Lidiane Dutra
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Aquarela Portfólio Projetos

Pampa Encantado

 


Pampa Encantado é uma estampa autoral que criei em aquarela para a marca rio-grandina Pé de Corticeira. Eu já tinha feito outra ilustração para a Karine, para o aniversário da filha dela, um mapa mundi cheio de animais em cada continente, um trabalho que gosto demais. E dessa vez ela me chamou para criar uma estampa com elementos mágicos ligados a personagens e lugares típicos do Rio Grande do Sul.


Assim, nasceu uma fada corticeira, um gnomo gaudério tomando chimarrão, um sorro dorminhoco e um quero-quero, todos à sombra da corticeira, árvore nativa daqui. 




Colaboramos bastante em relação às ideias, precisava ser uma ilustração infantil, lúdica, e a Karine foi me dando o direcionamento sobre como queria os personagens. Quem quiser adquirir uma camiseta com essa estampa é só entrar em contato através do Instagram Pé de Corticeira, e ver os tamanhos disponíveis.


Eu criei uma loja na plataforma Nuvem e estou tentando criar um subdomínio bonitinho, que converse com o domínio do blog, mas estou apanhando hehehe. Por enquanto, o endereço para acessar a loja é lidydutra.lojavirtualnuvem.com.br, mas se mudar eu atualizo nos demais espaços linkados aqui na página. Lá é possível encontrar postais, prints e originais.

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Reflexões

Como tem sido participar de feiras (uma reflexão)


Tem sido louco (sobem os créditos).


Brincadeiras à parte, tem sido um verdadeiro exercício de desprendimento de tudo que eu acreditava já saber sobre meu próprio trabalho e sobre como o público enxerga e consome arte. E esse exercício tem me desacomodado um bocado, e me feito recalcular rotas que pareciam já estar estabelecidas.

Background

Eu vim da loja online e da comissão. Durante anos, tive lojas nas mais variadas plataformas, comecei lá nos concursos de estampa do Camiseteria e depois migrei direto pro Society6, um site internacional que me ajudou a vender demais, principalmente na época das Catrinas. Tem gente em todas as partes do mundo com produtos com essa estampa, acho isso sensacional. 

Depois, arrisquei em espaços nacionais, como a Urban Arts, que foi muito boa até exigir exclusividade das artes e eu optar por sair fora (eles tinham lojas físicas pelo país também) e outros sites menores, como Vandal e Vitrinepix. Até que cheguei na minha colaboração mais longa, com a Colab55, que tinha um formato muito parecido com o Society6, mas que com o tempo se mostrou inviável por conta do frete. Vale lembrar que nesse meio tempo ainda tive apoiadores pelo Padrim (pior experiência do planeta) e segui com comissões de tudo um pouco.

Em 2018, tive minha primeira nomeação em concurso público (a segunda foi em 2020), e tomei uma decisão:  já que eu tinha como pagar minhas contas e me sustentar com meu salário de professora, eu ia canalizar através da arte inteiramente a minha visão pessoal de mundo, dar vazão aos projetos engavetados e não me importar mais em pegar qualquer trabalho para fazer, nem em ficar divulgando loja ou produtos. E foi assim até o ano passado, quando decidi voltar a aceitar encomendas muito selecionadas, daquelas que eu olhasse e dissesse: poxa, isso aqui vale a pena.

Ou seja, passei os últimos anos totalmente abstraída de que poderia gerar um produto com uma arte minha, ou vender um original. Quando aconteceu o primeiro convite para participar de uma feira, nem pensei em nada disso, só fui na cara e na coragem para pintar ao vivo e me desprender de um medo interno que era produzir na frente de um grupo de pessoas.

voltando para o presente

Já para a segunda feira, decidi dar um passo além. Ao observar os demais expositores, vi que poderia ser uma oportunidade não só de mostrar meu trabalho, como também oferecê-lo ao público através de alternativas mais baratas, como os prints, que já eram muito conhecidos por mim do tempo das lojas online.

