O Ato Criativo: uma forma de ser
O Ato Criativo: uma forma de ser, é um livro escrito pelo produtor musical Rick Rubin. Descobri esse título através das minhas pesquisas pela Amazon e só depois fiquei sabendo do hype em outras redes sociais. Rubin é produtor de um dos meus álbuns favoritos, o autointitulado da banda Audioslave, de 2002. E também do Vol. 3: (The Subliminal Verses), do Slipknot, de 2004.
A obra é uma mistura de Roube como um artista & conselhos de vida do autor e, apesar de algumas passagens inspiradoras, como um todo, achei o livro bem mais do mesmo, com aquela vibe espiritual de boutique, vinda de gente privilegiada, que já conquistou uma posição de destaque em seu nicho e agora prega coisas como: tire cinco minutos do seu dia para meditar e você verá um milagre acontecer em sua vida.
O livro é dividido em capítulos curtos, nos quais Rubin fala sobre a fonte para inspiração, a constância no trabalho criativo, o sentido da obra de arte para o artista e para o espectador, alternando com pequenos poemas, que oferecem para os leitores um lembrete do por quê se dedicar à criação e como podemos vencer nosso próprios demônios para enfrentar seja a folha em branco, a primeira nota de uma música ou os movimentos num palco.
Viver como um artista é uma prática.
Você se engaja nela
ou não
Não faz sentido dizer que você não é bom nisso.
É como dizer "Não sou bom em ser monge".
Você vive como um monge ou não.
Tendemos a pensar na obra do artista
como o produto.
A obra real do artista
é um modo de estar no mundo.
(p. 37)
Dentre os capítulos que mais gostei está Hábitos, no qual o autor traz uma lista de pensamentos e hábitos não propícios ao trabalho, dentre eles culpar os outros pelas interferências no seu processo e não se sentir bom o bastante. Também gostei de Sucesso, no qual Rubin fala que essa medida está entre artista e obra; no quanto o artista está pronto para deixar sua criação ir, e não baseado em sucesso popular, que depende de um conjunto de fatores e alinhamentos (muito necessário em tempos de redes sociais).
Mas o tom geral do livro é bem ligado com espiritualidade, e não há nada de errado com isso, o problema é aquele que falei lá no começo: é o de uma pessoa privilegiada, que pode se dar ao luxo de sair para fazer uma trilha para se reconectar com sua criatividade, por exemplo. E sabemos que essa não é a realidade da grande maioria dos artistas, que estão numa luta diária para pagar as contas.
O Ato Criativo custa R$ 59,90 e não vou impedir ninguém de gastar esse valor, caso queira realmente ler esta obra, mas deixo registrado aqui que existem muitos livros mais densos, com mais lastro teórico e até com vivências artísticas mais próximas da realidade de muitos criadores. Para uma lista com várias indicações que já resenhei aqui no blog, vá até a seção FAQ ou procure pela tag LIVROS.
Quase quarentando e (ainda) blogando
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| Uma jovem prestes a criar um blog, com seus longos cabelos. À esquerda, embaixo, meu orientador Victor Hugo. Turma de 2009 do Mestrado em Educação Ambiental da FURG. |
14 anos. Essa é a idade de um adolescente do 9º ano, que está às portas do Ensino Médio. Quando esse estudante estava nascendo, eu digitei pela primeira vez no blogspot desenharehpreciso. E os motivos de clicar em publicar logo após definir meu user nada tinham a ver necessariamente com desenho. Eu precisava qualificar meu projeto de dissertação, havia rompido com meu orientador original e tinha sido acolhida por outro orientador, o professor Victor Hugo, falecido há quase dois anos. O Victor sempre me falava que não havia motivos pra sofrer, que as coisas não precisavam ser um sofrimento. 14 anos mais tarde e talvez eu ainda não leve esse conselho dele como deveria.
14 anos separam aquela Lidiane jovem, de 25 anos, que precisava escrever um projeto de mestrado, que recém estava começando a falar no MSN com um cara apresentado por uma amiga, e que usava um espaço que ela não sabia mexer muito bem, pois tinha chegado atrasada nesse rolê de blog (a infância e adolescência humildes não permitiram ela ter um computador até entrar na faculdade), postando desenhos escaneados numa qualidade minúscula, sem muito o que dizer sobre, e quando dizia, numa linguagem acadêmica e meio truncada.
