[Resenha] Grande Magia, Elizabeth Gilbert
A criatividade foi um dos temas que esteve em alta durante 2015. Cursos de empreendedorismo criativo, oficinas sobre processos de criação e muitas publicações a respeito, ajudaram a popularizar um tema antes restrito à arte e áreas afins. Eu, particularmente, não acredito que exista uma fórmula pronta a seguir para ser criativo. E também não acho que é necessário trabalhar num determinado nicho como, por exemplo, o design. Você pode usar a criatividade ao inovar na receita de bolo, ou ao fazer um projeto DIY para sua casa.
Dentre os livros lançados, um deles chamou minha atenção por ter sido recomendado por várias artistas que sigo. Geralmente não acompanho essas "ondas" (demorei muito para ler Roube como um artista, e confesso que não achei lá grandes coisas), mas era tanta gente legal falando bem, que resolvi arriscar: comecei a ler Grande magia: vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar, Amar) sem muitas expectativas, mas fui surpreendida.
Dentre os livros lançados, um deles chamou minha atenção por ter sido recomendado por várias artistas que sigo. Geralmente não acompanho essas "ondas" (demorei muito para ler Roube como um artista, e confesso que não achei lá grandes coisas), mas era tanta gente legal falando bem, que resolvi arriscar: comecei a ler Grande magia: vida criativa sem medo, da Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar, Amar) sem muitas expectativas, mas fui surpreendida.
Foi meu primeiro contato com a autora, e gostei muito da maneira simples e direta como ela aborda o assunto, sem ficar restrita ao meio artístico. Todos podem (e devem) ter uma existência criativa e se permitir pensar e agir de um modo diferente. Usando a própria experiência, Liz vai nos mostrando, no decorrer da leitura, que pessoas criativas não são iluminadas, geniais ou mártires. Elas apenas se permitiram ser assim.
Essa leitura veio num momento de grande questionamento do meu próprio trabalho. Foi um período no qual fechei lojas, parei de aceitar encomendas, desapareci das redes sociais e suspendi projetos e parcerias. Eu me perguntava diariamente se era capaz e se realmente queria seguir adiante. O por quê de algumas coisas funcionarem para os outros e não para mim. O que eu estava fazendo de errado. E a cada página lida, foi como se eu descortinasse o mundo novamente. A autora não passa a mão na cabeça do leitor em nenhum momento, e chega a ser cruel algumas vezes. Talvez esse seja o grande trunfo de Grande Magia: criativos precisam ler umas verdades para cair na real.
Muitos temas chamaram minha atenção, mas vou tentar resumir em alguns pontos-chave, para a resenha não ficar muito grande (mesmo porque o número de marcações no livro superou as expectativas, obrigada Post-Its!):
Não dependa do seu trabalho criativo para sobreviver: talvez essa tenha sido a coisa mais honesta que já li sobre viver "de arte". Ainda mais nos dias de hoje, onde muita gente propaga o discurso de largar tudo para fazer o que se ama. Liz diz exatamente o contrário: tenha um emprego que pague as suas contas, para ter tranquilidade e estabilidade para criar. Seja a escrita, o desenho ou a jardinagem, o trabalho criativo não pode arcar com as consequências de ser seu mantenedor, pelo menos no início. Ler isso foi como levar um tapa, pois já me amaldiçoei demais por não conseguir viver totalmente de ilustração. Me sentia roubando das minhas amigas que são 100% freelas, me sentia uma fraude. E isso leva a outro ponto debatido pela autora:
Muitos temas chamaram minha atenção, mas vou tentar resumir em alguns pontos-chave, para a resenha não ficar muito grande (mesmo porque o número de marcações no livro superou as expectativas, obrigada Post-Its!):
Não dependa do seu trabalho criativo para sobreviver: talvez essa tenha sido a coisa mais honesta que já li sobre viver "de arte". Ainda mais nos dias de hoje, onde muita gente propaga o discurso de largar tudo para fazer o que se ama. Liz diz exatamente o contrário: tenha um emprego que pague as suas contas, para ter tranquilidade e estabilidade para criar. Seja a escrita, o desenho ou a jardinagem, o trabalho criativo não pode arcar com as consequências de ser seu mantenedor, pelo menos no início. Ler isso foi como levar um tapa, pois já me amaldiçoei demais por não conseguir viver totalmente de ilustração. Me sentia roubando das minhas amigas que são 100% freelas, me sentia uma fraude. E isso leva a outro ponto debatido pela autora:
Pare de sofrer e de reclamar: como ser criativo se isso é encarado como um fardo ou um karma? Ainda temos aquela ideia romântica do artista sofredor, que coloca uma boa dose de dor misturada ao seu talento, como se fosse impossível criar dentro de uma atmosfera de felicidade. Pelo contrário: é preciso libertar a criatividade da ~sofrência~ e da ideia de que, ao terminar um trabalho, estamos entregando um filho ao mundo. Encarar uma obra como se fosse um bebê nos impede de receber críticas, de aceitar nãos, de fazer ajustes, cortes, ou até mesmo lidar com o fracasso.
