Actias Luna 🐛
Depois de muito tempo transitando somente entre a aquarela e o grafite, voltei a usar lápis de cor para cobrir totalmente um desenho. Tenho preferido usar este material mais como complemento ou detalhe fino, pois é um processo mais demorado e, vendo alguns trabalhos antigos, sinto que me perdia demais nas cores. Por isso, resolvi fazer este exercício de "reciclar" a técnica que me acompanha desde quando eu nem sonhava em ilustrar.
E como acontece frequentemente, usei um estudo que estava em espera, daqueles que faço sem compromisso e deixo guardado até que case com alguma ideia. Outra coisa que tenho colocado em prática é a criação de thumbnails e composições prévias no Photoshop para estudar melhor a posição dos elementos, paletas e ajustar os tamanhos. No caso dessa ilustração, a preocupação foi com as asas, feitas separadamente. A Leilani Joy é uma artista que usa muito esses artifícios, e tem vários vídeos em seu canal sobre processo criativo e referências.
Cheguei a esta representação de uma fada, inspirada na mariposa actias luna, depois de ver alguns sketches antigos; houve uma época em que praticamente todas as minhas figuras possuíam asas de borboleta ou anjo. Pesquisei muitas imagens no Pinterest e também procurei artistas que costumam ilustrar essas mariposas, como a HappyD e a Caroline Jamhour.
À esquerda, a composição que fiz no Photoshop para me guiar, unindo o esboço da figura com o das asas, e acertando o tamanho para A4. Fiz algumas modificações na arte final (aquela orelha estava meio esquisita), e também já testei como faria a cor das asas, em tons de verde, azul e ocre. Esses tons estão presentes em todo o resto, com excessão do vestido, para o qual utilizei também rosas e pêssego. O que eu quis evitar foi o excesso de cores, priorizando a neutralidade do todo. O resultado:
Materiais utilizados
- Papel Canson desenho 200g na cor creme;
- Lápis de cor Polycolor;
- Guache Talens branco;
- Multiliner Copic;
- Marcador Bic dourado.
Trabalhar com lápis de cor pode ser um pouco complicado no começo, principalmente se nós não conhecemos muito bem o material que temos em mãos. Como respondi esses dias lá no grupo Ilustra Dúvidas, acho importante pesquisar e comprar algumas unidades avulsas de marcas diferentes para testar. Eu tenho lápis da Koh-I-Noor, Derwent, Caran d'Ache, Staedtler e alguns escolares da Faber-Castell e cada um serve a um propósito diferente. O papel também influencia muito na pintura, principalmente se você deseja algo mais liso ou texturizado.
Sei que tenho dito muito isso ultimamente, mas, fiquei muito feliz com o resultado (que bom, né?!). Sério, eu estava muito enferrujada com lápis de cor, o tempo está úmido e tudo poderia ter dado errado. Mas quando vi as asinhas saírem exatamente como queria, ganhei gás suficiente para levar a pintura adiante. Acho que menos é mais sempre. Mesmo com várias cores à disposição, reduzi e neutralizei a paleta, para chegar no resultado desejado. E não fiquei lambendo o desenho depois de finalizar (isso aprendi com Sabrina).
Aproveitando que falei bastante sobre referências nessa postagem, gostaria de deixar como indicação este vídeo maravilhoso da Ale Presser e da Sulamoon, no qual elas discutem se usar referência é roubar. Vale muito a pena assistir. E para quem deseja saber mais sobre o simbolismo da mariposa, a Caroline Jamhour escreveu um texto ótimo em seu blog.
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Arte é trabalho
Então Elementais passou... ontem fiz as últimas entregas dos prints vendidos (só sobraram dois!) e encerro, de vez, esta etapa proveitosa, porém cansativa, do meu ano artístico. Não espero voltar a expor tão cedo, pois minha vida parou para que eu pudesse dar conta de toda a carga física e emocional que esse tipo de atividade representa.
