Dracarys 🐉
Antes de mostrar essa ilustra, preciso contar um pouco da minha relação com Game of Thrones. Até o início desta temporada, em não assistia à série, mas sabia absolutamente t-u-d-o que acontecia com os personagens, os nomes dos lugares, das casas e os principais pontos da trama, graças aos famigerados spoilers. Meu namorado sempre me mostrava alguns episódios e insistia para que visse, mas foi só a curiosidade sobre como terminaria essa história que me fez encarar as 7 temporadas anteriores, a fim de me preparar para o adeus.
Assinei a HBOGO (player horroroso que vivia travando, mas que está sendo super útil para acompanhar a maravilhosa série Chernobyl - assistam!) e lá fui eu. E acabei me encantando com a figura da Daenerys, assim como a grande maioria dos fãs de GoT. Então, não é surpresa dizer que fiquei extremamente descontente com o rumo que o arco da personagem tomou, e a pressa em resolver tudo.
Resumindo: comprei o primeiro livro e também um guia sobre Westeros, e vou começar a leitura em breve, na esperança que George R. R. Martin faça justiça a Khaleesi. Daí veio a vontade de fazer essa ilustração.
Peguei uma foto de referência no Pinterest que desse ênfase ao cabelo da personagem e, a partir daí, foram quatro esboços até chegar à versão final, pois eu queria que tivesse semelhança, ao contrário de outros desenhos que faço com auxílio de referência.
Após passar para o papel, trabalhei com lápis 3B todo o cabelo, abrindo pontos de luz com a borracha Mono Zero. O restante dos detalhes foi feito com brush pen, marcador Copic e caneta dourada. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Bristol;
- Lápis Koh-I-Noor 3B;
- Brush Pen Pentel;
- Caneta Copic;
- Caneta Uni Pin dourada;
- Borracha Mono Zero para abrir pontos de luz.
Passei a vida em terras estrangeiras. Tantos homens tentaram me matar. Não lembro de todos os seus nomes. Eu fui vendida como uma égua parideira. Fui acorrentada e traída. Estuprada e desonrada. Você sabe o que me manteve de pé durante todos esses anos de exílio? Fé. Não em deuses. Não em mitos e lendas. Em mim. Em Daenerys Targaryen.
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Ariel | MerMay 2019
Esse ano minha contribuição para o MerMay foi bastante modesta, apenas uma sereia. Acontece que o tema meio que saturou um pouco para mim. Tive que reviver todas as produções passadas para a exposição GAIA, que aconteceu em março, então não me senti entusiasmada para fazer um trabalho por semana, como em 2017 e 2018.
Optei por fazer algo que também não é muito recorrente na minha produção, uma fanart. Escolhi a Ariel, a pequena sereia da Disney, e dei à ela um visual em sintonia com os códigos e símbolos que uso. A seguir, um pouco das fotos do processo.
O que mais tenho gostado, nos últimos trabalhos, é de captar a textura do papel para aquarela. Principalmente o grana fina, que mais gosto de usar. Algumas pessoas não curtem, acham que compromete o tratamento digital, mas tenho investido nisso.
Outra coisa que fiz foi usar uma aquarela dourada, além dos marcadores metálicos usuais, e também uma tinta da Acrilex para artesanato, que contém glitter. ✨ É um trabalho no qual as nuances são muito mais percebíveis ao vivo do que pela internet, mas tenho também tentado me concentrar mais nas experiências reais do que fazer algo para postar nas redes. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel para aquarela Harmony Hahnemühle textura fina 300g;
- Aquarelas Van Gogh;
- Pincéis Keramik;
- Marcadores metálicos para os detalhes;
- Lápis de cor Ruksmuseum Bruynzeel;
- Tinta para artesanato Confetti Acrilex.
Na próxima semana, pretendo levar o desafio para sala de aula, e fazer o MerMay com meus alunos! Falando neles, estou preparando duas postagens para a tag Sala de Aula. A primeira é sobre alguns equívocos sobre a aula de Artes, e o segundo sobre como tem sido meu semestre docente na nova escola. Em algum momento até julho esses posts saem...
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É preciso estar triste para criar?
Este texto foi publicado na minha finada newsletter e hoje, fazendo uma pesquisa nos meus e-mails, o redescobri. Fiquei bem contente com o que escrevi (há dois anos atrás) e resolvi resgatar essa reflexão, deixando-a registrada aqui no blog. Enjoy!
***
A figura do artista mentalmente perturbado é bastante comum em nossa sociedade. Talvez o expoente máximo seja Van Gogh: incompreendido, genial, problemático. Viveu na miséria, para ter sua obra reconhecida e glorificada séculos depois de sua morte. Essa é uma visão bastante nociva do ser artista, mas que ainda é bastante propagada (inclusive, pelos próprios artistas). Quanto maior o nível de perturbação, mais intensa e grandiosa a obra. Será?
A Sarah Andersen, quadrinista que acompanho há um bom tempo, publicou essa tirinha, que resume bem o que penso sobre o tormento do artista. Existe o mito de que a criatividade está associada à tristeza, e de que os momentos mais inspiradores são também os mais dolorosos. Mas isso está longe de ser uma regra, pois o processo criativo é algo muito subjetivo. Além disso, esse mito ajuda a reforçar o estereótipo do artista louco, e afasta a compreensão de que arte é um trabalho, como qualquer outro.
Essa visão obtusa sobre o fazer artístico carrega um pouco de romantização, e outro tanto de desumanização do indivíduo artista. A sociedade acaba justificando pela arte qualquer problema real que essa pessoa tenha (doenças mentais, alcoolismo, abuso de drogas, violência), com o argumento de que "faz parte do pacote". Ao mesmo tempo, qualquer profissional que não se encaixe nessa construção social, acaba por não ser visto como um bom artista ou um artista verdadeiro.
Por ser um campo do conhecimento que trabalha constantemente com a subjetividade, a arte tende a ser encarada como algo incompreensível, cheio de códigos que somente poucos iniciados têm acesso. O que não deixa de ser outra construção social, relacionada principalmente ao status. Para muitos artistas, é conveniente que o público tenha a crença de que eles são esses poucos escolhidos, que conseguem decifrar os meandros que um leigo jamais conseguirá. Isso ajuda a manter o interesse e relevância de suas obras.
Talvez daí venha também o desdém que muitos carregam por artistas comerciais (e aqui não vou entrar no mérito estético de ser bom ou ruim), como Romero Britto. Ser acessível e popular parecem coisas que destoam completamente do discurso artístico dominante. É contra o fluxo natural das coisas.
É preciso estar triste para criar?
É preciso estar feliz para criar?
É preciso QUERER criar. Assim como também é preciso aprender, experimentar, se atualizar, ler, interagir, pensar, refletir... Mais do que tentar colocar os artistas em caixinhas como problemático, estressado, deprimido, a sociedade deve entender que cada um tem seus próprios processos criativos, e que o estado de espírito no momento da criação é apenas um dos aspectos que irão moldar aquela obra.
Por que eu sou desenhista? Este vídeo da Ale Presser sobre o que a motiva a desenhar, e que oferece um panorama poético e profissional sobre a prática artística. É possível perceber que arte envolve muito mais do que sentimento.
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