Curso Online de Aquarela com a Sabrina Eras - Módulos III e IV
Nem acredito que o Curso de Aquarela está acabando. Daqui há alguns dias terei a última aula com a Sabrina, depois de praticamente um ano todo de estudo e cinco módulos. Achei que, no máximo, ela faria três módulos conosco e, a cada final/início de período, via pessoas se juntarem, outras saírem, o apego às colegas crescer, os mais variados assuntos surgirem durante as aulas, então já sei que não será fácil encerrar esse ciclo.
Uma coisa que ficou marcada em mim foi a sensação de que as aulas não eram virtuais. Na minha cabeça, era uma aula como qualquer outra, que assistia toda a semana (com exceção dos dias que a internet realmente não colaborou). E, em nenhum momento, senti dificuldade por estar longe, porque sabia que a Sabrina estava ali para orientar, superando todas as dúvidas.
Bom, como eu ainda tenho praticamente todos os exercícios do módulo V para pôr em dia, vou fazer o apanhado do que aconteceu durante os módulos III e IV e que publiquei nas redes sociais. Claro que rolou muito mais coisa, então se você tem interesse em começar 2017 com um pé na aquarela, mande um e-mail para samesjc@gmail.com e informe-se sobre a agenda da Sabrina para o próximo ano.
O módulo III aconteceu num ponto bem crítico do inverno, com períodos muito frios e úmidos, que se transformavam em desafios extras na hora de pintar. Teve muito bichinho e texturas diferentes para explorar: pelos, penas, escamas. Foi uma saída total da minha zona de conforto, porque raramente desenho bichos, principalmente se eles estão dentro de um cenário. Mas é apaixonante pintar passarinhos.
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| À esquerda: estudo em aquarela livremente baseado na obra do artista Dusan Djukaric. |
Em seguida, exploramos mais paisagens, efeitos e texturas diferentes, tanto nas aguadas quanto no papel seco. A Sabrina introduziu o estudo da figura humana e algumas releituras de grandes artistas, como John Singer Sargent. Sempre é bom lembrar que, se você está fazendo um estudo sobre a obra de algum artista (vivo ou morto) é importante indicar isso, principalmente se deseja compartilhar nas redes sociais. E se o artista for vivo, melhor ainda pedir autorização. Tenho percebido que muitas ilustradoras que sigo já deixam claro na bio do Instagram que não permitem cópia para estudo, nem repost de seus trabalhos, então nunca é demais prestar atenção nisso.
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| Releitura da obra de John Singer Sargent. |
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| Releitura de Eugene de Blaas. |
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| À direita: releitura de uma pintura de John William Waterhouse. |
Quer ver o que produzi durantes os módulos I e II? É só clicar aqui. Para quem vai participar da Comic Con Experience, de 1 a 4 de dezembro, a Sabrina estará no Artists' Alley, mesa A26, com vários trabalhos inspirados na cultura pop, além de commissions que podem ser retiradas diretamente com ela, nos dias do evento.
Projeto Ilustra: Seres Noturnos 🌙
O Projeto Ilustra foi criado no início do ano pela Ana Blue e, agora, tem sua continuidade através da Kris Efe. O tema de novembro é seres noturnos, e eu escolhi fazer um súcubo bem Barbiezinha, pois, como já diria o príncipe Lestat, evil is a point of view. 😈 Súcubo (ou succubus) é um demônio com aparência feminina, que invade os sonhos dos homens para sugar sua energia vital através do sexo. A versão masculina é o íncubo (ou incubus).
Não tem muito o que falar sobre o processo pois estou naquela vibe de sentar e fazer. Mas consegui tirar umas fotos logo no comecinho. Fiquei com a sensação de que os rascunhos estão mais legais que o resultado final (quem nunca?). Usei como referência a foto de uma mulher deitada, com os cabelos espalhados, mas ficou estranho quando passei para o papel, por isso optei por deixá-los mais esvoaçantes, como se tivesse batido uma leve brisa.
Materiais utilizados
- Papel Copic n. 6;
- Marcador Permanente Faber-Castell e Copic;
- Caneta Posca dourada;
- Lápis Staedtler Mars Lumograph 2B.
