Lidiane Dutra
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Dicas Materiais

Limpando minhas paletas de aquarela 🎨


Resolvi aproveitar o feriado de ontem (03/06) para fazer algo que queria há bastante tempo: limpar meu godê de aquarelas, que uso ininterruptamente desde 2016, e estava em petição de miséria, como dá para ver acima. Sim, eu sei que não existe aquarela "suja", podemos reaproveitá-las, basta adicionar água e tomar cuidados contra o mofo, mas já não era mais o meu caso. Muitas tintas acabaram, sim, mofando. Além disso, como fui adicionando cores novas à medida que comprava, os tons estavam fora de ordem, o que causava uma confusão na hora do uso. E isso era uma das coisas que eu mais queria arrumar. 


Além disso, vários tons já não me agradavam, e tenho pensado bastante em reduzir minha paleta de cores nas ilustrações. Fiquei pensando nisso depois da última participação no art vs artist, achei tudo muito colorido e desordenado, queria dar um sentindo de unidade aos meus trabalhos. Quando falo em reduzir a paleta de cores, me refiro a usar menos cores nas ilustrações (no máximo 4) e aproveitar seus subtons para fazer misturas, como fiz no meu retrato para o curso da Isadora Zeferino. Algumas ilustradoras com paletas bem definidas que me inspiram são a Pri Barbosa e a Nanda Corrêa. Mas sinto que ainda estou tateando na busca pela "minha paleta".



Como limpei o godê: como disse, tenho esse godê da Keramik desde 2016, quando fiz o curso da Sabrina Eras. Algum tempo depois, comprei um menor, da Sinoart, mas acabei dando pouco uso para esse segundo. Acabei limpando e guardando, talvez no futuro use para guache. Para tirar toda essa tinta encalacrada, usei um lava jato (sim, aqueles de lavar carro, que é pressurizado) e uma espátula para ir tirando o que estava mais encrustado. Depois, usei sabão líquido e uma escova de dentes para terminar a limpeza. Embora tenha ficado limpinho, o estojo ficou bastante manchado, principalmente de azuis e roxos, para isso não teve jeito. Em seguida, separei as cores que eu realmente queria continuar usando, e as coloquei em ordem.


Agora todos os meus marrons e terrosos estão juntos, seguido pelos vermelhos, rosados, roxos, azuis e verdes. Fiquei muito feliz com essa disposição, pois me dá uma organização visual muito boa na hora de usar as tintas. Além disso, posso visualizar também como combinar melhor através do círculo cromático, já que fui dispondo a cor e seus tons quentes e frios lado a lado.



Aproveitei para juntar também todas as aquarelas em pastilha que tenho num único estojo. Ainda vou organizá-lo melhor, nesse momento só passei as half pans para cá, mas deixarei com a mesma disposição da paleta das aquarelas em bisnaga, e procurarei alternar entre as duas quando for trabalhar, pensando em como aproveitar ao máximo o que o estojo me oferece. Ainda são muitas cores, eu sei. Mas acredito que organizá-las já é um bom caminho para pensar na minha paleta de cores pessoal. 


Para acompanhar meus trabalhos em tempo quase real, é só seguir no Instagram.

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Aquarela Portfólio Processo criativo

Antúrio 🌿


Desenterrei a vontade de trabalhar numa ilustração totalmente baseada na força do ódio. Enquanto professora da rede pública do RS, estamos em meio ao caos do retorno presencial/híbrido, num dos piores momentos da pandemia, no qual faltam vacinas, leitos e vergonha na cara dos governantes.

E, embora não haja mais disposição criativa nesse corpo que dê conta de tantas tragédias que acontecem dia após dia, senti que se eu não pegasse um momento para desligar da vida docente e focar na arte, tudo ficaria pior. Então, vinha ensaiando a algumas semanas retomar um esboço (daqueles que ficam eternamente guardados) para colocar a cabeça em ordem.

Como meu último trabalho da série Botânicas foi em 2019, achei que era hora de dar vida a Antúrio, resgatando minhas aquarelas, que estavam paradas desde fevereiro. Decidi, também, usar o que eu mais gostava, desde a técnica escolhida até o papel e as tintas, para que realmente fosse um momento só meu e da ilustração. Como foi em tantos momentos anteriores à pandemia e como idealizei que fosse no meu ateliê.
 


