Lidiane Dutra
  • Home
  • Sobre
  • _Sobre mim
  • _Currículo
  • Trabalhos
  • _Portfólio
  • _Encomendas
  • Blog
  • _Arquivo
  • _FAQ
  • Contato
Reflexões

Não há mais vontade criativa que chegue ☔


Eu tenho tentado, em meio à montanha de trabalho que necessito vencer diariamente, manter um mínimo de sanidade me agarrando aos livros. Atualmente, estão na minha cabeceira Nós, mulheres, da Rosa Montero, um daqueles socos no estômago históricos, que nos fazem perceber o quão frágeis são os direitos das minorias, e Talvez você deva conversar com alguém, da Lori Gottlieb, terapeuta que narra suas aventuras enquanto profissional e paciente.


Fora isso, tudo é trabalho, o trabalho remoto que toma conta da casa, dos móveis, do celular incansável, da hora do almoço e do banho, pois se impregna em cada cômodo, disfarçado desse conceito chique de home office. Nunca senti tanta saudade de escola, do sinal tocando para anunciar a hora de entrada, o recreio, a saída. Do cansaço na sexta-feira, pois era um cansaço que deixava a semana para trás, o sentimento de dever cumprido. Hoje o dever é quantificar mensagens recebidas pelo WhatsApp e checar se áudio e vídeo estão funcionando no Meet.


Bueno, tirando isso - as leituras para manter a sanidade, e o trabalho - o resto é preocupação. Com o governo (ou a falta dele), a irresponsabilidade das pessoas, o egoísmo, o colapso, o negacionismo, a falta de perspectiva de sair desse buraco no qual nos enfiamos e ficamos tomando água de esgoto de guti-guti.


Não sei outros criativos, mas eu já joguei a toalha há uns bons meses. Fiquei no automático, fiz algumas coisas que precisavam ser feitas a duras penas, mas absolutamente nada mais sai de mim de maneira criativa e espontânea. Tudo é fruto ou da necessidade de cumprimento de prazos, ou de uma sensação vazia de preciso continuar senão enferrujo. Mas a verdade é que já faz um mês que não pego um lápis, que não sinto vontade de criar algo, e todo material que posto para manter as redes minimamente movimentadas é um grade tbt.


Não sei de onde nasce essa vontade criativa em meio ao caos e à desesperança. A Covid chega cada vez mais perto, infectando e matando conhecidos, colegas de profissão, anônimos que não são só números, são pessoas que tiveram família, sonhos e desejos.


Eu não sei de onde tirar essa vontade de criar no meio da morte. Aplaudo quem segue firme no seu propósito, fazendo arte ativista, usando o humor para denunciar o absurdo, ou simplesmente seguindo com as suas temáticas de costume como forma de resistência.


Eu não consigo mais, só quero que tudo isso passe, que alguém jogue a corda para que possamos sair do buraco. 


Escrevo esse texto direto do celular, num lampejo de tentar colocar os sentimentos na tela/papel. A impressão é de que todos estamos gritando, mas é um grito mudo, que ninguém ouve. Que tempos horríveis para ter acesso à informação, pois quanto mais leio e me informo, mais me desespero.


Enfim, não espero chegar a nenhuma conclusão com esse texto, é apenas um desabafo, e uma maneira de preencher esse espaço e justificar o pagamento do domínio. Talvez em breve eu publique um post agendado há algum tempo, que certamente vai destoar desse aqui, então tratarei de rever o texto, para se adequar ao meu momento de total descrédito na humanidade.


Fiquem bem, usem máscara e álcool em gel, evitem aglomerações e cuidem dos seus.


Foto via.

Leia mais →
Aquarela Portfólio

Dois de Fevereiro 🐚


Todo ano tento fazer uma pequena homenagem à Iemanjá, visto que por aqui sua celebração é bastante popular (e este ano não pode acontecer da maneira tradicional, por conta da pandemia). Dessa vez, a representei dentro de um barquinho de pescador, algo também muito particular da cultura rio-grandina, coroada por uma tiara de conchas e com estrelas prateadas em seu cabelo. Minha intenção era que a figura emoldurasse o barco, assim como as bandeirinhas emolduram as miniaturas que servem como oferenda, e também decoram as embarcações durante a travessia em homenagem à Nossa Senhora dos Navegantes, que acontece no canal Miguel da Cunha, que liga Rio Grande a São José do Norte.


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Canson XL;
  • Aquarelas Van Gogh e White Nights;
  • Pincéis Keramik;
  • Marcadores Pentel e Sakura.
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela
Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou

Dois de Fevereiro - Dorival Caymmi
Leia mais →
Portfólio Processo criativo

Blonde 🌹

Seguindo na minha busca pessoal pela melhor representação possível da Marilyn Monroe (aqui, uma de 2018), no final do ano passado consegui fazer um rascunho satisfatório baseado numa foto e, desde então, vinha pensando nas melhores maneiras de finalizar.

