Lidiane Dutra
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Portfólio
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Aquarela Portfólio Processo criativo

Mulher-árvore


E encontre seu caminho com o vento soprando por trás
Que o sol ilumine o seu rosto
Que a chuva umedeça os seus campos até nos encontrarmos
Que a deusa mantenha no aconchego de suas mãos

Que o círculo se abra mas não se quebre
Que amor da deusa esteja entre nós
Feliz encontro, feliz despedida
Feliz reencontro irmãs
Essa ilustração faz parte dos meus estudos sobre os ciclos femininos e leituras sobre a Deusa Tríplice (donzela, mãe e anciã). Existem muitas representações, principalmente em oráculos, da mulher em suas três fases, personificadas em uma árvore. 

A ordem das mulheres no "corpo" da árvore alterna, mas na minha imaginação ela sempre esteve assim: a donzela no tronco, a mãe na folhagem verde, e a anciã na copa, abraçando as outras duas fases. A partir daí, trabalhei alguns simbolismos particulares, sempre com a belíssima Bênção Celta, das Melissas, como trilha sonora.



Comecei como sempre, pela line art, e fui acrescentando tons de marrom, verde, azul e cinza até o ponto que se mesclassem e passassem a sensação de uma árvore com o caule jovem, a folhagem robusta e as folhas secas que, nesse caso, foram representadas em tom grisalho, ao invés de amarelado.


A lua vermelha representa o ciclo menstrual que, nessa narrativa,  conduz as três gerações de mulheres (a menarca, o amadurecimento fértil e a menopausa). Tanto a jovem quanto a anciã estão com os olhos fechados, porém, a última está com o terceiro olho (a sua intuição) tão desperto quanto a mulher adulta. O restante dos detalhes fica a critério de cada pessoa que contemplar a imagem. O resultado final:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Canson XL;
  • Aquarelas Van Gogh;
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis Polycolor;
  • Fundo adicionado digitalmente com Photoshop.

Essa ilustração demonstra a passagem e o valor do tempo, e foi concebida com muita doçura, durante longas e demoradas tardes. Sempre que eu puder ir contra os algoritmos e dedicar tempo de qualidade para minha arte, será um ganho.

Lembrando que estou aceitando projetos ilustrados, dentro das minhas possibilidades, em aquarela, lápis de cor e lápis grafite. Interessadas(os) podem solicitar uma encomenda ou entrar em contato.
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Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

Branca de Neve


Era uma vez um rascunho, que permaneceu por bons meses na pastinha encantada dos projetos, e que desejou criar vida através de uma reinterpretação da personagem Branca de Neve. O tema era batido, pensou o rascunho, mas com criatividade e boas referências, poderia dar certo. E foi assim que o rascunho se tornou uma ilustração completa, feita em aquarela, e viveu feliz para sempre.
Eu sou uma entusiasta dos contos de fada em suas versões originais, e acredito que essas histórias seculares, cheias de metáforas e arquétipos, ainda têm muito a nos ensinar, se olharmos para elas de forma crítica, mas também afetiva. Branca de Neve foi uma das primeiras histórias que conheci, lembro da minha mãe comprar um livro com ilustrações muito bonitas quando eu era pequena, e talvez esse seja o conto de fadas que eu mais tenha lido e assistido versões ao longo da minha vida.

E o esboço para essa ilustração não seria a Branca de Neve, só que fiquei tão encantada com uma referência da Mira Miroslavova que pensei: tenho a faca e o queijo na mão para fazer uma reinterpretação só minha. E assim criei algumas thumbnails para pensar na composição das cores e na atmosfera geral do trabalho - algo sombrio e que dialogasse com a versão original do conto e a versão da Disney que todo mundo conhece, só que sem aquele açúcar todo.


