Ateliê Tour 2015 + Blog Day
Hoje é o último dia de BEDA e também Blog Day! Conforme prometido, fiz o tour 2015 pelo ateliê e procurei mostrar todos os cantinhos interessantes do meu espaço de arte, além da minha estante de livros. Infelizmente, não consegui fazer um vídeo porque (como dá pra perceber nas fotos) meu quarto é todo lilás, e isso se transformou num problema. Só consegui fotografar num dia de sol muito bom e com a função HDR do celular habilitada, porque nem a câmera convencional convenceu.
Separei esse post em duas partes: ateliê e estante, com legendas explicativas em todas as imagens. Gostaria de ressaltar que compro materiais desde a faculdade, ganho muitas outras coisas em datas comemorativas e, ao longo dos anos, procurei deixar meu ateliê confortável o bastante para poder trabalhar várias horas por dia. Então nada do que está posto aqui é ostentação ou jabá: é a forma como estruturei meu cantinho com os recursos dos quais disponho, e que pode vir a inspirar outras pessoas.
Ao final do post, preparei uma lista especial para o Blog Day, com dez blogs que sigo e recomendo, para celebrar tantas coisas legais que aconteceram durante este mês. Vamos lá!
Ateliê
Essa é a parte superior da cômoda, onde está a coleção de canecas com canetas e lápis avulsos, e também a Vida, catrina linda confeccionada pela Daniela Karg, e a máquina de escrever que escapou de ser descartada e hoje me acompanha.
Tenho canecas de todos os tipos, muitas ganho de presente, outras compro de artistas que gosto, e também tenho duas da minha antiga loja. Geralmente guardo nelas os lápis e canetas dos quais não tenho mais a embalagem, ou os avulsos. É uma maneira fácil e barata de decorar um ateliê e manter seus materiais organizados.
Na parte inferior guardo meus papéis e pastas com ilustrações, além dos sketchbooks maiores e minha mesa de luz. Aqui, tudo fica protegido da luz e da poeira, além de facilitar o acesso. Costumo manter os blocos intactos até o final, pois ajudam na conservação das folhas, e os papéis avulsos são mantidos dentro da caixa poá. Já as ilustrações finalizadas vão para as pastas catálogo, logo após a fixação com spray. A mesa de luz é artesanal, meu namorado fez a partir de uma caixa de MDF, vidro e fita de LED.
Minha mesa de trabalho! Tem estilo colonial e comprei aqui de Rio Grande, assim como a estante. Ela é bastante sólida, as gavetas são fundas e com espaço, além de ter uma boa altura, fico com a coluna no lugar. Sobre a mesa, deixo apenas o necessário: luminária articulável, impressora, lápis de uso frequente e alguns cadernos. Na parte móvel, guardo a prancheta reclinável, e nas pranchetas da parede me organizo: fotos e referências para estudo, trabalhos em andamento, trabalhos finalizados não escaneados e planner semanal.
Na prateleira de cima: mais canecas com pincéis para uso geral e pincéis para aquarela, marcadores Copic e canetas de diversas marcas e espessuras. Um copo do filme "O Exterminador do Futuro" (sou dessas que compra brindes no cinema, me julguem) contém escovas, estilete, régua, etc. Minha manequim chamada Nina com asas de borboleta, a mascotinha do Maremundo e um galo de Barcelos que veio diretamente de Portugal. Já dentro da latinha guardo Aqualine, nanquim, clipes e borrachas que uso bastante.
Na outra prateleira temos um apontador elétrico em forma de pinguim, uma xícara com estampa de Gustav Klimt cheia de post-its, um telefone em formato de rolo fotográfico e a Torre Eiffel. Tudo super amorzinho, ganho muitos presentes fofos.
Detalhe do porta-lápis que fica sobre a mesa. Essa é a vista que tenho quando estou trabalhando: meus livros e se a porta estiver aberta, a TV da sala para distrair :D
Minha mesa tem três gavetas. Na primeira, guardo os estojos de lápis e de canetas que uso para carregar na bolsa. Sempre que compro um material que vem numa embalagem bonita e prática, procuro preservá-la, deixando para colocar nas canecas apenas aqueles que não estão bem acondicionados.
Na segunda gaveta guardo os marcadores, alguns recipientes para aquarela e um berço para encadernação que falhei miseravelmente em usar.
