Colheita 🌾
Depois de duas semanas bem agitadas, consegui retomar minha rotina de estudos e tirar algumas ideias do papel. Acho que nunca antes na minha vida tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo, e ainda quero escrever sobre isso com calma, assim que a poeira baixar. Aproveitei o momento para me arriscar em dois materiais que não uso com frequência: nanquim e guache, sendo esse último só um pequeno detalhe, mesmo.
Decidi batizar essa ilustra de Colheita porque acredito que a nossa vida é um eterno plantar e colher. Às vezes a plantação é difícil, o processo demora mas, ao final, sempre colhemos aquilo que plantamos. E devido ao momento profissional que estou passando, esse trabalho também representa a colheita de algo que cultivo há anos, com muita dedicação, que é a minha relação com a arte. Agradecimentos especiais aqui a Malena Flores, com quem aprendi a cultivar esses bons sentimentos.
Quem me acompanha já conhece meu processo inicial de trabalho, que consiste em rascunho (que, geralmente, é passado a limpo várias vezes) e, em seguida, a transposição do risco para o suporte final, via mesa de luz. Como tenho um bloco de papel Mixed Media da Canson e preciso gastá-lo, foi o que escolhi para esse estudo, e até que ele se comportou bem com nanquim (muito melhor do que com aquarela). Mas continuo não recomendando esse material, é melhor investir na linha Montval.
Em seguida, separei no godê quatro porções de água e, em cada uma delas, pinguei a quantidade de nanquim necessária para fazer camadas das mais claras até as mais escuras, e também um pouco de nanquim puro para o cabelo. E todo o processo de pintura foi muito igual ao que uso na aquarela, com uma grande aguada, seguida por camadas de transparência até chegar na tonalidade desejada. O ponto principal foi o trabalho com o contraste por valor.
Em seguida, utilizei dois lápis de cor cinzas (um mais escuro e outro mais claro), para fazer o acabamento e reforçar os valores no rosto e nas partes que eu gostaria de destacar a luminosidade, como no ombro, por exemplo. Mas busquei ser bastante econômica nos retoques, tanto no uso de paleta reduzida, como na mistura de materiais para chegar ao resultado que queria. Só utilizei caneta multiliner para fazer o detalhe dos cílios, e caneta gel branca para abrir pontos de luz.
Ao final, achei que faltava alguma coisa nessa figura, já que ela ficou parecendo uma pedra, por isso resolvi colocar as folhagens saindo de sua pele e, para ficar um contraste legal, utilizei guache magenta. Porém, pensando nessa solução e no título que dei, fica uma analogia bastante interessante: mesmo de algo que parece "inanimado" (ou meio xoxo), pode brotar vitalidade e beleza, trazendo harmonia para o conjunto.
Materiais utilizados
- Papel Mixed Media Canson;
- Nanquim Pelican;
- Guache TGA;
- Pincéis Keramik;
- Lápis de cor Polycolor em tons de cinza;
- Multiliner e caneta gel para detalhes.
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Dríade
Há anos não me sentia tão prolífica durante o mês de janeiro, seja nos estudos, nas leituras, nas artes finalizadas e também aqui nas postagens do blog. Talvez o clima de insatisfação generalizada com as redes sociais esteja me ajudando a investir mais tempo de qualidade naquilo que gosto de fazer, o que é maravilhoso.
Essa é a primeira aquarela do ano. Eu estava com saudades de aquarelar e também de retomar alguns conceitos aprendidos com a Sabrina, mas que não estava aplicando nas pinturas, como os cinzas óticos. A foto de referência que usei é esta (novamente repito: a intenção nunca é ficar verossimilhante, mas captar pose e movimentos). E o conceito por trás da composição é a figura da dríade: fada da floresta ligada às árvores.
Esse trabalho surgiu mais como um exercício de aquecimento do que para ser uma ilustra finalizada. Eu estava testando poses de mãos, pois representavam minha maior dificuldade no desenho. Então comecei a fazer muitos rascunhos para entender o movimento dessa parte do corpo. E um dos livros que mais me ajudou - e ainda ajuda - é o Anatomy for the Artists, da Sarah Simblet. Ainda quero falar com calma sobre ele e também sobre o Botany for the Artists, da mesma autora.