Utilizei o papel Arches e as aquarelas da White Nights, que são uma das melhores combinações que já usei, simplesmente não tem erro, é só seguir a ideia adiante. E para esse trabalho, além do estojo  de cores tradicionais, usei também as tintas granuladas, principalmente no fundo e no vestido, para um efeito dramático.


E a referência à Disney ficou justamente no vestido, no qual captei a ideia geral e cores do corpete e mangas, mas mantive a cor profunda na saia, ao invés do amarelo ovo. O cabelo é denso e esvoaçante, preso por um laço vermelho. Essa Branca de Neve está perdida na floresta escura, cansada de tanto correr, por isso a manga caída e a expressão de quem está procurando algo distante, além do seu (e do nosso olhar). A maçã envenenada aparece em forma de amuleto em seu pescoço - um lembrete de que todas as pessoas, inclusive as boas, já foram vilãs na história de alguém (vi essa frase no Instagram e amei).


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches 30g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Polycolor;
  • Marcadores Pentel para os detalhes.


Muito orgulho envolvido na construção dessa pose e dessas mãozinhas. Um dos meus maiores medos, que era desenhar mãos, tem se tornado um dos meus maiores prazeres, já que elas podem comunicar tanto!


Essa ilustração deu tão certo do início ao fim (concepção, cores, execução), que resolvi fazer a aplicação dela numa capa de livro imaginária, seguindo uma sugestão que me deram alguns anos atrás, de utilizar contos em domínio público e criar portfólio em cima deles. É uma brincadeira bem pessoal mesmo, só para ver como ficaria, e curti bastante, achei que ficou muito fiel à atmosfera.


Diagramei também uma página com um trecho do conto, essa tradução tirei do site Contos de Grimm.


E se você se interessou pelo meu trabalho e gostaria de tirar a capa do seu livro do mundo das ideias e trazer para o mundo real (e ter seu final feliz), é só entrar em contato comigo e solicitar um orçamento.
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Portfólio

The Season Of The Witch


Já que o outono é a estação das bruxas, nada melhor do que desenhar uma despretensiosamente. Esse é um daqueles rascunhos que tenho guardado há séculos, e que espera o momento ideal para ver a luz do dia. E como tenho lido muitos materiais sobre bruxaria, sinto que vou ficar cada vez mais monotemática em todos os meus trabalhos pessoais. 

Minha última leitura foi (finalmente!) Bruxaria Hekatina, da Márcia C. Silva, uma extensa pesquisa da autora sobre a deusa Hekate e, talvez, o livro mais completo em língua portuguesa sobre a deusa e seu culto moderno. A Márcia tem um blog e um podcast, que já mencionei por aqui, e uma das coisas que mais gostei no livro foi conhecer os epítetos, tanto que fiz uma lista com os que mais me tocaram, para um dia fazer uma série (que ainda está no plano das ideias).


Estou usando bastante o sketchbook para técnica mista da Ótima com folhas destacáveis (tipo caderno inteligente) para esses trabalhos despretensiosos. Não é um papel que aguenta aguadas e mais aguadas de aquarela, mas suporta bem uma camada de tinta, para então trabalhar com lápis de cor ou outra técnica seca por cima. Como as folhas são destacáveis, o manuseio também é muito bom e, para mim, que tem uma dificuldade em lidar com cadernos, é uma forma de utilizar o sketchbook de forma gostosa e sem pressão.


Além do sketchbook mencionado, usei minhas tintas e canetas de sempre, e também os lápis Vibes, da Tris, que estou adorando, são lápis com uma qualidade muito semelhante ao Soft Color da Faber-Castell, e com cores lindas e vibrantes.

E esse desenho me lembrou que preciso trocar meu avatar! Já fazem três anos que usei meu projeto do curso da Isadora Zeferino para fazer meu avatar de redes sociais e, desde então, nunca mais troquei. Acho que ele combina muito comigo, mas também sinto vontade de mudar (e alinhá-lo mais com a paleta de cores que uso nas minhas ilustras). Por enquanto, ele vai ficando, mas em breve pretendo mudar. Será que vem uma bruxinha?