Talvez para quem esteja de fora, seja difícil compreender tudo o que envolve montar uma exposição. Recentemente reli o ótimo livro Reflexões sobre a Arte, do Alfredo Bosi, no qual o autor faz alguns apontamentos muito interessantes. Um deles é de que arte é um fazer humano, um conjunto de atos pelos quais se transforma o que a natureza e a cultura nos oferecem. O mesmo reitera que, por se tratar de uma produção, logo, a arte pressupõe trabalho. A própria distinção entre artista e artífice vem muito mais de uma separação econômica e social do que das diferenças entre o trabalho criativo de um ou outro.
Mas não é raro que uma parcela de pessoas fique com a impressão de que é fácil reunir um número x de obras para serem exibidas, afinal, o artista faz o que gosta e, naturalmente, tem um dom para isso. São tantos equívocos que fica difícil sistematizar, mas vou tentar: em primeiro lugar, todo profissional deveria gostar minimamente do que faz, e isso não vai impedir que momentos estressantes aconteçam, é natural. Segundo, dom não existe. Dizer que alguém tem o dom de desenhar é eliminar qualquer traço de estudo para se aprimorar. Recomendo dois vídeos interessantes sobre o assunto, um da Alê Presser e outro da Ana Blue.
Por trás das ilustrações plenamente alinhadas nos expositores, existe um mundo de trabalho que deve ser reconhecido, a começar pelo criativo: a concepção e execução das ideias, para posterior finalização e tratamento digital. Depois disso, o processo é puramente burocrático: colocar essas artes para venda, ficar de olho nos plágios, atualizar o portfólio e as redes para conseguir mais clientes. Sem contar as horas dedicadas aos estudos. Fora que, na grande maioria das vezes, o artista executa sozinho todas as atividades, desde a ideia que gerou o primeiro esboço, até a fila dos Correios para despachar uma encomenda. É por isso que esse processo não pode desaparecer sob a desculpa de ser fácil ou dom.
Para Elementais, tive que definir praticamente sozinha uma série de pormenores (tive ajuda do Antonio no serviço pesado): me reunir com a assessoria do shopping para escolher o mês; definir a quantidade de trabalhos, o tema e quais ilustras se encaixavam (foram horas planejando somente isso); pesquisar formatos de impressão e orçamentos em gráficas da cidade e de fora; me deslocar até outra cidade para buscar o material impresso; definir o valor final das peças e como as venderia; me programar para o dia da montagem e preparar o esquema de colagem, legendas e códigos interativos; divulgar fortemente, todos os dias; tirar fotos e comentar nas de quem me visitou; responder mensagens com dúvidas dos clientes; monitorar as peças reservadas; ir de vez em quando verificar se estava tudo bem com o material; marcar o dia e hora da desmontagem; desmontar com cuidado para não danificar; deixar o local limpo; fazer o acabamento, embalar e entregar os trabalhos vendidos; monitorar os pagamentos; não esquecer de fotografar e registrar todos os processos - de notas fiscais a e-mails.
Por trás das ilustrações plenamente alinhadas nos expositores, existe um mundo de trabalho que deve ser reconhecido, a começar pelo criativo: a concepção e execução das ideias, para posterior finalização e tratamento digital. Depois disso, o processo é puramente burocrático: colocar essas artes para venda, ficar de olho nos plágios, atualizar o portfólio e as redes para conseguir mais clientes. Sem contar as horas dedicadas aos estudos. Fora que, na grande maioria das vezes, o artista executa sozinho todas as atividades, desde a ideia que gerou o primeiro esboço, até a fila dos Correios para despachar uma encomenda. É por isso que esse processo não pode desaparecer sob a desculpa de ser fácil ou dom.
