura, que abre pontos de luz, e duas canetas em gel metálicas, uma dourada e outra prateada, que comprei no supermercado e não chegou a custar R$ 5,00 o par. Como já falei acima, é possível fazer o Inktober com material escolar barato, o importante é querer participar e se sentir satisfeito com seu próprio trabalho e empenho. Uma dica bem em conta para quem quer fazer detalhes metálicos e não encontra essas canetas facilmente, é misturar purpurina (não pode ser glitter) com cola branca. Depois de seco, o efeito fica bastante similar ao da caneta, porém um pouco mais opaco.


Por fim, para cada semana escolhi uma cor dominante. Essa cor vai aparecer em detalhes e preenchimentos, e vai me ajudar a dar o tom daquela semana. Como já falei acima, só vou usar canetas que estão com uma boa dose de carga, por isso, não tem vermelho, que é sempre a primeira a acabar. Em compensação, teremos: laranja, verde, azul e rosa da Bic Marking e roxo e magenta da Faber-Castell. Vou me virar nos trinta com essas cores e seja o que as deusas da criação quiserem... Uma alternativa à essas canetas é qualquer canetinha hidrográfica escolar. Fazem exatamente o mesmo efeito.

Um último recado importante: não se compare com outros artistas (não plagie!!!), não fique ansioso por postar todos os dias e faça o Inktober por você. Nenhum like e nenhuma validação social valem o stress e o desgaste de fazer algo que você não quer. Se você fizer somente um desenho e se sentir bem com isso, parabéns! Você concluiu o Inktober com sucesso. E se você não estiver a fim de fazer, mas quiser acompanhar seus artistas favoritos, também está valendo.

Para me acompanhar nessa jornada, acesse o Instagram e o Facebook, as atualizações sairão sempre por lá, a partir de 01/10, após às 21h. Por aqui, o resumo semanal sairá às segundas-feiras. 
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#4 Purple


Esta é a última produção para a série de Deusas do arco-íris. Embora algumas pessoas tenham me pedido para fazer outras cores e dado sugestões ótimas, creio que devo encerrar por aqui. No início, seriam somente três trabalhos (RGB), mas eu precisava incluir o roxo. Antes de continuar, aperte o play!


A inspiração para essa figura veio de três mulheres poderosas: Iza, Rihanna e Halle Bailey. Eu não queria uma cópia fotográfica de uma delas, nem montar um Frankenstein com as três, por isso, vi muitas referências, mas na hora de trabalhar fechei todas as abas com imagens e deixei fluir.

Como eu nunca tinha desenhado dreadlocks antes, também procurei algumas referências em ilustração e, sem dúvida, o trabalho da Loish foi de grande valia para estudar a composição dos fios e a estrutura capilar como um todo. E é na construção dos dreads que foquei o registro dos processos:



Primeiro, comecei dando volume com o lápis de cor preto, fazendo a mesma técnica que utilizo sempre para os cabelos: fio a fio. Depois, fui preenchendo com roxo, atenta ao formato e ao volume para, enfim, completar os espaços em branco com um lilás pastel delicado. Tive muito receio de não ficar bom, de não conseguir dar movimento, mas quando vi o cabelo tomando forma, me senti encorajada. E já quero desenhar mais dreads.

Não fiz fotos do processo de coloração da pele, mas vou falar brevemente sobre: utilizei azul marinho para marcar todas as sombras da face, dois tons de marrom (um mais quente e outro mais frio) para construir a base da pele e ocre com vermelho para as finalizações. Nesta etapa do trabalho foi a deusa Jacquelin de Leon quem me deu um norte, pois ela sempre colore peles não-brancas muito bem, e também este tutorial maravilhoso de Juliana Rabelo. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Canson Bristol;
  • Lápis de cor Rijksmuseum;
  • Lápis de cor SuperSoft;
  • Multiliner Copic;
  • Caneta metálica e branca Posca.