Para essa pintura, como eu queria fazer um fundo bem aguado e utilizando cinzas óticos, optei pelo papel Arches grana fina, que é absurdamente maravilhoso para esse tipo de trabalho (e também absurdamente caro, por isso cortei a folha ao meio). Muitas pessoas defendem que o "bom" artista trabalha com qualquer material, independentemente de ser bom ou ruim. Embora essa afirmação até tenha um fundo de verdade, afinal, quem realmente quer desenhar, faz até com graveto na areia, a escolha do material vai impactar em outras esferas. Por exemplo, é muito difícil conseguir uma aguada uniforme com um papel comum, com fibra de celulose. Não é impossível, veja bem, mas você vai ter menos dificuldade se fizer com o papel apropriado, com fibra de algodão. O mesmo vale para as tintas: quanto melhor a qualidade do pigmento, mais vivas serão as cores e melhor será a sobreposição de camadas, e assim por diante.
Voltando à pintura: fiz uma grande aguada ao fundo, utilizando o pincel hake e, na parte de cima, passei cinza ótico feito com ciano e sombra queimada. Já na parte de baixo, é uma mistura de sap green com azul da Prússia. É importante lembrar que a folha precisa estar bem molhada para conseguir esse efeito, e eu só passei a tinta nas extremidades do papel, a água se encarregou de puxá-la para o centro. Nas laterais, fiz pequenos riscos com a tinta, de fora pra dentro, utilizando um pincel fino, para dar unidade e ressaltar a luminosidade do centro. No restante da figura, é aquilo que já venho aplicando a todas as outras, com a diferença que também marquei os valores com cinza ótico. A finalização ficou com os lápis de cor também de costume. Fiz questão de deixar a textura do papel bem evidente, por motivos de: é linda ❤
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Arches grain fin 300g, 100% algodão;
- Aquarelas Van Gogh e Cotman W&N;
- Pincéis de pelo sintético Keramik;
- Lápis de cor Polycolor.
*No stories fixo do meu Instagram tem uma sequência de fotos com meus materiais de arte favoritos.
Ninfas das árvores da mitologia grega antiga, as dríades são espíritos femininos lindos e alegres que cuidam dos bosques e das florestas. Se uma pessoa descuidada causar dano às árvores, as dríades a punirão. Esses espíritos sempre jovens vivem ao lado ou dentro das árvores, caso em que são chamadas de hamadríades. Suas vidas são tão ligadas às das árvores onde vivem que, se a árvore morre, a hamadríade morre com ela. Se a árvore perecer nas mãos de um ser humano, os deuses se vingarão. - Do livro Seres Fantásticos, de Bob Hobbs.
Fiquei muito feliz com o resultado, acho que consegui deixar minha professora um pouquinho orgulhosa (quero acreditar nisso) por estar praticando os ensinamentos dela. Lembrando que quem deseja fazer o mesmo curso que fiz com a Sabrina, o módulo I é totalmente online e está sempre disponível. E quem quiser comprar uma bolsa ou uma toalha de praia lindona com essa estampa, é só vistar meu studio na Colab55. Quer encomendar uma ilustra personalizada? Saiba como aqui.
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Rebel Rebel ⚡
Mais uma ilustração que só saiu do papel de maneira satisfatória depois de ganhar um propósito (assim como A Força e a Fera Interior). Mesmo que o rascunho já estivesse bem interessante, faltava aquele algo a mais, que acabou vindo à tona em forma de homenagem ao músico David Bowie (hoje completam-se dois anos de sua morte).
Escolhi fazer o icônico raio que o cantor maquiou em seu rosto para a capa do álbum Aladdin Sane (1973), com fotografia de Brian Duffy. Encontrei uma entrevista muito interessante que o filho de Duffy concedeu à revista Rolling Stone, falando que esta imagem pode ser considerada a Monalisa do pop, e eu concordo. Dá pra ler aqui.