Para Elementais, tive que definir praticamente sozinha uma série de pormenores (tive ajuda do Antonio no serviço pesado): me reunir com a assessoria do shopping para escolher o mês; definir a quantidade de trabalhos, o tema e quais ilustras se encaixavam (foram horas planejando somente isso); pesquisar formatos de impressão e orçamentos em gráficas da cidade e de fora; me deslocar até outra cidade para buscar o material impresso; definir o valor final das peças e como as venderia; me programar para o dia da montagem e preparar o esquema de colagem, legendas e códigos interativos; divulgar fortemente, todos os dias; tirar fotos e comentar nas de quem me visitou; responder mensagens com dúvidas dos clientes; monitorar as peças reservadas; ir de vez em quando verificar se estava tudo bem com o material; marcar o dia e hora da desmontagem; desmontar com cuidado para não danificar; deixar o local limpo; fazer o acabamento, embalar e entregar os trabalhos vendidos; monitorar os pagamentos; não esquecer de fotografar e registrar todos os processos - de notas fiscais a e-mails.
Paralelo a isso segui trabalhando, produzindo, atualizando as redes com outras coisas, respondendo outros clientes, tentando estudar e viver um pouco. Então é muito importante criar a consciência coletiva de que quem faz o que gosta, geralmente em profissões criativas (ilustração, música, dança, teatro, animação de festa infantil, hora do conto e por aí vai), tem um trabalho como qualquer outro.
Outra coisa que acontece, frequentemente, é a supervalorização da aura artística, da arte como processo extraordinário, porém, sem fim comercial. Vejo muitos colegas acadêmicos condenarem quem, assim como eu, aceita encomendas, reproduz e vende seus trabalhos, através de uma leitura equivocada do ensaio de Walter Benjamin, publicado em 1936, chamado A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. Eu também acredito que o momento da criação é único e que a obra original carrega em si um significado que perdurará muito mais do que uma reprodução, porém, vivemos num mundo conectado, interativo, no qual o público pode acompanhar em tempo real o trabalho de seu artista favorito e, neste cenário, é compreensível que produtos, prints e até mesmo obras totalmente virtuais (como wallpapers para celular, por exemplo) sejam apreciadas - e vendidas. Inclusive, considera-se aqui o caso de ilustrações digitais, que só existem no computador mesmo, fazendo com que toda impressão seja uma espécie de original.*
Eu não quis escrever esta postagem para reclamar, pois só tenho a agradecer por ter mostrado meu trabalho e vendido a grande maioria, além do carinho e comparecimento em massa do público, que não só visitou, como fez questão de me ajudar na divulgação. Meu objetivo é dar visibilidade para este "outro lado" do processo criativo, que envolve burocracias, suor e problemas, mas que, mesmo assim, é uma parte importante do todo e deve ser encarada com a devida seriedade. E se for de interesse dos leitores, posso dar dicas para quem deseja montar uma exposição, a partir das minhas experiências.
Abraços,
Lidiane 💖
*Editei este parágrafo em 10/08 para melhorar a compreensão das minhas ideias.
Outra coisa que acontece, frequentemente, é a supervalorização da aura artística, da arte como processo extraordinário, porém, sem fim comercial. Vejo muitos colegas acadêmicos condenarem quem, assim como eu, aceita encomendas, reproduz e vende seus trabalhos, através de uma leitura equivocada do ensaio de Walter Benjamin, publicado em 1936, chamado A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. Eu também acredito que o momento da criação é único e que a obra original carrega em si um significado que perdurará muito mais do que uma reprodução, porém, vivemos num mundo conectado, interativo, no qual o público pode acompanhar em tempo real o trabalho de seu artista favorito e, neste cenário, é compreensível que produtos, prints e até mesmo obras totalmente virtuais (como wallpapers para celular, por exemplo) sejam apreciadas - e vendidas. Inclusive, considera-se aqui o caso de ilustrações digitais, que só existem no computador mesmo, fazendo com que toda impressão seja uma espécie de original.*
Eu não quis escrever esta postagem para reclamar, pois só tenho a agradecer por ter mostrado meu trabalho e vendido a grande maioria, além do carinho e comparecimento em massa do público, que não só visitou, como fez questão de me ajudar na divulgação. Meu objetivo é dar visibilidade para este "outro lado" do processo criativo, que envolve burocracias, suor e problemas, mas que, mesmo assim, é uma parte importante do todo e deve ser encarada com a devida seriedade. E se for de interesse dos leitores, posso dar dicas para quem deseja montar uma exposição, a partir das minhas experiências.