Trabalhe duro: Em várias passagens, Liz conta como era ter dois empregos em bares e, ainda assim, arrumar tempo para escrever e encaminhar seus textos para várias revistas. Depois de muitas negativas, finalmente teve um conto publicado e pode contratar uma agente literária. Mas isso levou anos, não aconteceu da noite para o dia, e sequer fez a autora relaxar. Procrastinar e reclamar que nada acontece vai levar a... nada, mesmo.
Sobre críticas e recepção do público a uma obra, a autora ressalta que não temos controle sobre a opinião alheia e, sinceramente, isso não deve nos incomodar. Nossa parte foi feita, cada um vai receber a mensagem da maneira que quiser e estiver disposta. Em tempos de internet e de opiniões extremistas, ter essa visão sobre o próprio trabalho deve ser libertador. Ainda não cheguei lá, confesso. Me preocupo com a mensagem que estou passando e me esforço para ser compreendida. Porém, já fiz questão de gravar no meu mural a seguinte passagem:
Sobre críticas e recepção do público a uma obra, a autora ressalta que não temos controle sobre a opinião alheia e, sinceramente, isso não deve nos incomodar. Nossa parte foi feita, cada um vai receber a mensagem da maneira que quiser e estiver disposta. Em tempos de internet e de opiniões extremistas, ter essa visão sobre o próprio trabalho deve ser libertador. Ainda não cheguei lá, confesso. Me preocupo com a mensagem que estou passando e me esforço para ser compreendida. Porém, já fiz questão de gravar no meu mural a seguinte passagem:
"Deixe que as pessoas tenham suas opiniões. Mais do que isso, deixe que as pessoas sejam apaixonadas por suas opiniões, assim como eu e você somos apaixonados pelas nossas. Mas nunca se iluda a ponto de acreditar que precisa de bênção (ou mesmo da compreensão) de alguém para fazer o próprio trabalho criativo. E lembre-se sempre de que os julgamentos que as pessoas fazem de você não são da sua conta."
O vídeo acima é uma palestra que a Liz Gilbert fez no TED e que serve como ótimo complemento para o livro. Além de falar sobre como a criatividade muitas vezes é encarada como um fardo pelos artistas, ela defende a ideia de que, ao invés de ser um gênio, que cada pessoa tenha um gênio. Assista para entender, é excelente!
Espero ter contribuído com mais uma leitura que adorei fazer. Lembrando que títulos como este são destinado ao público leigo, para que várias pessoas tenham acesso a ideias antes restritas a pequenos grupos. Não se compara a, por exemplo, Criatividade e Processos de Criação, da Fayga Ostrower, mas esse nem é o objetivo. O importante é tomar gosto pelo assunto e, aos poucos, aprofundar os estudos. Posso fazer uma resenha deste e de outros livros mais acadêmicos que tenho no meu acervo, se for de interesse geral da nação. ;)
Links bacanas #5 + novidade
A edição de dezembro dos links bacanas está especial, com indicações de cursos online (gratuitos e pagos), para você fazer no conforto da sua casa e se atualizar, entrar em rede com outros profissionais e continuar aprendendo, o que é fundamental. Além disso, tem meu novo studio no Colab55, com vários produtos legais (e o motivo de eu ter reaberto a loja):
- Oficina de ilustração Amanda Mol: a Amanda é uma das ilustradoras mais fofas da internet, com um trabalho super bonito e feminino. O objetivo da oficina não é ensinar técnicas de ilustração, mas proporcionar um momento de pausa e inspiração, mostrando que desenhar é fácil e para todos.
- Curso sobre a carreira de ilustrador: ministrado pela ilustradora Clau Souza, do Estúdio Borogodó, esse curso é essencial para quem está dando os primeiros passos na ilustração, bem como para quem já tem experiência e deseja se atualizar. Cheio de dicas e macetes sobre como montar portfólio, fazer orçamento, contrato, dentre outras coisas.
- Curso de História da Arte: videoaulas disponibilizadas gratuitamente pela UNESP, abordam desde a Arte Etrusca até o Renascimento. Ideal para quem quer ir além da técnica e se aprofundar na teoria e, principalmente, na arte produzida pela humanidade ao longo dos séculos.
- Fundamentos da pintura em aquarela: este curso é oferecido através da plataforma Eduk e ministrado pelo artista plástico Luis Castañón. Aborda os conceitos básicos da aquarela, com exercícios práticos e dicas, além de fornecer certificado ao final da atividade.
- Ilustração de moda: outro curso da Eduk, ministrado pela Luisa Simão. Para quem curte ilustração de moda e deseja aperfeiçoar o traço do seu croqui. Também oferece certificação ao final.
No último final de semana, resolvi reabrir meu studio no Colab55, atendendo a pedidos, principalmente de quem deseja presentear com arte neste Natal. Depois de muito pensar se valeria a pena ou não, decidi arriscar novamente. Eu havia fechado o studio anterior não por problemas com a plataforma em si, mas pela baixa procura. Uma pena, pois os produtos são ótimos.