Acabei fazendo um investimento em prints tamanho A4, A5 e A6, e ainda alguns originais menores. Comprei expositores para apresentar esses trabalhos de uma forma melhor e também embalagens. Mandei fazer um carimbo com a minha marca, e durante todo esse percurso vieram as dificuldades com fornecedores, correios e tudo o mais. Mas esse investimento não foi algo financeiramente inviável: foi bastante calculado e que poderia ser resgatado a curto, médio ou longo prazo. E assim fui para a minha segunda participação em feira, ainda pintando, mas também vendendo.

a reação do público

O que pude perceber foi um choque muito grande entre a minha visão e a das pessoas. Não digo apenas sobre arte em si, mas sobre tudo: sobre o que é um produto artístico, sobre apresentação desse produto, sobre significado desse produto... foi uma queda no vale da estranheza (não estou dizendo que isso é ruim).

No começo, as pessoas nem paravam na minha banca. Quando começaram a parar e expliquei do que se tratava, muitos olhavam com aquela expressão de que interessante, mas logo seguiam seu caminho. No geral, a maioria não sabia o que era um print e precisei explicar que é uma impressão de boa qualidade. Quem já me conhecia chegou na banca e comprou. Mas quem estava ali passando me via meio que como um corpo estranho, tentando decifrar a utilidade.

Também aconteceu muito de perguntarem o significado das obras. E aqui vem um sentimento que me pega de jeito de vez em quando: estar cronicamente online, registrando e catalogando meu processo criativo, seja aqui no blog ou nas redes sociais, não quer dizer que as pessoas vão internalizar sobre o que se trata, pois a grande maioria está apenas vivendo sua vida, e não há nada de errado com isso.

Conclusão (por enquanto)

Embora eu tenha vendido um pouco, fica a sensação de que eu preciso construir uma ponte com o público presencial desses eventos se quiser continuar participando deles. Seja explicando o que é um print, por que um original é caro, do que se trata o tema da obra, qual a diferença entre baixar uma imagem da internent e imprimir ou gerar uma imagem de IA e comprar de uma artista.

Vejo esses espaços como lugar pra fazer uma renda extra, para me apresentar regularmente ao público da minha própria cidade e para criar conexões. Sem paranoia, sem pressão de vender tudo o que apresento. E aqui falo isso com total respeito aos expositores que participam de eventos regularmente e preciam manter uma constância de vendas. O meu lugar é o de uma pessoa que tem seu emprego formal e que também é artista, e quer um espaço para educar o público para a arte e, consequentemente, vender o que produz. 

Então, participar de feiras e eventos vem muito nesse sentido de educar, de formar público, de dizer que arte rio-grandina não é só sobre a cidade, mas também pode ser uma deusa, também pode ser abstrato, também pode abrir outras possibilidades. E vender também.

Por ora, o investimento inicial foi feito e vou jogar com isso para os próximos eventos, e talvez apresente outras formar de fazer arte ao vivo, seja desenhando no tablet, ou com uma oficina. Também não pretendo participar de todos os eventos que surgirem, pois preciso conciliar com meus projetos pessoais e dar tempo para pensar no que expor numa próxima vez.

Acho que era isso, fico aliviada de poder colocar pra fora esse caos criativo que se instalou dentro de mim nos últimos tempos. Sigam me acompanhando para ver por onde ando e como estou me saindo.
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Dicas Livros Reflexões

Modos de ver, de John Berger

 


Pense num livro que oferece uma visão totalmente disruptiva sobre arte e suas relações com a publicidade e com o capitalismo? Modos de ver é um livro originado a partir da série homônima de 1972. Embora mais de 50 anos separem o lançamento da obra da minha leitura, esse é um daqueles livros atemporais, e que merecem ser relidos de tempos em tempos. Custei a trazer uma impressão aqui, pois foi muito difícil colocar em palavras o tanto que esse livro me impactou, e o quanto eu ansiava por um texto tão incisivo e ao mesmo tempo tão irreverente.


