Rosto em grafite
Esse foi o primeiro desenho que fiz no meu sketchbook Canson One. Ele é tamanho A4 e as folhas possuem uma gramatura boa para técnicas secas (algumas pessoas usam aquarela com pouca água e guache, mas o papel fica bastante enrugado).
Eu estava passando por um bloqueio criativo muito grande em relação à aquarela. Não conseguia fazer os exercícios propostos pela Sabrina, me incomodava com trabalhos antigos, que antes considerava bons, enfim, foi bem cansativo.
Decidi começar o novo sketchbook para me animar, voltando ao meu material de origem. Trabalhei somente com o lápis Mars Lumograph 4B da Staedtler e esfuminho com moderação. Não recorri a outros materiais, como caneta multiliner, por exemplo, nem para os detalhes dos olhos, coisa que sempre faço. Gosto muito de apontar meus lápis com o apontador da Derwent, mas tem quem prefira estilete (não consigo, não me obrigue).
Eu adorei esse rosto e a profundidade do olhar. Utilizei uma foto como referência e procurei prestar atenção em detalhes da anatomia da modelo, e não na semelhança do desenho com a imagem original. Curti tanto que decidi até trocar a header do blog, aquelas luas estavam me incomodando.
Gosto de pensar nos olhos como a janela da alma, porque muitas das nossas emoções são facilmente transmitidas através do olhar. Apesar de achar vários tipos de representações da figura humana muito bonitas, é naquelas em que a figura olha diretamente pra mim que fico mais encantada. É como se a pessoa retratada soubesse o que está se passando entre nós, como se fosse cúmplice daquele momento.
Encontrei uma pesquisa no site Hypescience que endossa essa tese da janela, feita por alguns pesquisadores norte-americanos (e criticada por outros tantos). Dá para ler aqui. Recomendo também este texto da Marilena Chauí, presente no livro O Olhar, coletânea organizada por Adauto Novaes.
No sketchbook #4
Durante o mês de fevereiro consegui finalizar dois sketchbooks, recheados de desenhos da primeira até a última página. Um feito inédito para mim, até então. Nunca me dediquei com tanto afinco ao estudo (quase) diário, e senti a diferença no meu traço, na auto-crítica e na forma de encarar meus processos.
No sketchbook Cícero, onde fiz praticamente todo o Inktober, dediquei as últimas vinte páginas aos estudos de aquecimento e também charts de todas as minhas canetas e marcadores, algo que não tinha para consulta. Por esse motivo, não vou me deter nele aqui. Se quiser ver os exercícios que fiz, eles estão reunidos neste post.
Já o sketchbook para aquarela da Miolito contém meus melhores estudos com tinta, até então (e alguns que considero horríveis). Comecei a usá-lo no dia do meu aniversário, com uma galáxia, e encerrei no mesmo estilo. Dá pra ver muitas mudanças e experimentos, além dos primeiros estudos com as aquarelas para a oficina da Sabrina que eu vou falar até a exaustão.
Por conter muitas coisas legais, decidi gravar um vídeo mostrando cada uma das páginas. Fiquei bem surpresa ao saber que o canal já tem 100 inscritos hahaha. Aperte o play!
Alguns trabalhos feitos nesse sketchbook conquistaram o meu coração, por isso, resolvi destacá-los fora do vídeo. Outros desenhos feitos no final de 2015 já apareceram por aqui.
Com a finalização desses sketchbooks, já comecei a trabalhar em três novos cadernos: um da linha Canson One, tamanho A4; um da minha loja no Colab55 e outro para aquarela em papel Montval, da Miolito. Para o post não ficar gigante, mostrarei o que tenho feito neles numa próxima ocasião. Mas quem quiser acompanhar meus rabiscos em tempo real, é só me seguir no Instagram, Facebook e Snapchat (lidydutra).
Links bacanas #8
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| Foto by The Typical Female Magazine, via. |
8 de março, Dia Internacional da Mulher, e eu não poderia deixar de trazer links que tratam sobre o tema. Confesso que não simpatizo em nada com esses meses coloridos (março lilás, outubro rosa) porque fico com aquela sensação de que as lutas são um pouco distorcidas e tudo acaba virando "homenagem".
Ano passado eu já havia falado da importância de usar este dia para apoiar uma ilustradora, seja compartilhando o link para o seu portfólio (no meu blogroll tem ótimas sugestões), seja comprando e comparecendo a eventos de sua cidade, principalmente.
Reitero tudo o que disse naquela ocasião: o que falta à grande maioria das mulheres é oportunidade. Se elas não têm um ambiente seguro para mostrar seus trabalhos, se não há visibilidade em eventos ou se os próprios clientes desconhecem suas existências, é difícil avançar. Eu tenho um perfil muito combativo para essas questões, arrumo treta mesmo, me recuso a baixar minha cabeça. Vão me respeitar, sim!
Os links que trago hoje são de diversos sites e abordam diferentes assuntos, vem comigo!
- Um texto da Manu Cunhas e o poder que as palavras têm de motivar ou acabar de vez com a vontade de uma pessoa de estudar e progredir no desenho;
- Post do IdeaFixa a respeito das musas de grandes pintores e suas histórias nem sempre com finais felizes, que envolvem abandono, abuso físico e mental e apagamento de protagonismo;
- 11 autorretratos (antes e depois do LSD): uma jovem documentou sua primeira experiência com a droga, através de vários retratos. Não deixa de ser um experimento interessante, mostrando como alucinógenos agem no nosso organismo;
- 11 autorretratos (antes e depois do LSD): uma jovem documentou sua primeira experiência com a droga, através de vários retratos. Não deixa de ser um experimento interessante, mostrando como alucinógenos agem no nosso organismo;
- Galeria de imagens da Ivory Flame, uma das modelos que mais admiro, por sua total consciência em relação ao próprio corpo e sua imagem. Aqui ela disponibiliza ensaios que certamente ajudarão quem deseja praticar desenho de anatomia;
- Prosa de Cora, projeto lindo da Malena Flores, que leva mais beleza e gratidão para o nosso dia-a-dia, em formato de texto+ilustração.
Aproveite o dia de hoje para divulgar artistas e valorizar seus trabalhos. Faz diferença para você, que adquire cultura, e para essas minas fantásticas que precisam de apoio!
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