Trabalhando valores

Por - 12.9.16


Um dos pontos mais estudados no curso da Sabrina (vocês vão ter que me aguentar falando sobre isso) são os valores da pintura. O que é valor? Não é algo relacionado ao preço da obra, mas sim àquilo que dará o contraste e definirá as formas do seu trabalho. Quanto mais luz, maior o valor; quanto menos luz, menor o valor.

De acordo com James Gourney, no seu livro Color and Ligh: a guide for the realist painter, o valor (value) é uma das dimensões propostas por Albert Munsell em seu sistema numérico de cores, juntamente com o matiz (hue) e a pureza da cor (chroma). Eu não vou adentrar mais neste assunto, pois requer estudo aprofundado, e ainda não estou no nível de poder explicar isso claramente num post.


Do primeiro rascunho (com referência fotográfica para a pose) até a arte final, fiz três estudos diferentes, utilizando aquarela, grafite e, por último, grafite e sanguínea. Este foi o que chegou mais próximo ao que eu desejava, com as marcações de luz, sombra e volumes bem definidas. Não usei esfuminho, como de costume, apenas o lápis grafite da linha Othello, da Stabilo, que é extremamente macio, e a cor Red Chalk, da Gioconda

Para quem não conhece, a sanguínea é um material muito utilizado para esboços e arte final, com coloração avermelhada (daí o nome), próximo à terracota. Geralmente, se trabalha a seco, assim como o pastel. O lápis que usei é de uma linha da Koh-I-Noor, e não chega a ser uma sanguínea propriamente dita, mas uma cor aproximada. O resultado final ficou assim:

Materiais utilizados
- Lápis Gioconda Red Chalk;
- Lápis Stabilo Othello 3B;
- Papel Canson 180g.


Eu prefiro fazer vários estudos completos quando estou testando essas possibilidades, assim já exercito outros pontos, como proporção, traço, etc., mas há quem prefira os thumbnails, que são miniaturas da ilustração, nas quais é possível testar materiais e fazer as marcações necessárias de luz, sombra e cor. Quando faço encomendas, também utilizo thumbnails, para facilitar o entendimento do briefing e ter certeza do que fazer antes de começar, afinal, existe um tempo de execução do trabalho.

Eu não estou colocando esses trabalhos na lojinha porque, como disse, são estudos bastante pontuais. Além dos valores, gostei das hachuras e do rastro deixado pelo lápis, que geralmente disperso com a ajuda do esfuminho. Achei que ficou mais dinâmico e fresco, só preciso treinar mais a pressão do lápis sobre o papel. Aos poucos, seguimos.

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8 Comentários

  1. Adorei, lidy! Esse cabelo ficou uma coisa linda de viver! Os olhos então... Perfeitos!

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    1. Obrigada, Nathália! Adoro fazer cabelo rsrs
      Beijão :*

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  2. Amei esse post! Esses dias estava procurando algum conteúdo em português que falasse sobre valor e até então não tinha achado algo com uma definição clara e simples de entender. Tem um vídeo legal em inglês que dá uma boa noção sobre o assunto:https://www.youtube.com/watch?v=TfAZt3O0sLY.
    Meu professor de desenho fala sobre não usar o esfuminho no grafite. Qual sua opinião sobre isso Lidy? Beijos e obrigada por compartilhar seus estudos, sempre me ajuda e me motiva a continuar estudando tbm!

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    1. Oi Laiany, obrigada!
      A grande maioria dos conteúdos mais importantes sobre arte (em geral) estão em inglês. Há pouquíssimos livros traduzidos e, quando encontramos, custam caro. Agora com a Amazon ficou mais fácil adquirir livros importados, a espera não é tão longa. Esse livro do Gourney, por exemplo, é maravilhoso e comprei por lá, por indicação da Sabrina.
      Mas eu queria que houvesse mais material traduzido e legendado, aplaudo de pé quem faz esse trabalho e disponibiliza de graça, pois sei o perrengue que é.
      Sobre o esfuminho, eu nunca tive nada contra. Inclusive, aprendi a usar num curso de desenho, para não ficar esfumando com o dedo. Gosto do efeito, do volume que dá ao desenho. Alguns professores acham que esfuminho "vicia" o aluno, que ele não vai conseguir trabalhar sem, assim como falam da borracha. Eu acho que é questão de costume. Por isso sempre é bom fazer exercícios de aquecimento, de precisão, diferentes movimentos partindo do ombro, do cotovelo e do pulso, assim é possível dosar melhor o uso do esfuminho nos trabalhos e aproveitar os efeitos do próprio grafite.
      beijão :*

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  3. Fiz artes visuais numa facul e nunca ouvi falar disso (esses cursos daqui, sei não ¬_¬)o bom é que sempre procurei trabalhar muito contraste de luz e sombra nas minhas pinturas (até pq os artistas que mais gosto são bem sombrios rs).Acho que define melhor o desenho,e quando descobri a acrílica branca,marcador ou caneta gel pra dar o brilho vixe...Melhor coisa do mundo!O que me ajudou muito a aprender sobre isto foi trabalhar portrait de pessoas,geralmente busco referencias com contraste de luz e sombra bem forte pra trabalhar os degradês e os ponto de luz.Se acho uma foto bonita que não tem isso,modifico no photoshop usando brilho,saturação e etc até demarcar as áreas de contraste e aí vou estudando na pintura :)

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    1. Gabi também não vi nada do tipo na graduação, até algumas coisas meio que se assemelhavam, mas não tinham a mesma ênfase que a Sabrina dá. Figura humana/retrato eu fui fazendo basicamente sozinha até bem tarde, uso o mesmo artifício do photoshop e também passo a foto para p&b para ver onde preciso adicionar mais contraste. Agora no próximo módulo vamos estudar figura humana, realismo e técnica mista, já estou em cólicas hahaha
      Bjos :*

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  4. Pode falar que a gente quer ouvir/ler! 💕😊

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