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Aquarela Portfólio Projetos

Rótulos para Bruta Flor ❀



Nas últimas semanas me envolvi num projeto muito lindo, que foi a rotulagem das novas latas de chás da marca Bruta Flor, criada pela Juliana Votto e baseada na Praia do Cassino. A Ju entrou em contato comigo e fiquei bastante feliz, pois há muito tempo queria fazer uma parceria de trabalho com ela. Ela já tinha uma visão muito consolidada do que queria para as latinhas, e foi uma jornada incrível co-criar as ilustrações com ela. É muito bom trabalhar com alguém que está disposta a dialogar e somar ao seu trabalho, e cada ilustração busca não só apresentar visualmente o chá, como também representar as cores, os ingredientes e a identidade de cada um.



A ideia principal foi interligar um rótulo ao outro, buscando elementos, cores e padrões que se repetissem em cada um. Para isso, posicionei as personagens sempre ao lado esquerdo do centro do rótulo, e busquei trazer pelo menos um elemento de cor de um para o outro, criando uma unidade. Os padrões ao fundo também são pensados para que dialoguem com a proposta da ilustra e entre si.



Para o chá Vento, a ilustração é de uma mulher indígena, com cabelos soltos formando as ondas do mar. Esse chá foi criado especialmente para o livro O céu riscado na pele, da Andréia Pires. Para o chá Dolce far niente, temos uma mulher gorda aproveitando a praia, com paisagem inspirada nos Lençóis Maranhenses, porque todo corpo é um corpo de praia. Para o chá As mil e uma noites, temos a Sherazade com seu rosto descoberto, pois ela tem o dom da palavra. E para o chá Sonho de uma noite de verão, temos uma mulher negra aproveitando o crepúsculo.



Depois de concluídas as ilustrações, fiz também o design do restante do rótulo, com a aplicação do logo, nome e informações de preparo e composição. Todas as ilustrações foram feitas com as aquarelas da White Nights, incluindo um estojo de aquarelas granuladas lindo que comprei recentemente. Dá pra perceber bastante esse efeito principalmente nas aquarelas Vento e As mil e uma noites. Abaixo, fiz um vídeo para mostrar os detalhes de cada uma:


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-- Atualizando os rótulos novos --



Para essa segunda leva de rótulos, fizemos "duplinhas", com Gaia e Intuição se complementando; Black Bird e Jardim das Delícias trazendo elementos de colagem e Tantra Tea e Tropical com texturas e padronagens bem vibrantes.

Essa parceria com a Bruta Flor ainda vai longe, aguardem que tem muito mais por vir. E quem também quiser um produto ilustrado por mim ou uma ilustração original para chamar de sua, é só dar uma olhadinha em Encomendas, para saber o que eu faço, e entrar em contato através do e-mail lidiane@lidydutra.com.
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Portfólio

I can buy myself flowers 💐


Colagem que fiz no meu sketchbook inteligente, inspirada na música Flowers, da Miley Cyrus. O desenho foi feito com lápis grafite e caneta preta, e as flores são do livro de colagens Extraordinary Things to Cut Out and Collage (sim, resolvi comprar minhas próprias flores, ao invés de desenhá-las hehe).


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Aquarela Portfólio Técnica Mista

Kali 🌺


Kali é uma Deusa Negra hindu (para aprofundamento no conceito das Deusas Negras, recomendo fortemente a leitura do livro Mistérios da Lua Negra, de Demetra George), também relacionada ao aspecto triplo (criação, preservação e destruição). Ela controla o poder do tempo, que a tudo devora. De acordo com Claudiney Prieto, no livro Todas as deusas do mundo:

    Kali é uma deusa muito antiga. Sua pele negra demonstra que ela pré-data a invasão ariana, de pele clara, no continente indiano. Esse conflito torna-se visível em muitos mitos em que Kali se esforça para defender seu povo contra invasores. A paixão e a ferocidade de Kali são divididas em seu aspecto de Deusa pré-ariana e como consorte de Shiva, que inspira o seu poder de Shakti ou energia feminina.

