Hi, Barbie!
Sem dar spoilers do filme da Barbie, fiz essa fanart para dizer o quanto amei a obra e o quanto ela falou ao meu coração. Esse ano tive duas experiências nostálgicas sensacionais no cinema: uma foi rever, depois de 25 anos, Titanic. E agora, Barbie vem para terminar (por enquanto) de abraçar a Lidiane criança e adolescente (e a adulta também). Os humanos só têm um final. Ideias vivem para sempre...
Acima, as fotos da Margot Robbie caracterizada, que usei como referência. Amei a roupa da cowgirl, foi o figurino que mais gostei de ver em tela. E, seguida, eu na caixa montada pelo cinema e o primeiro rascunho, logo no dia seguinte. Não fui de rosa pois estava um frio do cão e não tenho roupa de inverno nessa cor, mas se tivesse teria ido.
Fiz alguns ajustes antes do traço final, e colori toda a peça com lápis de cor, pois não existe material mais nostálgico e que remeta à infância. Os contornos com canetinhas reforçam a ludicidade (um adendo: ludicidade intencional, não aquela que muitos Kens atribuem ao trabalho de artistas mulheres só e unicamente por serem feitos por mulheres) que o filme passa. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol;
- Lápis de cor Tris Vibes;
- Canetas marcadores sortidas.
As mães param no tempo para que as filhas olhem para trás e percebam o quanto evoluíram na vida.
Self Portrait (e uma reflexão sobre arte e IA)
Qual é o papel do artista, principalmente do artista que trabalha com técnicas tradicionais (como eu), numa sociedade que está caminhando para a massificação das imagens geradas por IA?
Acredito que esse debate abre muitas frentes: a primeira delas é questão da ética na autoria. A maioria dos aplicativos e sites que criam imagens através da IA utilizam a internet como banco de imagens para seus trabalhos. Isso quer dizer que muitos artistas estão tendo obras e estilos copiados sem autorização e sem ser pagos por isso. O caso do app Lensa já é bastante conhecido: algumas imagens produzidas por ele apareciam até mesmo com a assinatura dos artistas borrada.
A segunda questão está relacionada ao uso dessas imagens para gerar poses, cenários, esquemas de cores, coisas que sites geradores de poses, por exemplo, já fazem. Mas aqui teríamos um maior domínio dos artistas sobre os comandos, gerando imagens realmente interessantes como ponto de partida para outros trabalhos. Esse é o viés que mais me agrada no uso da inteligência artificial, e que acredito ser um caminho muito interessante como ferramenta auxiliar.
A terceira questão tem a ver com o próprio processo criativo. IA cria? Ou a criação artística é algo inerentemente humano? Essa é uma discussão mais filosófica, que também acho extremamente válida. No seu livro Gesto Inacabado, Cecilia Almeida Salles fala que "muitos artistas descrevem a criação como um percurso do caos ao cosmos. Um acúmulo de ideias, planos e possibilidades que vão sendo selecionados e combinados. As combinações são, por sua vez, testadas e assim opções são feitas e um objeto com organização própria vai surgindo. O objeto artístico é construído deste anseio por uma forma de organização (grifo meu)". (p. 41) Sendo assim, o anseio criativo partiria de quem deu o comando para a imagem ser feita, assim como já acontece na fotografia, por exemplo, dentre outras formas de criação artística que utilizam tecnologias. Vale destacar aqui o caráter satírico de artistas como Cindy Sherman, por exemplo.
E uma quarta questão que também penso ser muito interessante, tem um cunho mais social: sabemos que quando alguma coisa massifica, a elite dominante sempre acaba rejeitando-a e criando novas formas de exclusividade. Aconteceu isso com a calça de shopping, que quando atingiu as massas passou a ser considerada cafona, e também com a democratização de acesso a celulares com uma boa câmera (imediatamente as celebridades começaram a postar fotos granuladas, com efeito "antigo", distorcidas, e até mesmo reviveram a câmera digital cybershot, para parecer cool). Se as imagens geradas por IA se democratizam, todos podem ter acesso a, por exemplo, um retrato com efeito aquarela, assim como o que eu mesma fiz, mas sem pagar para um artista fazê-lo, apenas baixando um app para isso (que vai coletar inúmeros dados...). Então a elite - e precisamos fazer aqui o recorte social de que arte, para a grande maioria da população, é um artigo de luxo - rejeitaria essas imagens e passaria a pagar pela exclusividade de uma obra feita à mão. Pode parecer vantajoso para os artistas, mas se nós nos dobramos ao que a elite quer e passamos a fazer somente arte para satisfazer o ego dessas pessoas, onde fica o papel crítico e político do nosso trabalho? Além disso, os nichos se estreitariam cada vez mais, e aqueles artistas com contatos no meio dominariam ainda mais os espaços, em detrimento de artistas periféricos e minorias.
Ainda acho que vamos presenciar muitos desdobramentos dessa discussão, trouxe aqui alguns pontos que são questionamentos meus, muito pessoais. Existem tantos outros que eu não conseguiria numerar, pois tudo ainda é muito incipiente, e é incrível acompanhar a escrita da história.
Vamos ver o resultado final desse retrato?
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches 300g;
- Aquarelas Pestilento e White Nights;
- Pincéis Keramik;
- Marcadores Pentel.
Aqui uma foto minha com o retrato, orgulhosa do resultado:
E se você quiser um retrato feito pela inteligência dessa artista, é só entrar em contato para solicitar um orçamento. 💜
Speak Now (TV)
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches (carnê de viagem) 300g;
- Aquarelas White Nights e Sennelier;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Albrecht Dürer;
- Marcadores Derwent.













