Summertime

22/01/17


Depois de muitos petisquinhos que rolaram principalmente no Instagram (veja aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), finalmente a primeira ilustração de 2017 ficou pronta. Eu comecei esse esboço no ano passado, e não tive pressa para me dedicar a cada etapa, até mesmo porque estou com pouco tempo livre, então essa ilustra foi meu momento de descanso por várias semanas.

A foto que usei como referência é de um editorial antigo da Vogue com a Gisele Bundchen, e o que mais me chamou a atenção foi a luminosidade e o movimento dela, então foi isso que quis tomar como base. Lembrando que o meu intuito nunca é fazer cópia nem retrato verossimilhante de ninguém.


Uma das coisas que a Sabrina sempre fala em aula é para prestar atenção no que estamos vendo, não naquilo que o nosso cérebro completa, achando que é daquele jeito. Por isso, me dediquei aos detalhes finos, como a dobra dos tecidos, por exemplo. Tudo sem nóia. Como já disse, fiz com calma e, pela primeira vez em muitos anos, sem ansiedade. E digo com certeza que muitas das minhas dificuldades com a pintura vinham dela. Mas vou falar mais sobre isso em outra postagem.


Depois de marcar todos os valores com grafite, comecei a pintura propriamente dita, e um exercício de controle do papel satinado. Eu amo o hot pressed, mas nunca tinha me aventurado em algo tão detalhado, em alguns momentos achei que o papel só poderia ter sido prensado pelo demônio, porque ele não absorvia a tinta. Mas depois da primeira camada secar, as outras se tornam mais fáceis de sobrepor.


Também prestei atenção em coisas como saturação e neutralização das cores. Fiz alguns thumbnails para definir as cores da roupa porque, novamente, eu não queria uma cópia da foto. Achei que o magenta/ rosa quinacridone e o sap green neutralizado com ultramar ficariam harmoniosos. Porém, gostei tanto da versão em grafite que, antes de pintar, digitalizei a imagem só no traço.
Falando em digitalização, não adianta: muito da cor original se perde no processo. Nenhuma foto ou até mesmo o arquivo final transmite a mesma vivacidade e realismo das cores ao vivo e, especialmente nesse trabalho, isso me deixou muito frustrada. Digitalizei várias vezes, testei configurações e filtros e só consegui me aproximar vagamente do resultado no papel. Mas tento não pensar nisso, pois toda a jornada foi muito interessante (e não deixa de ser um aprendizado também).
Materiais utilizados
- Papel Canson Moulin DuRoy 300g satinado;
- Lápis grafite Staedtler Mars Lumograph 4B;
- Aquarelas Van Gogh e Sennelier;
- Pincéis Keramik linha 411, pelo sintético;
- Lápis de cor Koh-I-Noor Polycolor.

Os retoques finais ficaram por conta do lápis de cor e leves toques de marcador dourado. Acredito que todos os meus trabalhos carregam significados fortes para mim; marcam fases e me ajudam a superar muitas coisas, e acho que este é o início de um período em que busco equilíbrio, tranquilidade e gratidão. 

Summertime já está no meu studio no Colab55. Para acompanhar outros trabalhos em tempo real, é só me seguir no Instagram, Facebook ou Tumblr. Veja todos os meus trabalhos profissionais no Behance.