Lá em junho do ano passado eu já tinha publicado um texto reflexivo sobre arte, IA e lifestyle, sobre o que o público espera ver de um artista na internet - não os seus métodos, ou os seus materiais, mas sim a aesthetic da sua vida e quanto isso agrega de valor ao ser consumido. E alguns meses mais tarde, ao ler John Berger, senti que minha linha de pensamento tinha algum fundamento. Vou colocar abaixo a sinopse da editora e em seguida minhas partes favoritas:


Nestes ensaios clássicos baseados na série televisiva inglesa Modos de ver, exibida em 1972, John Berger revoluciona a crítica de arte ao apontar as estruturas de poder presentes no processo de criação de imagens. Se hoje, cinquenta anos após a escrita deste livro, ainda é preciso reforçar que “uma imagem é a recriação ou a reprodução de uma visão” — ou, como afirma Djaimilia Pereira de Almeida em seu prefácio, que devemos encarar “a visão enquanto vivificação e a observação da arte como paralela à observação da vida” —, a leitura de Berger, essencial em tempos de propagandas por toda parte, se faz mais urgente do que nunca.


O primeiro texto parte da pintura a óleo, técnica consagrada pela arte europeia. Após a reprodutibilidade técnica, tornou-se possível ver trabalhos a óleo fora dos castelos, igrejas e residências privadas a que se destinaram um dia, e, isolados de seu contexto original, eles circulam pelo mundo sem serem de fato compreendidos. Quando se instituiu que eram obras de arte, esses trabalhos passaram a ser interpretados — e mistificados — segundo pressupostos como beleza, verdade e genialidade, os quais eram ditados pelo modo de ver específico de uma minoria social no poder.

Em outro ensaio, John Berger aborda a representação da mulher na arte ocidental, apreendendo de que maneiras na tradição do nu o corpo feminino se tornou objeto a serviço do olhar masculino. Com perspicácia, o autor afirma que o protagonista de um nu jamais é mostrado: ele é o espectador diante do quadro, para quem as “figuras assumem a sua nudação”. Berger esmiúça, ainda, as naturezas-mortas, que em seu auge expunham objetos extorquidos por feitorias escravocratas. E não se priva de olhar para o impacto da publicidade no século 20, expondo como ela se vale da tradição artística para explorar os impulsos consumistas de quem a observa.

Coletivo, emancipatório e com toda a vitalidade da insurreição social dos anos 1970, Modos de ver é um tratado contra o sequestro do olhar pela imagem na sociedade capitalista e um alerta para a linguagem não verbal.
A própria sinopse já entrega vários pontos interessantíssimos, e tentar ir além aqui é chover no molhado. Então, trago os pontos que mais me impactaram e me fizeram pensar (e me tiraram o sono):

A reprodutibilidade técnica

Logo no primeiro capítulo, o autor vai trazer uma reflexão atualizada acerca da reprodutibilidade de imagens (Walter Benjamin) e o quanto as reproduções de obras (Monalisa, por exemplo), se tornam elas mesmas referenciais, a partir do momento que são postas ao lado de outras imagens. Berger faz uma crítica à noção de patrimônio cultural nacional, que está amparado numa noção de autoridade da arte.
A arte do passado não existe mais da forma como existia. A sua autoridade está perdida. Em seu lugar, há uma linguagem de imagens. O que importa, agora, é saber quem utiliza essa linguagem e para quais fins. Isso envolve questões de direitos autorais de reprodução, controle de gráficas e editoras de arte, a totalidade da política de programação de galerias e museus de arte públicos. (...) Um povo ou uma classe alienada de seu próprio passado tem muito menos liberdade para fazer escolhas e agir como povo ou como classe que outros capazes de encontrar seu lugar na história. É por essa razão - e só por ela - que toda a arte do passado se tornou agora uma questão política. (p. 46)

Sobre nudez e nudação

Sabe aquele artista que sempre representa o corpo nu, principalmente o feminino, com um toque fetichista e que causa um incômodo que muitas mulheres, ao ver a obra, não sabem dizer de onde vem? Aqui nós temos uma explicação muito contundente (vinda de um homem branco europeu, a ironia). Berger fala que a mulher nasce num espaço pré determinado socialmente, e é acompanhada pela sua autoimagem durante toda a vida. A mulher vive em constante vigília sobre seus atos, principalmente em relação aos homens. "Homens olham para mulheres; mulheres observam a si mesmas sendo olhadas." (p. 58)

