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18/01/2018

Dríade


Há anos não me sentia tão prolífica durante o mês de janeiro, seja nos estudos, nas leituras, nas artes finalizadas e também aqui nas postagens do blog. Talvez o clima de insatisfação generalizada com as redes sociais esteja me ajudando a investir mais tempo de qualidade naquilo que gosto de fazer, o que é maravilhoso.

Essa é a primeira aquarela do ano. Eu estava com saudades de aquarelar e também de retomar alguns conceitos aprendidos com a Sabrina, mas que não estava aplicando nas pinturas, como os cinzas óticos. A foto de referência que usei é esta (novamente repito: a intenção nunca é ficar verossimilhante, mas captar pose e movimentos). E o conceito por trás da composição é a figura da dríade: fada da floresta ligada às árvores.



Esse trabalho surgiu mais como um exercício de aquecimento do que para ser uma ilustra finalizada. Eu estava testando poses de mãos, pois representavam minha maior dificuldade no desenho. Então comecei a fazer muitos rascunhos para entender o movimento dessa parte do corpo. E um dos livros que mais me ajudou - e ainda ajuda - é o Anatomy for the Artists, da Sarah Simblet. Ainda quero falar com calma sobre ele e também sobre o Botany for the Artists, da mesma autora. 

Para essa pintura, como eu queria fazer um fundo bem aguado e utilizando cinzas óticos, optei pelo papel Arches grana fina, que é absurdamente maravilhoso para esse tipo de trabalho (e também absurdamente caro, por isso cortei a folha ao meio). Muitas pessoas defendem que o "bom" artista trabalha com qualquer material, independentemente de ser bom ou ruim. Embora essa afirmação até tenha um fundo de verdade, afinal, quem realmente quer desenhar, faz até com graveto na areia, a escolha do material vai impactar em outras esferas. Por exemplo, é muito difícil conseguir uma aguada uniforme com um papel comum, com fibra de celulose. Não é impossível, veja bem, mas você vai ter menos dificuldade se fizer com o papel apropriado, com fibra de algodão. O mesmo vale para as tintas: quanto melhor a qualidade do pigmento, mais vivas serão as cores e melhor será a sobreposição de camadas, e assim por diante.


Voltando à pintura: fiz uma grande aguada ao fundo, utilizando o pincel hake e, na parte de cima, passei cinza ótico feito com ciano e sombra queimada. Já na parte de baixo, é uma mistura de sap green com azul da Prússia. É importante lembrar que a folha precisa estar bem molhada para conseguir esse efeito, e eu só passei a tinta nas extremidades do papel, a água se encarregou de puxá-la para o centro. Nas laterais, fiz pequenos riscos com a tinta, de fora pra dentro, utilizando um pincel fino, para dar unidade e ressaltar a luminosidade do centro. No restante da figura, é aquilo que já venho aplicando a todas as outras, com a diferença que também marquei os valores com cinza ótico. A finalização ficou com os lápis de cor também de costume. Fiz questão de deixar a textura do papel bem evidente, por motivos de: é linda ❤


Materiais utilizados

- Papel para aquarela Arches grain fin 300g, 100% algodão;
- Aquarelas Van Gogh e Cotman W&N;
- Pincéis de pelo sintético Keramik;
- Lápis de cor Polycolor.
*No stories fixo do meu Instagram tem uma sequência de fotos com meus materiais de arte favoritos.


Ninfas das árvores da mitologia grega antiga, as dríades são espíritos femininos lindos e alegres que cuidam dos bosques e das florestas. Se uma pessoa descuidada causar dano às árvores, as dríades a punirão. Esses espíritos sempre jovens vivem ao lado ou dentro das árvores, caso em que são chamadas de hamadríades. Suas vidas são tão ligadas às das árvores onde vivem que, se a árvore morre, a hamadríade morre com ela. Se a árvore perecer nas mãos de um ser humano, os deuses se vingarão. - Do livro Seres Fantásticos, de Bob Hobbs.

Fiquei muito feliz com o resultado, acho que consegui deixar minha professora um pouquinho orgulhosa (quero acreditar nisso) por estar praticando os ensinamentos dela. Lembrando que quem deseja fazer o mesmo curso que fiz com a Sabrina, o módulo I é totalmente online e está sempre disponível. E quem quiser comprar uma bolsa ou uma toalha de praia lindona com essa estampa, é só vistar meu studio na Colab55. Quer encomendar uma ilustra personalizada? Saiba como aqui.

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Contato: lidiane@lidydutra.com

2 comentários:

  1. O bom artista trabalha com QQ material, mais...o melhor trabalho ficar melhor ainda no material correto. E o que eu penso.. Seu estudo está incrível, as cores fluidas e apaixonantes. Muito bom!
    Sonho com um papel maravilindo assim...mas ja vejo a diferença só nas tintas que tenho, comecei aquarela com um estojo cotman para estudantes, e d pois comprei uma aquarela tipo pentel... misericórdia, que lástima. Serve pra brincadeira e olhe lá. E agora com gouache,vi várias marcas e investi na talens, cada potinho uma grana$$ mas... E perfeito ! Vc pensa em uma cor, mistura as cores(comprei apenas as 3 cores bases) e preto e branco e vc consegue. Nem penso em outra.bjs

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    Respostas
    1. Exatamente isso, Andrea! Cada trabalho requer um material adequado, e quanto mais profissional o resultado que a pessoa almeja, melhor terá que ser o material que ela utilizará.
      Até falei sobre isso ontem com um amigo músico, e ele deu o exemplo de cantores que têm o microfone de uma marca favorita. Eles podem cantar utilizando qualquer microfone, mas sempre vão procurar o que dá mais estabilidade e segurança na hora de cantar. Achei bem interessante.
      E no caso das aquarelas da Pentel, elas são boas pra brincadeira mesmo, pra fazer efeito galáxia, mas pra um trabalho como esse que fiz, já não dá pra chegar no mesmo resultado.
      Da Talens tenho o guache branco e o dourado, por indicação da Sabrina, e ainda sonho em comprar as cores básicas para começar a testar, mas é um assalto cada vidrinho rsrsrsrs mas está nos meus planos!
      Beijão :*

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