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| As fotografias de Brian Duffy para Aladdin Sane |
Sigo utilizando o papel Bristol para trabalhar com lápis, pois a textura dele facilita bastante esse efeito de cabelo "fio-a-fio". Um papel mais texturizado exige mais do lápis, além de não conseguir captar sutilezas, como linhas finas. O esfuminho também desliza com enorme facilidade. Para o raio, utilizei os lápis de cor SuperSoft da Faber-Castell, que se saíram muito bem. Porém, sempre é bom lembrar que esses lápis são uma linha escolar. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol;
- Lápis Staedtler Mars Lumograph 4B;
- Lápis de cor SuperSoft Faber-Castell;
- Multiliner Sakura Micron.
Como eu já venho fazendo desde meados do ano passado, a edição da imagem é mínima, com correções automáticas e limpeza de ruído, no final aplico multiply em tudo.
Essa ilustra já está disponível no meu Studio no Colab55, em várias peças legais. Sugiro sempre o cadastro no mailing da loja, assim dá pra acompanhar as promoções e ofertas exclusivas para assinantes. E para fechar, a música que inspirou o título dessa postagem ⚡
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Aberta a temporada de encomendas
As encomendas para 2018 já estão abertas para todos aqueles que desejam ter uma ilustração personalizada, feita por mim e dentro do meu estilo. Resolvi sanar algumas dúvidas nessa postagem, para auxiliar quem deseja saber sobre meu processo de trabalho, formas de pagamento e prazos. Vamos lá?!
Qual é o tipo de ilustração que faço?
Trabalho com técnicas tradicionais de ilustração, como: aquarela, nanquim, lápis de cor, lápis pastel seco, grafite e marcador. A arte é produzida com materiais nobres, digitalizada e tratada (com correção das cores e remoção do fundo, caso necessário). O cliente recebe o arquivo em alta resolução, diretamente em seu e-mail. Também é possível encomendar uma ilustração "física", que será encaminhada pelos Correios (+ frete).
Qual é o meu estilo de ilustração?
Meu estilo é figurativo, inclinado para a fantasia. Se você encomendar um retrato, por exemplo, eu vou capturar as feições da pessoa, porém, não ficará hiperrealista.
O que você pode encomendar?
- Ilustração em arquivo digital;
- Ilustração original tamanho A5 e A4;
- Ilustração para tatuagem;
- Cabeçalho de blog;
- Ícones de redes sociais ou categorias para blog;
- Imagem de rodapé para blog;
- Botão “subir” para blog;
- Capa para rede social;
- Avatar para rede social;
- Assinatura de e-mail;
- Banner para loja virtual;
- Ilustração editorial para capa de livro;
- Ilustração editorial para miolo de livro;
- Marcador de página;
- Criação de personagem;
- Criação de produtos, logotipos e estamparia.
Onde você pode ver exemplos do meu trabalho?
Você pode consultar a seção Portfólio, que contém uma seleção de postagens com ilustrações e seus processos de criação, e também conferir meu perfil no Behance.
Como é minha sistemática de trabalho?
- Cada ilustração é feita exclusivamente para o projeto solicitado, acordado previamente com o cliente;
- Não reproduzo obras de terceiros e não altero meu estilo de traço e/ou imito a maneira como outros profissionais ilustram;
- Não trabalho com tipografia e webdesign;
- O atendimento é realizado somente por e-mail, com tempo de resposta de até 24h entre uma mensagem e outra, somente em dias úteis;
- Não atendo projetos por mensagens nas redes sociais, comentários do blog, celular, dentre outros. Não adiciono clientes em perfis pessoais;
- O uso das imagens, autoria, divulgação, prazos e alterações de projeto, bem como direitos e deveres das partes, fica registrado no Termo de Prestação de Serviço.
Quais os preços, prazos e formas de pagamento?