Vergonha, vaidade, julgamento e submissão são expressados em nus femininos a partir da história de Eva, dentro da tradição europeia; nus que possuem como protagonista não o corpo desnudo, mas o espectador, geralmente um homem, que olha para ele (modelo e obra) como senhor e dono dessa propriedade. A partir disso, Berger traz os conceitos de nudez e nudação, dentro da tradição pictórica europeia: nudez é estar desnudo, o nu é uma forma artística. Estar desnudo é algo natural, fazemos para tomar banho, por exemplo. Estar nu é ser visto desnudo por outros e se tornar um objeto por isso.

A pintura a óleo

A pintura a óleo que Berger fala não é apenas a técnica, mas sim a forma de expressão artística que se desenvolveu no período de ascensão do capitalismo, e que exigia semelhança pictórica, para que o colecionador pudesse legitimar suas posses através da arte. 
A pintura a óleo teve sobre as aparências o mesmo efeito que o capitalismo teve sobre as relações sociais.  Reduziu tudo ao padrão nivelador dos objetos. Tudo se tornou permutável porque tudo se tornou mercadoria. Toda realidade era medida mecanicamente por sua materialidade. (p. 101)
O mesmo vai acontecer com as naturezas-mortas, que se tornaram a tradução visual das grandes propriedades de terra, encomendadas pelos seus senhores para novamente mostrar um marcador de classe social. Dá vontade de sair correndo e gritando depois de ler esse capítulo.

Imagens publicitárias

Já as imagens publicitárias se valem desses elementos da tradição europeia para nos vender uma vida que não achamos que precisamos ter, mas que o capitalismo tardio nos faz acreditar que sim, precisamos. Elas criam necessidade de consumo.
A publicidade tem sempre em vista o futuro consumidor. Oferece-lhe uma imagem de si mesmo tornada atraente pelo produto ou pela oportunidade que ela procura ven-der. A imagem o induz a invejar a si mesmo tal como ele poderia vir a ser. No entanto, o que torna invejável essa "pessoa que ele poderia vir a ser"? A inveja alheia. A publicidade não tem a ver com os objetos, e sim com as relações sociais. Não é o prazer que ela promete, e sim a felicidade: a felicidade tal como vista do ex-terior, pelos outros. O glamour é a felicidade de ser invejado. (p. 150)
Depois de ler essa paulada, não cheguei a nenhuma conclusão, apenas a reflexões que vão se intensificando através das minhas vivências e do próprio curso da história, vide o que estamos observando acontecer com a moderação de conteúdo em redes sociais e toda a narrativa criada em períodos eleitorais, por exemplo. Ter consciência de toda essa trama é assustador, a vontade é largar tudo e sumir do mapa, mas é extremamente necessário para um artista engajado em seu tempo. Afinal, nossa arte serve a quem?

5★
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Aquarela Portfólio

Aquarelas botânicas


Como parte dos trabalhos que fiz para levar para a Feira Itinerante, pintei uma pequena série com quatro aquarelas botânicas. Essas pinturas foram feitas em papel Arches 100% algodão, 300g, torchon. É um formato que não tenho visto mais a venda no Brasil, são blocos colados dos 4 lados em formato "cheque", tamanho 10x25cm. São papéis maravilhosos e antigos da minha coleção, os primeiros da Arches que comprei, quando ela aidna pertencia à Canson. A embalagem era linda, e ainda acompanhava um pincel igualmente maravilhoso.


As aquarelas são: Crisântemo, Monstera, Espada-de-São-Jorge e Rosas. Agora, essa série está disponível por R$ 100,00 + frete. Quem se interessou, pode me mandar mensagem pelo Instagram, ou entrar em contato pelo e-mail lidiane@lidydutra.com. Envio para todo o Brasil.

