Resolvi aproveitar o feriadão de Páscoa para voltar à ativa e dar andamento aos rascunhos que postei aqui anteriormente. Um deles serviu para que eu pudesse treinar algo que deixo bastante de lado nas minhas ilustrações: estampas. Tenho medo de pecar pelo excesso e produzir algo que não fique agradável ao olhar do espectador. Uma artista que tem me ajudado bastante a quebrar essa barreira é a Brunna Mancuso. Os trabalhos dela trazem muita informação, mas o resultado final é leve e com uma composição muito equilibrada. Por isso decidi reunir aquarela, estudo de estampas e também o teste definitivo do meu novo scanner na mesma ilustra, sem medo de ser feliz. 


Quem me acompanha já conhece o processo: após passar o risco a limpo no papel para aquarela (utilizei o Arches grana fina), começo a marcar os valores com lápis 4B.


Geralmente começo pelo rosto, mas como o foco desse trabalho é a estampa, decidi resolver tudo o que envolvia a roupa, cabelo e fundo, primeiramente, para depois pensar na pele e acabamentos. Embora na foto usada como referência a modelo estivesse com um casaco, só aproveitei mesmo o formato da gola. Os ornamentos e estampa saíram de imaginação, a partir de algumas fotos de papoulas e da já famigerada lua crescente. Também optei por payne's grey e magenta por serem cores fáceis de se harmonizar com as outras.


A inclusão da joia no pescoço e brincos também foi outro desafio, pois a cada momento eu pensava que estava fazendo um grande carnaval incompreensível. Mas respirei fundo e tratei de pensar nisso tudo como o estudo que realmente é, e na aprendizagem que fica pelo processo de criação. E a melhor parte, claro, é retirar a fita crepe das bordas. Já falei sobre essa fita azul aqui. O resultado:


Materiais utilizados

- Papel para aquarela Arches grana fina, 100% algodão, 300g;
- Aquarelas Cotman e Sennelier;
- Pinceis pelo sintético Keramik;
- Lápis de cor metálico e supersoft Faber-Castell;
- Multiliner Sakura e caneta gel dourada e prata.



Sobre meu estudo de estampa: achei o resultado ok, para quem está mais acostumada com fundos minimalistas e personagens "nuas" foi um progresso. Mas reconheço que ainda tenho que melhorar muito a composição e as escalas. Curti voltar a me dedicar um dia todo ao estudo de uma pintura, sem me preocupar com planos de aula ou boletos vencendo, então só por isso já valeu demais. E não pretendo parar por aí :)

Sobre o scanner: durante toda minha vida utilizei os scanners da HP e talvez estivesse acostumada demais com a multifuncional antiga (já sabia todos os estouros e zonas em que o vidro estava arranhado e precisava de correção), por isso estranhei muito o equipamento novo (Canon Pixma G3100). A impressão que tenho é que a imagem fica com uma película de transparência que tira a nitidez e as cores vão do desmaio total ao BERRO. Para se ter uma ideia, sempre digitalizei em 300 dpi, e essa ilustra precisei colocar 600 dpi para que ficasse com o nível de qualidade que gosto (e mesmo assim não senti que ficou como trabalhos anteriores, digitalizados na multifuncional velhinha). Aparentemente não há nenhum problema técnico com o equipamento, pode ser BIOS, pode ser costume, pode ser alguma configuração entre ele e o PS, então quem tiver alguma dica, por favor deixe nos comentários! 

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