Para essa ilustração, usei somente as aquarelas da White Nights, pois preciso aprender a trabalhar com aquelas cores e tirar o melhor daquele estojo. Fiz uma base em azul cerúleo para as sombras e os valores das plantas. E para a figura, trabalhei com vermelhos e azuis misturados para criar a base, que foi utilizada em maior intensidade nas sombras. Tenho optado por essa forma de preencher pele, ao invés de marcar os valores em cinza ou azul, pois acredito que traz uma leveza maior. Os retoques foram com lápis de cor e marcadores, mas tenho tentado usá-los cada vez mais pontualmente. O resultado:


Materiais utilizados

  • Papel para aquarela Arches grana fina 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis sintéticos Giotto;
  • Marcadores Posca e Sakura;
  • Lápis de cor  Rijksmuseum Bruynzeel.


Fiquei especialmente satisfeita com o contraste entre as flores e as formas femininas, e as folhagens crescendo pelos cabelos, como se tudo fizesse parte da mesma força natural. Depois de digitalizada, apenas reduzi um pouco de poeira e saturação, e apliquei multiply no Phtoshop. A textura do papel ficou muito bonita e ajudou a dar o aspecto granulado da planta. Mais detalhes:


Esse trabalho me fez muito bem, me fez reconduzir minha prática artística, algo que não posso viver sem, e que toca outras pessoas também. Mas ainda é muito difícil, para mim, criar em meio a esse desastre pandêmico. Ainda me sinto exausta só por olhar o noticiário.

Seguimos dia após dia, de flor em flor... 🌹
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Processo criativo

tiktoker 👁👄👁

Este post deve ser apreciado ao som de Telepatía, da Kali Uchis:




Depois de quase dois meses em hiato, consegui me dedicar a algo só pra mim, me senti retornando à época em que pegava várias referências de fotos de maquiagem para desenhar. Só que dessa vez as inspirações foram os vídeos de make do TikTok. Embora eu não tenha mais perfil nessa rede (zero paciência), acompanho o que o pessoal posta no Pinterest e Instagram.

De tanto ver as tendências e como as meninas se maquiam, surgiu esse desenho, feito todo com lápis de cor e marcadores, com direito a caneta holográfica. Tentei reproduzir a pele glow, as sardas e os delineados surpreendentes, mas no fundo eu só queria me divertir um pouco e desopilar dessa realidade pavorosa que nos assola.
Tenho curtido bastante esse sketchbook da Tilibra, da linha Académie. As folhas são muito gostosas para usar lápis e marcador. Já havia feito essa ilustra usando ele, e tem sido uma boa forma de encarar a arte com espontaneidade e experimentar mais. 

Os materiais utilizados na coloração são os lápis e marcadores favoritos que citei aqui.

Quem mais acompanha as ~tendênças~ do TikTok?
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Portfólio Processo criativo Projetos

Vênus à deriva 🌊


Essa ilustração foi criada para a capa da primeira edição da Zine Marítimas, cujo tema é à deriva. Trata-se de uma releitura da obra O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, pintada em 1486. Para quem não sabe de que obra estou falando, é esta aqui:


Quando tive a ideia da releitura, não estava pensando diretamente na zine (foi de tanto ver a capa do livro Mulheres, Mitos e Lendas), mas os conceitos foram se encaixando. Acabei fazendo mais dois trabalhos inspirados nessa Vênus saindo do mar, mas que estão em stand by. Tentei utilizar vários materiais, como grafite e aquarela (abaixo), mas senti que não estava conseguindo comunicar bem o que queria transmitir, algo que lembrasse levemente as estéticas seapunk e vaporwave. Daí, cheguei num material que já fazia um bom tempo que não utilizava: o pastel seco.


Na realidade, o pastel seco entrou mais para resolver o problema da coloração da pele. Nos cabelos, apostei em quem nunca me deixa não mão, o bom e velho lápis de cor, com alguns filetes de caneta holográfica e muito dourado. O recorte da imagem também se deve à referência do livro Mulheres, Mitos e Lendas, sendo que fiz questão de ressaltar a espiral de cabelos no ombro (que no quadro original tem proporção áurea).