Leia mais →
Dicas Portfólio

Imunizadah 🐊


A Jacaroa Imunizadah vem pedir para você, que acessa este blog, que:

  • evite aglomerações, quem precisa sair para trabalhar tem que contar com a colaboração de quem pode ficar em casa;
  • use máscara (camada dupla, de preferência tripla) e álcool gel;
  • valorize a ciência e os profissionais que estão trabalhando na linha de frente, e que vão desde o pessoal da limpeza até o farmacêutico com pós-doutorado.

No site do Projeto Comprova, é possível checar informações sobre as vacinas e sobre o coronavírus. De acordo com o site: O Projeto Comprova reúne jornalistas de 28 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas sobre políticas públicas e a pandemia de covid-19 compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens. O Comprova é uma iniciativa sem fins lucrativos.

Acesse a Cartilha de Vacinas do Ministério da Saúde, através da qual você pode tirar dúvidas sobre o que são, para que servem e quais as principais vacinas do calendário nacional de vacinação.

Se você quiser se informar sobre a CoronaVac, a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac, visite o site oficial. E se quiser saber sobre a vacina da Fiocruz/Oxford, clique aqui.

#vemvacina

via GIPHY

Leia mais →
Dicas Projetos

Marítimas: sal, areia e arte feminista 🌊

Photo by Jakob Owens on Unsplash

"As Salka são as rejeitadas, as vítimas, as órfãs e os alvos de abusos". Os olhos de Ceto brilham de irritação. "Elas merecem sua compaixão. É difícil ser mulher nesse mundo, seja no fundo do mar ou na superfície." - A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões, Louise O'Neill.

Em A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões, reconto da famosa história de Hans Christian Andersen, a escritora Louise O'Neill usa a figura das Salka (inspiradas nas rusalkas do folclore russo, jovens que cometeram suicídio ou foram assassinadas por afogamento pelos companheiros, tornando-se espíritos malignos) para descrever o quanto as mulheres são silenciadas, violadas e culpabilizadas pelos abusos que sofrem. Ao longo da narrativa (sem querer dar spoiler), as Salka são vistas sempre sob a ótica masculina, representando uma ameaça, lideradas por Ceto, a bruxa do mar. Porém, esse olhar vai se deslocando através das descobertas feitas por uma mulher, o que nos revela a importância de contarmos nossas próprias histórias, sob o nosso ponto de vista.

E foi da importância de contarmos nossas próprias histórias e valorizar nossos trabalhos artísticos que nasceu a Zine Marítimas, publicação rio-grandina independente, criada em tempos de isolamento por Ju Blasina, Suellen Rubira e euzinha. Quem navega por aqui já deve ter reparado no banner que está no rodapé, e direciona para o blog da e-zine. Nossa sinopse oficial:

Do conjunto de deslocamentos, de avanço e recuo, de ação e reação que molda o ser e o fazer artístico das mulheres, como o movimento periódico e potente das águas do mar, nasceu MARÍTIMAS: uma zine feminista fundada em Rio Grande por Juliana Blasina, Lidiane Dutra e Suellen Rubira, a fim de reunir textos e ilustrações produzidas por mulheres em suas pluralidades, referente às diversas pautas da luta feminista.

O meio artístico rio-grandino sempre foi extremamente machista - dos corredores da academia até as hashtags pornográficas que alguns homens usam para se referir ao próprio trabalho nas redes sociais (em sua maioria, corpos sexualizados de mulheres). Eu sou vista como pária, por não compactuar e por usar meu espaço para criticar esses homens abertamente. Então, mais do que uma revista, Marítimas é um ambiente seguro, um ambiente de apoio mútuo para mulheres que desejam mostrar sua produção, mas não encontram espaço nas publicações editoradas por homens, ou que lidam, sistematicamente, com a diminuição do seu trabalho, justamente por serem mulheres.

Entre muitas trocas pelo WhatsApp, chegamos à temática do primeiro volume: à deriva - as mulheres no isolamento e o isolamento nas mulheres. Serão aceitos trabalhos em poesia, conto, crônica, ilustração, pintura e fotografia, além de artigos, resenhas (filmes, séries, livros...) e ensaios críticos. Nessa seleção, a prioridade é para colaboradoras de Rio Grande e arredores, mas minas de outros lugares também podem participar. O envio das obras deve ser feito através do e-mail zinemaritimas@gmail.com, até 30 de janeiro de 2021 (previsão de publicação em março).

No blog da Marítimas tem um texto inspirado da Suellen sobre a zine, e o nosso Instagram também é bastante movimentado, com todas as informações necessárias. Meu recado para as mulheres que se animaram, mas ainda estão em dúvidas, é que não tenham medo ou vergonha. Não caiam nessa de que não é bom o suficiente para ser publicado. Vamos subir, uma a uma. Produzimos muito, temos tanto potencial. Vamos mostrar pro mundo o movimento da nossa maré.

Leia mais →
Anterior Próximo
Assinar: Postagens (Atom)
  • Termos de uso
Blogueiros raiz, uni-vos!
Selo 1.0
© Lidiane Dutra • Todos os direitos reservados • Theme by MG Studio