Sobre a necessidade (cada vez maior) de registrar meus processos criativos

24/04/14


É cada vez mais premente a necessidade que sinto em registrar todos os meus processos criativos. Para além da mania, existe o interesse com a evolução do meu traço e como lido com diferentes situações, quantas vezes saio da zona de conforto e quantas me valho dela para concluir determinada ilustração, além de todas as referências (visuais, escritas, musicais...) que busco a cada novo desafio, e devaneios que saem da minha cabeça direto para o papel, em forma de questionamentos, esboços, enfim.

Na imagem acima, estão três caderninhos que são meus companheiros de cabeceira, neles registro tanta coisa que nem eu sei de onde tiro tanta ideia maluca. Dia desses, resolvi escrever sobre coisas que minam meu processo criativo (à esquerda). Depois, parei para pensar em todos os elementos que se repetem no meu trabalho (à direita). Então, resolvi compilar numa listinha, tudo que uso para me documentar, e que pode ajudar outros ilustradores que, assim como eu, buscam entender o que se passa em suas próprias cabeças!

Meios que utilizo para me documentar:

- Sketchbook: o meio mais "clássico" de registrar a brainstorming nossa de cada dia. Desde os primeiros passos de um novo trabalho, até estudos complexos, testes com novos materiais e rabiscos sem compromissos. No meu sketchbook, tem muita coisa finalizada ~não compreendo, tudo bem~ e estou tentando me dar ao luxo de deixar coisas por fazer. É um bom exercício.

- Diário de processos: é um caderno no qual escrevo sobre como está sendo realizar um trabalho específico, o que me motiva a começar uma série, que tipo de produto posso colocar nas lojas, além de várias outras coisas, como questionamentos e autocrítica. Acredito que é super importante reconhecer quando NÃO está bom, tanto quando está. Isso porque se alguém indagar você sobre um "defeito", você mesmo já refletiu sobre o mesmo.

- Anotações soltas: para momentos em que não tenho meus comparsas à mão, recorro a uma folha de rascunho, um post-it, papelzinho colorido, tudo que possa dar destaque à minha ideia e ser arquivado, posteriormente.

- Caderninho de organização: vou falar mais sobre meu caderninho no final do ano, quando chegarei à conclusão se ele funcionou ou não. Mas até o momento, está funcionando muito bem. Tenho uma aba própria para as ilustrações e ali anoto todas que estão em andamento, as que estão por vir, os trabalhos comissionados que precisam de atenção, ideias e conceitos-chave que julgo pertinentes.

- Caderno "da bagunça": é um carnaval onde tem de tudo, desde recortes de revista, esboços rápidos e inacabados, lamentações e mimimi, até minicontos para algumas ilustrações. É uma espécie de válvula de escape.

- Diário rápido: é o bloquinho que aparece à direita na foto, fica sobre minha impressora e saco toda vez que pinta uma ideia nova ou preciso fazer uma listinha.

- Caderno de referências visuais: ou look book, uma compilação de recortes de revista contendo fotos de modelos, acessórios, obras de arte, enfim, tudo que possa ser usado como referência numa ilustração, desde paleta de cores até poses.

- Pasta de esboços: desde o final de 2012 guardo todos os meus esboços, que antes eram descartados, e faço uma comparação do percurso que fiz até chegar à ilustração final. Algumas vezes, reaproveito esses esboços como ponto de partida para novos trabalhos e arranjo outras soluções para o que vinha fazendo. É interessante fazer uma releitura da própria obra.

- Blog: há quatro anos, tem muita coisa que está aqui. Quem me acompanha sabe o quanto penei para redescobrir meu traço, o quanto busquei entender e aceitar minha própria arte, então não deixa de ser uma excelente maneira de registrar meu caminhar como ilustradora.

- Livros e excertos de textos interessantes: se estou lendo um livro e acho que uma citação tem tudo a ver com um trabalho, não temo em fazer a associação entre um e outro. Também é importante buscar suporte teórico em autores que já discutiram sobre processo criativo e têm muito a nos ajudar. Deixo aqui três indicações de livros fantásticos sobre o tema:
- Gesto Inacabado, da Cecília Almeida Sales;
- Filosofia da Criação, da Marly Meira.

Espero que tenham gostado das minhas dicas e que, de alguma maneira, eu possa ter ajudado quem busca mais informações sobre documentação do processo criativo.

Aproveito para fazer um agradecimento a todas as pessoas que me perguntam sobre quando será a próxima oficina de desenho, não esperava que tanta gente fosse se interessar! Pois então, ainda não sei quando e se vou ofertar outro curso, mas podem ter certeza que, com tanto carinho, vontade não me falta e vou dar um jeito de atender a todos os pedidos.

Abraços,
Lidiane :-)