Os preços são discutidos exclusivamente por e-mail com cada cliente, pois dependem da complexidade do projeto. Já os prazos de entrega padrão seguem esta ordem:
- Rascunho: 5 dias úteis após aprovação do pagamento;
- Esboço final: 5 dias úteis após aprovação do rascunho;
- lustração: 5 dias úteis após aprovação do esboço final.
O pagamento pode ser efetuado através de depósito bancário (50% na entrada + 50% quando a ilustração ficar pronta), PayPal e PagSeguro (em até 12x, com acréscimos de 5% a 10%).
Gostou? Quer encomendar? Então mande um e-mail para lidiane@lidydutra.com falando um pouco sobre suas ideias, para que eu possa passar o orçamento. E se você tiver um projeto especial, como um livro ou site completo, posso oferecer um desconto total.
E para quem quer uma ilustração minha mas não pode encomendar, pode aproveitar as ofertas e promoções no meu Studio no Colab55:
Estudando Brian Froud
Nos dois últimos anos tenho investido nos meus estudos e também na aquisição de bons livros de arte, que me auxiliem não só com a parte técnica, como também a entender o processo criativo de artistas que admiro. Embora muitas coisas estejam ao alcance de um clique, nada substitui a qualidade de um livro impresso, principalmente se ele contém muitas ilustrações. Ainda quero fazer um vídeo mostrando algumas obras do meu acervo.
E no Natal, resolvi me presentear com um dos artbooks do Brian Froud. Para quem não sabe, Froud é o responsável pela concepção de todas as criaturas presentes nos filmes Labirinto: a magia do tempo (1986) e O Cristal Encantado (1982). Já os bonecos foram manufaturados por sua esposa, a artista Wendy Froud. O título escolhido foi Good Faeries, Bad Faeries, e comprei meu exemplar pela Amazon.
Escolhi esse livro porque eu amo fadas e, nos últimos tempos, tenho me sentido muito atraída a estudar mais sobre contos, fábulas, mitologia, todo tipo de história que me leve ao mundo mágico. Acho que isso tem muito a ver com a minha vontade de ilustrar um livro com essa temática, todo em técnicas tradicionais.
Então, logo que o livro chegou, comecei a fazer alguns sketches baseados nas figuras, cópias para estudo mesmo, para me ajudar a entender o traço e também arriscar em outros tipos de corpos e poses. Postei alguns desses estudos no Instagram:
Dentre esses rascunhos, resolvi pegar um deles, a Vervain Faerie, para fazer um estudo completo, prestando atenção na proporção, nos valores, e tentando me aproximar ao máximo das cores originais com aquarela e lápis de cor. O resultado:
Dentre esses rascunhos, resolvi pegar um deles, a Vervain Faerie, para fazer um estudo completo, prestando atenção na proporção, nos valores, e tentando me aproximar ao máximo das cores originais com aquarela e lápis de cor. O resultado:
Não mexi muito na imagem para deixar as texturas tanto do papel quanto da tinta e do lápis aparentes. Utilizei uma das amostras de papel Canson Heritage grana fina que a Koralle me enviou algum tempo atrás, com alta gramatura (600g). Já os lápis e aquarelas são os mesmos que utilizo sempre. Nas asas da fada, coloquei um pouco de guache dourado também.
Acho importante ter algumas coisas em mente antes de fazer uma cópia para estudo: a primeira é que não precisa ficar exatamente igual ao original, o objetivo é capturar os elementos marcantes daquela ilustração e tentar compreender como se chega lá. Segundo, você precisa colocar seu cérebro para funcionar e enxergar verdadeiramente o que está fazendo. No caso desse estudo, precisei reproduzir o tom de pele oliva, e consegui através da mistura de sépia com sap green. Por fim, cópia para estudo se restringe a isso: estudar! Portanto, sempre sinalize esse tipo de trabalho, pois é muito deselegante não deixar claro para o público que aquela não é uma criação original.