Por fim, as aquarelas. Aqui, tem de tudo: fita crepe para segurar o papel, godês (muito sujos), spray fixador, estojo de pastilhas, estojo de bisnagas (a caixa da Mulher Maravilha está cheia de aquarelas), panos, máscara, álcool, sal, mais recipientes, enfim... Essa é uma das gavetas que tem ganhado mais itens nos últimos tempos.
Estante
Meu guarda-roupas de Nárnia amado! Nossa história começou num momento crítico. Ano passado o inverno foi muito úmido, e minha antiga estante de chapa amanhecia completamente molhada, por algum motivo desconhecido. Resolvi acondicionar os livros num espaço fechado, e desde então essa coisa linda me acompanha. Nas caixas acima está uma grande parte da minha coleção de cadernos e sketchbooks, que vale um post exclusivo. Vamos ver o que tem dentro da estante:
A primeira prateleira é a mais funda, por isso decidi colocar os livros técnicos, que geralmente têm uns formatos maiores, além dos títulos sobre história da arte, arte/educação, biografias de artistas, dentre outros. Tudo o que pertence à área de artes está nessa prateleira, acompanhado pelas minhas duas Skelitas.
Na segunda prateleira estão os livros de capa dura, com encadernação especial, os importados e alguns infantis diferentes, guardados por dois Zelfos e uma Malévola. Muitos desses livros bonitos acabo comprando não só pela história, mas para usar como referência em trabalhos, para ir além do Pinterest e ter algo palpável, sabe?
Na terceira prateleira começam os livros de literatura geral. Não tenho uma ordem de arrumação, só procuro enfileirar do maior para o menor para evitar o TOC. Mas dá pra encontrar, por exemplo, Neil Gaiman em três prateleiras distintas, conforme o tamanho/acabamento do livro. Coerência mandou um abraço. Aqui também estão a Frankie, a Operetta e a Goulia.
Na quarta prateleira estão mais livros de literatura geral e os pockets, que são as coisas mais tinhosas de guardar, tanto que estou me desfazendo de alguns para comprar a versão maior do livro. O que mais curto nesse espaço é que tem muitas obras de amigos meus, e até mesmo uma que eu participei. Também tem minhas graphic novels e mais uma boneca linda da Daniela Karg, uma Hello Kitty e a bruxa que saiu cortada (ela ri e acende os olhos).
Eu disse que era o guarda-roupas de Nárnia... a quinta prateleira! Aqui é o famoso soca-soca: tem meus mangás, mais uma caixa com sketchbooks, álbuns e pastas dos tempos da faculdade, meus livros para colorir, revistas e uma caixa de Melissa que denuncia minha paixão por esses sapatinhos (e que está cheia de bugigangas). Aquelas coisinhas estampadas lá atrás dos mangás são capinhas para os meus livros, feitas por mamaim em vários tamanhos, com bolso para guardar post-its e marcadores de cetim, muito fino. Tem mais caderninhos escondidos no meu criado mudo, mas não fotografei as gavetas dele porque quero arrumá-las.
Pensa que acabou? Não! Ainda tem o livreiro (comprado na mesma loja da mesa e da estante), onde eu guardo os livros que fazem parte de uma série. Acho melhor para organizar as que já estão finalizadas (dois primeiros nichos) e as que ainda estão em andamento (nichos restantes). Sobre ele tenho um pequeno altar, com várias divindades que acredito, além do meu incensário, que ajuda a manter as energias do ateliê sempre boas. Ufa! Era isso!
Para encerrar essa postagem mais do que especial, já que hoje é Blog Day, quero indicar dez blogs de ilustradorxs incríveis, que valem muito a pena o clique. Nós, artistas independentes que divulgam seus trabalhos pela internet, só estamos aqui porque o público nos dá esse retorno maravilhoso, então sempre que você tiver a oportunidade de incentivar um artista, compartilhe o link de seu blog, curta sua página no Facebook e ajude a espalhar arte pelo mundo. Então, visita lá:
Muito obrigada a todos que me acompanharam no BEDA, aos que passaram a seguir meu trabalho a partir desse projeto, sejam muito bem-vindos, e já agradeço de antemão a quem me indicar em sua lista de favoritos. *-*
Abraços,
Lidiane :-)
Como me organizei para o BEDA
Participar de um desafio de 31 dias é cansativo, mas extremamente recompensador. Amanhã é o último dia de BEDA, fecharei esse projeto com o tour pelo ateliê e a sensação que fica em mim é de que muitas coisas boas foram compartilhadas, e consegui riscar várias metas relacionadas à produtividade e organização na minha lista.
