Vamos falar sobre cópia?
Nos últimos dias acompanhei um caso no YouTube relacionado à cópia das ilustrações de algumas artistas, incluindo a Jennalee Auclair, que fez um vídeo sobre a questão. Situações que envolvem plágio e uso não autorizado de conteúdo são uma dor de cabeça sem fim. Digo por experiência própria, pois desde que fiz a resenha do giz de cera tons de pele, vários sites têm republicado as minhas imagens sem permissão e sem créditos. É chato e muito desgastante.
Quando as pessoas lucram em cima da cópia fica ainda pior, pois imaginem vocês todo o trabalho que envolve produzir, por exemplo, uma estampa, que você vai colocar na sua loja virtual e, de repente, uma confecção de fundo de quintal pega a sua imagem da internet (que já está em baixa resolução), apaga qualquer sinal de crédito e põe a arte à venda.
Mas será que nós, enquanto sociedade, não encorajamos esse comportamento? Numa época em que curtidas, elogios e SDV transbordam nas nossas time lines, a cópia é o caminho mais fácil para o "sucesso", por se tratar de uma fórmula pré-pronta: você faz o que todos estão fazendo, pega um recorte daqui, outro de lá, e voilà: tem seu público fiel formado. Se alguém acusar de plágio, é só dizer que foi inspiração, apagar e daqui a alguns meses começar tudo de novo.
Da parte legal que envolve direitos autorais, todos nós que produzimos arte e conteúdo estamos bastante cientes. O meu objetivo com este post é pontuar a necessidade de uma sociedade que pare de educar para e pela cópia. E quem fala aqui é a professora, que se recusa a ir pelo caminho mais fácil. Que senta ao lado do aluno e o encoraja a construir seu próprio repertório.
Mas será que nós, enquanto sociedade, não encorajamos esse comportamento? Numa época em que curtidas, elogios e SDV transbordam nas nossas time lines, a cópia é o caminho mais fácil para o "sucesso", por se tratar de uma fórmula pré-pronta: você faz o que todos estão fazendo, pega um recorte daqui, outro de lá, e voilà: tem seu público fiel formado. Se alguém acusar de plágio, é só dizer que foi inspiração, apagar e daqui a alguns meses começar tudo de novo.
Da parte legal que envolve direitos autorais, todos nós que produzimos arte e conteúdo estamos bastante cientes. O meu objetivo com este post é pontuar a necessidade de uma sociedade que pare de educar para e pela cópia. E quem fala aqui é a professora, que se recusa a ir pelo caminho mais fácil. Que senta ao lado do aluno e o encoraja a construir seu próprio repertório.
No livro Formas de Pensar o Desenho, Edith Derdyk dedica um capítulo inteiro para falar sobre imitação e cópia. Embora o público alvo seja professores que trabalham com crianças em idade escolar, acho válido trazer os dois conceitos abordados pela autora, pois eles são a síntese do que aqui vou chamar de educação para o plágio e educação para a construção de repertório:
CÓPIA: "O ensino fundamentado na cópia inibe toda e qualquer manifestação expressiva e original. A criança, autorizada a agir dessa forma, certamente irá repetir fórmulas conhecidas diante de qualquer problema ou situação que exige respostas. Ela, com todo o seu potencial aventureiro, deixa de se arriscar, de se projetar. Seu desenho enfraquece, tal como o seu próprio ser." (p. 107)
CÓPIA: "O ensino fundamentado na cópia inibe toda e qualquer manifestação expressiva e original. A criança, autorizada a agir dessa forma, certamente irá repetir fórmulas conhecidas diante de qualquer problema ou situação que exige respostas. Ela, com todo o seu potencial aventureiro, deixa de se arriscar, de se projetar. Seu desenho enfraquece, tal como o seu próprio ser." (p. 107)
IMITAÇÃO: "A imitação possui significado distinto da cópia. Ela decorre da experiência pessoal, orientada pela seleção natural que a criança efetua dos 'objetos', para então apropriar-se deste ou daquele conteúdo, forma, figura, tema, através da representação. Imitar é a maneira de se apropriar. A capacidade de imitar só é possível quando a criança está apta a reproduzir e simbolizar imagens mentais internas. A imitação representa estas imagens mentais sob forma de linguagem, ampliando o repertório gráfico através da repetição. Esta também faz parte do processo de aquisição do conhecimento. Basta olhar para uma criança aprendendo a andar. A repetição é a incorporação de gestos, de elementos gráficos, de conteúdos que vão se acrescentando ao repertório infantil, por livre-arbítrio. A criança detém o poder de decisão." (p. 110)
Podemos, a partir desses dois trechos, concluir que, para Derdyk, a cópia inibe o desenvolvimento do processo criativo, enquanto a imitação e a repetição são maneiras naturais da criança adquirir conhecimento. Frisei bastante a autora porque euzinha (minha opinião particular) não concordo com o termo imitação, acho que ele é muito limitado (dentro da ampla definição que ela mesma dá) e carrega em si vários estereótipos, difíceis de desconstruir. Como esse livro foi escrito na década de 1990, talvez nem a Edith concorde mais com o termo que usou.
Então qual é o nosso papel, já que estamos na rede? Além de agir em prol dos nossos direitos, podemos também seguir um viés pedagógico e mostrar para os leitores o quanto copiar o trabalho de alguém é prejudicial para ambos os lados.
