Da mesma forma que o Pinterest fez, no ano passado, o Instagram resolveu rotular uma das minhas artes (e até mesmo as fotos da Mimi!) como conteúdo gerado por IA. A ilustração Duplo, feita quase que integralmente com lápis de cor, recebeu uma tag, que pode ser acessada clicando em "sobre este post". Um rótulo que fica escondido para a maioria dos usuários da plataforma, mas que está ali e sinaliza a minha arte como "arte de IA". Das fotos da Mimi nem vou elaborar muito, pois é tão chocante que nem sei por onde começar.
Eu só soube da existência desse tipo de marcação ao ver o post de uma artista chamada Illustory, que compartilhou sua experiência através de um alerta. Outros artistas comentaram no post dizendo que qualquer ferramenta de edição que eventualmente usarmos para corrigir cores ou até mesmo cortar a foto, pode ser lida pela plataforma como informação de IA e, por isso, recebe a tag. Eu uso o Photopea para edição tem mais de um ano, e não acredito que seja um aplicativo que contém IA. Mas, e quanto as fotos da Mimi, que eu só selecionei do rolo da câmera do meu celular?
A sinalização é dúbia. O título escancara: Criado com IA mas, logo abaixo, a legenda no post da ilustração diz: o conteúdo desse post pode ter sido modificado por IA, e no das fotos diz: esse conteúdo provavelmente foi criado ou modificado com IA. Em nenhum dos casos existe certeza, e não encontrei um lugar onde possa contestar essa marcação indevida. Enquanto isso, milhares de posts que realmente usam IA e não sinalizam, que roubam artes, textos e músicas, seguem passando batido, com anuência da Meta e de todos os mecanismos que prometem transparência e segurança para os usuários.
Se lá no início do ano eu já tinha dito que não postaria mais com regularidade no Instagram, agora foi a pá de cal. Algumas pessoas deram sugestões de postar a foto do desenho, a foto do processo, de fazer vídeo, mas isso, para mim, só alimenta a indústria de criação de conteúdo que faz a máquina do algoritmo girar. Transforma o artista em um trabalhador precarizado, que precisa vender não só seu produto final, como também sua rotina, sua casa, seu tempo livre, suas leituras, o que come, o que bebe e o que faz quando nada disso dá certo. Tem quem se dê super bem nesse sistema, mas não é para mim.
Sigo acreditando que esse espaço ainda é o melhor que disponho para mostrar minha arte, e pretendo me afastar cada vez mais do Instagram. Enquanto for legal postar story dos meus gatos, ainda vou aproveitar, mas no momento que a isalubridade tomar conta de tudo, não vou pensar duas vezes antes de fechar aquele boteco.
2 coisas: reativei o feed RSS do blog, pois muitas pessoas começaram a me acompanhar recentemente. E estou participando do Entreblogs, uma comunidade muito querida e cheia de blogueiros que acreditam no poder desses espaços tão pessoais, e tem sido um sopro de vida na minha relação com a internet.

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