14 anos é uma vida, tantas redes sociais surgiram e se foram, o Orkut virou acervo de museu, o TikTok já é oficialmente uma rede de pessoas de meia idade, e os jovens postam suas fotos no VSCO, aquele mesmo que a gente usava pra colocar efeito bokeh nas fotos do Tumblr. Todas, eu disse todas as pessoas que eu seguia em 2010 tomaram outros rumos na vida. Eu mesma já estou há mais de meia década dando aula. Mas todas as postagens eu lembro como se tivessem sido escritas ontem.
Entrar aqui sempre é uma cápsula do tempo: eu volto ao passado, registro o presente e projeto o futuro. Às vezes dá a sensação de permanecer parada no mesmo lugar. Por que ainda faço isso? Ainda tem sentido? Precisa fazer? E pra quem?
Ontem mesmo, conversando com uma amiga, ela falou sobre essa mulher moderna, quase quarentona, mas que continua ligada nas coisas. Eu sou essa mulher. Sempre que um estudante fala sora, mas tu sabe tal coisa? (geralmente um meme) eu me sinto ofendida, afinal eu ainda sou jovem. Uma jovem de meia idade! Não cite a magia profunda para mim, eu estava lá quando ela foi criada...
Então é sempre nesse misto de sentimentos, que vão se intensificando com o passar do tempo, com as tendências sendo reeditadas, com coisas indo e vindo, com as intermitências do tempo, que sigo por aqui. Postando meus trabalhos, falando coisas que talvez só façam sentido pra mim, e que talvez não cheguem a um número considerável de pessoas. Eu estou deixando cada vez mais as redes sociais, pra mim é um alívio não me manter informada sobre coisas que vão me deixar péssima. Diminuí meu número de redes para 3 e os serviços de streaming são basicamente pra ouvir música e ver vídeos para me distrair enquanto faço faxina na casa ou desenho. Eu sou uma jovem de meia idade, mas estou envelhecendo, e o blog vem cumprindo sua função de fazer minha presença na web sem me preocupar muito em voltar no dia seguinte.
Estarei aqui para a festa de debutante desse espaço, com direito a vestido e bolo? Não sei, mas enquanto eu estiver aqui, sigo postando meu trabalho, as coisas que fazem sentido pra mim, criando minha própria bolha e vivendo a máxima dos pinguins de Madagascar: sorria e acene.
A vida não precisa ser esse sofrimento todo.
Matrioska
E assim que comecei a pintar, não parei até terminar toda a base. Como está fazendo um clima muito quente, a tinta seca bem rápido, então para evitar manchas, as aguadas precisavam ser bem generosas - e ao mesmo tempo precisas, pois como já falei, não podia errar hehehehe. Foi um desafio e tanto! Depois de feito todo o fundo, passei uma segunda demão onde precisava e passei aos detalhes dos rostinhos e também os ornamentos, que fiz com caneta dourada.
Optamos também por fazer um sombreado no chão, para que a matrioska não ficasse "voando" no papel. Usei pouquíssimos recursos adicionais à tinta, apenas um lápis de cor para conferir profundidade em algumas partes do rosto e a caneta naquim para o contorno dos olhos e detalhes muito miúdos. De resto, confiei na tinta e confiei no processo.
Detalhe do ornamento, que é igual em todas as matrioskas, para evitar poluição visual. Abaixo, uma foto minha com o trabalho já finalizado para vocês terem uma ideia do tamanho do papel, bem diferente do que estou acostumada a trabalhar.
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches 100% algodão;
- Aquarelas Talens e White Nights;
- Guache Talens;
- Marcadores Derwent e Sakura para os detalhes;
- Lápis Koh-I-Noor para os detalhes;
- Pincéis sortidos;
- Spray fixador.
Acima, eu feliz com o resultado de um trabalho tão bonito e que adorei fazer. Agradeço à Rami por ter me indicado, à Gabi por confiar no meu trabalho, à outra Gabi, que gentilmente fez a ponte da entrega, e a todos que, de uma maneira ou de outra, continuam me apoiando para que, 14 anos depois, eu continue produzindo arte.
E se você quiser uma arte exclusiva, tradicional ou digital, para chamar de sua, estou com encomendas abertas. Todo o mês, abrirei quatro vagas na minha agenda para comissões de retratos e outros trabalhos que dialoguem com o meu estilo. Se você se interessou, basta mandar um e-mail para lidiane@lidydutra.com ou entrar em contato pelo direct do meu Instagram.