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Dicas Livros

Como Ser Artista, Jerry Saltz


Como ser artista foi meu segundo livro lido da Editora Seiva. O primeiro, Arte e Medo, li em maio do ano passado e gostei bastante. Já essa leitura foi bastante afetada pela minha percepção, pois foi logo após ler o excepcional Modos de Ver, de John Berger, que pretendo falar em breve. Então, custei a entrar na ambientação do livro, mas depois que isso aconteceu, gostei bastante da experiência.

Como ser artista foi escrito pelo crítico de arte Jerry Saltz e é dividido em 63 pequenos capítulos, que geralmente não chegam a uma página, como se fossem "pílulas" para artistas. Esses 63 capítulos estão subdivididos em "passos": Você é um completo amador; Como começar de fato; Aprenda a pensar como artista; Entre no mundo da arte; Sobreviva ao mundo da arte; Conquiste um cérebro galático. 

Saltz, por ser crítico de arte, fala com bastante acidez e assertividade sobre o mercado de arte e o cinismo que permeia as relações desse meio, sem romantizá-lo. Esse foi um dos pontos que mais gostei e, de certa forma, me lembrou um livro de ficção que também li ano passado, chamado Meu ano de descanso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh, no qual a protagonista trabalha numa galeria e convive com pessoas medíocres, mas com muito QI e investimento.

Quero destacar alguns quotes que me impactaram e que levei pra vida:
Cada obra de arte é uma paisagem cultural do artista, feita de suas memórias, dos momentos que passou trabalhando, de suas esperanças, energias e neuroses, da época em que vive e de suas ambições. Das coisas que são envolventes, misteriosas, significativas, resistentes ao tempo. p. 19

Recentemente eu estava olhando uma série de tediosas fotografias de nuvens em preto e branco quando um galerista se aproximou para me informar que "Essas são imagens de nuvens sobre a cidade de Ferguson, no Missouri. Elas falam sobre protestos e violência policial". Eu me irritei. "Não falam, não! São apenas imagens de nuvens que não têm nada a ver com nada. Não são nem interessantes como fotografia!" Uma obra de arte não pode depender de explicações. O sentido tem que estar ali, no trabalho. Como disse Frank Stella: "Não existem boas ideias para pinturas, existem apenas boas pinturas". A pintura se torna a ideia. p. 59-60

A perfeição não existe. Nada nunca está verdadeiramente perfeito; sempre é possível fazer mais. Que pena! Está tão bom quanto pode estar neste momento e provavelmente isso é mais do que suficiente. O próximo trabalho será melhor, ou diferente, ou mais a sua cara. Não se prenda a um superprojeto para sempre. Por enquanto, faça algo, aprenda algo ou siga em frente. Caso contrário, afundará até a cintura na areia movediça do perfeccionismo. p. 73

Não posso pegar leve nesta próxima parte: algumas pessoas são mais bem relacionadas que outras. Elas vão conseguir doze apoiadores mais rápido. O mundo da arte está cheio de gente privilegiada. É injusto e é desigual. Especialmente para mulheres e artistas que foram racializados, assim como para aqueles acima dos quarenta. O caminho é mais difícil para esses artistas. Todos nós precisamos mudar isso. p. 110

Na maior parte das vezes, as características do seu trabalho que mais incomodam as pessoas são precisamente as que precisam ser cultivadas, levadas tão ao extremo do eixo do vício que acabam se tornando virtudes. p. 123

Vale destacar também os capítulos em que Saltz fala sobre a invenção da perspectiva pelo Ocidente; sobre o uso do ateliê como espaço sagrado do artista; e também o capítulo Arte é um verbo, no qual ele critica o lugar passivo que a arte tem em museus e galerias, sendo que ela historicamente é algo ativo, que permeia a nossa vida e nossas experiências.

Como ser artista é um livro rápido de ser livro e uma boa indicação para as férias.

