É preciso estar triste para criar?
Este texto foi publicado na minha finada newsletter e hoje, fazendo uma pesquisa nos meus e-mails, o redescobri. Fiquei bem contente com o que escrevi (há dois anos atrás) e resolvi resgatar essa reflexão, deixando-a registrada aqui no blog. Enjoy!
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A figura do artista mentalmente perturbado é bastante comum em nossa sociedade. Talvez o expoente máximo seja Van Gogh: incompreendido, genial, problemático. Viveu na miséria, para ter sua obra reconhecida e glorificada séculos depois de sua morte. Essa é uma visão bastante nociva do ser artista, mas que ainda é bastante propagada (inclusive, pelos próprios artistas). Quanto maior o nível de perturbação, mais intensa e grandiosa a obra. Será?
A Sarah Andersen, quadrinista que acompanho há um bom tempo, publicou essa tirinha, que resume bem o que penso sobre o tormento do artista. Existe o mito de que a criatividade está associada à tristeza, e de que os momentos mais inspiradores são também os mais dolorosos. Mas isso está longe de ser uma regra, pois o processo criativo é algo muito subjetivo. Além disso, esse mito ajuda a reforçar o estereótipo do artista louco, e afasta a compreensão de que arte é um trabalho, como qualquer outro.
Essa visão obtusa sobre o fazer artístico carrega um pouco de romantização, e outro tanto de desumanização do indivíduo artista. A sociedade acaba justificando pela arte qualquer problema real que essa pessoa tenha (doenças mentais, alcoolismo, abuso de drogas, violência), com o argumento de que "faz parte do pacote". Ao mesmo tempo, qualquer profissional que não se encaixe nessa construção social, acaba por não ser visto como um bom artista ou um artista verdadeiro.
Por ser um campo do conhecimento que trabalha constantemente com a subjetividade, a arte tende a ser encarada como algo incompreensível, cheio de códigos que somente poucos iniciados têm acesso. O que não deixa de ser outra construção social, relacionada principalmente ao status. Para muitos artistas, é conveniente que o público tenha a crença de que eles são esses poucos escolhidos, que conseguem decifrar os meandros que um leigo jamais conseguirá. Isso ajuda a manter o interesse e relevância de suas obras.
Talvez daí venha também o desdém que muitos carregam por artistas comerciais (e aqui não vou entrar no mérito estético de ser bom ou ruim), como Romero Britto. Ser acessível e popular parecem coisas que destoam completamente do discurso artístico dominante. É contra o fluxo natural das coisas.
É preciso estar triste para criar?
É preciso estar feliz para criar?
É preciso QUERER criar. Assim como também é preciso aprender, experimentar, se atualizar, ler, interagir, pensar, refletir... Mais do que tentar colocar os artistas em caixinhas como problemático, estressado, deprimido, a sociedade deve entender que cada um tem seus próprios processos criativos, e que o estado de espírito no momento da criação é apenas um dos aspectos que irão moldar aquela obra.
Por que eu sou desenhista? Este vídeo da Ale Presser sobre o que a motiva a desenhar, e que oferece um panorama poético e profissional sobre a prática artística. É possível perceber que arte envolve muito mais do que sentimento.
#1 Blue
Resolvi fazer uma pequena série de três trabalhos (a princípio), utilizando lápis de cor, que é o material para o qual eu sistematicamente volto quando preciso trabalhar com cor, mas não estou conseguindo usar aquarela.
Por enquanto, essa série não tem nome, estou mais preocupada em ter uma rotina de desenho do que em criar coisas perfeitamente acabadas. E também é uma oportunidade de usar o estojo de lápis Rijksmuseum Bruynzeel, que é absurdamente lindo e com cores altamente pigmentadas, e também os SuperSoft da Faber-Castell, que apresentam cores bem semelhantes, porém mais suaves, proporcionando misturas interessantes.
Fiz somente uma foto do esboço inicial, que compartilhei nos stories do Instagram, pois também não me preocupei em parar e fazer vários registros, acho que isso me atrapalha um pouco. Coloquei um vídeo para rodar no celular e deixei ele de lado durante a pintura.
A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.
Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).
- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!
As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.