    Os invasores introduziram a cultura dos Deuses patriarcais na Índia, mas Kali continuou a ser cultuada por várias tribos matriarcais, como os Shabara de Orissa. (p. 163)

Kali é retratada de muitas formas e possui também muitos epítetos. Em sua representação mais conhecida, ela apresenta longos cabelos pretos, a língua estendida para fora, dentes afiados e brancos, vários braços (o número de braços varia) e um colar de cabeças ou crânios, dentre outros simbolismos. Na arte popular indiana, as divindades de pele negra são retratadas na cor azul, por isso Kali (a negra) aparece sempre dessa cor. Também acompanha as representações de Kali o hibisco vermelho, que representa sua língua.


🌺 🌺 🌺 


Eu não vou me aprofundar nos mitos e lendas indianos, prefiro sempre indicar um livro com um estudo mais denso. Os dois livros que cito acima são muito bons, mas para quem deseja ler um texto na internet, recomendo este aqui: Kali: a mulher mais poderosa do universo.


Fazer a representação de uma divindade de outra cultura, principalmente oriental, sempre é inquietante, pois me coloca de frente à questão: estou fazendo uma leitura respeitosa dessa cultura ou cometendo um ato de apropriação cultural? E acho importante, enquanto artista, não me escorar na "liberdade criativa" para realizar um trabalho vazio e até mesmo ofensivo.


Por isso, quando li Mistérios da Lua Negra, dentre outros livros, e tomei contato com Kali, assim como tem acontecido com outras divindades, decorrente do meu estudo sobre bruxaria, entendi que poderia utilizar os meus conhecimentos para representá-la com o máximo de respeito e unidade, e que não se tornasse um trabalho puramente estético e sem sentido. Eu não queria tomar decisões que visualmente parecessem bonitas, mas que desrespeitassem a religião e a espiritualidade de outras pessoas. E espero ter conseguido isso, tomando as decisões que vou explicar a seguir. 



A primeira atitude que tomei foi procurar representações de Kali na internet, e achei muitas imagens, que dividi em duas categorias: as imagens tradicionais indianas, que seguem a corrente popular de representação, com cores muito saturadas, atenção aos detalhes e uma fisicalidade como se fosse uma escultura representada na pintura; e as imagens ocidentalizadas, que mostram uma imagem embranquecida da deusa, geralmente com um corpo mais magro, com traços ocidentais, com a expressão suavizada, e com uma paleta de cores mais neutra.


Eu quis me afastar das imagens ocidentalizadas, por entender que elas representam um whitewashing gigante, assim como já acontece com outras figuras orientais, que sempre têm suas características culturais substituídas por características ocidentais alinhadas ao padrão estético dominante. Por isso, mantive tanto a paleta de cores, como a expressão facial de fúria o mais próximo possível das imagens tradicionais. Mesmo colocando o meu olhar, e optando pelo retrato, que é meu foco, esse foi o ponto que me guiou, nem que eu tivesse que sair da minha paleta de cores ou da minha zona de conforto neutra. E foi a partir daí que construí a figura.



Outro ponto é que, nas imagens tradicionais, geralmente Kali está com o rosto em meio perfil, por isso também quis manter essa representação. O azul é muito saturado, e se acentua no rosto, com todo sombreamento em preto, que geralmente não uso. Para essa ilustração, fiz toda a base com aquarela (úmido sobre úmido) e complementei os contrastes com lápis de cor. Os cabelos são uma massa escura e esvoaçante. Suas joias são em tons dourados com detalhes em pedraria, que se complementam nos hibiscos (em tons de vermelho vivo e vermelho alaranjado) e no fundo da imagem. Sobre o colar de crânios, coloquei 7 em evidência, por ser o número regente do ano de 2023, e por não conseguir colocar a variação total de crânios, que pelas minhas pesquisas fica entre 51 e 108.



