Uma casa virtual AINDA √© importante ūüŹ°

18/11/22

 

Photo by Vidar Nordli-Mathisen on Unsplash

Há cinco anos atrás, em 2017, na época em que eu ainda tinha energia, sanidade e tempo para escrever algo mais reflexivo ou com dicas para outros artistas, fiz um post com a seguinte chamada: Vale a pena ter um blog artístico?

Na época, todo mundo estava migrando em massa para o Instagram, meu próprio perfil cresceu muito nesse período, e quem ainda tinha um suspiro de presença virtual em blogs ou sites estava ensaiando o apagar das luzes definitivo. Como sou apegada, fui ficando por aqui, com momentos de maior e menor frequência, mas sempre em mente que esse espaço era meu, não dependia de algoritmo ou do humor do Mark Zuckerberg, além de ter uma ótima indexação no Google, pois existe desde 2010.

Em cinco anos vi muita coisa acontecer, quase não consegui acompanhar tudo (fiquei muito mais na posição de espectadora do que opinadora, pois 40h semanais de escola), vi os algoritmos mudarem tantas vezes que não consegui contar, vi redes surgindo e tomando o lugar de outras, vi bilionário comprando e falindo empresas e posso dizer, com a maior tranquilidade da galáxia, que ter sua casa virtual, seja ela um blog, site ou portfólio, AINDA é muito importante.

Nesse tempo todo, o meu espa√ßo virtual sempre foi o lugar onde concentrei meu trabalho, minhas opini√Ķes e meus gostos. Tal qual minha casa f√≠sica, aqui s√≥ entra quem √© convidado, embora seja um site aberto a qualquer um que tiver o link. Isso porque nunca deixei troll se criar em caixa de coment√°rio. Aqui, n√£o dependo de visualiza√ß√Ķes, de likes ou repost. A exist√™ncia desse conte√ļdo se justifica por si s√≥, ela est√° aqui, e depois que estiver, posso compartilh√°-la com quem eu quiser, atrav√©s da rede que eu escolher. Posso, inclusive, fazer um backup das publica√ß√Ķes e apag√°-las, arquiv√°-las ou colocar uma senha de acesso. Posso escolher n√£o fazer nada, e deixar tudo aqui para quem tiver o link escolher a hora e o momento para ver o que tem de novo.

Aqui, pratico um exercício enorme de cultivo: se vou me inscrever para um edital, tudo está tão bem organizado, que não fica difícil achar o que preciso. Se quero mostrar meu trabalho para alguém, só direciono para a aba Portfólio. Num mundo tão rápido e tão massificado, é aqui que as coisas são semeadas, crescem, florescem, morrem e renascem.

E embora eu seja super apegada, a grande contradição é que aqui pratico também o desapego: se ninguém ver, se ninguém comentar (e não vai mesmo, pois desabilitei a caixa de comentário há meses), simplesmente não importa. Esse lugar depende só de mim.

Claro que uso redes, faço vídeos de gosto duvidoso, mas eu sempre vou ter esse lugar. E quando ele não tiver mais razão para existir, vou fechar a porta sem olhar pra trás. E o que mais tenho percebido são pessoas sacando que esse aterramento a algo seu faz sentido, visto a quantidade de sites que tenho acompanhado nascer. Gente ótima que só tinha uma ou duas redes sociais para mostrar o que produzia e agora tem um endereço lindo e todo organizado. Gente que, inclusive, me manda mensagem dizendo que veio aqui pegar inspiração para fazer sua própria casa virtual. Acho isso mágico e dá sentido ao compartilhar algo bom com alguém.

Por isso, ainda acho fundamental ter sua casa virtual, seu espa√ßo, chame como quiser, mas um lugar que n√£o seja a rede social do momento. Elas v√£o e vem, trazendo conte√ļdos cada vez mais picotados e formatados. Acredito que uma obra art√≠stica, liter√°ria ou musical, precisa de mais espa√ßo para respirar e florescer. Seja a resenha de um livro, uma ilustra√ß√£o ou a cifra de uma m√ļsica. At√© mesmo o conte√ļdo audiovisual se beneficia de um espa√ßo pr√≥prio, mais contemplativo. E num mundo onde zapear virou regra, a contempla√ß√£o ainda √© uma b√™n√ß√£o.

Sugest√£o de leitura: Por que eu ainda blogo? - Momentum Saga