Lidiane Dutra
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Monstera 🌿


Que eu ando encantada com a ilustração botânica não é novidade. Mas tem uma planta que chama ainda mais minha atenção e virou objeto de estudo: a costela-de-adão (Monstera deliciosa). No prédio onde trabalho existe uma linda, enorme e cheia de folhas recortadas e sinuosas, e que fotografei exaustivamente para ter material de consulta. Ainda em janeiro, comecei a esboçar essa ilustração e deixei o tempo agir, como tenho feito constantemente, para limpar o conceito, ajustar elementos e escolher a paleta ideal (veja aqui). Porém, percebi que a composição não estava de acordo com a ideia de natureza e frescor que eu desejava transmitir. Havia muito cabelo, muita joia, mas pouca espontaneidade. Novamente, refiz meus estudos e cheguei a uma imagem mais clean, com os cabelos curtos e despojados (dá para ver aqui e aqui). Depois disso, parti para a finalização:


Tenho gostado muito dos papéis para aquarela grana fina. Para essa ilustra, usei novamente o Moulin DuRoy, porém, outro papel da Canson me arrebatou: o Héritage, linha nova com qualidade profissional. Há alguns dias, testei o grana fina 300g e postei minhas primeiras impressões no Insta, mas ainda pretendo testar as demais amostras que recebi da Koralle, e fazer uma postagem completa aqui.

O processo de pintura segue o que já fiz nas últimas ilustrações: reforço os valores com lápis grafite, faço o fundo com payne's gray (em substituição ao dioxazine), e trabalho com os tons de sépia, ocre e sombra queimada na pele. Os detalhes dos dedos e olhos foram feitos com vermelho e burnt sienna e a folhagem com índigo (um azul muito bonito), uma mistura de ultramar com sap green e sap green puro. Só usei lápis de cor nos olhos e em pequenos pontos, como reforço, assim como a multiliner em tom sépia. E guache dourado nos detalhes.

Materiais utilizados
- Papel para aquarela Canson Moulin DuRoy grana fina 300g;
- Aquarelas Cotman e Van Gogh;
- Pincéis Keramik cerdas sintéticas;
- Guache Talens branco e dourado;
- Multiliner Copic sépia;
- Lápis grafite e de cor Koh-I-Noor.


Eu criei uma pasta no Pinterest com várias referências para ilustração botânica, a maioria científica, pois ainda estou a procura de artistas diferentes que exploram essa temática. E para quem gostou dessa ilustração, já pode ir até meu Studio no Colab55 e ver os produtos maravilhosos com a estampa Costela-de-adão. Ajuda muito se você deixar um ❤ na sua arte favorita, pois é isso que vai me dar visibilidade dentro do site.

Tem uma hashtag muito legal que rola toda a segunda-feira nas redes sociais, principalmente no Instagram, que é #monsteramonday. Diversas pessoas mostram suas plantinhas, sejam elas verdadeiras ou artes cheias de inspiração. Fica a dica para você descobrir coisas novas e interessantes.

Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.

Abraços! 💖
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Tattooed Girl 🌷


Mais uma mocinha nasceu na minha prancheta e, como já vem acontecendo há algum tempo, a gestação foi demorada, com longas pausas e sem cobranças, muito mais um exercício de colocar o que aprendi em prática e também controlar a ansiedade de outras esferas da vida. Tenho usado muito meu trabalho como terapia, nesse período de baixa das encomendas. Mas se você quiser uma ilustração personalizada, é só entrar em contato comigo através do e-mail lidiane@lidydutra.com.

Acredito que essa ilustração foi minha melhor performance na aquarela, até o momento. Tento sempre solucionar os problemas de contraste por valor e por cor com a própria tinta, e deixar o lápis de cor somente para detalhes finos. E esse foi o ponto em que tudo funcionou de maneira mais fluida. Como falei acima, o momento de desenhar e pintar tem sido meu ritual pessoal, no qual me dedico por inteiro à pesquisa, escolha da paleta, do suporte, da música ambiente. E isso é fundamental para quem trabalha, via de regra, com prazos, limitações e pressão.


Utilizei pela primeira vez o papel Moulin DuRoy grana fina, e estou só amor por ele. 💜 Aliás, papéis 100% algodão e grana fina são meu novo xodó, alguns dias atrás experimentei também o Canson Héritage, e na ilustra da Iemanjá já havia usado o da Arches. O melhor desses papéis, na minha modesta opinião, além da textura, é a granulação sutil da tinta, que dá um toque todo especial à pintura. 