Resolvi elencar 10 atitudes que fizeram parte da minha rotina durante o mês de agosto, e que tornaram essas postagens diárias possíveis. Com isso quero incentivar você a se desafiar também. Mas, ó: as coisas só fazem sentido quando realmente as queremos, então nada de entrar de cabeça em algo que não significará nada na sua vida.
1˚ PASSO: saber se eu realmente gostaria de fazer o projeto e não abandonaria/desistiria. Faria diferença na minha vida? Meus leitores gostariam?
2˚ PASSO: entender que eu precisaria de dedicação e que teria de priorizar atividades. Como agosto foi um mês fraco de freelas, procurei me deter no essencial e nos meus estudos diários.
3˚ PASSO: aceitar participar de outro desafio, no caso o #AGostoDoArtista, o que garantiu que eu não deixaria de desenhar durante o mês e que estaria fora da minha zona de conforto ao ter uma lista de itens para preencher.
4˚ PASSO: montar um planner mensal, distribuindo os posts que eu já tinha em mente ao longo das semanas e preenchendo os buracos com ideias que surgiam na minha cabeça. Deixar esse planner num local visível.
5˚ PASSO: mapear no meu caderno de organização todos os posts que eu já tinha vontade de escrever e, por pura preguiça, deixava de lado. Mapear também os posts que eu já fazia nos meses anteriores (na prancheta, minhas inspirações) e ideias que surgiam espontaneamente ou a partir de coisas que eu via pela internet.
6˚ PASSO: adiantar a primeira semana do desafio antes do dia 1/8. Isso me ajudou a ficar tranquila e poder planejar o restante com calma, sem pressão e com prazer.
7˚ PASSO: dedicar dias específicos para fotografar, pesquisar, desenhar e escrever. Sempre adiantar uma semana e escolher um horário fixo para liberar tanto o post como sua divulgação nas redes sociais (no meu caso, 20h). Isso foi crucial nos dias em que minha internet caiu, ou eu saía de casa, por exemplo.
8˚ PASSO: curtir a rotina de postar e não pegar nada além dos projetos, para não me sentir pressionada. A grade sacada foi retomar a vontade de postar e o sentido de organização, por isso fazia tanta diferença deixar as semanas sempre adiantadas e também aprontar os posts do final do mês, caso desse algum problema.
9˚ PASSO: aproveitar os dias ideais para os posts que exigiam condições especiais (fotografar nos dias de sol, usar aquarela em dias não úmidos). E sempre cumprir essas metas.
10˚ PASSO: satisfação ao riscar metas cumpridas. Tem gente que se sente feliz trocando de carro todo ano, eu me sinto bem melhor colocando um X sobre as tarefas propostas finalizadas.
Em resumo: deu trabalho? Sim, mas foi tão legal o retorno que tive, tanto dos leitores que me acompanharam, quanto daquela vontade de estudar coisas novas para colocar aqui no blog. Cresci muito ao longo desse mêsde 365 dias, me senti viva no sentido de poder fazer várias coisas que amo: desenho, escrita, pesquisa, compartilhamento.
Agora, vou me preparar para mais uma empreitada: o Inktober, que já fiz ano passado, e consiste num desenho por dia, até o final de outubro. Outra coisa legal é que existe a possibilidade de encerrar 2015 com mil postagens aqui no blog, não é demais? É muito assunto e muito amor since 2010.
Obrigada, de coração, a todos que me acompanharam durante o BEDA. Fiquem ligados que amanhã terá o encerramento mais do que especial com o tour pelo ateliê e pela minha estante no momento.
Abraços,
Lidiane :-)
2˚ PASSO: entender que eu precisaria de dedicação e que teria de priorizar atividades. Como agosto foi um mês fraco de freelas, procurei me deter no essencial e nos meus estudos diários.
3˚ PASSO: aceitar participar de outro desafio, no caso o #AGostoDoArtista, o que garantiu que eu não deixaria de desenhar durante o mês e que estaria fora da minha zona de conforto ao ter uma lista de itens para preencher.