Sei que tem muita gente cara de pau, que copia para se dar bem mesmo, mas também lidamos com crianças, pré-adolescentes, pessoas em construção, por isso elas precisam ser educadas. Ainda há salvação, sabe? Sempre procuro pensar por esse lado, e o exemplo que dou é muito simples: é mais fácil um anônimo reconhecer que errou e pedir desculpas, do que uma grande rede de fast fashion brasileira que roubou a arte da Ëlodie e até hoje nega.
A seguir, uma lista de coisas que podemos pensar:
Educação para o plágio
- a pessoa não arrisca coisas novas e não testa seus limites;
- falta profundidade no aprendizado;
- é comum pular etapas (por exemplo, não estudar anatomia, ponto de fuga, etc.);
- a pessoa adquire os "vícios" daqueles que copia;
- falta de entendimento global e estrutural: a pessoa não sabe explicar por que tomou determinadas decisões.
Educação para a construção de repertório
- aprendizado a partir da coleta de informações;
- uso contínuo de referência;
- embasamento teórico-prático;
- treino constante;
- aprender com erros e acertos (seus e dos outros).
E nunca é demais dizer que, mesmo se você quiser copiar a ilustração de um artista para estudar, ou para prestar uma homenagem, lembre-se que:
- cópia não pode ser comercializada;
- cópia/inspiração deve ser sinalizada;
- o artista precisa consentir com a publicação;
- todas as obras são protegidas pela Lei de Direitos Autorais.
Atualização em 15/09/2018
Indico a leitura desses textos para complementar o que falei acima:- Nada se cria;
- A cópia como ferramenta de estudo;
- Máquina de xerox barata;
- Influência, inspiração e referência: o que são?
E se gostou desse texto, não esqueça de indicar a autoria e não copiar na íntegra! ;)
Abraços,
Lidiane :-)
Minhas inspirações: agosto
Mês passado não fiz o post com as minhas inspirações por motivos de esquecimento, mas vou compensar mostrando seis artistas fantásticas que acompanho.
Beatriz Mutelet: ilustradora francesa que tem sido minha maior inspiração nos últimos dois meses, mais ou menos. Tem formação em Artes Gráficas, Artes Plásticas e Ilustração, e suas figuras possuem forte caráter onírico, feitas principalmente com grafite, aquarela, nanquim e folhas de ouro.
Georgina Kreutzer: Esta arquiteta australiana é uma das minhas referências em lápis, papel kraft e retratos. Seus trabalhos hiperrealistas exploram luminosidade e diversas cores para criar efeitos sutis de volume. Cada projeto em andamento é uma aula particular no Instagram.
Stefari: Mestra dos cabelos volumosos e esvoaçantes, Stef Azevedo é uma ilustradora de Seattle que se supera a cada novo trabalho. Ela domina caneta esferográfica, nanquim, aquarela... quando acho que já chegou no topo de qualidade do seu trabalho, vem outro e outro, cada um mais arrasador.
Gabi Xavier: Conheci o trabalho da Gabi no Instagram e fiquei absurdada com as aquarelas dela. É um trabalho de alto nível, com aquela cara de Tumblr que a gente vê nos artistas gringos, mas ela "é nossa", brasileira, e PRECISA ser conhecida pelo maior número de pessoas possível. É sério!
Cruella (Andressa Raphaelly): A Cruella é um amor e faz as personagens mais fofas do Instagram. No seu blog é possível acompanhar vários tutoriais, que inclusive me ajudaram muito na época em que estava fazendo as ilustrações para o curso Maremundo e precisava treinar meu traço. Adoro as situações cotidianas que ela transforma em tiradas hilárias, como a "não sou obrigada".
Juliana Fiorese: Conheci o trabalho da Juliana através de um vídeo da Tati Feltrin e me apaixonei pelo traço super delicado e característico. A relação dela com o público também é muito legal: através de um projeto de financiamento coletivo no Catarse, ela publicou o livro Valquírias (tenho!) e, sempre que pode, disponibiliza prints e desenhos para download.
Vocês notaram que as três últimas ilustradoras que mostrei são brasileiras, né? Tem MUITAS artistas legais no nosso país, todas elas com perfis nas redes sociais, então tire um tempo para pesquisar novos nomes e seguir o trabalho dessas gurias, pois vale a pena.
Mês que vem volto com mais inspirações (espero não esquecer rsrsrsrs).
Abraços,
Lidiane :-)
Vocês notaram que as três últimas ilustradoras que mostrei são brasileiras, né? Tem MUITAS artistas legais no nosso país, todas elas com perfis nas redes sociais, então tire um tempo para pesquisar novos nomes e seguir o trabalho dessas gurias, pois vale a pena.
Mês que vem volto com mais inspirações (espero não esquecer rsrsrsrs).
Abraços,
Lidiane :-)
Desafio #AGostodoArtista 01
O primeiro item do desafio #AGostoDoArtista é "eu gosto dessa cor", e consiste em fazer um desenho usando apenas nossa cor favorita. Desnecessário dizer que escolhi lilás/roxo, que amo tanto. Aproveitei para fazer um autorretrato como pônei-unicórnio-pégaso-maldito, feliz da vida colhendo lavandas pelo campo.
Se você quiser participar da tag, vai lá no Instagram da Dessamore e veja os próximos itens da lista. São 15 dias de desenhos, pra ninguém ficar sem postar. E para acompanhar minhas postagens em primeira mão, me segue no Instagram e Snapchat (lidydutra).
Abraços,
Lidiane :-)
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