Nas linhas básicas, trabalhei com lápis 2B e, para a base da aquarela, dioxazine e sépia, em substituição à mistura de burnt sienna e sombra queimada ou ocre que eu estava usando. Acho que isso ajudou a dar uma "esfriada" na composição, que me agradou bastante.


Como mais um exercício de desconstrução, deixei o cabelo todo branco, com leves toques de payne's gray. Qualquer cabelo mais elaborado ou colorido deixaria a figura pesada, ao invés de etérea, que era a proposta inicial. Além disso, praticamente todos os meus retratos trazem olhos expressivos, se eu começo a carregar em vários elementos, o espectador fica sem ter pra onde olhar.  Já a roupa é uma mistura de sap green e ultramar e vários restos de cinza óptico do godê. A tatuagem é uma mistura de vermelhos e amarelo.

Materiais utilizados
- Papel Canson Moulin DuRoy 300g, 100% algodão, grana fina;
- Lápis Koh-I-Noor 2B;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik linha 411;
- Multiliner Copic;
- Lápis de cor Caran D'Ache.

Vale lembrar que nenhuma digitalização vai ser fiel às cores do papel, e uma das coisas que aprendi com a Sabrina é que quanto mais sutil o tratamento da imagem, melhor para a aquarela. Detalhes:



Eu ando num relacionamento sério com a ilustração botânica (até comprei o livro da Sarah Simblet), por isso, quero investir mais em plantinhas e folhagens, para fazer cada vez mais desenhos convincentes. Essa ilustração já encontra-se no meu Studio, assim como várias outras artes. Deixe seu ❤ e, se possível, um comentário, pois isso ajuda muito nas visualizações.

Para acompanhar minhas produções em tempo real, me siga no Facebook, Instagram e Tumblr. Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.

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Carnavalesca 🎊


Eu não pulo carnaval, aproveito a época para ficar bem quietinha e esquecida de tudo e todos, mas gosto da oportunidade de fazer umas ilustrações bem carregadas, com tudo aquilo que gosto (muitos cílios, carão e brilho) e usar a data como desculpa.

Há uns dois anos atrás, comprei quilos de lantejoulas para uma oficina, e o material ficava perdido por aí, sem uso. Foi então que pensei em utilizá-lo como forma de incorporar outros elementos no papel e ver como me saía nessa missão. O grande problema de tanto brilho fica justamente na hora da fotografia ou digitalização, pois é impossível capturar o efeito com 100% de fidelidade. Felizmente eu consegui algum sucesso, a partir de ferramentas simples no Photoshop.


Do rascunho à arte final foi um trabalho super rápido e gostoso de fazer. A foto que usei como referência trazia uma modelo bastante expressiva, e já aproveitei para dar aquela treinadinha básica no desenho de mãos. Para que a composição não ficasse muito pesada, com a lantejoula brigando com os outros elementos, decidi dar destaque para os olhos, com esses cílios gigantes, feitos com multiliner bem fininha, aplicada em várias camadas, para dar volume. Muito mais interessante do que usar uma caneta de ponta mais grossa e deixar o traço pesado. O resto da figura é lápis grafite 4B e esfuminho pontual, só para fazer os volumes. Esse aspecto inacabado, semelhante a um croqui, foi mais um recurso para não pesar as informações na imagem. Depois de finalizar o desenho, colei as lantejoulas com cola branca comum e fiz alguns pontos de marcador dourado para arrematar.

Materiais utilizados
- Papel Canson 180g;
- Lápis grafite Mars Lumograph 4B e esfuminho;
- Multiliner Copic;
- Posca dourada;
- Lantejoulas, aplicadas com cola branca.

No Photoshop, selecionei as áreas mais escuras de cada uma das lantejoulas com a varinha mágica e mexi nas configurações de brilho e contraste. Assim, consegui recuperar um pouco do brilho natural (dá pra ver melhor neste vídeo aqui).


Preciso dizer que estou muito feliz com a recepção dos meus últimos trabalhos nas redes sociais, e cada comentário, curtida e incentivo significam muito para que eu continue não só produzindo, como também estudando. Quem quiser me acompanhar em tempo real, basta seguir no Facebook, Instagram ou Tumblr. E essa ilustração já está no meu Studio, com muitos produtos legais, incluindo cadernos com pauta e espiral.