Depois dessa experiência, resolvi que vou incluir na minha rotina, nem que seja pelo menos uma vez ao mês, estudos baseados em artistas de que gosto, elegendo uma obra para tentar reproduzir. Também selecionei algumas ilustrações do livro Good Faeries, Bad Faeries para quem não conhece o traço de Brian Froud. Ele é um artista tradicional por excelência, e seu gestual é impecável:
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A força e a fera interior
Seja bem-vindo, 2018! Só posso crer que será um ano excelente, pois já comecei fazendo o que mais amo, ou seja, desenhando. Dediquei o primeiro dia deste novo ciclo a uma ilustração que, como muitas, deixei em rascunho por vários meses, até ter um propósito para ela. Sim, eu preciso contar uma história em cada trabalho e costumo empreender uma pesquisa extensa, dentro dos temas que gosto de abordar (mitologia, feminino, fantasia).
Em março do ano passado eu havia encontrado uma foto de referência da Kate Moss muito interessante, e rascunhei algo a partir dela. Porém, não prossegui com o estudo, pois não conseguia encontrar uma narrativa para aquela imagem. E assim passou 2017, fiz outras coisas, até que, na última semana de dezembro, resolvi resgatar o esboço e tentar algo novo a partir dele. Mas ainda faltava alguma coisa... até que descobri o arcano regente deste ano: a força. Aí tudo fez sentido.
De acordo com a descrição do Tarô Illuminati (deck que tenho e estudo há algum tempo):
"Existe uma lenda que conta a história de um cavaleiro heroico que salvou uma linda donzela que ele amava das garras de uma fera ao matar o animal. Ele triunfou sobre a fera e, portanto, superou sua libido e paixão, a natureza animalesca presente em seu amor e em si. Mas o cavaleiro causou um grande dano a si mesmo e à sua amada. A lenda é erroneamente glorificada. Matar a fera interior, domá-la e aprisioná-la é destruir uma parte de si mesmo. A força não está na espada e no braço, mas na paciência e na bondade: ela vem de dentro. Nem a espada mais cortante nem o braço mais forte podem lhe proporcionar a coragem se você ainda não a possuir. Saiba disso: eu não tenho medo da fera dentro de meu corpo, nem temo seu poder ou seu tamanho. Eu a domei, mas não destruí sua força, pois fazer isso seria destruir a mim mesmo. Eu sou a fera e ela sou eu. Uma fera grandiosa assim nunca deveria ser morta, mas, sim, compreendida e aceita, pois você deve se lembrar de que há não muito tempo nós também éramos animais..."
Depois de ler essa passagem, a figura que eu estava tentando moldar - uma mulher meio guerreira, meio deusa, vestida com penas e pintura de guerra - me levou à uma analogia com a donzela e a fera da lenda. Sobre como precisamos, muitas vezes, domar (e aceitar) nossa fera interior e aprender, através dela, lições que nos tragam coragem e força para enfrentar o mundo. Sobre entender que a luz e a escuridão moram dentro de nós e fazem parte do que somos; não podemos separar esses dois lados, mas lidar com eles até alcançar o equilíbrio (isso soou muito Star Wars, eu sei).
Agora, falando da ilustração em si: utilizei o papel Bristol, minha última aquisição artística e, para quem gosta de papéis de alta alvura, e com textura satinada, bem lisinha, recomendo muito. Lápis e marcadores se comportam bem neste suporte, porém, não é indicado para tinta, principalmente aquarela. A figura foi feita com os lápis grafite Lyra, que estão competindo pelo meu amor com o Mars Lumograph, e as plumagens com marcador dourado. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson Bristol 180g;
- Lápis grafite Lyra 2B, 4B e 6B;
- Marcadores dourados Posca e Pentel;
- Multiliner Sakura 0.1.
Espero que o arcano da força nos traga o entendimento de que precisamos resolver nossos conflitos internos e entender nosso próprio eu, para então conseguirmos ser a mudança que desejamos no mundo. Que traga consigo um ano de espiritualidade (assim como a cor) e de boas vibrações. E, é claro, de muitas artes, estudos e descobertas.