Sobre os lápis de cor da Bruynzeel
Eu já conhecia a linha 8815 de lápis grafite, tenho um 5B super macio e gostoso de trabalhar, mas confesso que fiquei receosa de comprar os lápis de cor e me decepcionar, sou bastante apegada aos Polycolor. Procurei alguns vídeos e resenhas, confesso que não achei muita coisa, mas decidi arriscar mesmo assim. Essa edição é especial, em parceria com o Rijksmuseum, e traz na embalagem obras de diferentes artistas que estão no acervo da instituição. Nesta que comprei é A Leiteira, de Johannes Vermeer.A seleção de cores é muito semelhante aos SoftColor, da Faber-Castell. A grande diferença vai ficar por conta da alta pigmentação dos Bruynzeel e da maciez da mina, que desliza muito suavemente e entrega bastante cor ao papel. A título de comparação, os da Faber são menos intensos, porém, ao usar as duas marcas em conjunto, consegui fazer misturas muito interessantes e chegar nas tonalidades desejadas, como no cabelo da figura: 3 cores de Bruynzeel e uma de SoftColor.
Os detalhes em dourado ficaram por conta de uma nova caneta que também adquiri, da Uni Paint. Ela une o melhor de dois mundos: a pigmentação da Posca e a precisão de uma caneta gel, e tem uma coloração linda (pena que o scanner matou o dourado na arte final, mas dá pra ter uma noção nas fotos).
Materiais utilizados
- Papel Nostalgia Hahnemühle;- Lápis de cor Rijksmuseum Bruynzeel;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Caneta dourada Uni Paint;
- Multiliner Pigma Sakura.
E sempre passo um verniz fixador ao final, para segurar tudo!
As próximas da série também terão cabelos coloridos, mas ainda estou decidindo quais cores. É uma forma de sair da mesmice e usar as tonalidades mais bonitas e diferentes. Mês de maio está quase aí mas, sinceramente, não sei se participarei do MerMay esse ano... Se eu fizer algum trabalho, será único, e não uma ilustra por semana.
Conheça meu portfólio profissional
Loja virtual | Contato: lidiane@lidydutra.com
Blooming Flowers 🌸
Antes de começar a falar sobre essa ilustração, gostaria de informar que a exposição GAIA fica em cartaz até sexta-feira, dia 29/03! Todas as informações estão neste post e, na próxima quarta-feira, estarei no programa Paralelo 30, da FURG FM, para falar sobre meu trabalho.
Meu ritmo de trabalho tem mudado bastante nos últimos tempos. A dedicação à docência, associada ao fato de que não estou aceitando encomendas (no momento), fizeram com que todo o tempo dedicado à arte fosse para fins pessoais, então não há pressão para finalizar, postar, colocar na loja, etc. Por um lado isso é ótimo, pois diminui minha ansiedade e me dá espaço para pensar com calma no que desejo fazer. Por outro, cada vez mais tenho me afastado das redes sociais, principalmente Instagram, pois sinto que não consigo acompanhar o ritmo de publicações/curtidas necessários para que meu perfil cresça. Sinceramente, não tenho mais saco pra correr atrás de algoritmo, e acredito que 99% dos artistas também não tem.
Esse foi meu primeiro contato com o papel Hahnemühle para aquarela, 300g, textura fina. Ele tem um custo relativamente barato, se compararmos com outros papéis para aquarela, e uma qualidade muito boa, achei bastante parecido com a linha Canson Héritage. É um papel que absorve bem a tinta e seca na medida, permitindo fazer novas camadas. O começo da pintura é sempre o mesmo, fiz um fundinho em ciano antes de começar esse costeiro florido.
Em seguida, fui colorindo essas flores com dioxazine, magenta e o mesmo ciano, além do sap green nas folhagens. Gostei muito desse contraste de cores, acho que nunca havia colorido flores assim. Tomei o cuidado em deixar a figura feminina o mais neutra possível, pois aqui as flores são as protagonistas, e eu não queria um carnaval de cores confusas. Usei essa foto da Gisele como referência e, se for pensar que não estou estudando anatomia como deveria, até que consegui um resultado bem joinha...
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Hahnemühle 300g, grana fina;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik, linhas 411 e 413;
- Multiliner Copic e caneta dourada para os detalhes;
- Veja todos os materiais que usei clicando aqui.
Mais um trabalho que curti e que me deixou em paz comigo mesma e com minhas dificuldades, aprendizados e limites. Acho muito importante que, principalmente nós, mulheres, estejamos em harmonia com nosso trabalho criativo, pois criar não é fácil, e ter noção de até onde podemos ir e de que não precisamos nos cobrar tanto já é metade do caminho.
E para quem ainda tem paciência para redes sociais e quiser me acompanhar no Instagram e no Facebook, acabei trocando de username, para preservar meus perfis pessoais. Agora sou @lidydutra.art nessas duas redes (nas demais, sigo como @lidydutra).
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