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Albrecht Dürer e Bruynzeel;
  • Pincéis que comprei na Shein;
  • Marcadores Pilot e Derwent.

O resultado desse trabalho me encantou e me trouxe muita paz. Não sei se consegui integrar meu pensamento com a minha prática e tornar essa representação respeitosa o suficiente, por isso estou aberta às críticas de quem segue o hinduísmo e viu incongruências na ilustração. Vou deixar aqui um vídeo mostrando detalhes que a digitalização não pega, e também um trecho do Claudiney Prieto:

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    Kali é a corporificação da violência feminina, protetora do coração, aquela que vem para nos afastar de tudo o que não é verdadeiro. É a feroz energia da psique, a luz da discriminação, a espada do conhecimento, o poder para reconhecer o que precisa ser feito. A espada de Kali se transforma e redefine nossas vidas, nos afiando e nos esculpindo, trazendo a ordem para fora do caos, nos ensinando os significados, as belezas e os propósitos de nossas vidas. Kali é a sombra fertilizadora, a guardiã da profunda escuridão vazia, os sempre mutantes ciclos do tempo. (p. 166)
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Aquarela Portfólio Processo criativo Projetos

Rhiannon 🐎

Rhiannon rings like a bell through the night

Eu já havia dito que 2022 foi o ano do rascunho, com vários trabalhos que comecei a esboçar, várias ideias de temáticas e séries, mas que ficaram somente no rascunho. Por isso, estou me dedicando (e pretendo continuar ao longo do ano) a tirar esses projetos somente do esboço e transformá-los em artes finalizadas.


Depois de passar o ano todo mergulhada na leitura de Mistérios da Lua Negra, da Demetra George, livro que me ajudou a lidar com o luto e, principalmente, com o luto dentro do processo criativo, me peguei desenhando muitas deusas, divindades de diversas partes do mundo, e também animais, grupos de mulheres, mulheres mais velhas...


E nesse processo surgiu a imagem de Rhiannon, a deusa galesa dos cavalos, a Grande Rainha, que casou-se com o mortal Pwyll e lhe deu um filho, que desapareceu ao nascer. As servas de Rhiannon enganaram a rainha, esfregando sangue de um animal em suas vestes, e acusando-a de ter devorado a criança. Como castigo, Rhiannon foi condenada a carregar os hóspedes que passavam pela sua casa nas costas, como se fosse um cavalo. Após a criança ser finalmente encontrada, o castigo da deusa foi retirado (contei a lenda de maneira muito reduzida, recomendo o livro Divinas Mulheres, da Ann Shen, para conhecer essa e outras lendas).


Rhiannon vai falar sobre resiliência, perseverança e sobre acreditar em si mesma. Num mundo cada vez mais focado na performance da felicidade e da vida perfeita, acolher as nossas feridas e carregar nossos próprios fardos é um ato de coragem.



Por acreditar que essa ilustração merecia estar num papel A3 (que eu não tinha!), resolvi comprar às pressas o único papel disponível na loja - o da linha universitária da Canson, e deu tudo errado, pois detesto a textura desse papel e, por mais que esteja pintando com uma tinta excelente, não consigo alcançar os resultados desejados com ele. Respirei fundo, resolvi digitalizar o rascunho, ajustá-lo para A4 e finalizar no papel 100% algodão que já estou acostumada a usar. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.


All your life you've never seen
A woman taken by the wind

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Minhas tintas e pincéis de sempre;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.



Quem prestou um pouquinho mais de atenção, viu que essa ilustra conversa com outra, Wild Spirit, que fiz em 2021. E é uma conversa intencional, e que pretendo fazer mais vezes, como parte do mapeamento que tenho feito de todos os elementos que se repetem no meu trabalho, bem como as paletas de cores que mais utilizo.