Abraços,
Lidiane 💖
*Editei este parágrafo em 10/08 para melhorar a compreensão das minhas ideias.
Solar 🌻 {lidando com adversidades}
No início da semana fiz minha primeira live no Instagram (e esqueci de salvar). Não planejei, nem avisei ninguém, apenas peguei o tripé, liguei a câmera e fiquei meia hora batendo papo com várias pessoas queridas e fazendo a line art dessa ilustra. E isso foi muito bom, em vários aspectos. Pra começar, tenho muito medo de desenhar em público; receio dos olhares e julgamentos. Toda vez que penso em ir para o shopping ou até mesmo para a casa do namorado munida de lápis e sketchbook, eu travo e não consigo produzir. Além da tristeza, vem a decepção e aquela pontada de síndrome da impostora.
Mas durante a live várias ideias foram surgindo, eu destravei a mão e consegui conversar sobre materiais, fazer todas as marcações de valores e, inclusive, definir a inspiração para a figura. Estou apaixonada pelo livro Art of Loish, e bebi na fonte das meninas de longos cabelos e cores excepcionais, dessa artista que amo muito, por influência de dona Isabella Pessoa.
Usei novamente o papel do bloco Mix-Media, da linha Canson XL (a primeira foi com Mer-tea) e, mais uma vez, bateu a decepção. A textura do lado direito é muito estriada, praticamente igual ao papel para aquarela da linha universitária, por isso decidi usar o avesso. Prendi bem com fita, para que ele não ondulasse, o que realmente funcionou. Mas na hora de aquarelar, o papel só faz borrão e poça d'água.
Ao iniciar a marcação com dioxazine já percebi que a tarefa não seria das mais fáceis, e quando coloquei o sombra queimada, tive a certeza: não vai rolar! Não entendo como uma marca disponibiliza no mercado nacional um produto tão aquém do esperado, visto que artistas gringas, como a Jacquelin De Leon, usam esse sketchbook, e ele sequer parece ter a mesma textura (nesse vídeo dá pra ter noção do que estou falando). Fica aquela sensação de comprar gato por lebre, e mesmo que outras pessoas usem e se adaptem, não é um material que eu recomendo.
Depois desse banho de água fria, não queria perder meu trabalho, então levei o caráter multi-técnicas do papel até as últimas consequências. Usei pastel seco para fazer toda a cobertura da pele, trabalhando em tons de azul, marrom e branco. Em seguida, reforcei com lápis de cor e marcador. No final das contas, consegui salvar a ilustra e deixar a pele no tom desejado, mas não sem lançar mão de mil materiais e fazer uma verdadeira fuzarca. A aquarela serviu como base para todo o resto, e se eu tiver que mostrar um ponto positivo desse papel, foi que ele aguentou tudo sem fazer uma ondulação sequer e sem rasgar (somente na hora de tirar a fita).
Materiais utilizados (senta que a lista é grande)
- papel Canson Mix-Media XL 300g;
- lápis grafite Lyra 2B;
- aquarelas Sennelier e Van Gogh;
- pincéis pelo sintético Keramik;
- Pastel seco e esfuminhos Derwent;
- Lápis de cor Polycolor e Staedtler Karat;
- multiliner Copic;
- guache branco Talens;
- marcador Posca dourado.
Embora tenha conseguido chegar ao resultado esperado (ela lembra a Tempestade, dos X-Men!), fico um pouco frustrada por ter que recorrer a tantos materiais para contornar o defeito de um deles, ainda mais que ando numa vibe de reduzir cada vez mais o que uso. Foi a primeira vez que usei o lápis grafite da Lyra, este sim sensacional, e ocupando desde já um lugar de destaque no meu coração. Lembrando que sempre é bom fixar todo e qualquer trabalho com verniz apropriado, assim, sua durabilidade será maior.
Me conte nos comentários se você já teve problemas com algum material e o que fez para lidar com a situação. E também o que achou de Solar. 🌻
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