Riri - colorização de pele negra com marcadores

23/11/16


Quem me acompanha já deve ter visto essa ilustração pelas redes sociais, mas hoje quero falar dela em detalhes e contar um pouco da minha jornada de colorização da pele negra, utilizando os marcadores da Copic e da Sinoart. Antes de mais nada, já aviso que não vou fazer uma resenha desses materiais, pelo menos por enquanto. O foco aqui é o desafio de continuar colocando em prática tudo o que venho aprendendo.

Nas últimas aulas da Oficina de Aquarela, a Sabrina tem trabalhado conosco o processo de colorização de pele, e do equívoco em usar somente tons de marrom na pele negra. Existe uma variedade de cores que podem acrescentar veracidade à pintura, que vão do azul ao vermelho, e foi isso que busquei aqui. Também peguei referências no livro O Uso das Cores, da Cris Peter, que já comentei no último post, e pretendo falar com detalhes mais adiante. 


O primeiro passo foi observar a minha referência, sempre seguindo a linha de fugir da cópia fotográfica. O intuito era prestar atenção e treinar o olhar para o tom da pele, que tinha uma base quente em roxo e vermelho. A partir daí, separei os marcadores que poderiam me auxiliar a encontrar os tons e subtons certos.

Sobre a "cor de pele"...
É bem comum encontrar kits de materiais skin tones, desde marcadores, gizes, lápis de cor, aquarelas, mas a questão sempre é bem mais complexa do que reunir um conjunto de beges e rosados, pelo fato de que uma única cor de pele padrão não existe. Vivemos num país extremamente diverso, e insistir em chamar de pele um rosa apagado é bastante limitador e nada inclusivo.

O conjunto tons de pele da Copic Ciao contém dois tons de marrom, um aberto e quente, outro mais frio, mas ainda predominam os beges, que quando misturados com outras cores, propiciam certo realismo. Já o estojo da Sinoart é bem complicado. As cores são muito clarinhas e nada realistas. O tom mais escuro é um ocre que, aqui na minha ilustra, está na parte mais iluminada da pele. Se eu fosse quantificar qual deles tem a melhor variedade, diria que é o da Copic. Mas ainda assim é bastante limitado, e acabei lançando mão de outras canetas avulsas e do kit Ex-1 da Copic Sketch, que é cheio de vermelhos e bordôs, para chegar ao resultado pretendido. 

Também acho válido dizer que essas canetas, geralmente, são importadas e criadas para um contexto artístico e cultural diferente, mas acabam se popularizando mundo afora. A própria Copic é uma marca amplamente usada por mangakás, muitos de seus materiais são pensados para este público, o que torna o debate sobre diversidade ainda mais importante.


A base da pele foi feita com um tom de lilás e, por cima, cobri com ocre. No contorno do rosto, escureci com o marrom quente, assim como no nariz, arco do cupido, abaixo dos lábios e nas têmporas. Em seguida, reforcei esses lugares com o marrom mais fechado. Em outra época, pararia aí, mas agora vejo que faltaria finalização. Então, reforcei as sombras com lilás novamente e, com bordô, finalizei os contornos. Para deixar as maçãs do rosto coradas, usei vermelho escuro. O mesmo foi feito no pescoço e braços, que levam muito vermelho na base. Como não queria que o restante da figura brigasse com a pele, optei por deixar os cabelos sem aqueles detalhes de fio-a-fio, que costumo fazer, e usar tons pastéis delicados na roupa. O fundo foi colorido digitalmente.

Materiais utilizados
- Papel Copic n. 6;
- Marcadores Copic e Sinoart;
- Marcadores Faber-Castell e Posca;
- Multiliner Copic.

Sei que muita gente sente falta de acompanhar o processo passo a passo, com fotos desde a concepção do desenho, mas esses registros têm sido cada vez mais difíceis. Me concentro tanto no que estou fazendo, que esqueço de fotografar. Às vezes lembro de tirar algumas fotos, que posto no Stories do Instagram. Essa ilustra foi uma mistura não intencional de Rihanna com Riri Williams e está disponível na minha loja. Além do Insta, dá para me acompanhar no Facebook e Tumblr também. ☺

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