Os trechos em destaque são da música Rhiannon, da banda Fleetwood Mac, na voz da bruxona Stevie Nicks:


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Aquarela Portfólio Processo criativo

Viva Magenta! 🌸


2023 começou com uma quebra de tradição, para mim. É a primeira vez em 5 anos que decidi não ilustrar a carta de tarô regente, mas por um bom motivo: quero me dedicar a ilustrar meu próprio deck, pelo menos os arcanos maiores, então decidi pausar, por enquanto, esse ritual. 


Mas abro o novo ano com a cor escolhida pela Pantone: Viva Magenta! Por ser uma das minhas cores favoritas na aquarela, foi com muita alegria que recebi essa escolha, a "cor maravilha", perfeita para composições com flores e folhas. Esse trabalho foi um experimento no sketchbook da Ótima, que adquiri alguns meses atrás:


@lidydutra.art #FelizAnoNovo ♬ Angelic Cuff It - Jo An M


Tenho feito vídeos curtinhos assim no TikTok e no Instagram para mostrar os materiais que estou usando. Gostei bastante da gramatura do papel desse sketchbook, apesar de não ser exclusivo para aquarela, ele é recomendado para técnicas mistas, a folha é destacável, enruga pouco e fica tudo muito organizado e visualmente agradável. 


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 Materiais utilizados

  • Sketchbook para técnicas mistas Ótima;
  • Aquarelas Van Gogh e Sennelier (especificamente o magenta);
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Tris Vibes.


Eu não vou externar minhas expectativas para 2023, só espero que seja um ano calmo e esperançoso para todos nós. Que tenhamos força, vontade, valorização e condições de fazer arte ao longo do ano (e nos próximos também). ☆


E para quem deseja se organizar, ainda dá tempo de comprar meu calendário 2023, aqui nesse link. feliz ano novo!

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Aquarela Portfólio

Full Moon 🌕


2022 vai ser, para mim, o ano do rascunho. A quantidade de trabalhos que tenho no sketchbook, ou no caderno de anotações de ideias, ou em alguma folha solta dentro de uma pasta é a maior dos últimos anos. Criatividade e facilidade de colocar as coisas no papel nunca faltaram, o que faltou mesmo foi organizar meu tempo para finalizar. Geralmente, demoro muito para finalizar um trabalho, gosto de passar a tarde toda em imersão naquela proposta, faço muitas thumbnails para selecionar as cores, então isso toma um tempo que realmente não encontrei ao longo do ano. 


E esse trabalho é um dos que eu não conseguia finalizar, embora a ideia estivesse toda na minha cabeça desde a primeira volta do compasso para criar essa lua. Lá em setembro eu já tinha mostrado como ela era, e aproveitei agora a finalização do ano letivo para lançar à vida essa lua cheia tão imponente. Pintar luas requer muito mais do que colocar manchas no papel, é um trabalho que envolve observar fotos de satélite e de astrofotografia para saber o lugar dar coisas; é entender o quanto de água e o quanto de tinta são ideais para criar a mancha perfeita, e o resultado é exatamente o que imaginei desde o início:



Materiais utilizados

  • Papel Moulin DuRoy 300g satinado;
  • Aquarelas White Nights;
  • Guache TGA.


Como não podia deixar de ser, criei uma série de produtos com essa ilustração para minha loja na Colab55, que também está com um Calendário 2023 (em arquivo digital para impressão) criado com muito amor e carinho, com vários trabalhos que gosto muito e um preço especial (apenas R$ 19,99).


Enquanto isso, as redes sociais continuam explodindo, mas sigo aqui, firme e forte, para quem quiser acompanhar hehehe.