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Um ano violeta vem aí 💜
Desde 2013, quando comecei a acompanhar os anúncios da cor do ano pela Pantone, minha reação sempre oscilou entre a indiferença (marsala) e o completo desprezo (greenery) pois, na minha concepção, a marca "autoridade mundial em cores" parecia completamente desconectada da realidade e muito mais preocupada em lançar tendência entre blogueiras de maquiagem do que tentar contar uma história.
2017 foi um ano difícil para o mundo. Excluindo-se as conquistas individuais de cada ser humano, foi sofrível acompanhar o noticiário, o ambiente retrógrado e sem muita esperança que se proliferou ao longo dos meses. E parece que, finalmente, a Pantone sacou que poderia passar uma mensagem positiva através da cor do ano, ao escolher Ultra Violet como a representante de 2018.
O violeta sempre foi cercado por mistério. Uma cor que representa a espiritualidade e a magia. O cosmos e sua imensidão. Aqui tem uma matéria contando todos os detalhes que a Pantone utilizou como referência para esta escolha.
E quem me acompanha sabe também que violeta é o espectro cromático que mais amo (roxo, lilás e afins), e até mesmo o blog já teve layout bem puxado para esse tom. Que é a fada lilás da criatividade que aciono quando preciso de ajuda. Por isso, foi uma imensa alegria ver que teremos um ano violeta pela frente. Mais ainda por saber que o mundo está vibrando na mesma energia de renovação, espiritualidade e conexão com o eu interior e com o todo.
No livro Da cor à cor inexistente, Israel Pedrosa fala um pouco mais sobre o violeta, e gostaria de transcrever este trecho aqui no blog:
É o violeta a cor da temperança. Reúne as qualidades das cores que lhe dão origem (vermelho e azul), simbolizando a lucidez, a ação refletida, o equilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria.
Desde os tempos mais remotos o violeta impressionou os homens. Não sendo fácil reproduzir essa coloração por nenhum dos meios que lhes estavam ao alcance, a ametista passou a simbolizar a própria cor. Os faraós do antigo Império já se enfeitavam com ela, e a Bíblia relata que os trajes dos sumos sacerdotes eram guarnecidos com essa variedade de quartzo. Na Grécia, acreditava-se que a ametista pudesse neutralizar os efeitos da bebida - por isso o vinho era tomado em taças talhadas nesse mineral e usavam-se os mais variados adornos dessa pedra para evitar a embriaguez. A raiz grega da qual se originou a palavra ametista significa sóbrio.
No horóscopo, é a pedra do mês de fevereiro. No tarô, os segredos da cartomancia designando a temperança representam um anjo com dois vasos, um vermelho e outro azul, entre os quais se troca um fluido incolor, a água vital. O violeta, invisível sob essa representação, é o resultado da troca perpétua entre o vermelho das potências da terra e o azul-celeste. O violeta foi considerado como símbolo da alquimia. Sua essência indica uma transfusão espiritual, a influência de uma pessoa sobre outra pela sugestão, a persuasão, o domínio hipnótico e mágico.
Desejo um ano violeta para o planeta, em seu aspecto mais profundo: espiritual, equilibrado, justo, mágico e sábio. Que possamos tomar atitudes pensando no bem alheio e em colher frutos a longo prazo, sem imediatismo. Que tenhamos consciência de nossos atos e possamos discernir, ao olhar uma pedra, se queremos que ela seja aquela que obstrui o caminho ou que seja aquela que constrói e fundamenta o futuro.
Abraços e até 2018,
Lidiane
E quem me acompanha sabe também que violeta é o espectro cromático que mais amo (roxo, lilás e afins), e até mesmo o blog já teve layout bem puxado para esse tom. Que é a fada lilás da criatividade que aciono quando preciso de ajuda. Por isso, foi uma imensa alegria ver que teremos um ano violeta pela frente. Mais ainda por saber que o mundo está vibrando na mesma energia de renovação, espiritualidade e conexão com o eu interior e com o todo.
No livro Da cor à cor inexistente, Israel Pedrosa fala um pouco mais sobre o violeta, e gostaria de transcrever este trecho aqui no blog:
É o violeta a cor da temperança. Reúne as qualidades das cores que lhe dão origem (vermelho e azul), simbolizando a lucidez, a ação refletida, o equilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria.