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Reflexões

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades


Mês que vem o blog completa sete anos (!) e não preciso dizer que eu sequer imaginava escrever sobre isso e estar com este espaço ativo depois de tanto tempo. Quando comecei a blogar sobre meu processo criativo (veja só que nem era sobre ilustração propriamente dita), tudo isso era mato haviam pouquíssimos espaços falando tão abertamente sobre arte, aqui no Brasil. No YouTube então, nem se fala. Outras redes sociais, como o Instagram, recém estavam nascendo e o Tumblr e Deviantart ainda eram os mais procurados pelos artistas.

Observando o cenário da ilustração na internet brasileira hoje, vejo que muita coisa mudou. Há bastante informação sobre praticamente qualquer assunto; de tutorial de galáxia em aquarela até vida de freelancer; cursos, hangouts e lives com profissionais atuantes no mercado e grupos para tirar dúvidas. Começar os estudos em ilustração, hoje, é bem mais fácil.

Porém, também observo que não foram só coisas boas que vieram com essa torrente de informação sobre arte. Como já diria o tio Ben, frase que escolhi para o título dessa postagem, grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Ou seja, a partir do momento que você escolhe ser uma espécie de mentor virtual, compartilhando vídeos, tutoriais e dicas sobre ilustração (ou sobre qualquer coisa), você está, indiretamente, assumindo duas enormes responsabilidades: a de zelar pela veracidade do seu conteúdo, e a de se tornar referência para muitas pessoas. 

Em meados do ano passado comecei a questionar muito o quanto eu me doava para ajudar os outros, como eu estava fazendo isso e qual a qualidade daquilo que me propunha a compartilhar. E passei a perceber que é uma responsabilidade sem precedentes chegar aqui e dizer: olha só gente, o lápis XXX é melhor que o YYY por causa de ZZZ. Porque isso vai influenciar o leitor de várias maneiras. A partir da minha resenha ele pode ter um parâmetro de comparação entre dois materiais, ou criar uma expectativa de estar usando o lápis "incorreto" ou, ainda, gerar uma ansiedade de consumo para ter o lápis XXX. Percebe como é complicado?

Outro exemplo: até pouco tempo atrás, meu conhecimento em aquarela era limitado, na base da tentativa e erro e das poucas aulas que tive ao longo da vida. Mesmo assim, a partir dessa parca experiência, eu coloquei no ar um tutorial de efeito galáxia, utilizando um material que hoje não usaria. Apesar de muita gente curtir e ser a postagem mais acessada do blog, eu me questiono muito se compartilhar esse ponto de vista tão amador ajudou ou prejudicou o público. #confusa


Tudo isso passou a orbitar meus pensamentos, e comecei a perceber que a oferta abundante de conteúdo sobre ilustração trouxe consigo muita coisa de qualidade duvidosa. Acredito que não é por maldade, mas pela facilidade que temos para compartilhar nossas experiências e sermos lidos/vistos/ouvidos no mundo virtual. Sempre tive o cuidado de dizer olha, esse é o meu jeito de fazer, não estou dizendo que é o certo ou o único, mas isso não me exime da interpretação de quem está me lendo/assistindo. A pessoa pode começar sim a reproduzir algo que vai prejudicá-la no futuro.

Estou contando tudo isso porque muitos leitores deixam recados carinhosos e cheios de amor, pedindo a volta das resenhas e tutoriais do blog, com a mesma frequência de dois anos atrás. Eu pisei no freio quanto às dicas, até me sentir novamente confortável em compartilhar algo que eu dominasse e me sentisse segura em colocar no ar. Revisei todos os links da aba Dicas e deletei muita coisa (os arquivos de 2011 para trás sumiram). Pensei em tirar tudo do ar, mas resolvi deixar o que já havia feito com uma revisão, e a certeza de que aquele era o meu olhar naquele momento histórico.

Como tive alguns desses conteúdos plagiados (o tutorial de galáxia, por exemplo), e algumas cobranças por parte de quem nem é leitor mas a-do-ra dar pitaco no conteúdo alheio, fui me retraindo ainda mais, e deixei o blog para portfólio, mesmo. Para esse ano, eu gostaria de voltar a compartilhar o que leio ou testo, mas de uma maneira diferente e com mais responsabilidade ainda, porque acredito que, por menor que seja o meu blog, eu alcanço um número de pessoas que merecem informação de qualidade, dentro do que posso oferecer.