4★

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Gaia

 


“Os gregos acreditavam que Gaia era a própria Terra. Sendo assim, cada pedra, árvore, rio é parte integrante do corpo da Deusa e por isso carregam parte de sua centelha divina e são sagrados. Mas Ela não era somente a personificação do planeta Terra. Gaia era também tudo o que incluiu o Universo, como a matéria e energia. (…) Gaia é considerada a grande provedora e nutridora da vida”. - Claudiney Prieto em Todas as Deusas do Mundo.
Foi com uma representação da Deusa Gaia que resolvi participar novamente da Feira Itinerante que, dessa vez, aconteceu no espaço da floricultura Pintanel Garden. Achei que seria representativo escolher a mãe-terra para estar num espaço cercado por natureza. Além de pintar ao vivo, também levei alguns prints e originais para venda, mas isso é assunto para outro post, no qual quero trazer algumas reflexões sobre essas minhas incursões em feiras e eventos. Por hora, ficaremos com a ilustração.

Sim, eu levei minha própria mesa para a feira.

Pintar ao ar livre tem seus obstáculos, dessa vez o vento estava bastante forte e, apesar de não ajudar em nada a secar as camadas da aquarela, acabou deixando a tinta mais espessa, o que me levava a reativá-la várias vezes. Nisso, as camadas iam ficando espessas também, o que me causou alguns problemas de manchas, que precisei contornar. 



Eu já tinha iniciado esse trabalho na metade do ano passado, mas acabei abandonando por não conseguir me dedicar integralmente a ele. Na minha cabeça, essa pintura teria um acabamento muito mais suave, e pensei até em fazê-la com lápis de cor. Mas, no fim das contas, acredito que consegui me conectar com o que a ocasião pedia, e minha Gaia ficou com as cores que realmente deveria ter.

Esses e muitos outros registros desse dia no meu Instagram.

Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Albrecht Dürer;
  • Pincéis que comprei na Shein;
  • Marcadores Derwent.


Aproveitando a ocasião do movimento que a Feira tem me trazido, criei um Instagram novo, chamado @thepaintermaiden, no qual vou dedicar, nesse primeiro momento, a ser meu espaço de loja virtual, e onde estarão para venda os prints e originais que levo para esses eventos. Quem quiser seguir, agradeço!
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Arte Digital Portfólio

The Painter Maiden

 


Já faz algum tempo que desejo ter uma marca, um logotipo que traduza não só o meu lado artístico, como também o pessoal, unindo as coisas que acredito e que fazem sentido para mim, e que frequentemente também aparecem nas minhas artes. Essa não é uma tarefa fácil, e não foram poucas as vezes que tentei algo e fiquei totalmente insatisfeita com o resultado, e me sentindo incapaz de traduzir em algo simples o significado que a arte tem na minha vida.


Durante os meus estudos e leituras sobre Hekate, a deusa com a qual tenho uma relação de devoção que começou em 2014, quando a representei pela primeira vez, sem saber muito bem quem era - na época, só o nome me veio à cabeça e sua forma tripla - conheci uma representação bastante diferente das imagens modernas, The Running Maiden of Eleusis (A Donzela Corredora de Elêusis). Essa imagem aparece no templo de Deméter em Elêusis, e faz parte de um conjunto que narra o rapto de Perséfone. A escultura está sem os braços, mas a partir de fragmentos encontrados, supõe-se que a deusa está segurando duas tochas, hipótese sustentada por reproduções modernas dessa escultura, como na imagem abaixo:



Quando postei a imagem da direita no Instagram, logo que adquiri uma cópia para mim, a Ju Votto, da Bruta Flor Chás, me mandou uma mensagem dizendo que parecia que deusa segurava dois pincéis. E a Ju estava certa! As tochas realmente pareciam dois pincéis de aquarela, e aquilo foi uma iluminação para mim (obrigada, Ju!). A partir dali, fiquei cada vez mais com essa donzela na minha cabeça, até que um dia tive a ideia final: assim como as tochas de Hekate iluminam o caminho de Perséfone até o Submundo, a arte ilumina e dá sentido à minha vida. Então, que a arte seja a luz e que a Deusa carregue essa mensagem, unindo, assim, meu lado artístico, pessoal e espiritual numa só imagem.