Então, antes de me jogar, fiz uma pesquisa entre os produtos mais procurados e com melhor relação custo/benefício para mim e para os clientes. Fica a dica para quem gosta de presentes exclusivos, a loja aceita vários cartões de crédito, além de parcelar suas compras. Neste post falo da qualidade dos produtos.
No último final de semana, resolvi reabrir meu studio no Colab55, atendendo a pedidos, principalmente de quem deseja presentear com arte neste Natal. Depois de muito pensar se valeria a pena ou não, decidi arriscar novamente. Eu havia fechado o studio anterior não por problemas com a plataforma em si, mas pela baixa procura. Uma pena, pois os produtos são ótimos.
Então, antes de me jogar, fiz uma pesquisa entre os produtos mais procurados e com melhor relação custo/benefício para mim e para os clientes. Fica a dica para quem gosta de presentes exclusivos, a loja aceita vários cartões de crédito, além de parcelar suas compras. Neste post falo da qualidade dos produtos.
Pantone divulga as cores oficiais de 2016
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| Fonte |
A Pantone divulgou as cores oficiais para 2016 e sim, pela primeira vez, teremos duas cores para representar o próximo ano. Depois do sucesso da Marsala em 2015, a empresa apostou em dois tons pastéis: Rose Quartz (rosa) e Serenity (azul). A justificativa do Pantone Color Institute para essa escolha é muito legal, e tem a ver com diversidade e igualdade de gênero. Dá para ler mais sobre isso aqui.
Apesar da causa e das cores bonitas eu, particularmente, não fiquei impressionada. Esperava mais, de verdade. Achei a paleta um tanto quanto morna. Mas quem me acompanha sabe que a primeira reação que tenho é sempre meio blé.
Desenho rápido que fiz com marcadores Copic, encontrados no kit de seis tons pastéis da linha Ciao. Aproveitei para fazer um levantamento de quais cores aproximadas eu tinha em outros estojos, dos mais diferentes materiais, e encontrei bastante coisa, que mostrarei em outra oportunidade.
Uma artista que já usava e abusava de Rose Quartz e Serenity em suas obras, lá no começo do Século XX era Tarsila do Amaral. Impossível não lembrar de quadros como Manacá e Religião Brasileira:
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| Clique para ampliar. Fonte das obras de Tarsila: aqui |
Minhas inspirações - dezembro
Este mês voltei ao Behance, por isso, resolvi trazer três artistas que conheci por lá e que são referências fantásticas. Começando pela Amanda Mocci (acima, o trabalho Luna), ilustradora canadense especialista em retratos realistas. É muito legal acompanhar seus vídeos de processo, dá pra conhecer um pouquinho dos materiais que ela usa (lápis Mars Lumograph entre os preferidos) e babar bastante.
A Cristina Alonso é uma ilustradora espanhola, com um trabalho bastante focado no mundo fashion. Até hoje não consegui superar esse retrato da Candice Swanepoel, e a perfeição das asas douradas. A Cristina tem, sem dúvidas, um dos portfólios que mais admiro e me inspira. Ela costuma trabalhar com materiais tradicionais e, em seguida, finalizar digitalmente. É um bom exemplo de "casamento feliz" entre as duas técnicas.
Já as ilustras da Gaby Zermeño são totalmente digitais. Essa artista mexicana costuma abusar dos contrastes de cores fortes, principalmente o rosa e laranja, como na imagem acima. Temas tradicionais mexicanos são recorrentes, com as catrinas do Dia dos Mortos. Ela também cria personagens inspirados no universo geek e da cultura popular.
Estamos quase no final de 2015 e ainda tem muita gente que gosta de polemizar entre desenho tradicional e digital mas, ó: tem espaço pra todo mundo! E cada artista é livre para escolher como deseja trabalhar. Acho que esse é um bom pensamento para começar o mês.
Motion Portrait: o app que dá "vida" às ilustrações
Ontem meu Instagram foi invadido por ilustrações animadas das minhas artistas preferidas. A mágica fica por conta de um aplicativo chamado MotionPortrait (tem para baixar gratuitamente nas principais lojas de app). Ele faz uma animação a partir de retratos estáticos. Resolvi fazer uma seleção dos trabalhos que mais curti (foi difícil). Tem até as famosas Catrinas da Sylvia Ji.
Um vídeo publicado por Maria Björnbom Öberg (@bokkei) em
Um vídeo publicado por Happy D. 🍄🌿🌞🎨🐱🍭💫 (@happydartist) em
Um vídeo publicado por Audrey Kawasaki (@audkawa) em
Um vídeo publicado por Edith Lebeau (@edithlebeau) em
É claro que eu também aproveitei o app para dar vida às minhas meninas. Confesso que fiquei emocionada ao ver a Sugar Skull sorrindo e retribuindo o olhar. #mãecoruja
Um vídeo publicado por Lidiane Dutra (@lidydutra) em
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