Hekatembro: uma Hekate por domingo em novembro

30/11/25


Assim como o Lidytober no mês passado, também resolvi fazer um pequeno desafio em novembro, que coloquei o nome de Hekatembro: uma Hekate por domingo. A ideia foi bem simples: escolhi alguns epítetos da Deusa com os quais tenho afinidade e, todo o domingo, publiquei uma ilustração digital com o tema referente. 


Além de abranger duas datas importantes do calendário hekatino (16/11 - Noite de Hekate e 30/11 - Hekate das Encruzilhadas), foi uma maneira de estudar um pouco mais as ferramentas digitais, testar pincéis e melhorar gradualmente no Procreate, a passos muito lentos, mas aproveitando a jornada.


O alcance no Instagram está péssimo, e os meus trabalhos quase não são entregues para quem me segue. Então sigo insistindo em constituir meu portfólio aqui no blog, pois consigo ter um panorama da evolução do meu traço e no que preciso melhorar.


Recentemente, o Pinterest também se tornou um lugar hostil, ao rotular automaticamente várias artes minhas como modificadas por IA. Entrei em contato com o suporte, mas preferi excluir os pins e, sinceramente, não tenho mais vontade de usar a plataforma, embora o retorno sempre tenha sido bom. 


E mesmo tirando todos os percalços causados pelas próprias redes, acho que muito do sentido de comunidade que existia na internet (e, mais precisamente, na parte artística) se perdeu, as pessoas passam o feed desinteressadamente e infinitamente, procurando algo que não se sabe ao certo. Tudo tem virado uma grande performance, não há mais muito espaço para a contemplação, para o processo, para o estudo, tudo vem acompanhado de uma etiqueta redirecionando a uma loja onde se pode adquirir o que está sendo mostrado. E isso cansa.


Também estou cansada da vida, de modo geral (final de ano e velhice realmente não combinam), e resolvi parar de aceitar encomendas, indefinidamente. Sinto falta das lojas virtuais, pelo menos meu trabalho estava ali na renda passiva, mas também não consigo visualizar um lugar que possa dar conta de uma comissão justa, um frete justo e produtos com uma qualidade justa. Vamos às Deusas?



Para o dia 02 de novembro, dia de Finados, escolhi o epíteto Anassa Eneroi, a Rainha dos Mortos. A Deusa está com um véu vermelho, uma de suas cores, cobrindo o rosto, simbolizando o véu entre os mundos, e segurando um crânio, representando os mortos inquietos que a seguem. O feixe de luz traz a dualidade luz/sombra, vida/morte e a regência de Hekate em ambos os reinos.


Para o dia 09 de novembro, o epíteto escolhido foi Hieros Pyr, Fogo Sagrado. A luz do fogo emana de dentro da própria Deusa, sai pelos seus olhos, toma forma num halo flamejante em seu entorno e na chama crepitante em suas mãos. Aqui, trago a noção de Hekate como Alma Cósmica do Universo, tudo vem dela e para ela retorna, animado pelo seu fogo sagrado.


Para o dia 16 de novembro, a Noite de Hekate, escolhi o epíteto Soteira, a Salvadora. Hekate está em seu traje cor de açafrão (aqui, existem distinções entre "a cor de açafrão", que pode ser dourado, alaranjado ou vermelho. Optei por dourado.), carregando sua coroa de sete pontas (duas não visíveis), presente em estatuárias romanas que retratam a Deusa, ladeada pela silhueta de dois cães, animais símbolos de Hekate e também de proteção e fidelidade. Essas silhuetas também podem ser entendidas como mais duas cabeças, fazendo alusão às representações em que Hekate tem uma cabeça de vaca, leoa ou égua, e também ao Cérbero, protetor do Submundo.


Para o dia 23, o epíteto escolhido foi Apotropaia, Protetora. A Deusa está rodeada pelo Ouroboros, o ciclo infinito da vida, e carregando serpentes, animais associados à sabedoria, e também presentes na representação da górgona Medusa, cujo escudo com sua cabeça era carregado pela Deusa Atena, com forte teor apotropaico. As joias apotropaicas também eram muito comuns na antiguidade, amuletos que protegiam seus usuários dos maus agouros. E por 2025 ser o Ano da Serpente, todas essas representações estão reunidas na figura.


E para o último domingo, 30 de novembro, dia de Hekate das Encruzilhadas, o epíteto escolhido foi Trioditis, Dos três caminhos, Da encruzilhada tripla. A Deusa está em sua forma trívia, simbolizando os rumos que podemos tomar na nossa vida. Essa representação foge bastante ao estilo que trabalhei nas anteriores, remetendo à estatuária, e utilizando o roxo como cor predominante. Ao invés de retratar três rostos, preferi deixar um como se fosse uma máscara, retomando o conceito da górgona e também numa referência às máscaras sociais que usamos ao longo da vida. Qual máscara escolheremos? O que acontece se abandonarmos a máscara e escolhermos outra coisa?

Espero que, devotos ou não, esse projeto tenha tocado de alguma forma quem o acompanhou. Gostaria de fazer também o calendário do advento que fiz há 2 anos, mas infelizmente não será possível. Mas foi um bom ano artístico. 

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