A referência que usei para montar minha ilustração não veio da escultura em si, mas de uma cerâmica que narra o mesmo tema. Nela, Hekate aparece com as duas tochas viradas para o mesmo lado. Ela ainda tem uma posição de "corrida", mas aqui acho a composição mais harmônica. Transferi a imagem abaixo para o Infinite Painter e tracei por cima, para pegar a maior quantidade de detalhes originais possível. Já as tochas foram substituídas por um pincel e um lápis, visto que também utilizo muito esse instrumento, seja grafite ou de cor, nos meus trabalhos.



Assim, nasceu The Painter Maiden (A Donzela Pintora), que é guardiã da luz artística e responsável por disseminá-la no mundo. Fiquei tão, mas tão feliz com o resultado desse trabalho, pois ele traduz de todas as formas possíveis meu amor pela arte e a conexão que carrego com a espiritualidade. Para completar, o logo também inclui uma meia-lua e várias estrelas, assim como as que coloco em meus trabalhos. A fonte é a que já venho utilizando desde a exposição TRÍVIA.



A partir de agora, essa imagem ficará no cabeçalho do site e em todos os materiais de divulgação do meu trabalho, através de carimbos, marcas d'água, dentre outros. Mal posso esperar para ver o tanto que posso criar a partir dela (e já quero fazer uma caneca). 


E para quem quiser conhecer mais a história da representação mais antiga de Hekate, recomendo o podcast Caverna de Hekate, da Márcia C. Silva. Clique aqui para assistir.


Que seja um ano de arte e iluminação para nós, e que para cada obstáculo que escureça nosso caminho, exista uma tocha para nos guiar para a luz.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Florescer (e minha 1ª pintura ao vivo numa feira)

 


A primeira e única feira que eu havia participado foi há 9 anos atrás, no Festival Co.Mundo. Na época fiz uma oficina de desenhos para colorir (quem diria que estaria em alta novamente?) e levei alguns postais e originais para vender (não vendi nada). Desde então, tirei da cabeça essa ideia de participar de feiras. Fui a algumas depois disso, e enquanto acontecia minha exposição na Livraria Hippocampus, teve a primeira Feira Itinerante, com diversos expositores locais. Prestigiei o evento e falei que a exposição que rolava paralelamente era a minha. Algum tempo depois a Maria, da Pratas Florescer, me convidou para participar da segunda edição da Feira... pintando ao vivo. 



Fiquei muito assustada com o convite, afinal, nunca pintei na frente de um público. Sou muito tímida em relação a isso, pois desenhar e pintar é algo muito íntimo para mim. Mas resolvi aceitar o convite e encarar o desafio. Arrumei minhas tintas, minhas ecobags, peguei minha cadeira ergonômica e arrastei o Antonio (apoio moral) no último dia 21, para participar da 2ª Feira Itinerante.





Me instalei num cantinho ensolarado da Pratas Florescer e comecei a pintar por volta das 16h. Levei o desenho pronto para não tomar tanto tempo, pois calculei uma média de 4 horas pintando. E acertei nesse ponto, pois levei 3 horas no total e minha lombar já estava gritando nos últimos momentos, pois não fiz pausas. Foi uma tarde muito gostosa, vi dança cigana, aula de yoga, conheci pessoas que buscam um estilo de vida mais conectado com a natureza, com a espiritualidade. Pintei a tarde toda, algo que não fazia há muito tempo. Me senti viva e bem!



Toda a ilustração foi um agradecimento para a Maria e remete à Pratas Florescer, desde o brinco e o anel, que são modelos dela, até o verde e as flores, que são das cores da planta que passei a tarde toda observando.


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela 100% algodão Hahnemühle;
  • Aquarelas White Nights;
  • Lápis de cor Albrecht Dürer;
  • Pincéis que comprei na Shein;
  • Marcadores Derwent.


Nessa edição não levei nada para vender. Eu fui me vender, mostrar meu trabalho e criar conexões. Para uma próxima edição, já me organizei melhor e vou levar sim alguns prints das ilustrações que o público mais gostou de ver na exposição, além de continuar pintando ao vivo. E se você estiver pelo Cassino, fique ligado no meu Instagram, pois vou divulgar em primeira mão por lá!

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