A caneta dourada que eu vinha usando para fazer essa série, da UniPin, acabou explodindo enquanto eu fazia este trabalho aqui, por isso os detalhes em dourado ficaram diferentes das ilustras anteriores. Veja as demais deusas: Azul, Vermelha e Verde.


Agora vou tentar focar no Inktober e tentar fazer um desenho por dia, assim como nos quatro primeiros anos que participei do desafio. Enfatizo bem o tentar porque por mais que eu já tenha me planejado e até separado um sketchbook para isso, tudo pode acontecer. Então não prometo nada, quando chegar outubro veremos.

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I am no man


Eu aceitei a condição de que não consigo andar com um sketchbook comigo, e que funciono muito melhor com folhas soltas do que com as ideias concatenadas num caderno. Prefiro usar o sketchbook para um projeto limitado (é meu pensamento para o Inktober deste ano) e, sim, gosto de ver tudo bem arrumadinho. Deixo a bagunça para essas folhas, que ficam organizadas numa prancheta, na minha parede. É ali que me abasteço de ideias e registro thumbnails e esboços do que virá a ser uma ilustração.

Também são raros os momentos em que a ideia surge e já coloco no papel. Geralmente separo um tempo para fazer vários rascunhos e dali tirar algo mais tarde. Mas esse trabalho não se enquadra nesta categoria. Eu estava no banho quando ela surgiu e não perdi a oportunidade de já deixar registrada.

Embora ainda não tenha postado nada, esse ano resolvi participar do #agostodoartista, projeto da Dessamore, e uma das categorias é filme (devemos desenhar uma cena ou personagem). Resolvi fazer a Éowyn, de O Senhor dos Anéis, pois acho uma das personagens mais fodásticas e chutadora de bundas de toda a trilogia. Rabisquei a ideia inicial, mas enquanto estava no banho resolvi desdobrá-la até a cena icônica em que a guerreira derrota o Rei Bruxo de Angmar [toda a perspectiva de trabalho que adotei é baseada no FILME O Retorno do Rei, não no livro, só para deixar claro].

Pensei na figura do Rei Bruxo, no seu elmo sombrio e, dentro dele, a figura solar de Éowyn, com o semblante fechado, mostrando que, não importa o quão poderosa pode ser uma ameaça, ela estará pronta para enfrentá-la. Complementei com a Simbelmynë, flor que cresce nos túmulos dos antigos reis de Rohan.


A princípio, essa arte teria um lettering na parte inferior mas, depois de concluir a pintura, vi que ficaria muito pesado e tiraria toda a atenção da figura central, por isso apaguei. Utilizei o papel da Hahnemühle, que absorveu toda a umidade de um dia chuvoso e ficou extremamente sensível à borracha e até mesmo à fita crepe azul. 

Comecei com uma aguada lilás ao fundo, utilizando um pouco as aquarelas peroladas da Koi. Eu já tive uma experiência ruim no passado com a Koi, por ser uma aquarela muito opaca e de difícil mistura (na minha opinião). A linha perolada continua com uma textura bem semelhante a um guache, porém, isso se torna positivo na hora de cobrir uma área, pois dá pra ver a presença da cor e do brilho. Claro que, na hora de digitalizar, esse brilho some.


Para o elmo do Rei Bruxo, usei cinza payne puro do lado esquerdo e, do lado direito, misturado com um pouco de azul da Prússia. O restante da figura foi colorido da maneira habitual, e finalizei os detalhes com lápis de cor e marcadores. O tempo úmido não ajudou e, por conta da sensibilidade do papel, não consegui fazer muitas camadas. Para as flores, usei aquarela perolada branca e um pouco de cinza. O resultado:

Materiais utilizados

  • Papel Hahnemühle 300g;
  • Aquarelas Van Gogh e Koi;
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Polycolor Koh-I-Noor;
  • Multiliner Sakura;
  • Marcador metálico Uni Pin.


Esse trabalho foi um refresco no meu processo criativo, que andava super parado, embora eu tenha muitas ideias (que não estão indo para o papel). Acho que preciso confiar mais na minha intuição!

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