4˚ PASSO: montar um planner mensal, distribuindo os posts que eu já tinha em mente ao longo das semanas e preenchendo os buracos com ideias que surgiam na minha cabeça. Deixar esse planner num local visível.
5˚ PASSO: mapear no meu caderno de organização todos os posts que eu já tinha vontade de escrever e, por pura preguiça, deixava de lado. Mapear também os posts que eu já fazia nos meses anteriores (na prancheta, minhas inspirações) e ideias que surgiam espontaneamente ou a partir de coisas que eu via pela internet.
6˚ PASSO: adiantar a primeira semana do desafio antes do dia 1/8. Isso me ajudou a ficar tranquila e poder planejar o restante com calma, sem pressão e com prazer.
7˚ PASSO: dedicar dias específicos para fotografar, pesquisar, desenhar e escrever. Sempre adiantar uma semana e escolher um horário fixo para liberar tanto o post como sua divulgação nas redes sociais (no meu caso, 20h). Isso foi crucial nos dias em que minha internet caiu, ou eu saía de casa, por exemplo.
8˚ PASSO: curtir a rotina de postar e não pegar nada além dos projetos, para não me sentir pressionada. A grade sacada foi retomar a vontade de postar e o sentido de organização, por isso fazia tanta diferença deixar as semanas sempre adiantadas e também aprontar os posts do final do mês, caso desse algum problema.
9˚ PASSO: aproveitar os dias ideais para os posts que exigiam condições especiais (fotografar nos dias de sol, usar aquarela em dias não úmidos). E sempre cumprir essas metas.
10˚ PASSO: satisfação ao riscar metas cumpridas. Tem gente que se sente feliz trocando de carro todo ano, eu me sinto bem melhor colocando um X sobre as tarefas propostas finalizadas.
Em resumo: deu trabalho? Sim, mas foi tão legal o retorno que tive, tanto dos leitores que me acompanharam, quanto daquela vontade de estudar coisas novas para colocar aqui no blog. Cresci muito ao longo desse mês
Agora, vou me preparar para mais uma empreitada: o Inktober, que já fiz ano passado, e consiste num desenho por dia, até o final de outubro. Outra coisa legal é que existe a possibilidade de encerrar 2015 com mil postagens aqui no blog, não é demais? É muito assunto e muito amor since 2010.
Obrigada, de coração, a todos que me acompanharam durante o BEDA. Fiquem ligados que amanhã terá o encerramento mais do que especial com o tour pelo ateliê e pela minha estante no momento.
Abraços,
Lidiane :-)
Um recado para as musas
![]() |
| Maja Vestida, Francisco de Goya, 1802-05. via |
Descobri que a grande maioria dessas gurias era estudante de arte, mas quase não compartilhava produções próprias em suas páginas. Descobri também que a maioria dos caras que estavam com elas era daqueles típicos artistas que precisam de uma plateia para aparecer, de gente pra dizer que tudo o que eles fazem é sensacional e que até o peido deles é coisa de gênio.
Por isso, resolvi dar um recado para as minhas manas das fotos: não se contentem com o título de musas desses caras. Não se contentem em servir apenas como modelo ou como bajuladora desse tipo de pessoa, porque vocês são muito mais do que isso. É legal admirar alguém, mas ficar à sombra do outro é eclipsar a própria existência, enquanto artista e enquanto ser humano.
Vocês que estudam arte e dependem da opinião dos caras pra seguir adiante, achando que seus trabalhos nunca estão bons o suficiente ou que vocês nunca vão chegar aos pés dos seus ídolos, uma dica: procurem outras minas. Quantas colegas de classe ou de curso vocês conhecem que possuem um trabalho sensacional? Ou que têm vontade de criar um coletivo? Ou de montar uma zine? Andem com essas pessoas, elas são seus pares.
Por que eu estou dizendo isso? Porque o machismo que vemos no mundo artístico começa a ser plantado no momento em que um cara acredita que o lugar da mulher é em cima do tablado, nua, com a única finalidade de ser desenhada. De ter suas poses, partes íntimas, pelos e poros dissecados em blocos de desenho ao redor da sala.
Quebrem essa cadeia. Libertem-se da opinião de quem não quer que vocês voem, mas apenas fiquem orbitando ao redor de uma meia dúzia de "escolhidos".
Abraços,
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