Desde os tempos mais remotos o violeta impressionou os homens. Não sendo fácil reproduzir essa coloração por nenhum dos meios que lhes estavam ao alcance, a ametista passou a simbolizar a própria cor. Os faraós do antigo Império já se enfeitavam com ela, e a Bíblia relata que os trajes dos sumos sacerdotes eram guarnecidos com essa variedade de quartzo. Na Grécia, acreditava-se que a ametista pudesse neutralizar os efeitos da bebida - por isso o vinho era tomado em taças talhadas nesse mineral e usavam-se os mais variados adornos dessa pedra para evitar a embriaguez. A raiz grega da qual se originou a palavra ametista significa sóbrio.
No horóscopo, é a pedra do mês de fevereiro. No tarô, os segredos da cartomancia designando a temperança representam um anjo com dois vasos, um vermelho e outro azul, entre os quais se troca um fluido incolor, a água vital. O violeta, invisível sob essa representação, é o resultado da troca perpétua entre o vermelho das potências da terra e o azul-celeste. O violeta foi considerado como símbolo da alquimia. Sua essência indica uma transfusão espiritual, a influência de uma pessoa sobre outra pela sugestão, a persuasão, o domínio hipnótico e mágico.
Israel Pedrosa, Da cor à cor inexistente, páginas 127-8.
💜 💜 💜
Desejo um ano violeta para o planeta, em seu aspecto mais profundo: espiritual, equilibrado, justo, mágico e sábio. Que possamos tomar atitudes pensando no bem alheio e em colher frutos a longo prazo, sem imediatismo. Que tenhamos consciência de nossos atos e possamos discernir, ao olhar uma pedra, se queremos que ela seja aquela que obstrui o caminho ou que seja aquela que constrói e fundamenta o futuro.
Abraços e até 2018,
Lidiane
Collab She-ra com Isabella Pessoa
She-ra, a princesa do poder, desenho animado que moldou a minha infância (muito antes de Mulher Maravilha era She-ra a heroína do meu coração) vai ganhar um reboot feito por ninguém menos que Noelle Stevenson, autora de Nimona e Lumberjanes. Por enquanto, é possível ver todos os desenhos originais na Netflix (que também produzirá os novos) e estou animadíssima com a possibilidade de novas gerações conhecerem essa personagem, que já era girl power em 1985.
Assim que saiu a notícia, corri para fazer uma fanart, depois de semanas de molho por causa de uma sinusite aguda, que não me deixava fazer muita coisa. Queria passar essa mensagem de empoderamento através do traço e, para colorir, convidei minha amiga Isabella Pessoa, que tem produzido trabalhos incríveis tanto no tradicional (o Inktober dela foi fantástico, cheio de bailarinas), quanto no digital. A Bella tem um comprometimento com os estudos que é raro ver hoje em dia, e leva o trabalho muito a sério, um exemplo a ser seguido.
Para os traços, utilizei papel Bristol (como demorei tanto para usar esse papel? Ele é maravilhoso!) e lápis Lyra 2B. Entreguei o desenho para a Bella exatamente assim e, a partir daí, ela fez a pintura digital, utilizando o software Procreate (para iPad).
Já nas primeiras imagens que ela me mandou fiquei de queixo caído, e quando vi o trabalho finalizado foi uma felicidade sem limites. Achei tudo incrível, desde a paleta até o movimento dos cabelos e a finalização na parte inferior, dando seguimento à figura. Me senti muito acolhida e com um sentimento de que a internet pode ser um lugar seguro e de aprendizado, basta escolher boas parcerias. Fiz um textão no meu Instagram, dá pra ler aqui hehe.
Espero que essa seja a primeira de muitas collabs com a Bella, pois esse tipo de experiência é muito animadora; para mim, serviu como um estímulo criativo, depois de um longo período doente e incapaz de levar meus trabalhos adiante. E para ver mais ilustrações e estudos da Bella, siga-a no Instagram.
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