Tudo o que escrevi acima é sobre a minha experiência e os meus questionamentos, não sou a régua do mundo para dizer quem faz o conteúdo melhor ou o correto na internet, e aquilo que não me acrescenta ou não está de acordo com a minha ética de trabalho, simplesmente não consumo (sem precisar ser hater de ninguém nem encher o saco de quem sequer sabe que existo). Digo isso porque é muito fácil falar que fulano está errado, mas... quem somos nós para julgar, não é mesmo? Qual é o nosso parâmetro? Já apontei muito o dedo por aí, mas fiz aquele exercício básico de olhar para mim mesma e ver que não nasci sabendo, e que já cometi muito erro crasso nessa vida para sair criticando sem conhecer a realidade da pessoa. Claro que, quando o assunto é plágio, meto o pé na porta sem pestanejar, porque isso é crime!

Muito mais produtivo é cada um fazer o seu melhor e perceber que a nossa existência é baseada na evolução, que é super natural não concordar com o que já fizemos ou nos questionarmos constantemente sobre nossos saberes e fazeres. Esse gráfico aqui fala sobre a relação percepção x técnica e vem bem a calhar com o momento. Escrevi tudo isso para dizer que sim, vai ter dica, muita dica. De alguém que se sente muito mais segura para compartilhar suas descobertas com o mundo. ❤

Para acompanhar minhas tagarelices em tempo real, é só me seguir no Twitter. E para ver processos, trabalhos, e coisas aleatórias, siga no Facebook, Instagram e Tumblr. Para comprar minhas artes, visite meu Studio.

*As imagens que ilustram esse post foram retiradas do site Unsplash.
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Iemanjá 🐚 (e uma reflexão sobre paciências)


Ontem, dia 02 de fevereiro, foi dia de Iemanjá/Nossa Senhora dos Navegantes, uma das datas mais comemoradas por aqui, e decidi prestar minha homenagem também. Acho lindo que as pessoas possam exercer sua liberdade de culto a céu aberto, respeitosamente, com a segurança de que sua fé não será tolhida pelo estado ou por qualquer indivíduo. Isso deveria valer para todas as religiões; deveria ser a regra, não a exceção.


À esquerda, a imagem de Iemanjá da Praia do Cassino, esculpida por Érico Gobbi. Os umbandistas costumam adorná-la com capa, colares de pérolas e coroa (a estátua é toda branca). Esse véu serviu como referência para o cabelo/mar da minha ilustração, pois fico com a sensação de que o azul é uma mistura das águas com a figura, é a síntese de sua representação.


Trabalhei com lápis 2B em todo o esboço, no exercício que tenho feito para reduzir a graduação da mina e deixar o risco menos grosseiro e mais integrado com a aquarela. Como já contei no Instagram, minha primeira Iemanjá foi de 2009 mas, na época, não finalizei o desenho da maneira correta, por causa da famigerada pressa. Sim, eu queria vê-la terminada de qualquer jeito, e foi isso que me atrapalhou. Para esse estudo, utilizei algumas poses do livro Drawing the Head & Hands, do Andrew Loomis. Também foi a primeira vez que trabalhei no papel grana fina Arches desde que concluí o curso da Sabrina e foi muito bom aproveitar bem o que esse material maravilhoso tem a oferecer. A textura é lindíssima e ele absorve a quantidade exata de água.


Essa experiência de retomar algo feito no passado e retrabalhá-lo com calma, paciência e dispondo não só do meu melhor material, como também da minha melhor técnica, foi uma válvula de escape para a ansiedade que tenho sentido em outros setores, e uma maneira de me cobrar menos, de entender meus limites, e de que é possível dar um passo de cada vez, degustar as etapas e aproveitar o que cada trabalho tem a me ensinar. Refletir sobre as paciências que preciso internalizar e compreender que feito é melhor que perfeito (oi, Lila!) só agregou ainda mais sentido à minha ilustração. Agradeço ao Antonio por ter feito vários cliques enquanto eu pintava. ❤



Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches 300g, 100% algodão;
- Aquarelas Van Gogh em bisnaga;
- Pincéis Keramik linha 411;
- Lápis de cor Polycolor;
- Lápis Grafite Koh-I-Noor 2B;
- Marcadores diversos.

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