Lidiane Dutra
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Aquarela Featured Portfólio

O Jarro de Pandora


ele chamou essa mulher de Pandora porque todos os deuses que vivem no monte Olimpo lhe deram um dom, uma calamidade para os homens."

Essa ilustração surgiu após a leitura do maravilhoso O Jarro de Pandora: uma visão revolucionária e igualitária sobre a representação das mulheres na mitologia grega, da Natalie Haynes. Gostaria que ela tivesse ficado pronta a tempo da minha última exposição, mas tudo sempre ocorre no tempo que deve ocorrer.

Pandora é comumente descrita como a mulher que carrega uma caixa, na qual estão todos os males do mundo e, por descuido ou curiosidade ao abri-la, deixa-os escaparem, sobrando unicamente a esperança lá dentro. Esse mito sempre pareceu confuso para mim, pois eu não conseguia entender por que a esperança estaria dentro de uma caixa cheia de males...

Natalie Haynes vai a fundo no mito e traz alguns pontos que elucidam a história: Pandora foi criada pelos olimpianos em represália a Prometeu, que roubou o fogo dos deuses e os deu aos humanos. Ela é o kalon kakon, um belo mal, e é dada em presente a Epimeteu, irmão de Prometeu. Pandora carrega consigo um jarro (provavelmente um lebes nupcial) que, ao aberto, espalha as calamidades sobre os mortais.

A autora aponta também um provável erro de tradução: o termo elpis não significa exatamente esperança mas, talvez, expectativa. Já a representação da caixa no lugar do jarro aparece a partir do século XIX em fábulas e pinturas.


Munida de todas essas informações, comecei a pesquisar imagens de jarros antigos, vestimentas e detalhes de frisos gregos. Eu queria que Pandora fosse ela própria o jarro, o receptáculo de seus próprios quereres - e não dos males que afligem os "pobres homens". Por isso, os frisos se converteram em tatuagens. A roupa da cor do açafrão evoca às vestimentas gregas, mas não é fiel à elas.

O jarro não é no formato do lebes nupcial, mas sim algo que passa certa dificuldade em segurar e manejar, que precisa de um esforço para ser carregado. Mesmo assim, a expressão de Pandora é serena: ela olha para além da tela e coloca sua mão delicadamente dentro do jarro, quase como uma ameaça velada: se eu colocar minha mão aqui, você está ferrado! Pois aqui dentro está a minha essência...


Utilizei meus métodos de desenho e pintura, e foi muito difícil fazer com que tudo convesasse e convergisse para o que eu queria desde o começo. Foi também um processo arrastado, tive que lidar com muitas coisas acontecendo em paralelo, mas Pandora me convidava para abrir o jarro e assim concluí a ilustração.


Materiais utilizados

  • Papel Arches grana fina 300g;
  • Aquarelas White Nights;
  • Pincéis para aquarela sortidos;
  • Lápis de cor Pentel;
  • Marcadores Pentel para os detalhes.


O resultado final:


Livros com releituras de mitos gregos que estão na minha lista

  • Galateia, Madeline Miller; (lido 5★)
  • Circe, Madeline Miller; (lido 5★)
  • A Canção de Aquiles, Madeline Miller; (lido 5★)
  • O Jarro de Pandora, Natalie Haynes; (lido 5★)
  • Ariadne, Jennifer Saint; (LENDO)
  • Clitemnestra, Constanza Casati;
  • O Olhar Petrificante, Natalie Haynes;
  • Mil Navios para Tróia, Natalie Haynes;
  • Os Filhos de Jocasta, Natalie Haynes;
  • Medeia, Rosie Hewlett.
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Arte Digital Featured Portfólio

Patrimônio Papareia


Assim como as Mulheres Rio-grandinas Notáveis, esse foi mais um trabalho que fiz dentro das atividades para a Secretaria de Município da Educação, onde estou atuando no momento. A ideia era criar uma capa para os cadernos disponibilizados dentro do kit escolar, e após um grande brainstorming (com auxílio do Felipe e da Karine), a ilustração Patrimônio Papareia tomou forma.

Ela segue o padrão das Mulheres Notáveis, reproduzindo o estilo de um azulejo português. A ilustração é composta por vários elementos do patrimônio material, imaterial e natural da cidade. O objetivo era produzir uma capa que fosse artística e que também trouxesse o sentimento de pertencimento aos estudantes, reconhecendo lugares, pessoas e situações de seu contidiano. 

Muitas pessoas relataram se reconhecer, reconhecer um parente ou amigo, ou recordar lugares da infância ao ver essa ilustração. E isso me deixou muito feliz e com a sensação de dever cumprido, por proporcionar algo que realmente tocou o coração de quem recebeu.

Aqui tem um documento, também disponibilizado para as escolas da rede, contando cada detalhe da ilustração, o que auxilia os professores a desenvolverem uma proposta pedagógica a partir da capa dos cadernos. 


E aqui a minha mãozinha congelada pelo frio de 2° do mês de junho, fotografada pela Lisi, segurando o caderno em frente ao prédio da SMEd, o Sobrado dos Azulejos, que tanto tem nos inspirado desde o início do ano letivo. 
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