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Aquarela Portfólio Técnica Mista

Catrina Lila 💜


Outubro passou, eu tentei fazer um pequeno projeto de desenhos rápidos, não consegui e também falhei em tentar construir uma proposta temática para o Halloween, que tanto amo. Na verdade, a data passou meio sem sabor esse ano, sem a empolgação para desenhar que me impregnou em outras épocas. Ainda sonho com o equilíbrio entre docência e arte, que nunca chega, mas que me possibilitaria ter energia suficiente para essas datas novamente.


Mas tenho rascunhado bastante, então algumas ideias muito boas estão guardadas para um momento futuro. E foi justamente um rascunho de dois anos atrás que ressuscitei para fazer essa Catrina. Quem me acompanha pelo Instagram já viu o esboço dessa ilustração em idos de 2020. Ideia que ficou guardadinha no meu sketchbook, até ser tirada de lá.


Eu tinha "grandes planos" para esse rascunho, na verdade. Queria o melhor papel, uma paleta de cores sensacional, todos os meus chacras equilibrados na hora da pintura, mas estou falando de mim mesma, ou seja... coloquei muitas expectativas na pobre catrina, que nada tinha a ver com isso, e precisei salvá-la.



Escolhi sim um dos melhores papeis, o Strathmore, que é um desbunde de qualidade. Testei várias thumbnails com sugestões de paletas, e nenhuma me agradou verdadeiramente. Resolvi, então, tentar a dupla de complementares amarelo/roxo, com alguns toques de azul marinho e um vermelho mais frio. Na thumb funcionou plenamente, mas quando comecei a pintar, senti que não ia rolar, pois ao invés de trabalhar em úmido sobre úmido, fiz úmido sobre seco, e a tinta engrossou demais. 🤡


Se fosse em outras épocas, eu teria rasgado tudo e começado do zero e com ódio, mas resolvi guardar e esperar uma semana. E foi a melhor decisão que poderia tomar, pois resolvi lançar mão dos lápis de cor que colorem sobre fundo escuro para abrir os pontos de cor e luz que estavam faltando.



E ao fazer essa construção de camadas com lápis de cor e também com o marcador dourado, consegui dar profundidade e tornar a peça bastante elegante e sóbria, como a imagem de um antigo camafeu. As rosas douradas são uma homenagem as já conhecidas caveiras da Sylvia Ji, minha maior inspiração nesse tema. o resultado final:



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Strathmore 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis Keramik;
  • Lápis de cor Rijks Museum Bruynzeel;
  • Canetas nanquim e metálicas Pentel;
  • Marcador dourado Pilot.


Y ella es flama que se eleva
Y es un pájaro a volar
En la noche que se incendia
Estrella de oscuridad

Que busca entre la tiniebla
La dulce hoguera de el beso
Que mal amor en sus labios
El infierno es este cielo
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Aquarela Portfólio Projetos

Ondas tombando ininterruptamente 🌊


Em março deste ano me inscrevi no Edital Galeria Otroporto - 1º andar, promovido pela Otroporto Indústria Criativa, da vizinha cidade de Pelotas. Foi um dos raríssimos editais pagos em dinheiro para os artistas, além de subsidiar custeio de materiais e envio das obras, se necessário. Confesso que me inscrevi um pouco descrente, na base do incentivo de amigos, principalmente da Ramile (@rami_aquarelas), que participou do edital 2021 e tem trabalhos expostos lá. Descrente, porque vivo uma eterna luta entre a consistência do meu trabalho, o tempo de dedicação diminuído pela docência, e a síndrome de impostora que me acompanha em todas as ocasiões.



Mas resolvi arriscar, elaborei um portfólio e esboço de proposta, tentando olhar com carinho para minha trajetória, que é digna de orgulho sim, afinal são muitos anos dedicados à arte e a mostrar que artistas mulheres estão aí na atividade e merecem reconhecimento também. O tema do edital era águas e pessoas, e aproveitei para mergulhar em meu próprio acervo, resgatando um material muito querido, mas que adormeceu ao longo dos anos: a série produzida para a exposição Mulheres, de 2015. Das 15 ilustrações em tamanho A3 (formato raríssimo nas minhas atuais produções), selecionei três que se encaixavam no esboço que queria mostrar à Otroporto: as galáxias poderiam virar mares, e vice-versa.