Materiais utilizados

  • Papel Hahnemühle Nostalgie;
  • Pastel seco Derwent;
  • Esfuminho Derwent;
  • Lápis de cor Staedtler Karat;
  • Caneta holográfica Pentel;
  • Caneta dourada Sakura.
Neste post antiguinho, tem um pequeno tutorial com minhas primeiras experiências com pastel seco, mas continua válido. A Suellen Rubira escreveu o editorial da Zine Marítimas e falou muito amorosamente tanto dessa releitura, quando da nossa proposta nesse primeiro volume. Abaixo, a capa completa:


Para ler a zine, clique aqui. Abaixo, o episódio de We Can Be Readers no qual falamos da zine: 

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Reflexões

Não há mais vontade criativa que chegue ☔


Eu tenho tentado, em meio à montanha de trabalho que necessito vencer diariamente, manter um mínimo de sanidade me agarrando aos livros. Atualmente, estão na minha cabeceira Nós, mulheres, da Rosa Montero, um daqueles socos no estômago históricos, que nos fazem perceber o quão frágeis são os direitos das minorias, e Talvez você deva conversar com alguém, da Lori Gottlieb, terapeuta que narra suas aventuras enquanto profissional e paciente.


Fora isso, tudo é trabalho, o trabalho remoto que toma conta da casa, dos móveis, do celular incansável, da hora do almoço e do banho, pois se impregna em cada cômodo, disfarçado desse conceito chique de home office. Nunca senti tanta saudade de escola, do sinal tocando para anunciar a hora de entrada, o recreio, a saída. Do cansaço na sexta-feira, pois era um cansaço que deixava a semana para trás, o sentimento de dever cumprido. Hoje o dever é quantificar mensagens recebidas pelo WhatsApp e checar se áudio e vídeo estão funcionando no Meet.


Bueno, tirando isso - as leituras para manter a sanidade, e o trabalho - o resto é preocupação. Com o governo (ou a falta dele), a irresponsabilidade das pessoas, o egoísmo, o colapso, o negacionismo, a falta de perspectiva de sair desse buraco no qual nos enfiamos e ficamos tomando água de esgoto de guti-guti.


Não sei outros criativos, mas eu já joguei a toalha há uns bons meses. Fiquei no automático, fiz algumas coisas que precisavam ser feitas a duras penas, mas absolutamente nada mais sai de mim de maneira criativa e espontânea. Tudo é fruto ou da necessidade de cumprimento de prazos, ou de uma sensação vazia de preciso continuar senão enferrujo. Mas a verdade é que já faz um mês que não pego um lápis, que não sinto vontade de criar algo, e todo material que posto para manter as redes minimamente movimentadas é um grade tbt.


Não sei de onde nasce essa vontade criativa em meio ao caos e à desesperança. A Covid chega cada vez mais perto, infectando e matando conhecidos, colegas de profissão, anônimos que não são só números, são pessoas que tiveram família, sonhos e desejos.


Eu não sei de onde tirar essa vontade de criar no meio da morte. Aplaudo quem segue firme no seu propósito, fazendo arte ativista, usando o humor para denunciar o absurdo, ou simplesmente seguindo com as suas temáticas de costume como forma de resistência.


Eu não consigo mais, só quero que tudo isso passe, que alguém jogue a corda para que possamos sair do buraco. 


Escrevo esse texto direto do celular, num lampejo de tentar colocar os sentimentos na tela/papel. A impressão é de que todos estamos gritando, mas é um grito mudo, que ninguém ouve. Que tempos horríveis para ter acesso à informação, pois quanto mais leio e me informo, mais me desespero.


Enfim, não espero chegar a nenhuma conclusão com esse texto, é apenas um desabafo, e uma maneira de preencher esse espaço e justificar o pagamento do domínio. Talvez em breve eu publique um post agendado há algum tempo, que certamente vai destoar desse aqui, então tratarei de rever o texto, para se adequar ao meu momento de total descrédito na humanidade.


Fiquem bem, usem máscara e álcool em gel, evitem aglomerações e cuidem dos seus.


Foto via.

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