Esse trabalho começou a ser gestado em janeiro desse ano, e eu demorei exatos cinco meses para finalizá-lo. Fui fazendo tudo muito aos poucos, sem pressa. Passei semanas sem sequer olhar para a folha. No início, eu nem tinha um conceito claro do que ia fazer. Seria somente a figura da parte superior, apoiada numa superfície, em tons de azul e roxo, como se fosse um crepúsculo. Depois, pensei que a superfície poderia ser espelhada. Por fim, tive a ideia de projetar a figura abaixo, como se fosse um reflexo, mas não um reflexo comum. Aqui, as figuras iam se fundir em algum ponto, e o que era apenas uma imagem refletida, passaria a ser um duplo.
Os tons de azul foram substituídos por vermelho, pois tenho um quadro enorme na parede que é nesses tons, e peguei a paleta de lá. As duas figuras têm diferenças sutis entre uma e outra, elas são, mas ao mesmo tempo não são a mesma coisa. E os cabelos se fundem entre o que é real e o que deveria ser reflexo.
Não são gêmeas, não são reflexos, são duplos. Em alemão, a palavra doppelgänger designa o fenômeno desse sósia "do mal" como um ser fantasmagórico, que tenta roubar a vida do outro. Mas não era no doppelgänger que eu estava exartamente pensando enquanto desenhava, mas sim na nossa capacidade individual de encarar os nossos duplos, sejam eles bons ou maus, e lidar com suas consequências.
Materiais utilizados
- Papel Concept Hahnemuhle 220g;
- Lápis de cor aquarelável Pentel;
- Marcadores Uni Pin ponta pincel, Uni Ball dourada e Posca branca.



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