E em abril recebi a notícia de que estava na lista de 18 artistas selecionados no edital, entre os 104 inscritos. Fiquei extremamente feliz, e isso renovou demais minhas energias para continuar criando, apesar de tudo. E para a minha surpresa maior, a proposta foi aceita na íntegra, com as ilustrações originais da exposição Mulheres, sem necessidade de fazer novos trabalhos. E novamente isso me fez olhar com muito carinho para a Lidiane do passado, e ver que tudo é processo, que coisas feitas há 7 anos atrás ainda podem ser extraordinárias.



Essa semana, a Otroporto divulgou as imagens dos meus trabalhos já em exposição, que receberam o nome de Ondas tombando ininterruptamente, em homenagem ao poema Liberdade, da Sophia de Mello Breyner Andresen.


Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
Sophia de Mello Breyner Andresen


E como acredito que toda boa experiência deve ser compartilhada para ajudar mais artistas, principalmente mulheres, a ocupar os espaços, vou deixar linkados aqui nesse post os arquivos do currículo e portfólio e da proposta de projeto enviados, para auxiliar quem deseja participar de editais e não sabe por onde começar. Também é possível ver algumas aplicações de mockup no meu perfil do Behance.



Para ver os meus trabalhos e também os de outros artistas incríveis, é só visitar o site, Instagram ou ir até a Otroporto, caso tenha a oportunidade.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Mulher Jovem 🌼


Em fevereiro desse ano comecei a esboçar uma série sobre a ciclicidade da mulher, partindo pela representação da mulher jovem e passando pela adulta/mãe, pela mãe e pela filha, pela anciã e, finalmente, pela representação de todas elas, numa composição harmônica. E tem sido tão gostoso pesquisar sobre cada uma dessas fases da vida, principalmente porque estou me detendo na anciã. E agora estou entregando o primeiro trabalho dessa série, que gostaria muito de ver em formato de exposição, assim que concluir.



Foi o meu retorno para a aquarela, depois de alguns meses trabalhando somente com grafite e lápis de cor. E foi como se eu nunca tivesse parado de pintar, porque a tinta fluiu tranquilamente pelo papel. Talvez o fato de ter definido uma paleta pessoal para utilizar nas minhas ilustras tenha ajudado bastante, pois não gasto tempo e energia pensando no esquema de cores. Além disso, trabalho com um círculo cromático em mãos, e também com thumbnails ou marcações na folha de rascunho, que ajudam a visualizar o que combina mais com a proposta inicial que tenho em mente.



As folhagens lembram o boldo, mas não foi intencional (talvez por ter um pé gigante de boldo, essa imagem fique no meu subconsciente), o intuito era mostrar uma natureza frondosa e em plena floração, e uma mulher que está recém florindo também. O resultado:



Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Minhas tintas e pincéis de sempre;
  • Lápis de cor aquarelável Albrecht Dürer;
  • Marcadores Pentel e Derwent.
Certo dia, Perséfone folgava nas campinas de Nisa com as filhas de Oceano. Estava na companhia de Atena e de Ártemis, mas sua mãe, Deméter, não estava com elas. Perséfone foi atraída por um magnífico narciso. Enquanto o contemplava, o solo se abriu e Hades, o deus do Mundo Inferior, apareceu em sua carruagem, tomou-a nos braços e a levou para ser sua noiva. De muito longe, Deméter ouviu os queixosos gritos da donzela. Uma profunda melancolia tomou conta de seu coração e ela, jogando sobre os ombros um véu sombrio, voou como ave sobre mares e terras procurando a sua Kore, a sua filha. - A deusa tríplice: em busca do feminino arquetípico, Adam Mclean.

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