Curti tanto essa ilustra que estou pensando em colocá-la como header do blog (caso já esteja enquanto você lê isso, é porque me decidi), só que está difícil substituir o atual, parece que aquela ilustra nasceu para estar lá. Também vou disponibilizá-la na lojinha. E para ver este e outros trabalhos, é só me seguir no Instagram, Facebook ou Tumblr.
Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.
Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.
Riri - colorização de pele negra com marcadores
Quem me acompanha já deve ter visto essa ilustração pelas redes sociais, mas hoje quero falar dela em detalhes e contar um pouco da minha jornada de colorização da pele negra, utilizando os marcadores da Copic e da Sinoart. Antes de mais nada, já aviso que não vou fazer uma resenha desses materiais, pelo menos por enquanto. O foco aqui é o desafio de continuar colocando em prática tudo o que venho aprendendo.
Nas últimas aulas da Oficina de Aquarela, a Sabrina tem trabalhado conosco o processo de colorização de pele, e do equívoco em usar somente tons de marrom na pele negra. Existe uma variedade de cores que podem acrescentar veracidade à pintura, que vão do azul ao vermelho, e foi isso que busquei aqui. Também peguei referências no livro O Uso das Cores, da Cris Peter, que já comentei no último post, e pretendo falar com detalhes mais adiante.
O primeiro passo foi observar a minha referência, sempre seguindo a linha de fugir da cópia fotográfica. O intuito era prestar atenção e treinar o olhar para o tom da pele, que tinha uma base quente em roxo e vermelho. A partir daí, separei os marcadores que poderiam me auxiliar a encontrar os tons e subtons certos.
Sobre a "cor de pele"...
É bem comum encontrar kits de materiais skin tones, desde marcadores, gizes, lápis de cor, aquarelas, mas a questão sempre é bem mais complexa do que reunir um conjunto de beges e rosados, pelo fato de que uma única cor de pele padrão não existe. Vivemos num país extremamente diverso, e insistir em chamar de pele um rosa apagado é bastante limitador e nada inclusivo.
O conjunto tons de pele da Copic Ciao contém dois tons de marrom, um aberto e quente, outro mais frio, mas ainda predominam os beges, que quando misturados com outras cores, propiciam certo realismo. Já o estojo da Sinoart é bem complicado. As cores são muito clarinhas e nada realistas. O tom mais escuro é um ocre que, aqui na minha ilustra, está na parte mais iluminada da pele. Se eu fosse quantificar qual deles tem a melhor variedade, diria que é o da Copic. Mas ainda assim é bastante limitado, e acabei lançando mão de outras canetas avulsas e do kit Ex-1 da Copic Sketch, que é cheio de vermelhos e bordôs, para chegar ao resultado pretendido.
Também acho válido dizer que essas canetas, geralmente, são importadas e criadas para um contexto artístico e cultural diferente, mas acabam se popularizando mundo afora. A própria Copic é uma marca amplamente usada por mangakás, muitos de seus materiais são pensados para este público, o que torna o debate sobre diversidade ainda mais importante.
A base da pele foi feita com um tom de lilás e, por cima, cobri com ocre. No contorno do rosto, escureci com o marrom quente, assim como no nariz, arco do cupido, abaixo dos lábios e nas têmporas. Em seguida, reforcei esses lugares com o marrom mais fechado. Em outra época, pararia aí, mas agora vejo que faltaria finalização. Então, reforcei as sombras com lilás novamente e, com bordô, finalizei os contornos. Para deixar as maçãs do rosto coradas, usei vermelho escuro. O mesmo foi feito no pescoço e braços, que levam muito vermelho na base. Como não queria que o restante da figura brigasse com a pele, optei por deixar os cabelos sem aqueles detalhes de fio-a-fio, que costumo fazer, e usar tons pastéis delicados na roupa. O fundo foi colorido digitalmente.
Materiais utilizados
- Papel Copic n. 6;
- Marcadores Copic e Sinoart;
- Marcadores Faber-Castell e Posca;
- Multiliner Copic.
Sei que muita gente sente falta de acompanhar o processo passo a passo, com fotos desde a concepção do desenho, mas esses registros têm sido cada vez mais difíceis. Me concentro tanto no que estou fazendo, que esqueço de fotografar. Às vezes lembro de tirar algumas fotos, que posto no Stories do Instagram. Essa ilustra foi uma mistura não intencional de Rihanna com Riri Williams e está disponível na minha loja. Além do Insta, dá para me acompanhar no Facebook e Tumblr também. ☺
Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.
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